domingo, 20 de maio de 2012
Esperando Godot
E
quem haveria de imaginar que por Palmátria, como o poeta Tribuzi chamava esta
paragem de Pindorama, quem haveria de imaginar, pasmem, que muitos dentre os do
nosso tempo ainda fossem acreditar em Godot e, pior e mais engraçado, ainda se
pusessem a esperá-lo como quem espera um Messias, ainda que desfocado, um
Messias que não tem nada a ver nem com a imitação do original, enfim, um
Messias de Feira do Paraguai, por conseguinte falso nas promessas, falsificado
nas razoes.
O oportunismo em política só busca proveitos e, como para os oportunistas a farinha é sempre pouca, nem se constrangem em levar ao pé da letra a máxima – farinha pouca, meu pirão primeiro.
O Godot é aquele cara por quem muitos esperam, até com doses fortes de encegueiramento, mas que nunca chega. Termina o tempo do espetáculo no qual todos vivem a expectativa de que ele, afinal, vai chegar e o cara não chega.
Talvez, no fundo, o Godot destes tempos tenha uma noção silenciosa e secreta de sua própria inutilidade e fraquezas, sabendo que a sua vocação não é fomentar esperanças e torná-las possíveis, e daí se agarrar até as sugestões dos horóscopos para não chegar nunca, enquanto os outros na platéia o esperam.
Esperando Godot era uma expressão muito recitada no antigamente mais antigo, nem tanto remontando aos tempos bíblicos, quando se queria dizer, para o consolo geral, que um cara formidável, paregórico para todos os males, iria chegar.
Daí que passou a ser mais fácil esperar por Godot. Os povos em todas as gerações têm essa tendência a não sopesar a realidade, a não encarar as dificuldades, a não assumir sua cidadania e a não ir à luta. Preferem sempre, a cada época, esperar por algum Godot, um novo tipo de Messias, quem sabe até de esquerda, quem sabe até de direita, mas se dizendo o novo.
Os grandes déspotas do último século na Europa e em Palmátria, também, começaram como Godot. Tanto as pessoas fantasiaram suas esperas que muitos caras se fazendo passar por Godot, rompendo com o script da peça, contrariando o autor, Samuel Beckett, antes do fim da peça, chegaram. E em cada lugar do mundo, incluindo Palmátria e Pindorama por inteiro, deu no que deu.
Na peça de Beckett, há no começo uma paisagem vazia e lá no fundo, no meio, uma arvore solitária. Nesse vazio, dois vagabundos, Estragon e Vladimir que se entregam à espera de um certo Godot. Quando Godot vai chegar ou porque o esperam, eles não sabem. Mas esperam.
Conversam, espalham lorotas, divagam e coisa e tal e o Godot, gente, nada de chegar. Até porque, talvez, quem sabe, ainda que chegue, não estará chegando. Godot é ausência física, mas como promessa real é puro engodo, não existe. Ele deve ter noção, se atendendo aos pedidos gerais chegar, deve ter noção, sim, da potencialidade do dano que poderá causar em matéria de decepção. Para ficarmos só nessa rima.
Como escreveu, a propósito, Otto Maria Carpeaux, - afinal, a gente se diverte como pode, esperando Godot.
O oportunismo em política só busca proveitos e, como para os oportunistas a farinha é sempre pouca, nem se constrangem em levar ao pé da letra a máxima – farinha pouca, meu pirão primeiro.
O Godot é aquele cara por quem muitos esperam, até com doses fortes de encegueiramento, mas que nunca chega. Termina o tempo do espetáculo no qual todos vivem a expectativa de que ele, afinal, vai chegar e o cara não chega.
Talvez, no fundo, o Godot destes tempos tenha uma noção silenciosa e secreta de sua própria inutilidade e fraquezas, sabendo que a sua vocação não é fomentar esperanças e torná-las possíveis, e daí se agarrar até as sugestões dos horóscopos para não chegar nunca, enquanto os outros na platéia o esperam.
Esperando Godot era uma expressão muito recitada no antigamente mais antigo, nem tanto remontando aos tempos bíblicos, quando se queria dizer, para o consolo geral, que um cara formidável, paregórico para todos os males, iria chegar.
Daí que passou a ser mais fácil esperar por Godot. Os povos em todas as gerações têm essa tendência a não sopesar a realidade, a não encarar as dificuldades, a não assumir sua cidadania e a não ir à luta. Preferem sempre, a cada época, esperar por algum Godot, um novo tipo de Messias, quem sabe até de esquerda, quem sabe até de direita, mas se dizendo o novo.
Os grandes déspotas do último século na Europa e em Palmátria, também, começaram como Godot. Tanto as pessoas fantasiaram suas esperas que muitos caras se fazendo passar por Godot, rompendo com o script da peça, contrariando o autor, Samuel Beckett, antes do fim da peça, chegaram. E em cada lugar do mundo, incluindo Palmátria e Pindorama por inteiro, deu no que deu.
Na peça de Beckett, há no começo uma paisagem vazia e lá no fundo, no meio, uma arvore solitária. Nesse vazio, dois vagabundos, Estragon e Vladimir que se entregam à espera de um certo Godot. Quando Godot vai chegar ou porque o esperam, eles não sabem. Mas esperam.
Conversam, espalham lorotas, divagam e coisa e tal e o Godot, gente, nada de chegar. Até porque, talvez, quem sabe, ainda que chegue, não estará chegando. Godot é ausência física, mas como promessa real é puro engodo, não existe. Ele deve ter noção, se atendendo aos pedidos gerais chegar, deve ter noção, sim, da potencialidade do dano que poderá causar em matéria de decepção. Para ficarmos só nessa rima.
Como escreveu, a propósito, Otto Maria Carpeaux, - afinal, a gente se diverte como pode, esperando Godot.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
O Pilão da Madrugada
Este
foi o título do primeiro livro que o Neiva publicou tão logo retornou do longo exílio - O Pilão da Madrugada.
O livro foi tirado de um longo depoimento a José Louzeiro.
Mas sem qualquer embargo é da coleção do Nery, Sebastião Nery, um dos históricos do PDT, que foi Deputado Federal na primeira safra dos eleitos pelo partido, algumas melhores estórias do nosso grande Caramuru, assim também cognominado porque seus discursos nos áureos tempos da Ilha Rebelde eram de incendiar os corações.
Conta Nery:
O deputado cassado Neiva Moreira, editor dos “Cadernos do Terceiro Mundo” (excelente revista em português, inglês e espanhol), foi a Beirute entrevistar os dirigentes dos partidos libaneses : Partido Progressista, Partido Murabitum, Partido Baath e Partido Comunista.
Depois de vencer rigoroso esquema de segurança, Neiva chegou à rua Afif At-Tibl, perto da Universidade Árabe, e entrou num pequeno escritório para conversar com o secretário do Partido Comunista do Líbano:
Mas sem qualquer embargo é da coleção do Nery, Sebastião Nery, um dos históricos do PDT, que foi Deputado Federal na primeira safra dos eleitos pelo partido, algumas melhores estórias do nosso grande Caramuru, assim também cognominado porque seus discursos nos áureos tempos da Ilha Rebelde eram de incendiar os corações.
Conta Nery:
O deputado cassado Neiva Moreira, editor dos “Cadernos do Terceiro Mundo” (excelente revista em português, inglês e espanhol), foi a Beirute entrevistar os dirigentes dos partidos libaneses : Partido Progressista, Partido Murabitum, Partido Baath e Partido Comunista.
Depois de vencer rigoroso esquema de segurança, Neiva chegou à rua Afif At-Tibl, perto da Universidade Árabe, e entrou num pequeno escritório para conversar com o secretário do Partido Comunista do Líbano:
-
Bonjour.
-
Bonjour, não. Bom-dia. Falo portugues. Sou brasileiro.
-
Brasileiro e dirigente do Partido Comunista
libanês?
-
Nasci no Acre.Minha mãe era acreana, casada com um libanês.Com 7 anos veio e me
trouxe. Tenho uma irmã em Paris e um irmão no Brasil, o ministro da Comunicação
Said Farhat. Somos amigos.Politicamente menos.
E
Albert Farhat, alto, forte, 40 e poucos anos, cabelos pretos, simpático, falou
duas horas a Neiva. Quando terminou, desculpou-se:
-
Estou muito preocupado hoje, porque meu filho está na frente de luta. Tínhamos
até planejado que outro companheiro, o segundo secretário, também conversasse
com você. Mas o Abi-Akel teve de sair.
-
Quem? Abi-Ackel? Irmão também do nosso ministro?
-
Não. Primo.
Neiva
saiu sem saber se tinha entrado no Palácio do Planalto.
BAGDÁ
Neiva estava numa recepção no palácio de Saddam Hussein, em Bagdá, Iraque, e conversava com o coronel Melo Antunes, presidente do Conselho da Revolução de Portugal. Vai chegando um homem de óculos:
- Os senhores ai falando português?
BAGDÁ
Neiva estava numa recepção no palácio de Saddam Hussein, em Bagdá, Iraque, e conversava com o coronel Melo Antunes, presidente do Conselho da Revolução de Portugal. Vai chegando um homem de óculos:
- Os senhores ai falando português?
-
Sou o Melo Antunes, de Portugal. Ele, o Neiva Moreira, do Brasil.
- E
eu o Camilo Pena, ministro da Indústria e Comércio do Brasil.
Aproxima-se o general Samuel Correia, embaixador do Brasil em Bagdá. Camilo Pena apresenta-os, o general surpreende-se:
- Do Maranhão? Os maranhenses são poetas, escritores. Também é?
Aproxima-se o general Samuel Correia, embaixador do Brasil em Bagdá. Camilo Pena apresenta-os, o general surpreende-se:
- Do Maranhão? Os maranhenses são poetas, escritores. Também é?
-
Infelizmente não, embaixador. Os senhores não me deram tempo.
LIBIA
Uma delegação de onze deputados foi a Trípoli, na Líbia, conhecer a terra de Kadafi. Com eles, o deputado Neiva Moreira, o brasileiro de maiores ligações e maior prestígio em todo o Terceiro Mundo.
LIBIA
Uma delegação de onze deputados foi a Trípoli, na Líbia, conhecer a terra de Kadafi. Com eles, o deputado Neiva Moreira, o brasileiro de maiores ligações e maior prestígio em todo o Terceiro Mundo.
Da
delegação fazia parte o deputado Iranildo Pereira, do PMDB do Ceará, sertanejo
duro e seco lá do Cariri. Ficou escandalizado com o hábito árabe de os homens
andarem na rua de mãos dadas e se beijarem no rosto:
-
Seu Neiva, essa história de homens de mãos dadas nas ruas se beijando na cara,
essa não. No Ceará não tem disso não.
Os
líbios ofereceram um banquete à delegação brasileira. Neiva chamou o delegado
da OLP (Organização pela Libertação da Palestina):
-
Abu, preciso de um favor seu. Vou lhe apresentar um deputado brasileiro que
está intrigado com o hábito árabe do beijo no rosto entre homens. Quando você
falar com ele, dê-lhe dois beijos seguros.
Iranildo
chegou, Neiva apresentou o Abu, que lhe
sapecou duas beijocas estaladas nas bochechas. Iranildo quase esmurrou o
árabe.
NEIVA
Na semana passada, em Paris, a chuva despejava bolas de granizo na janela do hotel e de repente a Internet informou a morte de Neiva Moreira, aos 95 anos. Logo me lembrei do saudoso Paschoal Carlos Magno :
NEIVA
Na semana passada, em Paris, a chuva despejava bolas de granizo na janela do hotel e de repente a Internet informou a morte de Neiva Moreira, aos 95 anos. Logo me lembrei do saudoso Paschoal Carlos Magno :
- A
partir de certa idade nossa vida é uma alameda de amigos mortos.
Neiva Moreira foi um dos meus mais fascinantes
amigos no jornalismo e na política. Deputado estadual em 1950, em 1953 o
levamos ao Diretório Academico da Faculdade de Filosofia de Belo Horizonte para
uma conferencia sobre a campanha do Petróleo é Nosso e da Petrobrás.
55
anos depois, no Réveillon de 2007, ele quase cego, estávamos os dois,
emocionados, na posse de Jakson Lago no governo do Maranhão. Foi uma vida bonita, valente, universal,
generosa, venturosa e aventurosa.
JORNALISTA
JORNALISTA
Nascido
em 1917, em Nova Iorque, no Maranhão, aos 15 anos já dirigia o jornal “A Luz”, em Floriano, no
Piauí. Em Terezina, com Carlos Castelo Branco, fundou “A Mocidade”. Em 1942 já
estava no Rio em “O Jornal” e “O Cruzeiro”. Em 1950, funda em São Luis o
“Jornal do Povo”, elege-se deputado estadual. Em 1954, 58, 62, federal.
Presidente da Comissão da Camara para Transferencia da Capital para Brasilia,
Juscelino me disse que sem ele dificilmente teria inaugurado Brasília em 1960.
Um
dos fundadores da Frente Parlamentar Nacionalista, o golpe militar de 1964 o cassou na primeira
lista. Preso meses, asilou-se no mundo. Nenhum exilado brasileiro viveu em
tantos países, fugindo de golpes. Foi para a Bolívia, golpe. Para o
Uruguai,golpe. Para a Argentina, golpe. Para o Peru, golpe. Para o Chile,
golpe. Afinal, México e Europa, sempre jornalista, com seus imbatíveis
“Cadernos do Terceiro Mundo”.
Anistiados, ajudamos Brizola a criar o PDT. Fez varios mandatos de deputado federal pelo seu Maranhão. Um herói nacional : 80 anos de lutas.
Anistiados, ajudamos Brizola a criar o PDT. Fez varios mandatos de deputado federal pelo seu Maranhão. Um herói nacional : 80 anos de lutas.
www.sebastiaonery.com.br
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Neiva Moreira
Companheira
nas mesmas lutas do PDT ao lado de Brizola, Dilma tinha uma ligação especial de
afeto e respeito pelo Neiva.
Quem a conhece mais de perto sabe que ela não se encaixa naquele perfil descrito por Fernando Pessoa – o poeta é um fingidor... O que a Dilma sente, sente.
Olha aqui o que ela escreveu assim que soube da morte do Neiva:
Quem a conhece mais de perto sabe que ela não se encaixa naquele perfil descrito por Fernando Pessoa – o poeta é um fingidor... O que a Dilma sente, sente.
Olha aqui o que ela escreveu assim que soube da morte do Neiva:
-
A política brasileira perdeu hoje (ontem) um de seus mais expressivos líderes.
Neiva Moreira, fundador do PDT junto com Leonel Brizola, lançou raízes do
trabalhismo no Brasil e em vários outros países latino-americanos.
-
Como estudioso, ativista e escritor, sempre esteve ao lado dos povos oprimidos
da região. Viveu intensamente a luta pelas liberdades no Brasil, e, após
retornar do exílio, ampliou sua trajetória política a partir do seu amado
Maranhão.
-
Em nome de todas as brasileiras e de todos os brasileiros, cumprimento os familiares
e amigos, neste momento de dor. Particularmente, guardarei sempre comigo as
boas lembranças de minha convivência com o Neiva Moreira.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A Onça
E
aí, amiga, amigo, temos noticias da onça do STJ?
Não
lembram que as câmeras de segurança flagraram a onça deixando a área do
estacionamento do nosso Superior Tribunal de Justiça indo a caminho do prédio
principal onde estão os Ministros e os processos?
O
STJ processa e julga originariamente os Governadores, os Desembargadores, os
Conselheiros dos Tribunais de Contas dos Estados, os membros do Ministério
Público que atuam perante os Tribunais federais e não só.
Através
do Recurso Especial o STJ pode desconstituir as decisões dos Tribunais dos
Estados ou dos Tribunais Regionais Federais tudo de modo a fazer valer,
consoante a sua interpretação, a unicidade do direito nacional federal.
Então,
a pergunta que há quase duas semanas não quer calar é – o que
aquela onça, uma suçuarana, estaria a querer em pleno horário do expediente no
nosso mui indispensável conquanto volta e meia tão injuriado Superior Tribunal
de Justiça?
É
sabido pelos estudos dos biólogos que a onça suçuarana, que tem o nome
cientifico de puma concolor, circula pela aí com vários pseudônimos. Dependendo
da ocasião, ela pode ser uma cougar, uma Jaguaruna ou apenas a onça-parda.
A
felina do STJ, ou a gatona do STJ, também assim chamada, é um mamífero da
família dos felídeos, família essa ainda não identificada no Maranhão em
eventuais ascendentes, descendentes, colaterais ou mesmo por adoção, nada de
modo a ensejar algum tipo de reprovação moral popular ou mesmo inelegibilidade.
Como
ainda não foi possível lhe aferir o sexo, ou seja, o gênero, o que uma lei
federal sancionada recentemente não mais permite chamar a alguns diversos com
tratamentos iguais, tipo assim – se um é unha, o outro é unho, é bem possível
que a onça do STJ nem a seja, porquanto, quem sabe, não se trate de um onço? O
masculino de estrela seria estrelo.
Convém
não desviar o foco – o que, afinal, pretendia àquela hora nas cercanias do STJ
a onça suçuarana disfarçada em leão da montanha, como também é conhecida pelos
biólogos, a caminho do prédio principal depois da farejar automóveis no
estacionamento?
A
insensatez do seu poder destruidor não se destinaria, é claro, a destruir
processos interrompendo demandas que se arrastam há anos e, assim, quem sabe,
em razão da morosidade causada, gerar algum incomensurável lucro para um dos
lados.
Esse
quesito – destruição ou sumiço de processos – já inspirou em tentações outras
não a uma onça propriamente dita, mas a farejadores humanos e a noticia mais
recente, quanto isso, vem do Maranhão onde dois assessores da ínclita Corte
estadual foram presos quando pegavam grana em troca do sumiço de um processo.
Armação pura, casca de banana e eles pisaram, contesta a defesa. Embora o
flagrante tenha se dado num lugar bem arborizado é certo que não havia nenhuma
suçuarana por perto.
A
onça do STJ, dizem os biólogos, é de um tipo espreiteiro - emboscador que adora
comer ovelhas e, também, gado domestico, espécies que não costumam passear nem
pelas cercanias nem pelos interiores da nossa maior Corte infra –
constitucional.
Pode
ser que a onça, ou o onço, peruando o prédio do STJ, esteja querendo é repassar
a quem interessar possa algum aviso a alguns amigos não necessariamente amigos
da onça, ou do onço. Afinal, há uma verdade que ninguém pode deixar de levar a
sério - quem avisa, amigo é.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Caxias
O
Helton, quando era menino, viu que tinha espinhas demais no rosto. Sua mãe,
preocupada, levou-o ao novo médico, recém-formado, que retornava à terra natal
para se somar aos mais antigos pela saúde do Povo de Caxias, o Humberto.
Por
muito tempo o menino não podia ver um vidrinho de remédio que logo mudava de
humor achando que era benzetacil, um antibiótico forte que o doutor mandou que
lhe aplicassem, 12, nas nádegas.
O
Humberto hoje é o Prefeito de Caxias. O Helton hoje é médico, mais um se
somando aos mais antigos pela saúde do Povo de Caxias. E pré-candidato a
Prefeito. Os dois foram eleitos na ultima assentada, um Prefeito e o outro Vereador, sob a legenda do
12 – PDT.
O
Helton é de boa convivência, evangélico, boa fé, caridoso. Faz da sua medicina
um sacerdócio. O Humberto, igualmente, não é de caçar confusão com ninguém.
Ontem
à noite o Helton ao chegar em sua casa dirigindo o seu carro foi atacado por
pistoleiros os quais de uma motocicleta lhe desfecharam alguns tiros e ele agora
está internado num hospital local, mas já fora de perigo, para a retirada da
bala.
Está
assim o Maranhão hoje em dia.
Resistir e Vencer
Viver
no Maranhão hoje, em qualquer lugar, é aceitar de cara a possibilidade quase
certa de ser assaltado a qualquer momento. Ou assassinado. A
impunidade manda para as ruas, cada vez mais, os assaltantes e os assassinos.
O
Estado mantido pelos impostos de todos para ser a instituição destinada à realização
do bem comum sucumbiu dominado por uma elite politica despreparada, sem
espirito publico, que só cuida dos seus interesses e ambições pessoais,
espraiando maus exemplos às novas gerações.
O
pivete que atua hoje na linha de frente da criminalidade se mira no mau exemplo
do ladrão mais antigo, do assassino mais dissimulado, do receptador discreto,
do agenciador de pistoleiros frio e calculista.
Na
politica, raríssimas exceções à parte, as coisas que vemos hoje são de nos dar
medo. Medo do futuro. Se o futuro vingar com essas coisas que estamos vendo por
aí. Os maus exemplos predominam.
Quadrilhas
organizadas recrutam menores de idade e os atiçam armados e bem treinados nos
assaltos à luz do dia. Os assassinos que matam por encomenda andam de
motocicletas e já nem escondem a cara.
Os
inquéritos policiais não concluem. Se há processo judicial, o processo vira
tartaruga. Se há condenação, o condenado escafedeu-se. Se é preso, aí a porca
tosse porque o sistema penitenciário é um horror.
Falta
ao Estado uma politica publica de segurança com cidadania. O modelo, concebido
há alguns anos, está sendo vitoriosamente implantado no Rio de Janeiro.
O Maranhão,
sob o Governo Jackson, foi o primeiro Estado a implantar esse modelo da
segurança pública com cidadania.
Derrubado
o Governo na covardia do golpe, as ações em curso foram dissolvidas voltando
tudo ao que era. Por conseguinte, ao que está sendo em potencialidade danosa
mais elevada.
A
dificuldade maior está na busca da transformação fazendo valer princípios que sejam os verdadeiramente republicanos. E fazendo valer valores que
sejam efetivamente os democráticos.
A
República foi proclamada no Brasil em 1889, mas ainda hoje, em 2012, as suas
instituições e práticas não chegaram ao Maranhão. Sonegam-se as escolas com o
ensino de qualidade à maioria da população. Negar escolas para a maioria é a
maneira mais eficaz de impedir a chegada da Republica e de travar o avanço da
democracia.
A ignorância
pelo analfabetismo torna a pessoa presa fácil da manipulação dos poderosos.
Afinal, para que são donos de redes de rádios e de televisão? Para manterem a
maioria do Povo entorpecida no entretenimento de mau gosto e na disseminação
das mentiras que lhes interessam.
O
nosso Estado terá jeito, sim, quando as pessoas, somando maioria resoluta, não sendo
mais reféns do medo e não se encantando com os falsos profetas, os salvadores
da pátria, os redentores dissimulados, ah coitadinhos, entendendo que o
Maranhão não é quintal de ninguém, formando uma corrente de boa vontade forte, inquebrantável,
destronarem de vez, para valer, os corleones e os tataias.
Tarefa
difícil, sim. Jornada longa, sim. Mas nada é impossível quando a vontade se
move sob uma força maior, - a força da fé na inspiração do bem.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
De Volta
Brizola
Neto toma posse amanhã, quinta feira, como novo Ministro do Trabalho.
O
politico mais jovem a ocupar a pasta até então tinha sido João Goulart, aos 34
anos de idade. Brizola Neto está com a idade em que mataram o Cristo – 33.
O
PDT tinha três nomes – Vieira da Cunha, Deputado pelo Rio Grande do Sul;
Brizola Neto, Deputado pelo Rio de Janeiro e Manoel Dias, Secretário Geral da
sigla.
Ontem
o novo Ministro já participou em São Paulo das celebrações do Dia do Trabalho
ao lado do Deputado Paulinho da Força, do Ministro Gilberto Carvalho,
Secretário Geral da Presidência.
O
novo Secretário Geral do Ministério será alguém da CUT/Central Única dos
Trabalhadores, do PT.
Cara a Cara
Num
recado claro e direto aos banqueiros no Brasil, Dilma disse:
- O nosso sistema bancário é um dos mais
sólidos do mundo. Está entre os que mais lucraram. Isso lhe tem dado força e
estabilidade, o que é bom para toda a economia, mas também permite que dê
crédito melhor e mais barato aos brasileiros.
-
É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e
lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Estes valores não
podem continuar tão altos. O Brasil de hoje não justifica isso.
-
Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o
consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia mantém-se estável e a
maioria esmagadora dos brasileiros honra, com presteza e honestidade, os seus
compromissos.
-
O setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos
brasileiros: a Selic baixa, a inflação permanece estável, mas os juros do
cheque especial, das prestações ou do cartão de crédito, não diminuem.
Na Prateleira
Fidelis,
fundador e Presidente nacional do PRTB/Partido Republicano Trabalhista Brasileiro,
legenda pela qual foi candidato duas vezes à Presidência da República, nega que
tenha em algum momento negociado o aluguel da legenda para Carlinhos Cachoeira,
espécie de mecenas de alguns políticos no centro-oeste.
Maria
Christina Mendes Caldeira, ex-mulher de Valdemar da Costa Neto, fundador do
atual PR/Partido da República e ex-Presidente do PL/Partido Liberal, denunciou
em depoimento na Comissão de Ética da Câmara em 2005 que o então marido comprou
o PST/Partido Social Trabalhista, resultando daí a fusão com o PL da qual
surgiu a nova sigla forte e atuante, o PR.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Pré-Candidatura
Ao
Jornalista Clodoaldo Correa, de O Imparcial, concedi a entrevista que segue:
O Imparcial - O lançamento de sua pré-candidatura busca realmente a viabilidade de se tornar candidatura, ou seria mais um protesto do grupo Resistência Democrática?
Edson Vidigal - A direção nacional do PDT editou uma Resolução determinando candidatura própria nas Capitais e que só na impossibilidade da candidatura própria é que o partido deve se mover em outras direções.
A minha pré-candidatura prova que na Capital do Maranhão essa impossibilidade e' impossível. O PDT de S. Luís só não terá candidato próprio a Prefeito se (a direção nacional) não quiser.
Pergunta- A decisão final do destino do PDT em outubro não sairá do Diretório Nacional? Como convencê-lo da candidatura com a força que lá possui o secretário-geral Weverton Rocha?
Resposta - O PDT consagra em seus Estatutos a democracia interna. As divergências são necessárias. O debate respeitoso em torno das ideias consistentes é imprescindível à democracia interna. E' isso que diferencia um partido político de uma tribo.
Pergunta - Porque o grupo é contrário à manutenção do apoio ao prefeito João Castelo ou ao deputado Edivaldo Holanda Júnior?
Resposta - A ordem da direção nacional e' para que o PDT tenha candidatura própria a Prefeito nas Capitais. Há um nome 'a disposição provando que a impossibilidade da candidatura própria e' impossível na Capital do Maranhão.
Pergunta - No mesmo dia do lançamento de sua pré-candidatura, o grupo do vereador Ivaldo Rodrigues lançou um manifesto de apoio ao prefeito. Ainda existem correntes que defendem outras alianças. Em sua opinião, qual será o rumo do PDT de agora em diante?
Resposta - O rumo do PDT deve ser o da vitória nas urnas com candidato próprio a Prefeito e uma excelente chapa de candidatos a Vereadores.
Pergunta - O deputado licenciado Rubens Jr (PCdoB), representante de Flávio Dino, que lidera hoje um grupo de pré-candidatos da oposição, participou do lançamento de sua pré-candidatura. O senhor não acredita que para o PDT seria importante participar de uma coalisão como a Frente de Libertação que levou Jackson Lago ao governo do estado em 2006.
Resposta - A eleição do Jackson se deu no segundo turno com o meu decisivo apoio e dos eleitores que votaram em mim para Governador no primeiro turno.
Se o PDT não for bem sucedido no primeiro turno para Prefeito de São Luís poderemos, então, conversar. É claro que qualquer entendimento terá que ter a chancela das bases do partido.
Pergunta - Muitos pedetistas de outras correntes dizem não aceitar sua candidatura por ter chegado recentemente ao partido e que poderia haver outros nomes mais tradicionais? Como o Senhor responde a este estigma de forasteiro?
Resposta - Estou vacinado contra a intriga...
Pergunta - Quais são suas principais propostas para melhorar a vida dos ludovicenses (resumidamente)?
Resposta - Saúde publica e segurança publica, escolas com ensino de qualidade, transporte coletivo, limpeza publica, saneamento básico.
A falta de água para a maioria da população e' um problema que precisa ser enfrentado o quanto antes.
Entendo que o modelo de gestão descentralizada e que interaja com a população, além de tornar mais eficaz a ação publica, fomenta o exercício da cidadania: as ruas de todos os bairros precisam se sobrepor aos gabinetes.
O Imparcial - O lançamento de sua pré-candidatura busca realmente a viabilidade de se tornar candidatura, ou seria mais um protesto do grupo Resistência Democrática?
Edson Vidigal - A direção nacional do PDT editou uma Resolução determinando candidatura própria nas Capitais e que só na impossibilidade da candidatura própria é que o partido deve se mover em outras direções.
A minha pré-candidatura prova que na Capital do Maranhão essa impossibilidade e' impossível. O PDT de S. Luís só não terá candidato próprio a Prefeito se (a direção nacional) não quiser.
Pergunta- A decisão final do destino do PDT em outubro não sairá do Diretório Nacional? Como convencê-lo da candidatura com a força que lá possui o secretário-geral Weverton Rocha?
Resposta - O PDT consagra em seus Estatutos a democracia interna. As divergências são necessárias. O debate respeitoso em torno das ideias consistentes é imprescindível à democracia interna. E' isso que diferencia um partido político de uma tribo.
Pergunta - Porque o grupo é contrário à manutenção do apoio ao prefeito João Castelo ou ao deputado Edivaldo Holanda Júnior?
Resposta - A ordem da direção nacional e' para que o PDT tenha candidatura própria a Prefeito nas Capitais. Há um nome 'a disposição provando que a impossibilidade da candidatura própria e' impossível na Capital do Maranhão.
Pergunta - No mesmo dia do lançamento de sua pré-candidatura, o grupo do vereador Ivaldo Rodrigues lançou um manifesto de apoio ao prefeito. Ainda existem correntes que defendem outras alianças. Em sua opinião, qual será o rumo do PDT de agora em diante?
Resposta - O rumo do PDT deve ser o da vitória nas urnas com candidato próprio a Prefeito e uma excelente chapa de candidatos a Vereadores.
Pergunta - O deputado licenciado Rubens Jr (PCdoB), representante de Flávio Dino, que lidera hoje um grupo de pré-candidatos da oposição, participou do lançamento de sua pré-candidatura. O senhor não acredita que para o PDT seria importante participar de uma coalisão como a Frente de Libertação que levou Jackson Lago ao governo do estado em 2006.
Resposta - A eleição do Jackson se deu no segundo turno com o meu decisivo apoio e dos eleitores que votaram em mim para Governador no primeiro turno.
Se o PDT não for bem sucedido no primeiro turno para Prefeito de São Luís poderemos, então, conversar. É claro que qualquer entendimento terá que ter a chancela das bases do partido.
Pergunta - Muitos pedetistas de outras correntes dizem não aceitar sua candidatura por ter chegado recentemente ao partido e que poderia haver outros nomes mais tradicionais? Como o Senhor responde a este estigma de forasteiro?
Resposta - Estou vacinado contra a intriga...
Pergunta - Quais são suas principais propostas para melhorar a vida dos ludovicenses (resumidamente)?
Resposta - Saúde publica e segurança publica, escolas com ensino de qualidade, transporte coletivo, limpeza publica, saneamento básico.
A falta de água para a maioria da população e' um problema que precisa ser enfrentado o quanto antes.
Entendo que o modelo de gestão descentralizada e que interaja com a população, além de tornar mais eficaz a ação publica, fomenta o exercício da cidadania: as ruas de todos os bairros precisam se sobrepor aos gabinetes.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
O Golpe
Esquecer o ruim da história é se entregar ao risco de revivê-la. Em cada época, de alguma maneira, em algum lugar, a maldade faz das suas.
Depois vem o tempo com o seu enorme mata – borrão querendo apagar tudo, teimando em induzir a memória coletiva ao esquecimento.
Se você se entrega, se conforma aceitando, o ruim da história se renova e, quando menos se espera, lá vem ela, a maldade, de novo. Sempre por mãos de gente.
Foi em 17 de abril de 2009. O tempo, algumas vezes, parece passar rápido. Parece que foi ontem, mas do ontem porque é passado muitos nem se interessam em lembrar.
Eu me lembro da primeira semana após a posse, quando começaram a correr, os primeiros buchichos de que o Jackson seria tirado do Governo. Mas como?
Li a petição da maldade em favor dos derrotados e os absurdos eram tantos que achei graça. Mas não subestimei.
Não demorou e o caso já estava no TSE em escancarada supressão de instancia. Dois Ministros, um após o outro, foram relatores, mas nenhum deles em qualquer instante realizou pessoalmente, no local dos fatos, a instrução do processo. Quase tudo transcorreu por delegação.
Manda a lei que o Juiz decide com base na sua convicção e nas provas dos autos. Essa convicção ele a constrói ao longo do processo, durante toda a instrução, dirigindo o contraditório, ouvindo as testemunhas, mediando a querela.
Afinal, que convicção pode ter um Juiz para decidir e, pior, em colegiado levar seus pares a segui-lo, se não interrogou a todos pessoalmente, se não olhou no olho de ninguém?
A exceção que admite a delegação a Juiz de grau inferior para colher, por exemplo, um depoimento de testemunha distante, e só isso, virou regra no TSE.
As provas entre aspas, muitas delas obtidas de forma ilegal ou imoral, animaram o Relator. Quando, quase no final, relatei a um Ministro o que estava a caminho, a reação foi indignada.
A coisa foi seguindo e com o tempo, como no Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago, ninguém parecia mais ver nada e por mais argumentos que a defesa do Jackson apresentasse mostrando as equivocadas interpretações da Constituição e das Leis que se cometiam, tudo era nada para as mentes encegueiradas.
Ainda assim o resultado saiu num voto de desempate. Muito triste para uma Corte de Justiça. A maldade se completou quando, mais uma vez à revelia da Constituição e das Leis, não só cassaram o eleito por maioria absoluta de votos como, dispensando a publicação do Acórdão para que não houvesse nem tempo de recurso ao STF, mandaram diplomar, de pronto, exatamente a derrotada nas urnas no primeiro e no segundo turno.
A História é filha do Tempo, o senhor da razão. Com o passar do tempo a História vai aumentando ou diminuindo a estatura moral e cívica das personagens.
Daquele espetáculo naquela noite no TSE, a História vem dando a cada um a sua verdadeira dimensão. Uns cresceram no respeito. Outros porque não sendo nem do tamanho da sua altura, se tornam cada vez mais figuras diminutas porque são apenas do tamanho do que veem.
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