segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Bolsonaro sobe para 33% e Haddad salta para 16% em nova pesquisa BTG/FSB

Pesquisa BTG/FSB divulgada nesta segunda-feira (17/09) mostra que Jair Bolsonaro (PSL) lidera a corrida presidencial com 33% dos votos. Na semana anterior, o percentual era de 30%. É a primeira vez que Bolsonaro ultrapassa a casa dos 30%. Em segundo lugar, estão empatados tecnicamente Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT), considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O petista tem 16% das intenções de voto e Ciro, 14%. Os dois conseguiram abrir vantagem para Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede). O tucano caiu para 6% e a candidata da Rede para 5%. O levantamento ainda traz cenários de segundo turno. Bolsonaro vence Alckmin, Haddad e Marina e empata com Ciro. A pesquisa foi feita por telefone, entre os dias 15 e 16 de setembro.

Nova pesquisa de intenção de votos divulgada na madrugada desta segunda-feira pelo banco BTG Pactual em parceria com o Instituto FSB traz Jair Bolsonaro(PSL) com 33% das intenções de voto, três pontos percentuais acima da semana passada. A pesquisa do BTG é a que tem dado maior pontuação a Bolsonaro na comparação aos outros levantamentos. Fernando Haddad (PT), passou de 8% para 16%. Ciro Gomes (PDT), chegou a 14%, ante 12% da semana anterior. Geraldo Alckmin (PSDB) tem 6%. Marina Silva (Rede) tem 5%.

Na pesquisa, 9% disseram não votar em ninguém. Outros 2% apontaram nulo ou em branco e 4% não sabem. 1% dos entrevistados não responderam à pesquisa.

Segundo Turno

No segundo turno, Bolsonaro empataria com 42% com o Ciro Gomes (PDT). Diante de Fernando Haddad (PT), o candidato do PSL ficaria com 46% dos votos e Haddad com 38%. O candidato do PSL também venceria contra Geraldo Alckmin (PSDB) por 43% a 36%. No cenário com Marina Silva, o candidato do PSL também venceria, 48% a 33%.

Rejeição

Segundo a pesquisa, a candidata Marina Silva é a que tem maior rejeição entre os eleitores com 58%. Alckmin fica em segundo lugar com 53%. Haddad e Meirelles estão com 48%. Ciro aparece com 46% e, Bolsonaro, com 45%.

Metodologia

Por telefone, o Instituto FSB Pesquisa entrevistou 2 mil eleitores a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação. A margem de erro no total da amostra é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. As entrevistas telefônicas foram realizadas entre 15 e 16 de setembro.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como BR-06478/2018.

Fonte: Exame

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Porandubas Políticas

Por Gaudêncio Torquato

Abro a coluna com uma historinha do padre Elesbão, das Minas Gerais.

No confessionário

Numa cidadezinha de Minas, Padre Elesbão estava esgotado de tanto ouvir pecados, ou, como dizia, besteiras. Decidiu moralizar o confessionário. Afixou um papelão na porta da Igreja, dizendo: O Vigário só confessará:

2ª feira - As casadas que namoram.

3ª feira - As viúvas desonestas.

4ª feira - As donzelas levianas.

5ª feira - As adúlteras.

6ª feira - As falsas virgens.

Sábado - As "mulheres da vida".

Domingo - As velhas mexeriqueiras.

O confessionário ficou vazio. Padre Elesbão só assim pode levar vida folgada. Gabava-se:

- Freguesia boa é a minha... mulher lá só se confessa na hora da morte!

(Leonardo Mota em seu livro Sertão Alegre)

Bolsonaro anima plateias

A campanha esquenta sob o calor da emoção gerada pelo atentado ao candidato Bolsonaro. O imponderável, mais uma vez, fez questão de nos visitar para adensar a fumaça no horizonte. A 25 dias do pleito, não se sabe o que vai acontecer. A militância bolsonariana está gritando seu nome nos bares, nas praças e, para agredir opositores, por ocasião de visita de outros candidatos a recantos das cidades. Militantes estão mostrando a cara. Nas redes sociais, desferem pauladas em quem se opõe ao capitão.

A emoção

A expressão cheia de bílis, que se ouve em todos os cantos do país, se alimenta de um composto político caracterizado pelo radicalismo que habita os extremos do arco ideológico, onde exércitos de Bolsonaro jogam sua artilharia pesada contra a militância petista, gerando recíproco tiroteio na arena das redes sociais. Sob essas duas fontes de conteúdo - a bandidagem e o lulopetismo - expandem-se os fluxos de emoção, provocando engajamento mais intenso em regiões menos desenvolvidas politicamente como o Nordeste (26,62% dos votos), o Norte (7,83%) e o Centro-Oeste (7,29%). A população eleitoral dessas regiões chega a mais de 61 milhões de eleitores. Trata-se de um eleitorado integrado ao território conservador, onde é forte o voto populista/cabresto, de teor emotivo.

A razão

Já o discurso da razão é mais intenso nos estratos médios da pirâmide social, particularmente nas regiões Sudeste (43,38% dos votos) e Sul (14,42%), com a observação de que os sulistas tendem a surfar na onda do voto de cunho nacionalista, enquanto os votos de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, onde habitam as mais poderosas classes médias e as maiores organizações sociais, estão mais próximos ao abrigo da racionalidade. Nesse caso, a opção de votar fica para os momentos finais, após uma varredura na moldura dos candidatos e análise de suas qualidades.

Entre 20% a 30%

Se Bolsonaro segurar seu índice de intenção de voto - 24%: subiu dois pontos segundo a última pesquisa Datafolha -, entrará no segundo turno. A dúvida é se conseguirá ou não sustentar sua posição. Pelo andar da carruagem, continuará fazendo campanha a partir do quarto do hospital Albert Einstein onde se recupera. De 8 segundos de TV, ganha visibilidade total na rede aberta. Seus filhos e adeptos continuarão a enviar fotos da convalescença. Pesquisa do BTG Pactual lhe deu 30%. Aliás, os bancos continuam a acompanhar a trajetória do candidato por meio de tracking - pesquisa telefônica. Esse tipo de pesquisa mostra que Bolsonaro cresceu mais que a oscilação de dois pontos para cima dentro da margem de erro.

Sudeste

Bolsonaro tem como ponto nevrálgico o Nordeste, onde se abrigam quase 27% dos votos. Lá, Ciro Gomes cresce. E no Sudeste, que tem 43,38% dos votos (63.902.486 votos), o capitão precisa evitar que eventual onda racional tire dele alguns votos. Só SP, com 22% do eleitorado (33 milhões de eleitores), foi o destino de 44% das visitas dos candidatos a presidente nessa primeira temporada de campanha. Essa é a região onde Alckmin espera crescer. Se não conseguir subir por aqui, Alckmin certamente não ganhará passaporte para o segundo turno. Ainda mais quando o Nordeste lhe fecha as portas. O fato é que da região mais esclarecida do país, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, poderá sair a vitória eleitoral. É aí onde o voto mais se esconde. No Nordeste, Norte e Centro-Oeste, onde o voto segue o coração, o sufrágio se repartirá em volumes maiores para Ciro, Haddad e Marina.

Marina cai

Ocorre que Marina Silva tomou uma queda nessa última pesquisa Datafolha. Este analista apontou essa possibilidade lá atrás. E a razão é sua pequena estrutura de campanha. Não tem apoio de grandes partidos e cabos eleitorais. Marina é a encarnação do perfil ético. Mas está difícil romper as velhas estruturas.

Ciro cresce

Já Ciro Gomes, com sua metralhadora falante, está crescendo. É quem melhor se expressa. Usa palavras fortes, faz duras críticas e está presente aqui e acolá. Ciro tem condições de lutar pelo segundo turno. Só nos últimos dias deverá ocorrer o processo de seleção final dos candidatos pelos eleitores. E é muito provável que Ciro seja o beneficiário do voto útil, aquele que não irá nem para o PT nem para Bolsonaro.

Alckmin devagar

Geraldo Alckmin caminha devagar. Seria o natural herdeiro do voto útil se tivesse encarnado o perfil do meio contra os extremos, Haddad e Bolsonaro. Mas o tucano anda a passos de tartaruga. Quase se arrastando. Se o eleitor enxergar nele condição de entrar no segundo turno, ainda seria possível destinar a ele o voto. Por enquanto, o ex-governador de São Paulo é uma incógnita. Hoje, está perdendo para Bolsonaro em São Paulo, Estado que governou por quatro mandatos.

Haddad, Andrade, Andar

Fernando Haddad ganhou ontem o status de candidato por obra e graça do "Salvador da Pátria", dom Luiz Inácio. De dentro de sua sala de despachos na PF de Curitiba, Lula entronizou o ex-prefeito de São Paulo, batizando-o com o slogan: "eu sou você". Sairá o "Lula dois", o intelectual Haddad, a andar pelo país pregando a metamorfose: "Lula sou eu". Dará tempo até 7 de outubro pregar a mentira e enfiá-la na cuca do eleitor? Andrade, como é chamado no Nordeste, não tem aparência como Lula. Não fala igual a ele, não pensa igual a ele, é um acadêmico - coisa que não combina com o perfil de Luiz Inácio - e também passa longe do feeling político do ex-presidente.

Transferência de votos

Mas se Lula conseguir usar seu bastão mágico e passar para Haddad uns 20% de votos, não se descarta a possibilidade do ex-prefeito paulistano adentrar a porta do segundo turno. Nesse caso, veremos a polarização entre perfis abrigados nas extremidades do arco ideológico. Nesse caso, teríamos o voto de exclusão. Parcela do eleitorado votando em Haddad para evitar Bolsonaro; e parcela do eleitorado votando em Bolsonaro para evitar Haddad. Ufa! Eleger alguém com um voto de exclusão - não por opção - é o retrato de um país rachado ao meio.

Derrota de Bolsonaro

Impressiona a rejeição a Bolsonaro: cerca de 40%. Um alto índice. Pela pesquisa Datafolha, perde para todos os candidatos, menos para Fernando Haddad. O fato é que ele carrega o facho de "candidato mais rejeitado". A parte que o rejeita estabelece o nexo entre ele e os militares, nesse caso, lembrando os tempos de chumbo, a ditadura. Já os eleitores de Bolsonaro o identificam com a "ordem contra a bagunça", o antídoto contra o PT. Essa é a visão geral do eleitorado.

Pacote de macarrão

Evitar ser flagrado em mentira ou dissonância: eis o calcanhar de Aquiles dos candidatos. E isso ocorre geralmente quando um candidato é instado a mudar de identidade ou esconder o que disse no passado. O eleitor percebe quando a pessoa torna-se artificial, um mero produto de marketing. E candidato não pode ser trabalhado como se trabalha um sabonete, um pacote de macarrão.

Alckmin e a marca anti-pt

Geraldo Alckmin vê distante a possibilidade de vestir o manto de "anti-PT número 1". Perde a condição para Bolsonaro. Passou muito tempo de campanha atacando o capitão. Só agora começa a atacar o PT. Tarde. Deveria ser considerado o antídoto contra o lulo-petismo. Mas seus marqueteiros, possivelmente induzidos por pesquisas mal interpretadas, vestiram nele o manto de anti-Bolsonaro, esquecendo Fernando Haddad, só agora lembrado. Um erro. Deveria, ao menos, fazer sério alerta contra os dois. E de maneira criativa. Este spot não apareceu. Pelo menos até o momento.

Prisão de Richa

A prisão do ex-governador e candidato a senador, Beto Richa, no Paraná, deve respingar na campanha de tucanos pelo Brasil afora. Pela proximidade, a campanha de Alckmin em São Paulo ganha uma tropeçada.

Só agora

Tem-se a impressão de que só agora o eleitor toma conhecimento da campanha. O Não Voto - abstenção, votos nulos e brancos - refluiu bastante nos últimos dias. Queda de 10 pontos. Hoje, situa-se em torno de 25% a 28%. Já foi de 40%, segundo pesquisas.

Golpe? Não

O Blog do Noblat pesquisou: "Você é a favor de um golpe militar em vez da realização de eleições livres"? Responderam assim 9.565 leitores:

22% - Sou a favor do golpe

72% - Sou contra o golpe

06% - Não sei

Ambição desmesurada

No meu livro Marketing Político e Governamental, cito um pensamento do cientista político Robert Lane, em Political Life, que explica como a ambição desmesurada pelo poder funciona como um bumerangue. "A fim de ser bem-sucedida em política, uma pessoa deve ter habilidades interpessoais para estabelecer relações efetivas com outras e não deve deixar-se consumir por impulsos de poder, a ponto de perder o contato com a realidade. A pessoa possuída por um ardente e incontrolável desejo de poder afastará constantemente os que os que a apoiam, tornando, assim, impossível a conquista do poder".

Campanha negativa

A campanha negativa é a do ataque ao adversário, seja lembrando frentes abandonadas, seja tentando vincular propostas novas com situações escandalosas, como promessas mirabolantes de acabar com inclusão do eleitor no SPC. Os profissionais de marketing podem, até, se respaldar em pesquisas para decidir usar as armas de ataque em campanhas. Em casos específicos, principalmente quando fica consagrada uma gestão irresponsável em alguma área - como a da saúde - mostrar cenários devastados pode gerar efeitos. Contanto que essa estratégia seja comedida, usada de maneira tópica. Não deve significar o eixo de um programa. O eleitor quer ver coisas positivas. Nos Estados Unidos, os ataques ganham mais eficácia em função do embate histórico entre os partidos democrata e republicano.

Gaudêncio Torquato, cientista político e consultor em marketing eleitoral, é Professor Titular na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

E Línguas Como Que de Fogo

Por Edson Vidigal

Na região dos três santos, conhecida como do ABC paulista, o primeiro é Santo André. Entre nós pouco se sabe sobre esse senhor, o qual então jovem, após conviver com João Batista, aderiu ao Cristo.

André e seu irmão Pedro foram, dentre os discípulos, os que, talvez, mais assimilaram o legado do Cristo e daí reconhecidos como os mais influentes e ativos propagadores da fé cristã.

Mateus? Ah, Mateus, foi o grande repórter. Ninguém quanto ele contaria essa história tão bem, em textos tão claros.

O brutal assassinato do Cristo expos à história as vísceras de uma briga entre os que professavam ideias novas, sadias, ideias do bem e os que contra o Cristo temendo os novos tempos preferiam a comodidade sob os conformes dos antiquados e oligarcas.

Foi o Cristo ser arrancado fisicamente da cena e os irmãos Pedro e André, não deixando cair a peteca, adentrarem em novas jornadas por geografias sem mapas nem rascunhos, íngremes, onde só havia pagãos.

Enquanto Pedro, a quem o Cristo incumbira a fundação da Igreja, o que se deu em Roma, de onde ela pontifica vetusta, irradiante, soberana até hoje, coube a André correr o mundo em prédicas de evangelização.

Há mais de uma hora nessa viagem pelo tempo no Museu de História do Estado, em Moscou, sem guia oficial, mas com a Eurídice, indispensável na vida e na tradução, não me escapa, de um certo ponto de vista, o quanto a relação Igreja e Estado com o fluir do tempo foi se firmando em união de forças indissociáveis.

A história oral atravessadora dos tempos conta que André, quando nem de longe imaginaria ser o Santo Padroeiro da Rússia, passou com suas demandas de fé cristã por Cítia, Épiro, Acaia, Hélade, Capadócia, Galácia e Bitínia.

André pregou também em Capadócia, Galácia, Bitínia e Bizâncio, onde fundou a Igreja Cristã local e nomeou Eustáquio como Primeiro Bispo.

As Igrejas Cristãs se constituíam em bases autônomas sujeitas ao poder da fé e vínculos diretos apenas com as suas comunidades. Não tinham Papa.

Naquele tempo, como diriam os Evangelhos, em plena ignorância política e em total paganismo, o Poder dos Monarcas, à moda mais antiga dos gregos e dos romanos, reverenciavam os deuses que mandavam esculpir em pedra ou madeira.

Os deuses do Poderosos eram, portanto, os deuses do povo em geral, ignorante, servo e pagão. Essa manipulação de dominadores sobre dominados sempre houve. E quando se imagina ter se rompido um grilhão logo este se refaz e se fingindo de novo se ocupa em destilar novamente o mesmo veneno.

O cristianismo então, dispensando-se daqueles deuses do Olimpo grego e dos deuses do Templo romano, despontava da língua dos apóstolos e de seus seguidores como algo impossível de ser aceito, portanto, que matando literalmente os seus pregadores e seguidores seria possível abortar por atacado a sua viabilidade.

Mais tarde, a adesão do Império Romano ao cristianismo reativou a força do Estado deixando, na contrapartida, os cristãos em paz.

Todas as Igreja cristãs no mundo seguiam sendo uma só até que lá para tantas, no ano de 1054, os clérigos cristãos do Oriente, russos e gregos inclusos, pipocaram suas divergências com a autoridade do Papa, o Bispo de Roma.

As objeções azedaram as relações do Vaticano com as Igrejas do Oriente quando o Papa Leão IX mandou um Cardeal de Roma para chefiar os cristãos da Turquia.

Leão IX reagiu excomungando o líder dos protestos, o clérigo Miguel Cerulário, o qual, por sua vez, excomungou todos os católicos. De dentro pra fora ou de fora pra dentro.

(Faz lembrar o Luís Rocha, Governador do Maranhão, o qual entre uns desentendimentos com a Arquidiocese, foi ameaçado de excomunhão, disse que aquilo não era problema porque continuava católico e tinha ao seu lado o Padre Manoel, então Prefeito de São Domingos, seu correligionário e amigo, que lhe daria a hóstia da comunhão.)

O pavio do estopim que dividiu para sempre os cristãos católicos do Ocidente e os do Oriente foi a definição do Vaticano pela língua oficial. Roma impôs o Latim. Os cristãos católicos não queriam desprezar o grego e o hebraico.

A raiz cristã católica é a mesma. As Igrejas é que são diferentes – a Católica Apostólica Romana e a Católica Ortodoxa predominante na Rússia, na Grécia e com presença forte em dezenas de países.

O chamado Cisma do Oriente só confirmou a grande sacada tropicalista tirada do Apocalipse, Atos 2:3 – “E línguas como que de fogo tornaram-se invisíveis. E se distribuíram e sobre cada um deles assentou-se uma. E todos eles ficaram cheios de espírito santo e principiaram a falar em línguas diferentes.” (Gilberto Gil, Objeto Simi-Identificado,  gravadora Phillips, 1969).

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal. (Este texto resulta de observações e pesquisas em sua recente viagem a Moscou).

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Bolsonaro quer proibir PT de usar dinheiro do fundo eleitoral.

O candidato à presidência pelo PSL Jair Bolsonaro pediu, nesta sexta-feira (31/8), que o Tribunal Superior Eleitoral proíba o PT de usar o fundo eleitoral da minirreforma de 2017 em sua campanha. A justificativa é a de que, como o ex-presidente Lula está inelegível, a utilização de verbas públicas pelo partido caracterizaria crime de apropriação indébita eleitoral, previsto no artigo 354-A do Código Eleitoral.

A petição assinada pelos advogados Karina Kufa, Amilton Kufa, Tiago Ayres e Gustavo Bebbiano, afirma que o dinheiro seria utilizado indevidamente e sem previsão de retorno aos cofres públicos. O texto aponta que dos R$ 20 milhões disponibilizados para a campanha petista, já foram gastos cerca de R$ 550 mil com material gráfico, numa “flagrante ofensa” à Lei das Inelegibilidades, à Constituição Federal e ao patrimônio público.

O partido também afirma que uma eventual demora do TSE para julgar o registro da candidatura do ex-presidente potencializaria os prejuízos. A petição ainda alega que a permissão de gastar dinheiro do fundo induziria os eleitores a votar num candidato inelegível, que não poderá tomar posse do cargo. (De Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil).

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Governo de Pedro Taques já tem sete secretários presos e quatro investigados

O governo do Mato Grosso é caso único: em três anos e meio, sete secretários foram presos e outros quatro afastados por suspeita de irregularidades. Onze enrolados. O governador Pedro Taques (PSDB), um procurador da República aposentado, repete o mesmo discurso introduzido no noticiário político-policial pelo ex-presidente Lula: diz que não sabia de nada. Mas é alvo de graves denúncias e investigações. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Taques se elegeu jurando combater a corrupção e sanear as contas do Estado. A dívida saltou de R$900 milhões para R$3,6 bilhões.

O governador do MT foi delatado pelo ex-secretário de Educação Permínio Pinto por fraudar licitação para pagar dívidas de campanha.

Foram presos os secretários das Casas Civil e Militar, Educação, Segurança, Justiça, Saúde e o comandante da Polícia Militar.

São investigados, além de Taques, os secretários do Meio Ambiente, Desenvolvimento, Comunicação e o secretário do Desenvolve MT. (Do Diário do Poder, 30.08.18).

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Bolsonaro ganha da Globo dentro da Globo

O deputado Jair Bolsonaro (PSL) fez barba, cabelo e bigode. Um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes adiou a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a abertura de mais um processo contra ele, dessa vez por crime de racismo.

No Jornal Nacional, que entrevista os principais candidatos a presidente da República, Bolsonaro venceu o confronto com os apresentadores William Bonnere Renata Vasconcelos. Foi o maior comício eletrônico de sua vida. Saiu maior do que entrou.

Mais tarde, no Jornal das 10 da GloboNews, comportou-se como quem não tinha mais o que perder. Os jornalistas à sua frente pareciam jogar para cumprir tabela. Um caiu na pegadinha de Bolsonaro de querer saber o que estava escrito em sua mão.

No bunker da Globo, Bolsonaro bateu na Globo, para delírio dos seus seguidores e de uma parte grande do PT. Bateu também no PT, o que Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (REDE) não fazem por tributários do PT, e Geraldo Alckmin (PSDB) por que… Sei lá!

Até aqui, Bolsonaro é o candidato que melhor sabe falar o que deseja ouvir expressiva fatia do eleitorado. E o faz com a profundidade de um pires. Vila Madalena e Leblon podem não admirá-lo (duvido!), mas o Jardim Ângela e a Baixada o escutam.

Em 1989, depois de 21 anos de ditadura e do governo desastroso de Sarney, os eleitores buscavam um salvador que fosse contra tudo aquilo que ali estava. O segundo turno foi disputado pelos candidatos que melhor encarnaram esse papel — Collor e Lula.

O triunfo da corrupção sobre a esperança, a herança maldita deixada por Dilma e a ponte para o futuro que virou uma pinguela recriaram as condições para uma nova procura do salvador. Sob o codinome de Mito, Bolsonaro se oferece em sacrifício. (Ricardo Noblat, Blog do Noblat, em Veja.com)

Esse filme já passou. No fim, o bandido morre. Mas a que custo!

(Ricardo Noblat no Blog do Noblat, em Veja.com)

A Águia Bicéfala

Por Edson Vidigal 

Símbolo da identidade nacional, a águia russa tem duas cabeças. A águia americana e a águia alemã têm dois olhos cada e uma só cabeça. 

Na mitologia grega, é associada a Júpiter, o maioral do Olimpo. E lá, águia única, conhecida apenas como Fênix, incinerada num grande incêndio, mostrou-se capaz de ressuscitar das próprias cinzas.

Isso de águia de duas cabeças foi coisa saída da cabeça dos romanos. Não podendo grelarem um olho no padre e o outro na missa, quero dizer, segurar ao mesmo tempo o seu império sobre os povos do ocidente e do oriente, inventaram então a águia bicéfala.

Os povos colonizados nunca tinham visto aquilo e, claro, morriam de medo. Se uma águia com apenas dois olhos, como a grega do Olimpo, tinha tanto carisma, um olhar perspicaz com que encarava o sol de frente, irradiando força, inteligência, temeridade e poder, pensem então aí, seus bestas, numa águia com quatro olhos e duas cabeças.

A águia de César, esculturada em ouro ao topo de um grande cetro, - e ele não se largava dela nem para dormir nos acampamentos durante as guerras – tinham, sim, duas cabeças, uma com olhar sobre Roma, a oeste, e a outra com o olhar grudado em Bizâncio, a leste.

A águia bicéfala, símbolo da identidade nacional da Rússia, e data de mais de um milênio, referenda num carimbo do Banco Central a cédula de 1.000 (mil) rublos. Do mesmo tamanho em largura e altura da nossa cédula de real.

Aquieto o olhar me admirando do que estou vendo. Na extremidade, em cima, a figura de um urso polar em marcha, carregando no ombro uma arma de época mais remota, talvez aquela machadinha de cabo longo dos filmes de guerras antigas.

Entre esses dois símbolos nacionais da Rússia, no centro à direita, São Basílio e no verso da cédula, a famosa Catedral do propriamente dito. 
Impressiona-me a mensagem da cédula de 1.000 (mil) rublos. A fé religiosa que o poder do Estado soviético intentou, por décadas, arrancar do espirito das pessoas, desponta ali rediviva em forte aliança entre o Kremlin e a Igreja Cristã Ortodoxa.

Retiro da carteira do passaporte uma cédula de 100 (cem) reais. Se parecem, nas cores. No mais, afora o valor monetário, eis que a unidade do real brasileiro vale muito, mas muito mais que um rublo russo, o meu olhar não se admira com o que é mostrado na cédula brasileira à guisa de símbolo nacional.

O que é mostrado em nossa cédula de 100 (cem) reais em nada reflete simbolismo algum da nossa verdadeira identidade nacional, ainda bem. 

Ora, ó meu, é impossível se orgulhar com a cara de uma mulher que, além de feiosa tem os olhos cegados, um par de lábios trancados, inúteis, exalando um sentimento entre a melancolia e o nojo, nada a ver com a alma dos brasileiros. 

No verso da cédula de 100 (cem) reais, um peixe nadando com a identificação – garoupa. E uma bobagem de autógrafos do Ministro da Fazenda e do Presidente do Banco Central como que a darem credibilidade ao dinheiro. 

A credibilidade do rublo russo é legitimada pela águia de duas cabeças num carimbo do Banco Central da República. E na figura do urso polar guerreiro com sua machadinha de cabo longo.

“Os canhões, a quem podem assustar agora? / esses aí, tão ternos / seriam capazes de destruir?” (...) “Escutai, pois! Se as estrelas se acendem / é porque alguém precisa delas. / É porque, em verdade, é indispensável / que sobre todos os tetos, cada noite, / uma única estrela, pelo menos, se alumie”. (Vladimir Maiakóvski, poeta russo).

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.


terça-feira, 28 de agosto de 2018

Lupi é réu no DF por uso de avião pago com dinheiro de ONG

Ação foi proposta após VEJA revelar, em 2011, que entidade mantinha contrato com Ministério do Trabalho, então chefiado pelo pedetista; o caso não foi julgado.

Diferentemente do que o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, defendeu em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite de segunda-feira, 27, o presidente nacional do seu partido, Carlos Lupi, é, sim, réu na Justiça. Ele responde a uma ação civil no Distrito Federal em razão de um caso revelado por VEJA em 2011: o uso de avião pago com dinheiro de uma ONG que tinha contratos com o Ministério do Trabalho – pasta que, à época, ele comandava no governo de Dilma Rousseff (PT). O processo, porém, ainda não foi julgado.

A ação foi apresentada em 2012 e aceita pela juíza Ivani Silva da Luz três anos depois, em 2015. O julgamento político, no entanto, foi mais rápido: a Comissão de Ética Pública da Presidência aprovou, em dezembro de 2011, uma recomendação a Dilma para que demitisse seu então ministro, considerando ainda outros fatos, como Lupi ter dito que “só saía abatido a bala”. Para evitar o constrangimento, ele pediu demissão.

VEJA mostrou que Carlos Lupi, então ministro, havia viajado em 2009 ao Maranhão na companhia de assessores, do governador do estado à época, Jackson Lago (PDT), e do empresário Adair Meira. A conta do avião particular foi paga por Meira, responsável por duas ONGs, a Fundação Pró-Cerrado e a Renapsi, que tinham contratos com valores acima de 10 milhões de reais justamente com a pasta do Trabalho comandada por Lupi.

No primeiro momento, o ministro negou que sequer conhecesse Meira, em esclarecimento ao Congresso. Depois, quando fotos e um vídeo mostraram ele saindo da aeronave do empresário em uma cidade maranhense, foi obrigado a admitir a relação, mas ele se limitou a dizer que havia viajado “de carona” e que não sabia de quem era o avião. Então assessor do ministro, Ezequiel de Souza Nascimento confirmou a VEJA que foi Meira quem pagou a conta da viagem.

As pendências judiciais do presidente do PDT foram suficientes para constranger Ciro Gomes diante dos entrevistadores William Bonner e Renata Vasconcellos, quando ele reiteradamente negou que Lupi fosse réu na Justiça — o presidenciável chegou a dizer que tem “confiança cega” no aliado. Na entrevista, de 27 minutos, ele tratou de outros temas, como a sua relação com o ex-presidente Lula (PT) e o seu projeto para a renegociação de dívidas dos brasileiros hoje cadastrados na lista negativa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). (Do Maquiavel, em Veja.com)

Já Era Vermelha

Por Edson Vidigal

História e lenda convivem, mas reparando bem não se confundem. Quando os comunas destronaram Nicolau II, o último Czar, em 1917, a Praça Vermelha já existia e assim conhecida desde os tempos de Ivan III.

Tudo o que se vê por lá ainda hoje já existia. Exceto, o Mausoléu de Lênin e as sepulturas de alguns hierarcas como Stálin e de uns poucos heróis como Gagárin ou de intelectuais como Gorky.

Kremlin quer dizer Fortaleza. Moscou, a capital da Rússia desde 1147, era ainda uma cidade muito vulnerável. O Kremlin então foi construído, incendiado, refeito, robustecido, com essa finalidade.

As muralhas da Fortaleza, residência da família real, medem 2.500 metros de comprimento e altura entre 05 a 19 metros. Só o canhão do Czar, construído em 1586 por ordem de Teodoro 1º, pesa 40 toneladas. Tem 890 milímetros de calibre. Cada bala tem peso correspondente a 800 quilos.

A Praça se chamaria Vermelha por estar localizada no coração da cidade. Outra versão dá conta de que em russo arcaico a palavra “krasnaya”, que serviu para denominar algo bonito, se traduzia também como vermelho. Assim, tudo que fosse vermelho seria bonito.

A maledicência, talvez, tenha criado a versão de que o vermelho da praça tenha tido a ver mesmo com sangue, nada a ver com o coração da cidade, mas com um massacre de milhares de pessoas reprimidas num protesto, em 1698.

E houve também quem dissesse que era ali na Praça Vermelha que Ivan III, antecessor do Terrível, mandava executar os condenados à morte.

Faz lembrar o logradouro ludovicense, o qual tem a denominação oficial de Praça da Alegria, mas que antes se chamava Praça da Misericórdia e depois se soube que no antanho mais antanho era conhecido como Largo da Forca Velha.

Oportuno consignar que tanto em relação a Moscou quanto a tais versões em São Luís do Maranhão, há controvérsias.

Mas então de onde saiu o vermelho ainda hoje imperante em todas as construções nesse território de 23 mil metros quadrados que até hoje é a praça? Deixa prá lá.

Importante saber que isso tudo que está em Moscou, à exceção do Mausoléu de Lênin e da Necrópole em derredor da muralha do Kremlin, já existia quando os comunas tomaram o poder na Rússia, em 1917.

O tempo curto e muita coisa ainda para olhar não me desviaram a curiosidade. Foi como se diante da muralha enorme eu estivesse revendo em câmera lenta um velho filme colorido e chapiscado que em todo outubro de todo ano mostrava em televisões do mundo inteiro a velha guarda soviética – Kruschev, Brejeniev, Chernenko e quejandos, não necessariamente nessa ordem, assistindo desfiles militares quase intermináveis, na verdade demonstrações de forças emolduradas por tanques de guerras e ogivas nucleares como se avisasse a nós outros do lado de cá – estão vendo? Não se metam conosco.

Há o sol, pai de toda cor. E há o tempo – para sempre o senhor da razão. Nada é para sempre.

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Toffoli, o que vem por aí

Se depender do presidente eleito do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Dias Toffoli, o Judiciário vai deixar de ser um obstáculo. A duas semanas de assumir o comando da Justiça do país, ele planeja usar da força do cargo para contribuir para a harmonia entre os Poderes e para se colocar como uma liderança da magistratura.


Ministro Dias Toffoli tem planos ambiciosos para seus dois anos à frente do Supremo.

“A ideia é destravar”, diz. Os planos são muitos. Por exemplo, levantar quais são as grandes obras de infraestrutura que estão paradas por decisão judicial. Ou discutir com lideranças políticas formas para dar efetividade à Justiça — uma das principais ideias é um projeto para estabelecer que condenados pelo júri sejam presos imediatamente e não possam recorrer em liberdade.

Com o Supremo, Toffoli afirma que não pretende ser um presidente, mas um coordenador. Na prática, isso significa ouvir os outros ministros sobre suas prioridades antes de fazer a pauta, em vez de esperar que eles peçam por determinado processo. E estabelecer quais processos serão julgados com mais antecedência e previsibilidade.

Para este ano, ele avisa que não pretende colocar em pauta nada "polarizante". Portanto, ficarão pelo menos para 2019 casos como os embargos de declaração que pedem a modulação da proibição da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, ou os que pedem a definição do alcance e do cumprimento da declaração de constitucionalidade do Funrural para produtores rurais com empregados.

Ou ainda o mérito das ações que pedem a declaração de constitucionalidade do artigo 283 do Código de Processo Penal, que proíbe a prisão antes do trânsito em julgado da condenação, exceto em casos de flagrante ou de medida cautelar. As já célebres ADCs sobre a execução antecipada da pena.

Internamente, o ministro dividiu sua assessoria de imprensa. O jornalista Adão Paulo Martins de Oliveira, ex-secretário de comunicação da Advocacia-Geral da União, trabalhará para a presidência e atenderá demandas relacionadas ao ministro Toffoli. A Secretaria de Comunicação ficará responsável pelo tribunal e pela instituição. Esse cargo deve ficar com o jornalista Marcio Aith, amigo de longa data do ministro.

A atual chefe de gabinete, Daiane Nogueira de Lira, vai para a Secretaria-Geral do Supremo cuidar da atividade-fim do tribunal. Isso envolve a pauta do Plenário, organizar a repercussão geral, as atas de julgamento, entre outras atividades. A chefia de gabinete, que cuidará da assessoria parlamentar, representação internacional e agenda do ministro, ficará com Sérgio Braune, hoje assessor. Eduardo Toledo continua na diretoria-geral do tribunal.

No CNJ, outra divisão interna importante: a secretaria-geral será dividida em duas. Uma para cuidar da atividade-fim do conselho, como os convênios, contratos, tecnologia etc., que ficará a cargo do desembargador Carlos von Adamek, do Tribunal de Justiça de São Paulo. A outra será dedicada à execução de projetos. Será comandada pelo juiz Richard Pae Kim, também de São Paulo.

Conheça alguns dos planos do ministro para sua gestão:

Infraestrutura
Toffoli pretende criar uma comissão no CNJ para identificar todas as grandes obras que estão paradas por decisão judicial. “O combate à corrupção é importante, mas as obras precisam ser concluídas”, afirma. “Quem perde com os atrasos e abandonos é o povo, que fica sem a ponte, sem a rodovia, sem a ferrovia.”

Ex-advogado-geral da União, o ministro conhece bem a realidade de obras que ficam paradas por causa de discussões burocráticas, ou de discussões sobre a licitude do contrato. Esses debates costumam ser interrompidos por liminares cujo principal efeito é engavetar os processos e embargar as obras.

De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil tem hoje 2,7 mil obras paradas. Desse total, 517 são de infraestrutura, normalmente interrompidas no início — segundo o estudo, a maioria das obras para antes de chegar a 25% da execução. E a área que mais sofre é a de saneamento básico, com 447 obras interrompidas. O levantamento não detalha se elas foram interrompidas por decisão judicial ou não.

“Às vezes a obra está 80% concluída, mas para porque começa uma discussão sobre a licitude do contrato. A discussão tem de ser feita, mas a obra tem que terminar”, afirma o ministro. “A Justiça existe para resolver o problema.”

Retomar a colegialidade
Toffoli quer resolver o problema das cautelares monocráticas em ações de controle concentrado. Uma de suas primeiras medidas para 2019 será pautar todas as ações de controle que já foram objeto de liminar monocrática, mas ainda não ratificadas pelo Plenário. Uma vez zerado o estoque, a ideia do ministro é sempre levar as ações do tipo que tiverem pedido de cautelar ao colegiado.

É uma crítica contra a qual o tribunal tem poucos argumentos. O artigo 10 da Lei das ADIs estabelece que medidas cautelares em ações de controle concentrado só podem ser tomadas “por decisão da maioria absoluta dos membros do tribunal”. Ainda assim, tramita na Câmara um projeto de lei que quer proibir expressamente ministros do Supremo de suspender ou cassar leis por meio de decisões monocráticas.

Reação natural, dizem observadores, ao comportamento expansivo de alguns ministros. Só no primeiro semestre deste ano, o pesquisador José Carvalho identificou a imposição de cautelares monocráticas em oito ações diretas de inconstitucionalidade. Tornou-se prática frequente, escreveu, em artigo publicado na ConJur.

Repercussão geral

Toffoli pretende encampar a ideia do ministro Luís Roberto Barroso para os recursos com repercussão geral reconhecida. Basicamente, Barroso defende que o Supremo estabeleça um número fixo de repercussões gerais para reconhecer ao final de cada semestre. E assim que reconhecer a repercussão, escolher uma data de julgamento.

Os que não forem selecionados, defende Barroso, transitam em julgado, mas não produzem efeitos extensivos. Dessa forma, o Supremo consegue “se livrar” daquele recurso, mas não impedir que a tese venha a ser discutida em outro momento.

É que não há muito como fugir da constatação de que o Supremo reconheceu mais repercussões gerais do que tem condições de julgar. Entre 2007 e janeiro deste ano, havia reconhecido a repercussão de 661 casos, mas só julgou 359 deles. Segundo as contas do ministro Barroso, a corte hoje consegue julgar 35 recursos com repercussão geral por ano — se só julgasse isso, seriam necessários oito anos para dar conta do acervo que já está lá, sem receber nenhum processo novo, calculou o ministro em seu artigo Como Salvar o Sistema da Repercussão Geral, publicado em março em parceria com o juiz Frederico Montedonio.

Harmonia entre os Poderes

O artigo 2º da Constituição diz que os Poderes da União são “independentes e harmônicos entre si”. Mas Legislativo e Executivo passam por uma crise de legitimidade que dá ao Judiciário tamanho maior do que o planejado pelos constituintes, criando atritos institucionais.

A estratégia de Toffoli para enfrentar esse quadro é fazer reuniões mensais e públicas com o presidente da República e os presidentes da Câmara e do Senado, os quatro juntos. A intenção é discutir projetos e ideias e passar para a sociedade a ideia de harmonia, previsibilidade e respeito mútuo. “Isso é simbólico, significa investir em segurança jurídica, dizer que não conversamos só quando aparece um problema, mas para discutir o país também”, diz.

Uma dessas ideias é remodelar o teto do funcionalismo público e fazer com que o tribunal deixe de ser a referência salarial. As remunerações dos servidores são, por regra constitucional, porcentagens dos salários dos ministros. “É um sistema que pesa sobre os ombros do tribunal e da instituição”, diz Toffoli. A proposta é que se construa uma nova forma de limitar o salário dos servidores sem que o salário dos integrantes do Supremo sirva de referência e sem vinculações automáticas.

Outro projeto é acabar com penduricalhos como auxílio-moradia, auxílio-creche etc. e incorporar tudo isso ao salário. Até porque o parágrafo 4º do artigo 39 da Constituição estabelece que o salário do funcionalismo público deve ser pago em parcela única. E o Supremo já decidiu, no Recurso Extraordinário 609.381, que o teto do funcionalismo tem aplicação imediata e obrigatória. O recurso tinha repercussão geral reconhecia e foi relatado pelo ministro Teori Zavascki.

Cultura da magistratura

Toffoli espera receber o quanto antes estudo encomendado pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) à PUC-Rio sobre o perfil da magistratura brasileira. Segundo ele, é importante investir na formação cultural dos juízes, e não apenas jurídica. Nem só da leitura de códigos esquematizados pode viver um magistrado, afirma o ministro.

Ele pretende criar um canal de troca de informações e ideias entre o CNJ e as escolas de magistratura para contribuir com a formação dos juízes, que têm ingressado na carreira cada vez mais jovens e menos vividos. A falta de uma formação mais ampla do ponto de vista humano e social foi identificada como uma causa de insegurança jurídica pelo ministro e por seus interlocutores — entre eles, o ministro Humberto Martins, próximo corregedor nacional, e o ministro João Otávio de Noronha, atual corregedor e presidente eleito do Superior Tribunal de Justiça.

Para o ministro Toffoli, a única forma de estancar o problema do desrespeito sistemático às decisões do Supremo pelas instâncias locais é investir na formação. “O juiz não pode imaginar que está resolvendo a briga dos vizinhos. O Judiciário define questões sociais e suas decisões influenciam na sociedade”, diz. “O juiz precisa entender que suas decisões têm consequência.”

Justiça penal

O ministro tem se preocupado com a influência que a falta de efetividade do sistema de justiça tem sobre a segurança pública. Durante a discussão de um Habeas Corpus em que o ex-presidente Lula argumentava a inconstitucionalidade da execução antecipada da pena, Toffoli foi claro no diagnóstico: o problema não é o sistema recursal, mas o primeiro grau. Segundo ele, só 8% dos júris são instalados depois que se conclui que houve crime contra a vida.

Uma das ideias é justamente estabelecer que o réu pode ser preso já depois da decisão do júri, com base no princípio da soberania do tribunal do júri. Seria voltar ao sistema anterior à Lei Fleury, uma alteração de 1973 no Código de Processo Penal que autorizou a réus primários com residência fixa a recorrer de condenações por homicídio em liberdade.

Toffoli também pretende usar o CNJ para estudar formas de dar proteção a vítimas de violência, especialmente crianças, e de violência doméstica. Segundo ele, há experiências de sucesso já transformadas em modelo pela Comissão de Direitos Humanos da União Europeia e que podem ser traduzidas para o Brasil. O que falta aqui, segundo o ministro, são políticas que olhem para as vítimas, e não só para punir quem comete crimes.

Tripé

“O juiz tem que ter transparência, eficiência e responsabilidade”, defende Toffoli. Para transformar o tripé em realidade, ele pretende usar o CNJ para comandar o investimento do Judiciário em tecnologia e se acostumar ao uso de inteligência artificial para ajudar na gestão.

Por “transparência”, Toffoli entende que a sociedade precisa ter acesso irrestrito a todos os processos judiciais em trâmite — exceto os sigilosos — sem grandes dificuldades. Até para mostrar eficiência e possibilitar a responsabilização, caso fique claro que o juiz ou tribunal não está resolvendo os problemas que lhe são postos a tempo.

Uma frente importante nesse passo são as execuções fiscais. Elas respondem por quase 40% de todo o acervo de processos do país e são de responsabilidade do Estado. Programas de computador podem agilizar tarefas burocráticas como levantamento de bens, rastreamento do endereço, conta bancária e outras tarefas que atrapalham o andamento processual.

Outro passo é consolidar o PJe como ferramenta de processo eletrônico e investir em interoperabilidade com os sistemas usados por outros tribunais. Com isso, acredita o ministro, os juízes deixarão de perder tempo com relatórios e informes de cumprimento de metas, porque a fiscalização será automática, em tempo real — e sempre acessível aos jurisdicionados.

(De Pedro Canário, do Consultor Jurídico com Nelson Junior, da Secretaria de Comunicação do STF.)

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Fachin toma posse hoje no TSE

O Ministro Edson Fachin será efetivado hoje, às 9 horas, no TSE.
Chega e já encontra o fuzuê sobre a inegável inelegibilidade de Lula à Presidência da República.

O PT tanto sabe que Lula não pode ser candidato que armou a chamada chapa tríplex – Lula, Hadad e Manoela – para na esteira do noticiário dar mais visibilidade à dobradinha cujas fotos estarão na urna eletrônica no dia 7 de outubro.

O ex-Prefeito Hadad será o candidato no lugar de Lula e Manoela Dávila, Deputada Estadual no Rio Grande do Sul pelo PC do B, será a candidata a Vice no lugar de Hadad.

A Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, que já estava com tudo pronto para dar entrada tão logo o PT pedisse o registro de Lula, foi rápida.

- Condenado em segunda instancia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro é inelegível nos termos da lei da ficha limpa.

Na distribuição do pedido do PT o sorteado foi o Ministro Barroso, da bancada do STF no TSE, a mesma à qual se junta a partir de hoje o Ministro Fachin.

Caçando confusão para ver se ganha tempo, o PT não quer Barroso na relatoria e alega que Admar Gonzaga, que representa os juristas na Corte, já estava prevento.

Sugere-se a leitura do artigo do Procurador Geraldo Brindeiro, “Eleições presidenciais e inelegibilidades”, nesta mesma edição do blog (coluna ao lado).

Logo que verá que isso tudo é um teatrinho porque no caso de Lula não cabe nem impugnar. É inelegibilidade absoluta. Jurisprudência predominante. Pedido impossível, incabível. Não há nem o que impugnar.

Abril demite, fecha revistas e pede recuperação judicial

Atarantado em meio a uma dívida em torno de 1 bilhão e 600 milhões de reais, o Grupo Abril, que edita VEJA e EXAME, dentre outras revistas de grande prestigio no Brasil, pediu recuperação judicial.

Assim espera obter proteção legal junto a bancos e fornecedores garantindo ao mesmo tempo sua continuidade operacional.


Algumas revistas dentre elas “Cosmopolitan”, “Casa Cláudia” “Arquitetura e Construções”, “Minha Casa” e “Boa Forma” estão saindo de circulação. 800 funcionários estão sendo demitidos.


A Editora já mudou de sede passando a ocupar um prédio menor e de aluguel barato. O processo de reestruturação se arrasta há quase um ano. Há uma intervenção branca na gestão dos negócios da empresa.


Um executivo da Alvarez&Marsal, especializada em reestruturação de empresas, Marcos Haaland, dá as coordenadas na Abril há três semanas.


Giancarlo Civita, neto do “seu” Victor, fundador do grupo, que havia assumido a Presidência em março último, deixou o cargo, após a troca de lideranças em quatro meses.


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Já Era Vermelha

Por Edson Vidigal

História e lenda convivem, mas reparando bem não se confundem. Quando os comunas destronaram Nicolau II, o último Czar, em 1917, a Praça Vermelha já existia e assim conhecida desde os tempos de Ivan III.

Tudo o que se vê por lá ainda hoje já existia. Exceto, o Mausoléu de Lênin e as sepulturas de alguns hierarcas como Stálin e de uns poucos heróis como Gagárin ou de intelectuais como Gorky.

Kremlin quer dizer Fortaleza. Moscou, a capital da Rússia desde 1147, era ainda uma cidade muito vulnerável. O Kremlin então foi construído, incendiado, refeito, robustecido, com essa finalidade.

As muralhas da Fortaleza, residência da família real, medem 2.500 metros de comprimento e altura entre 05 a 19 metros. Só o canhão do Czar, construído em 1586 por ordem de Teodoro 1º, pesa 40 toneladas. Tem 890 milímetros de calibre. Cada bala tem peso correspondente a 800 quilos.

A Praça se chamaria Vermelha por estar localizada no coração da cidade. Outra versão dá conta de que em russo arcaico a palavra “krasnaya”, que serviu para denominar algo bonito, se traduzia também como vermelho. Assim, tudo que fosse vermelho seria bonito.

A maledicência, talvez, tenha criado a versão de que o vermelho da praça tenha tido a ver mesmo com sangue, nada a ver com o coração da cidade, mas com um massacre de milhares de pessoas reprimidas num protesto, em 1698.

E houve também quem dissesse que era ali na Praça Vermelha que Ivan III, antecessor do Terrível, mandava executar os condenados à morte.

Faz lembrar o logradouro ludovicense, o qual tem a denominação oficial de Praça da Alegria, mas que antes se chamava Praça da Misericórdia e depois se soube que no antanho mais antanho era conhecido como Largo da Forca Velha.

Oportuno consignar que tanto em relação a Moscou quanto a tais versões em São Luís do Maranhão, há controvérsias.

Mas então de onde saiu o vermelho ainda hoje imperante em todas as construções nesse território de 23 mil metros quadrados que até hoje é a praça? Deixa prá lá.

Importante saber que isso tudo que está em Moscou, à exceção do Mausoléu de Lênin e da Necrópole em derredor da muralha do Kremlin, já existia quando os comunas tomaram o poder na Rússia, em 1917.

O tempo curto e muita coisa ainda para olhar não me desviaram a curiosidade. Foi como se diante da muralha enorme eu estivesse revendo em câmera lenta um velho filme colorido e chapiscado que em todo outubro de todo ano mostrava em televisões do mundo inteiro a velha guarda soviética – Kruschev, Brejeniev, Chernenko e quejandos, não necessariamente nessa ordem, assistindo desfiles militares quase intermináveis, na verdade demonstrações de forças emolduradas por tanques de guerras e ogivas nucleares como se avisasse a nós outros do lado de cá – estão vendo? Não se metam conosco.

Há o sol, pai de toda cor. E há o tempo – para sempre o senhor da razão. Nada é para sempre.

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.


-oOo-

Porandubas Políticas

Por Gaudêncio Torquato

Abro a coluna com o magistral Padre Vieira.

Um truque

O Padre Antônio Vieira, o célebre pregador, escritor, político e diplomata jesuíta, subindo certa vez ao púlpito, iniciou estranhamente o seu sermão exclamando:

- Maldito seja o Pai!... Maldito seja o Filho!... Maldito seja o Espírito Santo!...

E quando a assistência, horrorizada, pensava que o grande orador houvesse enlouquecido, ele tranquilamente prosseguiu:

- Essas, meus irmãos, são as palavras e as frases que se ouvem com mais frequência nas profundezas do inferno.

Houve um suspiro de alívio no templo, mas com esse recurso teve Vieira despertada e presa a atenção dos fiéis como poucas vezes, por outra via, houvera conseguido.

Bolsonariando

A onda Bolsonaro continua forte. Agora, não são apenas eleitores das margens que expressam voto no capitão. Até empresários de calibre estão anunciando que nele votarão. Pelo andar da carruagem, a bolsonarização do país é fruto do estado de violência e da bagunça que toma conta do país. A crônica da morte violenta se expande pelo território, a denotar o avanço da criminalidade. No Rio de Janeiro, a guerra das gangues assume proporções fantásticas. O próprio Jair Bolsonaro aparece em vídeos que mostram membros de grupos criminais agindo nas ruas. E ele no papel de xerife.

Fatores do voto

O voto do grupo que ainda não sabe em quem votar e os indecisos fazem a maioria do eleitorado de 147 milhões de eleitores. Esses contingentes vão decidir mais tarde. Mas serão influenciados por um conjunto de fatores, a saber: a) o estado da economia (equação BO+BA+CO+CA - Bolso, Barriga, Coração, Cabeça; b) o discurso da ordem contra a violência e a bagunça; c) as demandas mais prementes (saúde, emprego, educação, etc.); d) a esperança encarnada pelo perfil; e) o recall do passado (lembrança do candidato); f) a taxa de indignação contra os políticos; g) a proximidade do candidato; h) o tempo de exposição do candidato na mídia eleitoral e i) a maneira de apresentação/modo de falar (discurso estético).

Quatro blocos

Os 13 candidatos podem ser agrupados em quatro (4) blocos: 1) centro e centro direita - Alckmin, Álvaro Dias, Meirelles, Amoedo e Eymael; 2) centro e centro esquerda - Ciro, Marina e Goulart Filho; 3) Direita - Bolsonaro e Cabo Daciolo; e 4) Esquerda - Boulos, Lula (Haddad) e Vera Lúcia. No arco ideológico, esses blocos ganham as seguintes percentagens: direita, 30%; esquerda, 30%; centros (esquerda e direita), 40%.

Votos regionais

Se fatiarmos o Brasil nas cinco regiões, poderemos ver essa divisão: a) Sudeste tem 43,38% dos votos ou 63.902.486; Nordeste agrega 26,62% dos votos, significando 39.222.155; Sul possui 14,52% dos votos, com 21.396.027; Norte tem 7,83% dos votos, com 11.533.833; Centro-Oeste agrupa 7,29% dos votos, com 10.747.115 dos votos; e exterior, 0,35% dos votantes, com 500.728 eleitores.

Tipologia

Tentando decifrar a natureza desses votantes, podemos, regra geral, estabelecer algumas distinções, a saber: a) o voto do Sudeste é mais racional, independente, mas as margens sociais também tendem a dar um voto populista/messiânico; b) o voto das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste é mais conservador, ainda contendo alta taxa de votos de cabresto, a par do tradicional voto em salvadores da Pátria, portanto, de fundo emotivo; c) Já o voto do Sul tem um cunho mais regional/nacionalista, a par do voto racional.

Profissionais liberais

Estamos vivenciando o I Ciclo da Campanha, com o início da presença de candidatos nas ruas. Esta será uma típica campanha de articulação com a sociedade organizada, eis que as massas estão dispersas e ainda sem rumo a tomar. Daí emerge a força do contingente de profissionais liberais e das entidades a que são associados. Esse grupo é, por excelência, o que melhor toca a tuba de ressonância. Seu som chega aos redutos mais longínquos. As classes médias fazem repercutir seu discurso para cima e para baixo da pirâmide social. Formam a pedra que bate no meio do lago, fazendo com que as marolas cheguem até às margens.

Os militantes

A militância organizada ou profissional, como as do PT, CUT e MST, terá nessa campanha importância vital. O bumbo que tocará tem o dom de energizar ambientes e plateias. Teremos os bumbos da esquerda e da direita. Os candidatos do centro contarão com tambores mais fracos, que não têm o poder de mobilização quanto alas dos extremos do arco ideológico.

Minas Gerais

O Estado de Minas Gerais é uma grande representação do Brasil. Abarca o segundo maior eleitorado brasileiro, mais de 16 milhões de eleitores. Ali, PT e PSDB entrarão em forte confronto. O que acontecer no largo espaço das Minas Gerais tende a acontecer no país. Fernando Pimentel, do PT, ganhará do senador Antônio Anastasia, do PSDB? O que se sabe é que Dilma Rousseff está liderando a corrida para o Senado. Anastasia parece ter condições de levar a melhor na esteira de denúncias que sujam a imagem do governador Pimentel. Aécio, também de imagem suja, será candidato a deputado.

A estratégia do PT

Ao arrastar a candidatura de Lula até quando der (prazo fatal será 17 de setembro), o PT enfrenta riscos. Poderá não haver tempo suficiente para a visibilidade nacional do vice de Lula, Fernando Haddad, que, isolado, tem hoje 2%. Quando indicado por Lula, sobe para 12%. E se essa indicação não for tão percebida pelo eleitor? Jaques Wagner, candidato do PT ao Senado pela Bahia, tem razão. O PT cometerá a barbaridade de apostar no candidato Lula, quando todos os sinais mostram que ele será jogado na inelegibilidade da lei de Ficha Limpa.

Renovação

10% dos deputados Federais vão ter seus nomes substituídos por familiares: filhos, pais, primos, sobrinhos, etc. A tão proclamada renovação não aparecerá na próxima legislatura. Os mais conhecidos e os mais providos financeiramente serão os beneficiados na onda de uma campanha mais curta - 45 dias de rua e 35 dias de mídia eleitoral.

Governabilidade

Haverá governabilidade caso um perfil de índole muito radical chegue ao poder central? Sim. Porque quem ganha a presidência da República logo se afastará da extremidade para pular na condição de viabilidade governativa garantida pela real politik. Ou seja, fará alianças com Deus e o Diabo. O passado bombástico irá para o baú. Se não fizer isso, qualquer que seja o eleito, ao escorregar em casca de banana, poderá ser impichado.

Militares na política

A campanha eleitoral deste ano reunirá o maior número de candidatos militares dos tempos de redemocratização: 90. Chama a atenção a quantidade de convocados para compor chapas majoritárias aos governos estaduais. Em São Paulo, duas tenentes coronéis comporão como vices as chapas do governador Márcio França (PSB) e do presidente licenciado da FIESP, Paulo Skaf (MDB). No Paraná, a governadora Cida Borghetti (PP) terá como vice um coronel aposentado da PM.

O significado

Qual a razão? O ambiente de deterioração que acolhe a esfera política. A lama da corrupção tem escorrido sobre os vãos e desvãos da República, afogando protagonistas da política, da burocracia estatal e do mundo dos negócios privados. O mensalão e o petrolão (Lava Jato) compõem as duas grandes operações que, ao correr de meses, ganharam espaços midiáticos, plasmando a imagem destroçada de representantes, governantes, executivos e empresários. Pôr ordem na bagunça que virou o Brasil de ponta-cabeça, eis o apelo embutido no chamamento aos militares. Assumem conotação de profissionais sérios, de vida pacata na caserna e corajosa no cotidiano nas ruas, combatendo máfias criminosas, ainda mais quando a violência se expande nas cidades e nas áreas rurais.

É o que explica Bolsonaro

Deputado alvejado de críticas ao longo de 30 anos de mandato, conhecido por frases fortes, algumas de caráter machista, homofóbico e xenófobo, Bolsonaro não frequentava o ranking de representantes respeitados. Foi catapultado ao andar de cima do protagonismo eleitoral na esteira do clamor social por limpeza na política. De repente, o acervo discursivo do capitão, considerado folclórico e de baixo nível, passou a ganhar aplausos de todos os lados.

A malandragem

O general Mourão, vice de Bolsonaro, atribuiu aos negros a pitada de "malandragem" na cultura brasileira. General, malandro teria sido o colonizador Pero Vaz de Caminha. Veja o finalzinho da Carta de Pero Vaz a El Rei de Portugal.

"E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez por assim pelo miúdo. E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da Ilha de São Tomé Jorge de Osório, meu genro - o que dela receberei em muita mercê." E conclui Caminha: "Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro de Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500. Pero Vaz de Caminha".


Um pedido aqui, um oba-oba acolá e tome bajulação.

Gaudêncio Torquato, Jornalista e Cientista Político, é Consultor de Marketing e Professor Titular na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP). - www.gtmarketing.com.br




quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Em Moscou, o touro de Wall Street

Por Edson Vidigal

O espaço parece exíguo, porém suficiente a sua finalidade – tentar a que proves das iguarias tradicionais russas. Duas moçoilas em trajes típicos orientam as escolhas.

À entrada, um tremendo susto.

Discretamente num canto de pouca iluminação, um urso pardo, maior que eu, arreganhando os dentes, o olhar fixo, unhas afiadas, os braços esticados como se quisesse me agarrar. Só um susto. O bicho está embalsamado.

A uns 04 quilómetros dali, na Praça Vermelha, está o mausoléu de Lênin, também embalsamado. Urso e Lênin ainda resistem na Rússia enquanto símbolos.

Na mesma Praça Vermelha há também o tumulo de John Reed, o jovem gringo que encantadíssimo com a vitória dos bolcheviques na guerra civil de 1917 escreveu um excelente livro-reportagem os “10 dias que abalaram o mundo”.

Manipulado e massacrado pela burocracia do novo Estado, Reed com a saúde enfraquecida, deprimido sob as incessantes humilhações e desencantos, contraiu tifo na Finlândia para onde foi mandado em missão do partido. Não resistiu até que morreu.

A máquina de propaganda do regime achou melhor reter o corpo do camarada Reed e sepultá-lo na Praça Vermelha próximo ao local onde seria o mausoléu de Lênin. Há um filme – “Reed” de Warren Beatty, disponível a indispensáveis reflexões.

Continuo achando graça quando vejo no crachá a grafia do meu nome em russo. O alfabeto é uma sequencia de letras, algumas conhecidas, ainda assim inservíveis, sem fonética alguma, a quem ouse juntá-las numa palavra ao menos.

É indispensável falar inglês. Não é que isso seja a chave suficiente a abrir todas as portas. Nas áreas de comércio há sempre alguém que pode entender. Nas lanchonetes e restaurantes são raros os garçons que manjam um pouco o inglês. Um broche na lapela com a bandeira do Reino Unido é a senha que identifica o rapaz ou a moça que ouve em inglês.

Não me deixa sozinho, Eurídice. Onde se fala inglês, é ela quem cuida de mim. Se acontece de ela não estar por perto e eu precisando me comunicar ou ser comunicado, não me intimido. “Spanish? Usted hablas? Español?” Ora, siô. Espanhol é comigo mesmo. Mas na Rússia ninguém, ou quase ninguém, fala espanhol.

Uma vez em Zacatecas, México, um cara me perguntou se eu era mexicano, perguntei por que, e ele disse porque eu falava espanhol muito bem. Estás ouvindo aí, Euridice? E ela, me derrubando o serviço, falou - ele está é te gozando.

Num presídio feminino de Cuba, depois de um show das presidiárias rumbeiras, agradeci discursando em espanhol. Estava lá Dom Dias, que não me deixa mentir.

O percurso que leva à Praça Vermelha se faz por extensa avenida de calçadas largas e as travessias para a outra margem, como em Brasília, são subterrâneas. Violinos e sanfonas nos soam peculiares. Jovens fazem seus sons em contornos de melodias românticas.

Aqueles prédios de arquitetura parecendo anteriores a 1917 respeitam o seu tempo, muitos deles só na fachada. Você entra e o que há lá dentro? Shopping.

Capitalismo de Estado é a definição mágica com a qual se imagina agora explicar a adoção de práticas outrora carimbadas como imperialistas ou burguesas pelos adeptos ou dirigentes de estados totalitários.

A questão não passou despercebida a Lênin para quem o capitalismo de Estado seria incomparavelmente superior ao sistema econômico de então, não mais, portanto, que um passo adiante na trilha socialista.

Na saída de um desses shoppings dei de cara com um outdoor enorme mostrando quase em tamanho real, imagina, o Charging Bull, aquele touro enfurecido de 3,5 toneladas de bronze, 4 metros de altura por 5 metros de comprimento - símbolo do capitalismo em Wall Street, Manhattan, Nova Iorque.

Acho que comecei a entender.

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Porandubas Políticas

Por Gaudêncio Torquato


Abro a coluna com uma historinha de Pernambuco.
Cala a boca, rapaz
O caso deu-se em São Bento do Una/PE, nos idos de 60. O caminhão, entupido de gente, voltava de um jogo de futebol, corria muito, virou na curva da estrada. Foram todos para o hospital. Uma dúzia de mortos. Lívio Valença, médico e deputado estadual do MDB, foi chamado às pressas. Pegou a carona de um cabo eleitoral, entrou na sala de emergência do hospital e foi examinando os corpos:
- Este está morto.
Examinava outro:
- Este também está morto.
O cabo eleitoral se empolgava:
- Já está até frio.
De um em um, passaram de 10. Lá para o fim, dr. Lívio examinou, reexaminou, decretou:
- Mais um morto.
O morto gritou:
- Não estou morto não, doutor, estou só arrebentado.
O cabo eleitoral botou a mão na cabeça dele:
- Cala a boca, rapaz. Quer saber mais do que o dr. Lívio?
Luz no fim do túnel?
Será que há alguma luz no fim do túnel eleitoral? A essa altura, a pouco mais de dois meses das eleições, o único fato novo de certo impacto é o apoio do chamado Centrão ao candidato Geraldo Alckmin. Que terá quase cinco minutos no tempo da programação eleitoral. Essa parceria poderá alavancar a performance eleitoral de Alckmin? A lógica responde com um sim. Sob a ressalva: a resposta abriga também um não.
Explicando a luzinha
A resposta com sim se ancora em três hipóteses: a) o eleitorado indefinido - que está na faixa dos 45% - começará a descer do muro e, composto por fortes contingentes de classes médias, poderá provocar a "onda racional", mais voltada para a escolha de um candidato do meio do arco ideológico; b) a performance de Lula não ocorrerá porque acabará sendo vetado pelas Cortes (STJ ou TSE); c) a performance de Bolsonaro murchará ante seu evidente despreparo.
1ª hipótese
As classes médias conservam o poder de fazer circular seu ideário para cima e para baixo da pirâmide social. Podem ser comparadas à pedra jogada no meio do lago; ondas se formam, correndo até as margens. As classes médias abrigam os grupos com tuba de ressonância mais forte. As classes menos desenvolvidas politicamente tendem a escolher perfis populistas. Lula e Bolsonaro vestem esse figurino. Se a performance de Bolsonaro começar a murchar, é previsível que parcela considerável das massas abandone seu território. Sob forte peso da opinião formada no meio da pirâmide.
2ª hipótese
A estratégia do PT, de sustentar o nome de Lula até a data final da decisão do TSE - 17 de setembro -, prejudicará a formação de parcerias, mas pode vir a alavancar o substituto de Lula. Este nome, ao que tudo indica, será o de Fernando Haddad. Jaques Wagner, mais político, prefere contar com a quase certeza de vitória para o Senado, na Bahia. Haddad, sob o clima emotivo expandido pela militância petista, terá condições de subir a um patamar entre 15% e 20%. Nesse caso, não está fora do jogo eleitoral, podendo disputar o segundo turno. Lula, com suas cartas e recados, será o grande eleitor do PT.
3ª hipótese
A performance de Bolsonaro será vista por eleitores de todos os quadrantes. Ver-se-á uma figura comum, sem brilho, expressando um discurso duro contra a bandidagem, defendendo o porte de armas, fazendo loas ao liberalismo e fugindo de perguntas provocadoras. Foi o que se viu, segunda-feira, no programa Roda Viva, da TV Cultura. Não se viu brilho ou tirada inteligente. Apareceu uma figura cheia de cacoetes linguísticos, uma expressão pobre, justificando os tempos de chumbo vividos pelo país. Para todas as perguntas de caráter programático, vinham respostas emolduradas pelo "achismo". Mais pareceu conversa de botequim entre opostos tomando uns birinaites.
Tempo eleitoral
O tempo de um candidato na programação eleitoral conta muito. Mas não é sempre que dá certo. Na campanha de 1989, Ulisses Guimarães tinha o maior tempo eleitoral. Ficou para trás. Já o maior tempo de rádio e televisão de toda a história dos pleitos no país, em todos os níveis, foi usado por Quércia, em São Paulo. Candidato ao Senado, em 2002, abusou do espaço dos candidatos a governador, deputado Federal e deputado estadual. Em termos de GRP (Gross Rating Point), que dimensiona o tamanho das inserções publicitárias e a equivalência em termos de audiência, a campanha quercista bateria as campanhas anuais de campeões brasileiros de propaganda.
Voto racional
O eleitor, porém, não "comprou" a mercadoria quercista, na demonstração inequívoca de que mídia não elege candidato e de que, mesmo com muita cosmética, candidato de perfil corroído não coopta consciência. Vitória do voto racional. Ficou atrás de Aloizio Mercadante e Romeu Tuma. E na campanha de 1994, com enorme tempo de TV, candidato à presidente, Quércia ficou em 4º lugar, atrás de FHC, Lula e Enéas, cujo tempo apenas permitia gritar seu nome.
O voto em Enéas
O voto em Enéas foi de protesto. A onda "Enéas" teve tanto um componente emotivo quanto racional, indicando a contrariedade de eleitores dispersos que, de repente, acharam um motivo para se rebelar contra a situação. A barba e a careca de Enéas, como logotipos, e o linguajar disparado reforçaram a visibilidade de um ícone de indignação social. Mais do que "cacareco", um rinoceronte que ganhou 100 mil votos dos paulistanos para se eleger vereador, em 1959, ou o Macaco Tião, que ganhou 400 mil votos para prefeito, no Rio de Janeiro, em 1988, Enéas, como médico e professor de medicina, sabia o que queria. Abriu espaços para uma ideologia de certo sabor "nacionalista-ufanista-messiânica". Pode até ter sido um engodo e motivo para corrigir as distorções existentes no conceito de coeficiente eleitoral, mas seu voto saiu de estratos diferenciados.
Redes sociais
Bolsonaro é o mais acompanhado pelas redes sociais. Ganha de goleada de Lula, Alckmin, Ciro e outros. Seus exércitos usam o arsenal das redes sociais para incutir o adesismo. Ora, essa militância é incapaz de agregar um voto a mais. Deverá terçar armas com guerrilheiros de outros competidores dentro de uma batalha de canibalização recíproca. Todos saem feridos. E nenhum guerreiro pulará para o campo do outro. Já os seguidores de outros candidatos assistirão a batalha nas arquibancadas. Os tiros dos radicais acabarão adensando os bolsões centrais. A conferir.
Ciro na ladeira
A onda cirista mostra certo arrefecimento. Confirma-se aquilo que já sabe: Ciro é um peixe que morre pela boca. A índole guerrilheira do ex-governador do Ceará é polêmica. Assusta. Depois de uma onda crescente, enxerga-se uma onda declinante. Não se sabe se essa descida de ladeira vai continuar. Ciro pode ser beneficiado pelo afastamento de Lula. Portanto, não se trata de carta fora do baralho. Trata-se de um perfil preparado. Domina bem a planilha de problemas brasileiros. Mas o homem não se contém.
Mineirinhas
Frases de Augusto Zenun, de Campestre, sul de Minas - político, industrial, filósofo e, antes de tudo, udenista ortodoxo da linha bilaqueana (Bilac Pinto, o Bilacão, seu dileto amigo). Sempre infernou a vida de seus adversários, com as suas atitudes destemidas e sua natural mineirice.
"Quando estamos no governo, todo adversário que quer se encaixar, diz ser técnico".
"O preço do voto de um eleitor mentiroso é sempre o mais caro".
"Há um fato na política que a torna bastante interessante: o choque dos falsos políticos com os políticos falsos".
"Político é dividido em duas partes. Uma trabalha para ser eleito. A outra trabalha para conseguir um cargo público se for derrotado".
"Muita campanha eleitoral se parece com sauna: depois do calorão vem uma ducha fria". (Pinçadas de A Mineirice, de José Flávio Abelha)
Marina isolada
Já a candidata Marina Silva parece lutar para ficar na clausura. Uma freira. Sua Rede Sustentabilidade apoia, por exemplo, o senador Romário para o governo do Rio. Mas sem o apoio dela. Faz questão de dizer que seu partido apoia Romário, não ela. É a mais ética dos candidatos. Mas a ojeriza que tem pela real politik acabará fazendo naufragar sua postulação à presidência. Marina é a nossa colhedora de rosas brancas que enfeitam o jardim dos inocentes. Essa é a imagem que passa. Esquece ela que a política tem muito a ver com o inferno.
Meirelles, peso muito pesado
Henrique Meirelles é um quadro técnico. Assim é e será visto. Como tal, encaixa-se no figurino de ministro da Fazenda de qualquer governo. Transformá-lo em candidato à presidência da República é uma tarefa hercúlea. Meirelles tem fala arrastada, um jeitão de avô de todos os candidatos, um conselheiro que paira acima dos guerreiros das tribos políticas. No ambiente polarizado de nossa política, parece uma figura deslocada, que procura um rumo, um norte, um jeito de ser aceito pela comunidade eleitoral. Será difícil.
E os vices?
Eis o gargalo do momento: achar vices à altura. O vice não pode ser qualquer um. Precisa ter perfil denso: honesto, fora dos trambiques da Lava Jato, experiente, respeitado, pessoa que agregue valor à campanha. Ante as visitas que o Senhor Imponderável dos Anjos faz ao Brasil, o vice deve ser um perfil capaz de substituir o presidente em qualquer circunstância. Essa novela terá final em mais alguns dias.
Janaína?
Janaina Paschoal é, por enquanto, a mais forte candidata a vice na chapa de Jair Bolsonaro.
As circunstâncias
Pois é, o ambiente da campanha será temperado pelas circunstâncias. O clima de beligerância poderá ser quente, assombrando parcela dos eleitores. Inflação sob controle poderá preservar o bolso, mas se a coisa degringolar, a raiva induzirá a decisão de voto. A expressão de uns e outros será ouvida com mais atenção. As movimentações das militâncias podem animar candidatos e partidos, mas propiciarão despertar outros núcleos não tão engajados. Acidentes de percurso têm o poder de mudar o vértice eleitoral.
O tirano
Maquiavel conta no "Livro III dos Discursos", sobre os primeiros dez livros de Tito Lívio, a história de um rico romano que deu comida aos pobres durante uma epidemia de fome e que foi por isso executado por seus concidadãos. Argumentaram que ele pretendia fazer seguidores para tornar-se um tirano. Essa reação ilustra a tensão entre moral e política. Mostra que os antigos romanos se preocupavam mais com a liberdade do que com o bem-estar social.
Gaudêncio Torquato, Jornalista e Consultor em Marketing Político, é Professor Titular na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.