quinta-feira, 11 de março de 2010

Para Todos

Os deputados federais aprovaram, por larga maioria, a emenda de Ibsen que manda dividir meio a meio o total dos royalties decorrentes da exploração de petróleo nas plataformas marítimas, seja do pré sal ou não.

A lógica da idéia é que se o petróleo é da União Federal e a União é a soma dos Estados, Municípios e Distrito Federal os lucros terão que ser repartidos entre todos os entes federativos, segundo os parâmetros do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios.

É um avanço contra as desigualdades regionais fortalecendo a Federação.

A emenda segue para o Senado onde o Governo terá igualmente dificuldades para derrubá-la. Restará o veto presidencial e depois no Congresso a derrubada do veto.

De Saída

Meireles, o ainda hoje muito admirado Presidente do Banco Central, retornava ao Brasil depois de uma carreira bem - sucedida em bancos famosos no exterior quando, fixando-se em Goiás, seu Estado natal, teve a idéia de ingressar na política.

Queria apenas ajudar na melhoria das coisas em favor dos seus conterrâneos e pensando assim se filiou ao PSDB elegendo-se Deputado Federal.

Nem começou a exercer o mandato e teve que renunciá-lo, atendendo a pedido de Lula, para ser Presidente do Banco Central, o bastante para pipocarem acusações de sonegação fiscal contra ele.

Meireles voltou ao País como um dos executivos mais bem pagos do mundo financeiro, trazendo um bom dinheiro para, se quiser, nunca mais trabalhar na vida.

Precisando ser deixado em paz para poder gerir com calma a banca da moeda e do câmbio, e dos juros, deram-lhe status de Ministro pelo que passou a ter foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal.

Agora Meireles anuncia que vai sair do BC para ser candidato a Senador por Goiás, mas é o preferido de Lula para ser o Vice de Dilma. Agora se sabe que as investigações lá de trás se encerraram virando Denúncia, a peça de acusação do Ministério Público Federal.

Ontem, Gurgel, o Procurador - Geral da República, encaminhou a Denuncia contra Meireles para o Supremo Tribunal Federal. Tão logo deixe o BC, o processo irá para a primeira instância federal de Goiás.


 

quarta-feira, 10 de março de 2010

Trocas


No TSE, sai Brito e entra Lewandowiski.

São duas figuras, que se notabilizam pela lhanheza, mas bem diferentes.

Brito nunca foi Juiz na vida, mas fez carreira como constitucionalista, aliás muito criativo, nas arcadas sergipanas.

Ele tinha um fusca com ar condicionado e quando Lula, que ainda era um sonho distante, chegava a Aracaju, naquele calor da peste, estava lá o Britinho com o seu fusca fresquinho no aeroporto à disposição do líder.

Houve um tempo em que havia muito mais petistas nas redações e também nas universidades. Brito era petista da universidade. E também, registre-se, excelente poeta.

Aliás, o Brito, e não o Eros, é quem devia ir para a vaga do Mindlin nessa Academia que tem o – como é mesmo nome dele, aumentativo de vila, ah o Vilaça como Presidente.

Lewandowiski, o novo Presidente do TSE, vem de uma longa experiência como professor, advogado e depois como magistrado em São Paulo, de onde saiu Desembargador para Ministro do STF.

Brito sai do TSE e entra de Vice de Peluso no STF. Como o tempo passa rápido, logo estaremos juntos, do lado de cá, em chás de cadeiras, advogando.

Tempos


Aécio diz que Serra está no seu tempo e que ambos vão ganhar, ele uma cadeira no Senado por Minas e Serra a Presidência da República.

O entusiasmo do Governador de Minas lança contágios nas almas inquietas do PSDB, temerosas de que estando Dilma a correr solta na buraqueira ela possa vencer.

À pesquisa do Datafolha que mostrou Dilma se enroscando em Serra, o qual se mantém na dianteira com margem mínima, o PSDB avisa que está vindo aí uma pesquisa do Ibope contando história bem diferente.

Aécio garante que vai batalhar intensamente para que Serra vença em Minas e que também viajará pelo País pedindo votos, pois no que depender dele, o Aécio, Serra será eleito Presidente.

terça-feira, 9 de março de 2010

Três Apitos


Como se fosse uma síndrome, as cobranças que a todo instante são feitas a Serra para que se lance logo candidato a Presidente, arriscando-se a naufragar num tsunami de multas eleitorais por propaganda antecipada, no Maranhão também se intensificam as cobranças para que as Oposições se atirem logo na campanha.

Poucos sabem que, para não variar, como em todas as Oposições que se prezam, as do Maranhão também se fazem com muitos caciques e poucos índios, os quais mesmo sendo poucos ainda são mantidos longe dos apitos, isto porque, como os caciques de antigamente, os das Oposições acham que os índios desta taba timbira só estão a fim de apitos.

Tradições à parte, as conversas avançam.

Flávio, do PC do B, será mesmo candidato a Governador com PT ou sem PT na rebarba. Como já está certo mesmo que Lula não vai deixar o PT fora da coligação com o PMDB, o Vice de Flávio deve sair do PSB, possivelmente José Reinaldo.

Tem uma turma querendo queimar Jackson espalhando que ele está na Inglaterra tratando da saúde e que seu estado seria tão grave que não agüentaria dois meses de campanha.

Tudo onda.

Jackson está em São Paulo vivíssimo da silva, com saúde de atleta da terceira idade, e sábado último ele foi visto com Dona Clay, na Feira Livre da Vila Madalena, comendo pastel e bebendo caldo de cana.

Super Faturamento

Quando Caetano Veloso lançou, logo no primeiro pacote da Tropicália, o Super Bacana, aquele rock em que diz – toda essa gente se engana, ou finge que não vê que eu nasci prá ser o super bacana e termina com os super da época, super homem, super flit, super ist... – não se falava ainda em super faturamento.

A Policia Federal calcula que há hoje superfaturamento de pelo menos 700 milhões de reais num lote de apenas 303 obras, até aqui inspecionadas.

De cada 100 reais desembolsados pelo poder público, 29 reais, em média, foram superfaturados.

Cerca de 30% do dinheiro público aplicado em prédios, obras viárias, sistemas de esgoto, portos e aeroportos segue a rota do ralo da corrupção, nos três níveis de gestão – municipal, estadual e federal.

Além do superfaturamento, há, como se sabe, uma miríade de artifícios criada pela imaginação de políticos e governantes com o intuito de alimentar suas campanhas e contas bancárias. Casos de fraudes em concorrências, propinas, caixa dois, comissões e pagamentos por tráfico de influência são corriqueiros no noticiário político, por vezes demasiadamente próximo da crônica policial.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Araras

Quase ninguém se lembra mais dos macaquinhos, um pouco antes do amanhecer, farreando nos galhos da amendoeira.

Não tinham medo de gente e eu mesmo cheguei a dividir com eles a minha banana matinal.

Uma banana por dia, dizem os médicos, é o mínimo indispensável para não deixar cair o potássio.

Um estudo sobre os macacos concluiu o quanto eles dependem de potássio em sua química de vida e daí, portanto, essa gana toda por bananas.

Tem médico mandando o pessoal comer bastante banana antes de qualquer tentativa de reposição hormonal.

Eu andava pelo mundo e não entendia porque os gringos não dispensavam, e ainda hoje não dispensam, uma banana, no mínimo, todo dia. Hoje, eu entendo.

Os macaquinhos da amendoeira faziam um alarido danado ao pressentirem que alguém se aproximava da árvore, ou seja deles, com uma banana. Olfato apurado, sentiam de longe o cheiro da banana.

Aquilo já era quase ritual.

O sol mal começava a ensaiar-se em enorme espelho sobre as águas quase paradas deste pedaço enorme de lago na península do Paranoá e os macaquinhos, de repente, não mais que de repente, sumiam.

Por um tempo, à noite, as antas andaram por estas trilhas das nossas caminhadas. Anta é o bicho mais besta de ser pego porque sobre o asfalto, ou não, deixa sempre os mesmos sinais.

Mas agora é uma arara, a dona do pedaço, que reina soberana em vôos quase rasantes entre a amendoeira outrora dos macaquinhos e uma mangueira adiante, na beira da trilha, quase margeando a água.

Às vezes, caminho distraído querendo ouvir só o silêncio, e de repente o susto num som seco como se fosse tirado de taboca rachada, - é a arara.

Tem gente que falando, e mesmo sem estar zangada, nos lembra voz de arara. Digo voz mas não tenho certeza se é voz.

Deve ser apenas som, algum sonido, porque arara não fala. A única palavra que ela consegue articular de forma audível, concatenada, é a que denomina a si mesma – arara.

Mas essa arara que botou para correr os macaquinhos da amendoeira da península não parece chegada a bananas, mas sei que adora manga.

Ela bica uma manga com tanto charme e solenidade que até lembra o Vinicius, nosso poeta da dor, do amor e da saudade, bicando suas doses da garrafa que mantinha em sociedade com o maestro Jobim, no bar do Antonios, em Ipanema, no Rio de Janeiro.

Foi lá que um telefonema de Frank Sinatra, querendo gravar a Garota de Ipanema, encontrou o maestro e aquilo lhe pareceu tão inverossímil que, num primeiro impulso, não quis atender, achando que era algum trote.

Conta uma testemunha que a sociedade dos dois naquela botelha acabou no dia em que nomearam como fiel depositário o incansável Carlinhos de Oliveira, que escrevia de lá mesmo, enquanto sorvia umas doses, a sua crônica diária para o Jornal do Brasil.

Quero saudar hoje a tagarelice de todas as araras, convocar os barulhos, os sons das ruas e os sons nada sustenidos do abre e fecha, mais abre do que fecha, dos cofres públicos.

Quero que silenciem as buzinas dos sacanas que espantam os pedestres nas faixas de segurança quando o sinal ainda está fechado aos automóveis.

Quero que as pessoas que julgamos sem educação porque conversam em voz alta nas filas, nos bares, nos restaurantes, por onde andam não conseguem falar em tom ameno, num tom parecido com aquele dos peculatários, quero que todos, mas todos mesmo, aumentem os volumes de suas vozes e falem, falem, falem mais alto ainda, incomodando a todos de suas tribos até embarcarem seu desassossego nas trilhas do vento.

Pode ser que assim, nessa tagarelice das araras, consigam tanger para o caminho de volta aqueles macaquinhos.

Enroscando


Dilma já estaria se enroscando em Serra, segundo pesquisa do DataFolha, entre os dias 24 e 25 deste mês.

Serra, que em dezembro estava com  37% teria recuado agora para 32%, enquanto Dilma, que tinha 28% teria crescido 5 pontos, alcançando, assim, a marca dos 33%.

Em razão da margem de erro, que é de 2 pontos para mais ou para menos, o DataFolha diz não poder afirmar se há empate técnico.

O universo pesquisado foi de 2 mil 623 pessoas, incluindo menores de 18 e maiores de 16 anos, eleitores de voto facultativo, não obrigatório.  

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um Manifesto

Já são mais de duas mil as assinaturas, sabendo-se que dentre as primeiras estão as do poeta Ferreira Gullar e do cineasta Zelito Viana, pedindo que Serra e Aécio se juntem numa chapa, assim nessa ordem – Serra Presidente, Aécio Vice.

"Em poucos momentos da história é possível unir duas lideranças ilibadas e representativas em torno de um projeto nacional democrático e progressista, vivemos um deles", diz o Manifesto.

"Serra e Aécio, nos cargos públicos que ocuparam, e ao longo dos anos, - prossegue o Manifesto - deram demonstração de competência, vocação pública e de compromisso com mudanças.

"Para dirigir o Brasil não precisam apresentar credenciais, já estão prontos, pois são o resultado do que tem de melhor a experiência política nacional nos últimos 20 anos", diz ainda o manifesto.

Para os subscritores do Manifesto "uma chapa Serra-Aécio significaria, antes de tudo, concretizar uma alternativa ao atual governo federal, que acertou ao dar curso a orientações que emanam de administrações próximas anteriores e fracassou ao não executar reformas agendadas e de grande alcance histórico como a política e a tributária.

Seria sinalizar a toda a sociedade que um novo projeto ético na vida pública e na política é possível".