quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Tereza Cristina , da bancada do boi, é a 1ª mulher para o futuro Ministério

“Boa noite! Informo a todos a indicação da senhora Tereza Cristina da Costa Dias, Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, ao posto de Ministra da Agricultura”.

Assim, pelo Twitter, o Presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou a primeira mulher a compor o seu futuro Ministério.Tereza Cristina é Deputada Federal pelo Democratas (DEM) de Mato Grosso do Sul.

Porandubas Políticas

Por Gaudêncio Torquato

Abro a coluna lembrando momentos cômicos de tempos pesados.

Ditador de plantão

Humberto Castelo Branco, presidente, encontra Carlos Castelo Branco, jornalista:

- Você leu a notícia de um jornal do Uruguai dizendo que é filho do presidente do Brasil?

- Não, presidente. Li uma notícia dizendo que sou filho do ditador de plantão.

O anjo no alto

Entrevista coletiva no Palácio do Planalto. Carlos Castelo Branco pergunta ao presidente Humberto Castelo Branco:

- Como V. Exa. se sentiu ao ler a declaração de Carlos Lacerda chamando-o de Anjo da Rua Conde Laje?

- O anjo fica na parede, no alto, de onde contempla o desfile das prostitutas.

(Da verve de Sebastião Nery)

Primeiros movimentos

Os primeiros movimentos do presidente eleito começam a mostrar seu estilo de jogo. Trata-se de um protagonista que joga avançado, no ataque, evitando a retaguarda. Sua ideia de enxugar a Esplanada dos Ministérios para 15 ou 16 Pastas ganha aplausos na opinião pública. E por escolha de pessoas com bom trânsito, a partir do juiz Sérgio Moro, o perfil mais admirado e elogiado na praça. A amplitude que deseja dar ao Ministério da Justiça significará que o foco no combate à corrupção continuará aceso.

Moro na Justiça

A aceitação do juiz Sérgio Moro, de aceitar o encargo do Ministério da Justiça, com escopo ampliado, foi um gol de placa de Bolsonaro, mesmo sob críticas de patamares da intelectualidade e da mídia. Moro sinaliza ímpeto em sua gestão moralizadora. O juiz, ao aceitar de pronto a missão, abandona a carreira. Para muitos, principalmente petistas e opositores ao novo governo, sua escolha sinaliza um viés antilulista, dando margem às especulações de que não teria sido justo e imparcial na condenação de Lula. Daí a onda que se forma, de que o juiz ajudou Bolsonaro a se eleger e, agora, é recompensado. A campanha de "Lula livre" ganhará força.

STF na mira

Especula-se que o juiz Moro, na verdade, está de olho no STF, para onde seria guindado dentro de dois anos, tempo em que a Corte abrirá vaga com a aposentadoria do decano Celso de Mello, que chegará aos 75 anos. Bolsonaro já sinalizou nessa direção. Tirar um juiz de 1ª instância e jogá-lo na Corte Suprema seria uma decisão de muita polêmica. Coisa diferente de puxar para a Corte um ministro da Justiça. A nomeação seria algo mais corriqueiro. Quanto à decisão de Moro, alguns acham que deveria passar um tempo antes de ingressar na política. Ele acaba de dizer que jamais concorrerá a cargo eletivo. O fato de ingressar no Poder Executivo, para alguns intérpretes, não significa ingresso na política.

Juiz e política

Juízes italianos, que trabalharam na Mani Pulite, a operação Lava Jato da Itália, até defendem a entrada de magistrados na política, mas não de maneira abrupta, durante o tempo em que ainda operam nas frentes de combate à corrupção. Lá, o juiz Giovanni Falcone, apontado por Sergio Moro como sua inspiração para deixar a toga e assumir cargo no governo, foi um dos responsáveis por deflagrar a operação Mãos Limpas no país, tendo, antes, trabalhado contra a máfia siciliana Cosa Nostra.

Inspiração

Diz Moro: "Lembrei-me do juiz Falcone, muito melhor do que eu, que depois dos sucessos em romper a impunidade da Cosa Nostra, decidiu trocar Palermo por Roma, deixou a toga e assumiu o cargo de Diretor de Assuntos Penais no Ministério da Justiça, onde fez grande diferença mesmo em pouco tempo. Se tiver sorte, poderei fazer algo também importante".

Falcone no governo

Falcone construiu sua trajetória em Palermo, na Sicília. Em 1991 aceitou um cargo no Ministério da Justiça no governo de Giulio Andreotti. Naquele momento, o governo italiano estava pressionado pela opinião pública a investigar a máfia na Sicília. A pressão foi causada, sobretudo, após a morte de Salvo Lima, político do partido Democracia Cristã e aliado de Andreotti. No Ministério da Justiça, o juiz assumiu o cargo de Diretor-Geral de Investigação Criminal, sendo bem-sucedido. Amigos de Falcone acreditavam que o convite era uma armadilha para afastá-lo das investigações locais. "Foi a decisão correta porque a luta contra a máfia começava em Palermo, mas só poderia ser vencida em Roma", disse seu amigo, o juiz Ignazio de Francisci. Foi morto após a Suprema Corte italiana confirmar as condenações de mafiosos feitas por ele em Palermo.

O atentado

Em 23 de maio de 1992, foi vítima de um atentado, uma carga de 400 quilos de TNT enterrados sob o asfalto da estrada para o aeroporto de Palermo. Além do juiz, morreram também a sua mulher e três guarda-costas. Seis meses depois, foi morto o procurador Paolo Borsellino, em um atentado com um carro bomba, carregado com 100 quilogramas de dinamite, numa autoestrada em Palermo.

O astronauta

O astronauta Marcos Pontes, escolhido para comandar o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, também é objeto de polêmica. Trata-se de uma pessoa simpática, sempre sorridente, mas pairam dúvidas sobre as condições que preenche para administrar uma área que exige conhecimento. Um leitor me lembra: ele é formado pelo ITA, uma exemplar escola de engenharia e está no métier há décadas. O Ministério poderá abrigar as universidades públicas. O astronauta está cheio de boas intenções, mas a comunidade acadêmica está com um pé atrás.

Guedes, o arquiteto da economia

Paulo Guedes, que dará forma à economia, compõe sua equipe, abre conversas a torto e a direito, ganha poder à medida que entra nos domínios do amplo ministério que comandará. Guedes está cercado de expectativas, com o mercado apostando forte em sua visão liberal-privatista. Gostaria ele de ver parte da reforma da Previdência aprovada ainda este ano, pelo menos a que abriga a questão da idade para aposentadoria. Não será fácil. O presidente eleito tem dúvidas sobre o modelo de capitalização que Guedes quer imprimir na Previdência Social.

Lorenzoni

Como deputado, Onyx Lorenzoni não era confinado, como dizem alguns comentaristas, no grupo menos qualificado da Câmara. Falou alto no microfone. Foi um dos mais destacados atacantes do petismo/lulismo, levando adiante a bandeira liberal do DEM. Liderou grupos e teve importante desempenho como relator das 10 Medidas contra a Corrupção. Graças a suas habilidades culinárias, aprovadas pelo pequeno grupo que frequentava seu apartamento em Brasília, liderou o projeto Bolsonaro. Assim atesta seu amigo, o eleito senador Major Olímpio. O pequeno grupo fez germinar a seara que acabou se alastrando pelo país.

Major Olímpio

O senador eleito será uma das extensões mais firmes do governo Bolsonaro no Congresso. Com mais de nove milhões de votos obtidos em São Paulo, deverá ser um perfil de forte expressão na Câmara Alta, com possibilidade de vir a ser líder do governo ou líder da bancada do PSL. Tem boa expressão e coordenou uma campanha bolsonarista bem-sucedida no maior colégio eleitoral do país, onde desbancou o candidato Eduardo Suplicy.

Articulação direta

Entremos, agora, no modus operandi do governo Bolsonaro. Lê-se que, ao invés de fazer uma ampla coligação partidária, o capitão teria inclinação para fazer uma articulação direta, olho no olho, palavra na palavra, com cada parlamentar. Ou seja, o presidencialismo de coalizão daria lugar ao bolsonarismo, expressão que mostra a nova modelagem a ser posta em prática. Para tanto, ele poderia contar com a simpatia dos integrantes da bancada da bala (segurança), da bíblia (evangélicos) e do boi (agronegócio). Essas bancadas somariam cerca de 250 parlamentares na Câmara. A ideia seria a de atender demandas setoriais das bancadas e, por conseguinte, cooptar seu apoio. Essa modelagem resistirá ao tempo?

Pragmatismo

Esse é o busílis. Os parlamentares são afeitos ao jogo de recompensas. E o jogo pressupõe não apenas atendimento de demandas temáticas, mas espaços na estrutura governamental. A justificativa é simples: a política visa a conquista do poder. E a conquista do poder, por sua vez, implica ganhos na máquina administrativa. Com esses espaços e nomeações, o parlamentar aumenta seu cacife e obtém mais prestígio nas bases. Essa corrente forma o presidencialismo de coalizão. É possível, até, fazer-se uma articulação direta, mão na mão; depois de algum tempo, o toma lá, dá cá vai aparecer. Em suma, a base de apoios do governo Bolsonaro retomaria, mais cedo ou mais tarde, o modelo tradicional. Passaria um tempinho na articulação direta até se deparar com a real politik.

Mensalão

Urge lembrar que o mensalão, composto nos tempos de Lula, começou com a "compra" isolada de parlamentares. Em vez de se firmar no apoio de grandes partidos, Luiz Inácio teria orientado o então ministro José Dirceu a cooptar isoladamente cada parlamentar. Deu no que deu.

Afastamento

O presidente eleito não deve desconsiderar os fundamentos da nossa tradição e posicionamento no cenário das relações internacionais. Tensões colocam o país em situação desconfortável com as declarações do presidente eleito sobre as relações com o Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai), União Europeia, China (nosso principal parceiro comercial), países árabes e muçulmanos, desprezando três bilhões de consumidores, um quarto do mercado mundial. Acende-se sinal amarelo.

Peça-chave

O ministro das Relações Exteriores, a ser escolhido, será peça-chave para garantir portas abertas com os países que se surpreenderam com a sinalização diplomática feita pelo presidente Bolsonaro. A conferir.

Estética simples

As fotos não poderiam ser mais reveladoras. O presidente eleito falando atrás de uma mesa simples, sob um fundo onde se via uma bandeira do Brasil pregada na parede com durex. Ao lado, a tradutora de sinais. Noutra cena, o capitão toma café da manhã, cortando o pão e jogando nele leite condensado. A mesa está sem toalha. Tudo muito rústico. Simples. Natural. A produtora de campanha está numa garagem nos fundos da casa do empresário Paulo Marinho. Sem sofisticação tecnológica. Sem grandes equipamentos. Coisa rudimentar. O métier dos tradicionais marqueteiros virou de cabeça para baixo. Ufa!

A expressão bolsonarista

O presidente eleito não procura esconder cacoetes linguísticos. Ancora-se em uma linguagem coloquial, cheia de oks, "mandando ver", "botar pra quebrar", "cortar a cabeça", sem querer parecer alguém que escolhe o melhor termo para se expressar. É assim com todos, jornalistas ou assessores. Transmite impressão de ser sincero em suas convicções. Mas os exageros causam medo, mesmo sob desculpa de que, em certos casos, usa figuras de linguagem: "fuzilar a petralhada", por exemplo.

Gaudêncio Torquato, Jornalista e Cientista Político, é Professor Titular na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

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A partir das colunas recheadas de humor para uma obra consagrada com a experiência do jornalista Gaudêncio Torquato.

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Acaba o Ministério do Trabalho

O Ministério do Trabalho, que teve sua extinção confirmada nesta quarta-feira pelo presidente eleito Jair Bolsonaro , pode ser desmembrado em três partes.

A parte da fiscalização, que envolve direitos trabalhistas e combate ao trabalho infantil e ao trabalho escravo, deve migrar para o ministério da área social do novo governo — que ainda está sendo formatado.

A nova pasta deverá abarcar o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Direitos Humanos, Assistência Social e Família.

A equipe de Bolsonaro já sinalizou que esse novo ministério deve ser comandado pelo senador Magno Malta (PR-ES), que não foi reeleito.

Os fundos dos trabalhadores (FGTS) e Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que estão dentro da estrutura do Ministério do Trabalho, devem migrar para o super Ministério da Economia, que será comandado por Paulo Guedes.

As áreas responsáveis por registros sindicais e qualificação de trabalhadores poderão migrar para o Ministério da Educação ou outra pasta.

Integrantes do Ministério Público do Trabalho e do Tribunal Superior do Trabalho (TST) vêem problemas no fatiamento do Ministério do Trabalho.

Há receio, por exemplo, que atividades de fiscalização como combate ao trabalho escravo percam prioridade ao serem  abarcadas por outra pasta. (Fonte: O GLOBO, RJ).

Bolsonaro e Toffoli, a harmonia

Ao receber Bolsonaro para a audiência, Toffoli disse que muitas vezes uma medida tomada do ponto de vista legislativo pode ser amplamente discutida antes para evitar a judicialização lá na frente no Supremo.

“Eu acho que muitas vezes, antes de uma medida ser tomada do ponto de vista legislativo, muitas vezes dialogando aqui poderemos evitar que depois, lá na frente, venha a se ter uma declaração ou uma decisão do Supremo que entre em choques”, comentou Toffoli.

O presidente do STF acumula experiência nos três poderes – antes de assumir uma cadeira no tribunal, foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, de 2003 a 2005, durante a gestão de José Dirceu (PT) na pasta, e assessor Jurídico da Liderança do PT na Câmara dos Deputados de 1995 a 2000.

Conforme informou o Estado no último domingo (4), a chegada de Bolsonaro ao Palácio do Planalto não representa um risco à democracia, mas fará o STF ganhar um protagonismo ainda maior nas discussões do País, avaliam ministros ouvidos pela reportagem. A expectativa é de que as eventuais “fricções” com outros Poderes devem aumentar na defesa de direitos de minorias e em temas como redução da maioridade penal, posse de armas e voto impresso.

Ao mesmo tempo, a aposta é de que a Corte também fique mais unida e recorra ao princípio de colegialidade para solucionar conflitos em tempos turbulentos. (Fonte: estadão.com.br)



segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O farol alto que viu Bolsonaro longe

A ascensão e eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República retirou "das salas de jantar" e trouxe ao plano público um pensamento conservador que vinha fermentando no Brasil e encontrou no candidato do PSL seu porta-voz. A avaliação é do professor de ciência política da Universidade de Oxford Timothy J. Power, especialista em Brasil e diretor da Oxford School of Global and Area Studies.

Segundo Power, as mudanças em questões de costumes e direitos sociais nos últimos anos, como o casamento homoafetivo e a introdução de cotas raciais em universidades, tiveram um "efeito colateral": a reação de setores de direita que antes não manifestavam abertamente os seus pensamentos.

O que diz o livro que o juiz levou a encontro com Bolsonaro
Ex-embaixador dos EUA defende entrada do Brasil na Otan, aliança militar de potências ocidentais
General Mourão diz que temor pelo futuro da democracia é 'choro de perdedores'
"Muitas pessoas se opunham a essas mudanças progressistas, mas não tinham uma voz para dizer isso. Bolsonaro articulava politicamente o que essas pessoas pensavam silenciosamente", disse o pesquisador em entrevista à BBC News Brasil.

"Essa rejeição a esses avanços se dava nas salas de jantar, mas Bolsonaro abriu caminho para expressar isso abertamente."

Power estuda o Brasil há mais de 30 anos e é autor de dezenas de livros e artigos sobre o sistema político brasileiro, entre os quais Democratic Brazil Divided (Brasil democrático e dividido) e The Political Right in Postauthoritarian Brazil (A Direita Política no Período Pós-autoritário Brasileiro).

Ainda em 2016, o professor de Oxford já dizia considerar Bolsonaro competitivo e com chances de vitória em contraste com boa parte dos analistas políticos que, até mesmo a poucos meses do pleito, previam uma "desidratação" da candidatura.

Ele sustentava essa visão com o que via como crescimento de uma onda de direita e uma revolta contra a "política tradicional" no Brasil, impulsionada pelos escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato.

Power afirma que o PT contribuiu para a eleição do capitão reformado do Exército e declara que o partido terá de se reformular se quiser ter relevância nacional.

Leia os principais trechos da entrevista:

BBC News Brasil - Bolsonaro convidou Sérgio Moro para ser ministro da Justiça e ele aceitou. Que consequências isso traz para a Lava Jato?

Timothy J. Power - Acredito que, depois de quatro anos de manchetes e avanços na investigação Lava Jato, ao aceitar esse cargo no Ministério da Justiça, o juiz coloca em risco alguns pontos de legitimidade dessas investigações. Então, me surpreende que ele tenha aceitado tão rapidamente esse convite. O PT vive dizendo, desde 2010, que a Justiça é parcial, que as investigações da Lava Jato tinham por objetivo de acabar com as chances eleitorais do partido em 2018.

Havia um obstáculo grande à eleição de Bolsonaro que era a figura do ex-presidente Lula. Ele foi preso e foi um obstáculo removido por ação direta do juiz Moro. E Bolsonaro venceu. Se Haddad perdeu a eleição por 10 pontos, com Lula teria sido mais competitivo. Agora, poucos dias após as eleições, Moro aceita o convite para ser superministro da Justiça. Isso reforça a narrativa do PT de vitimização pela Lava Jato. Então, coloca em risco a legitimidade das investigações e prejudica os juízes e promotores que vão continuar com as apurações.

BBC News Brasil - E que mensagem Bolsonaro quer passar com a escolha de Moro?

Power - Bolsonaro é um político. Ele diz que não é, mas qualquer político quer chamar para o gabinete os nomes mais aprovados pela população. Poucas personalidades gozam de muita popularidade e é inegável que Moro é um dos nomes mais conhecidos do Judiciário. É natural que seja feita essa sondagem. Então, o que me surpreende não é o convite, é a decisão de Moro de aceitar.

Bolsonaro ganhou a eleição porque existiam duas clivagens no eleitorado. Primeiro, uma rejeição a 'tudo o que está aí', do establishment, da classe política em geral. Ele se apresentava como outsider. Mas a segunda clivagem é o antipetismo, a rejeição ao partido e à figura do ex-presidente Lula. Para muitos antipetistas o Moro era um santo, um herói dessa luta contra o PT. Então, Bolsonaro está, de certa forma, consolidando esse laço antipetista.

Sérgio Moro aceitou nesta quinta convite para ser ministro da Justiça de Bolsonaro. Daqui a três anos, a expectativa é que ele seja indicado ministro do STF
BBC News Brasil - A nomeação de Moro não pode significar um fortalecimento da Polícia Federal e do Ministério Público em investigações de corrupção?

Power - É uma hipótese. A Polícia Federal vinha ganhando muita autonomia nos últimos anos. Não precisa de mais um impulso externo. O que Bolsonaro está fazendo ou promete fazer via medida provisória é juntar vários órgãos do governo federal, inclusive o COAF, para o superministério da Justiça.

O Moro é especializado na investigação de lavagem de dinheiro. Mas acho que a Polícia Federal já está bem sem essa necessidade (de reforço de autonomia). A indicação do Moro tem um valor maior simbólico do que operacional.

BBC News Brasil - Que tipo de influência a presença de Moro pode ter na relação de Bolsonaro com os outros Poderes, em especial com o Judiciário e o Supremo?

Power - Estou tentando ver um lado positivo. Acho que a presença do Moro no governo poderia evitar duas coisas. Primeiro, pode vir a evitar ataques diretos à independência do Judiciário e ao Supremo, porque caberia à figura do Moro defender o Judiciário. E talvez possa mudar um pouco o tom do Bolsonaro em relação à polícia e à violência urbana no Brasil.

Bolsonaro propõe um tipo de lei de Talião para o país inteiro. O Moro vem de outra tradição. Pode ser que ele tenha um efeito positivo ao sentar à mesa com outros ministros do governo que adotam uma visão mais linha-dura com relação à atuação policial.

BBC News Brasil - Em 2016, o senhor já dizia que a candidatura de Bolsonaro era competitiva, numa época em que os outros especialistas não acreditavam que ele iria tão longe. Por quê?

Power - Os astros teriam que estar bem alinhados para Bolsonaro se eleger, mas eu acreditava e ainda acredito que o Brasil passa por uma tempestade perfeita: crise econômica muito prolongada, uma crise política que se tornou mais aguda com o impeachment, a crise da corrupção e a crise da segurança pública. Então, todos esses fatores levaram o Brasil a uma crise multidimensional.

Esse tipo de crise favorece o surgimento de uma pessoa que se apresente como outsider. Ele não é um outsider propriamente dito, é um deputado federal desde 1990. Mas, em termos de política nacional, do Executivo, ele é um outsider. Se você era um eleitor brasileiro que queria mandar um basta para a classe política, não havia melhor opção que Bolsonaro.

Segundo Power, há uma rejeição ao politicamente correto, à autocensura das pessoas, aos avanços em políticas sociais e de direitos humanos dos últimos governos.
BBC News Brasil - Mas uma parcela do eleitorado se identifica com as ideias de Bolsonaro.

Power - Sim, outro fator é a rejeição ao politicamente correto, à autocensura das pessoas, aos avanços em políticas sociais e de direitos humanos dos últimos governos. Muitas pessoas se opunham a essas mudanças progressistas, mas não tinham uma voz para dizer isso. O Bolsonaro falava abertamente. Então, muitos eleitores afirmavam que Bolsonaro articulava politicamente o que eles pensavam silenciosamente. É a mesma coisa que os eleitores americanos diziam do Trump. Quando comecei a ouvir esses comentários no Brasil também, percebi que ele teria uma chance de tocar nesse ponto de insatisfação.

BBC News Brasil - O Brasil tinha o que os especialistas chamavam de direita envergonhada, uma direita que não se apresentava como tal publicamente, talvez por causa da memória recente da ditadura militar. Hoje, parece que temos uma direita orgulhosa. Como essa direita surgiu?

Power - Primeiro, surgiu como uma reação à crise de segurança pública. É a versão brasileira da mano dura que a gente observa na América Central, nas Filipinas e em outros países. Isso torna mais legítimo o discurso anticrime. A nova direita acredita que são dois os grupos que prejudicam o Brasil: os criminosos e os defensores dos direitos humanos. Eles consideram os defensores dos direitos humanos como defensores de bandidos. Esse é um discurso do Bolsonaro há muitos anos.

De certa forma, o Bolsonaro inovou esse discurso no Brasil e esses 50 deputados que o seguiram para a Câmara ecoaram esse discurso. Se tornou mais legítimo dizer isso. Segundo, é o backlash (reação negativa) a avanços em direitos raciais, de minorias de gênero e direitos humanos em geral. Essa rejeição a esses avanços se dava nas salas de jantar, mas Bolsonaro abriu caminho para expressar isso abertamente.

A nova direita, que tem voz no PSL e no Partido Novo, vai sentir liberdade de expressar uma nova identidade. E o ponto de referência serão os 13 anos de governo do PT. Esses partidos vão se apresentar como a melhor manifestação de hostilidade a esse período.

BBC News Brasil - Bolsonaro mandou mensagens distintas nas suas primeiras manifestações após a eleição. Ele manteve a crítica forte ao PT e o ataque a parte da imprensa. Por outro lado, disse que vai defender a democracia e as liberdades. O que essas primeiras falas mostram sobre como será o futuro governo?

Power - De todas as candidaturas modernas à Presidência do Brasil, nunca houve uma pessoa menos controlada por marqueteiros do que Jair Bolsonaro. Ele não terceirizou a campanha dele como Lula fez em 2002. Para entrar no mainstream da política brasileira, ele mudou o tom e os símbolos do PT com muito sucesso. Isso foi uma terceirização do petismo para marqueteiros. O Bolsonaro não passou por essa fase.

Os filhos dele são os únicos assessores dele. É uma política familiar. Então, o Bolsonaro não tinha muita orientação e instrução por marqueteiros. Ele agia com base na forma como ele percebia o clima da campanha. Em momentos, ele recuava e elogiava as instituições e a Constituição. Em outros momentos, usava um tom mais agressivo quando se dirigia ao público. É o mesmo tom esquizofrênico do Donald Trump. O que ele fala no comício, retira no dia seguinte. Acho que teremos de nos acostumar com esse comportamento daqui para frente.

'De todas as candidaturas modernas à Presidência do Brasil, nunca houve uma pessoa menos controlada por marqueteiros do que Jair Bolsonaro', diz pesquisador de Oxford
BBC News Brasil - Pelo que se viu até agora, há algum indício de que Bolsonaro vá moderar seu tom? Ou vai manter o discurso inflamado?

Power - Acho que a população gosta de políticos mais autênticos, então, quem erra bastante e é intuitivo não é necessariamente uma pessoa que não vai ter aprovação popular. Ele ganhou com folga a eleição e ele vai ser, ao meu ver, um presidente popular e bem avaliado nos primeiros anos.

O que as pessoas admiram no Bolsonaro é o estilo, a comunicação direta, a falta de autocensura. Bolsonaro hoje não deve nada a nenhum cacique partidário. Quem é o presidente do PSL? Quem é o presidente da Câmara que vai condenar o que Bolsonaro disser? Acho que ele vai manter o estilo intuitivo. Vai errar pelo caminho, mas também tende a crescer em popularidade com essa autenticidade.

BBC News Brasil - E o que se pode esperar da relação entre Bolsonaro e Congresso?

Power - Acho que Bolsonaro vai terceirizar a relação com o Congresso para alguns políticos profissionais que ele já está convidando para compor o gabinete. Ele deve se limitar a falar diretamente com a população. A gente já viu esse estilo com outros presidentes. Ronald Reagan era assim. Ele era bom comunicador, falava com a população e focava em princípios bem básicos: família, segurança, soberania nacional. Mas no dia-a-dia de política pública nua e crua, Bolsonaro não deve mexer.

Acho que vai ter uma bifurcação na aprovação do governo e do presidente. As pessoas vão começar a distinguir uma de outra. Uma coisa é o presidente, sua pessoa e sua fala com a nação. Outra coisa é o desempenho do governo e a relação com o Congresso. No primeiro mandato, Lula tinha aprovação 10 a 15 pontos percentuais maior que a aprovação do governo. Com o Reagan era a mesma coisa. Vejo um caminho parecido com Bolsonaro.

BBC News Brasil - Para aprovar reformas impopulares, ele vai ter de lançar mão dos mecanismos tradicionais de negociação, do toma lá, dá cá?

Power - Eu não vejo alternativa. A classe política pode tolerar essa esquizofrenia durante alguns meses ou um ano. A lua de mel funciona durante um tempo, mas pode ser que (sem estímulos) os líderes do Congresso se recusem a aprovar reformas radicais, como a reforma da Previdência.

BBC News Brasil - Qual vai ser o papel do PT agora, como oposição?

Para Timothy Power, se PT olhar para o passado, focando na defesa da liberdade de Lula e no discurso de 'golpe', vai perder relevância nacional
Power- Existem dois caminhos. Um deles é o voltado para o passado: focar no impeachment, a que eles chamam de golpe, e na prisão do Lula. A ida de Moro para o Ministério da Justiça confirma para eles a visão de que a Justiça era parcial e eles podem se atrair pela teoria conspiratória. Seria um caminho ruim para o partido. É muito difícil se recuperar de um discurso voltado para o passado.

O outro caminho é olhar para o futuro. PT tem de passar por um período de autocrítica e reflexão para lidar com o antipetismo no eleitorado. Fora do Nordeste, o PT quase não existe como força eleitoral. Ele tem que se perguntar: 'vamos voltar a ser um partido nacional ou vamos ser um partido regional baseado no Nordeste?'.

BBC News Brasil - Cid Gomes e Ciro Gomes dizem que o PT elegeu Bolsonaro. Faz sentido essa afirmação?

Power - O Bolsonaro, durante todo o ano de 2018, estava rezando para ter um segundo turno com o PT. Conseguiu e venceu. Se ele tivesse qualquer outro adversário no segundo turno seria uma eleição muito mais competitiva.

Haddad conseguiu 45% de votos, fruto da rejeição a Bolsonaro e da presença do PT no Nordeste. Mas qualquer outro candidato, especialmente um candidato nordestino, como Ciro Gomes, teria chances maiores no segundo turno. (Nathalia Passarinho, da BBC Brasil.)

Fala, General!

O general Hamilton Mourão, eleito na chapa de Jair Bolsonaro, afirmou à BBC News Brasil que não será um vice-presidente 'decorativo'. O militar afirmou que participará ativamente do novo governo.
Na entrevista, concedida na sede paulistana de seu partido, o PRTB, Mourão também disse ser "choro de perdedor" as declarações de quem teme pelo futuro da democracia.
Sobre a declaração do presidente eleito de que o Itamaraty será "livre de ideologias", o militar disse que a relações exteriores do Brasil serão "de Estado, não de governo".

A miragem democrática

Por Edson Vidigal

Contemplo a imensidão desta praça e a imagino inteiramente ocupada, como dizem que foi, por uma multidão em plena euforia a festejar a vitória eleitoral de Putin nas eleições presidenciais deste ano.

Wladimir Putin, ex-agente da KGB, caiu nas graças de Boris Iéltsin, o primeiro Presidente eleito após a renúncia de Gorbachev.

Iéltsin, um respeitado engenheiro de obras no governo comunista e político de grande simpatia popular, corpulento e despachado, sofrendo de complicações coronárias e incontornáveis pressões politicas, não concluiu o seu segundo mandato. Teve que renunciar.

Quando fazia tempo frio, agasalhos de lã não lhe bastavam. Iéltsin aquecia-se melhor com bons tragos de um destilado branquinho de uma qualidade impar, que a Rússia produz e exporta para o mundo, menos para a União Europeia.

Hillary Clinton conta em seu primeiro livro de Memórias sobre o afeto com que foram marcadas as relações pessoais dela e de Bill com o primeiro Presidente eleito da Rússia. Em alguns encontros na Casa Branca, Boris se segurava bem na fala ou no trocar das pernas nunca transparecendo que sua euforia tinha muito a ver com a vodca.

Uma vez, na Blair, anexo da Casa Branca, onde ficam os hospedes oficiais, o então presidente russo tomou um porre, driblou a segurança, achou um porão e a saída para Avenida  Pensilvânia. Encontrado só de cueca, explicou que sentira vontade de comer uma pizza.

Hillary, conta que apreciava aquele jeitão meio traquina, de humano dele. Essa vontade do Boris de tomar um porre e sair seminu de madrugada pelo porão da Casa Branca à procura de uma pizzaria não está no livro dela.

Com aquela aparência de bom garoto, caladão, bem comportado, Putin foi ficando ali na sombra, sem se incomodar e pouco incomodando, como Primeiro Ministro, nomeado por Iéltsin.

No regime semipresidencialista, não há Vice Presidente. Putin tornou-se o sucessor natural quando Iéltsin renunciou.

Como Presidente provisório, convocou eleições, candidatou-se e ganhou. De lá para cá vem se revezando na gangorra do poder com Dmitri Medvedev.

Em 2014, quando concluir o seu atual mandato, Putin terá ultrapassado em tempo no poder o ultimo czar Nicolau II, assassinado por ordem de Lênin, após a tomada do Kremlin pelos comunistas, quando somava 22 anos como Imperador da Rússia.

Se tudo transcorrer bem com a atual Constituição da Rússia, que dá ao Presidente o alivio de não ter Vice e mandato de 6 anos, mas com direito a apenas uma reeleição consecutiva, Wladimir Putin só terá um mandachuva a ter estado por mais tempo no poder do Kremlin – Josef Stálin, que governou a Rússia por ininterruptos 30 anos.

Para quem vinha observando os movimentos de Putin como Presidente e candidato à reeleição, o resultado final lhe atribuindo mais de 70% dos votos, deixando para trás 7 concorrentes, não causou surpresa.

A multidão carregada de euforia a gritar-lhe o nome acenando bandeiras em alegrias de saudações lotou a praça vermelha em referendum ao que saiu das urnas.

Mas para o blogueiro Alexei Navaluy, 41 anos, não foi bem assim. Houve fraude e abusos de poder. Imagine uma eleição num País com 11 fusos horários. A Rússia tem 11 fusos horários. Disparado nas pesquisas, ameaçando Putin nas intenções de voto, foi tirado da campanha condenado por  um tribunal. Não pôde nem votar.

Numa pesquisa do The Economist, publicação das mais influentes no mundo, a Rússia se veste com roupas de  democracia, mas ainda é um Estado totalitário. Entre 177 países pesquisados é o 135º em índice de democracia. Só perde para a China, que ainda se assume comunista, sem liberdade de imprensa e sem pluralidade de partidos.

Putin, 65 anos, candidato independente apoiado pelo partido de centro, Rússia Unida, obteve 76,69% dos votos. O seu mais próximo opositor foi o milionário Pavel Grudinin,57 anos, gestor de um sitio de morangos, candidato pelo Partido Comunista, que obteve 11, 77% dos votos.

A Constituição da Federação da Russia impõe ao Presidente da República ao tomar posse o seguinte juramento:

-“Juro, no exercício dos plenos poderes de Presidente da Federação da Rússia, respeitar e proteger os direitos do Homem e do cidadão, vigiar e defender a Constituição, proteger a soberania e a independência, a segurança e integridade do Estado e servir fielmente ao povo.”

Pelo visto, o comunismo na Rússia não está com nada.

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal. Esteve em Moscou recentemente.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

PDT quer carona no tapetão do PT

Agora é o PDT, via Carlos Lupi. Veja esta aqui:

O Partido Democrático Trabalhista (PDT), do candidato terceiro colocado no primeiro turno das eleições a Presidente da República, Ciro Gomes, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma ação em que pede a anulação das eleições sob alegação de abuso de poder econômico e irregularidades na arrecadação e gastos da campanha do candidato Jair Bolsonaro (PSL), o mais votado no primeiro turno.

Os advogados do PDT, citando reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre disseminação de notícias falsas em redes sociais, afirmam que “empresas foram contratadas para disseminar mensagens, via rede social WhatsApp, com o intuito de promover propagada eleitoral denegrindo os oponentes do Sr. Jair Bolsonaro, de modo a favorecê-lo na corrida presidencial”. Segundo o partido, o financiamento da propaganda eleitoral foi constituído de forma ilícita, porque há proibição de doação empresarial, conforme decisão do Supremo. Bolsonaro tem negado as suspeitas.

A ação foi apresentada um dia depois de o Partido dos Trabalhadores ter pedido a cassação da chapa do candidato Jair Bolsonaro, o que também é requerido pelo PDT. Mas o PT não chegou a pedir a anulação da eleição, ao apresentar ação na quinta-feira, 18. 

Para afirmar que tem legitimidade de propor ação, o PDT diz que seu candidato, Ciro Gomes, foi “eliminado do segundo turno das eleições devido a essa espúria prática de divulgação de fake news”.

Realçando que é proibido o uso de recursos de empresas, o partido afirma que “contratos firmados entre pessoas jurídicas, a exemplo, da empresa HAVAN LOJAS DE DEPARTAMENTOS LTDA – de propriedade de Luciano Hang, é absolutamente ilícito”. (Fonte: www.estadão.com.br)

Barrado nas urnas, querem melar os resultados

Na seção BR18 do portal do Estadão (www.estadão.com.br), o Jornalista José Fucs comenta:

"Se ainda havia dúvidas sobre as reais intenções do PT ao sobrevalorizar o impacto da divulgação de supostas fake news em favor de Bolsonaro pelo WhatsApp, elas deixaram de existir após o encontro de petistas e aliados com a presidente do TSE, Rosa Weber, nesta sexta-feira, em Brasília.

Ficou claro que, na verdade, o que eles querem, ao acusar a campanha do adversário de promover uma hipotética ação ilegal, é tumultuar o processo, levar o pleito para o “tapetão” e deslegitimar uma provável vitória de Bolsonaro. Nunca é demais lembrar que o PT foi a única grande legenda a não assinar acordo contra as notícias falsas proposto pelo TSE.

“É muito grave. Isso é fraude do processo eleitoral”, afirmou Gleisi Hoffmann, presidente do PT, ao sair do encontro no TSE, ameaçando, como sempre, “fazer uma denúncia internacional sobre isso”. “(Com a atuação do TSE) é possível, sim, que se tenha um impacto eleitoral”, disse Juliano Medeiros, presidente do PSOL.

“Se o TSE investigar a fraude e evitar uma nova fraude, você pode salvar o processo eleitoral”, declarou o deputado federal petista, Paulo Teixeira, sugerindo que, para ele, tal “salvação” seria o PT vencer o pleito. Só não vê o que está por trás das palavras de Teixeira, Medeiros e Gleisi quem não quer. Ou quem está de má fé. /" José Fucs.

O tapetão do PT no TSE

A ação movida pela coligação de Fernando Haddad (PT) para que o Tribunal Superior Eleitoral investigue a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) foi distribuída na corte e terá como relator o ministro Jorge Mussi, corregedor-geral eleitoral. O processo está baseado em uma reportagem da Folha de S.Paulo segundo a qual empresas pagaram, em contratos que chegariam a 12 milhões de reais, pelo envio em massa de conteúdos contra o petista no WhatsApp.

A campanha petista pede que, ao final das investigações, a ação seja julgada procedente para que Bolsonaro seja considerado inelegível por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. A ação do PT aponta haver no caso práticas vedadas pela Lei Eleitoral, como doação de pessoa jurídica e compra de cadastros de usuários. O partido ainda pede que o WhatsApp apresente em 24 horas, sob pena de suspensão, medidas para conter o envio das mensagens.

Os advogados do PT também afirmam que a campanha de Bolsonaro é beneficiada pela proliferação de fake news (notícias falsas) nas redes sociais.  “A sistematização das fake news, ao que se aponta, parece estar claramente voltada ao favorecimento dos noticiados, o que faz surgir a preocupação acerca da autoria e responsabilidade de quem está produzindo tais materiais. Eis que, não é crível atribuir apenas à militância orgânica de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão a capacidade produzir e disseminar com tamanha eficácia todas as notícias falsas editadas em detrimento da Coligação noticiante.”

Por meio de uma transmissão em sua página no Facebook, o presidenciável Jair Bolsonaro negou que sua campanha tenha relação com notícias falsas disseminadas no WhatsApp e redes sociais contra seu adversário. “Não tem prova de nada, é a Folha jogando nesse time do Haddad. Nós não precisamos de fake news para combater o Haddad, as verdades são mais que suficientes”, afirmou Bolsonaro.
A defesa de Bolsonaro junto ao TSE disse que a notícia da Folha é falsa e que irá tomar todas as medidas judiciais cabíveis para apurar “os atos ilegais e criminosos perpetrados pela coligação de Haddad”. “

A campanha de Jair Bolsonaro foi acusada falsamente de contratar via caixa dois serviços de WhatsApp para disseminar fake news em reportagem de um veículo que, desde o primeiro turno, desvirtua fatos para tentar persuadir o eleitor. Sem provas e fundamentação jurídica, ajuizam uma ação de investigação judicial eleitoral com base, exclusivamente, nessa notícia falsa”, diz nota dos advogados.

O pedido de investigação envolve, além da chapa de Bolsonaro e o WhatsApp, o empresário Luciano Hang e as agências Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market — que, segundo a Folha, prestaram o serviço. Ao jornal, a QuickMobile afirmou não atuar na área política. A Yacows e a SMS Market não se manifestaram. A Croc Services disse ter vendido pacotes de envio em massa só para as bases do candidato ao governo de MG Romeu Zema (Novo) — o que é legal.

Luciano Hang, dono da rede varejista Havan e entusiasta da campanha de Bolsonaro, negou que tenha pago para impulsionar mensagens contra o PT e a favor do candidato do PSL. “Eu uso o meu próprio celular, gravo esses vídeos com mensagens que as pessoas entendem e compartilham, no WhatsApp e nas redes sociais. Eu não pago para impulsionar o meu WhatsApp”, afirmou o empresário, em transmissão ao vivo no Facebook. Ele também disse que processará a Folha.

O dono da Havan já foi condenado pela Justiça Eleitoral a pagar uma multa de 10.000 reais por ter impulsionado conteúdos em suas redes sociais a favor de Bolsonaro, o que foi considerado doação irregular de campanha. À época, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou a alegação do candidato do PSL, de que ele desconhecia o fato de que Hang recorreu ao procedimento, e o inocentou de participação na ação ilegal, multando apenas o empresário.

Repercussão

Especialistas ouvidos pela agência Reuters avaliam que, confirmadas as informações reveladas pela reportagem, a campanha de Bolsonaro pode ser acusada de abuso de poder econômico, abuso do uso de meios de comunicação e omissão de doações de campanha, o que poderia levar à impugnação da chapa, mesmo que Bolsonaro não soubesse da ação de empresários a seu favor.

“Se confirmada, a prática pode configurar abuso de poder econômico, levando à inelegibilidade nessa própria eleição. A jurisprudência diz que, mesmo que não tenha sido ele ou a campanha, a candidatura pode responder pelo ilícito”, disse Daniel Falcão, coordenador do curso de pós-graduação em Direito Eleitoral do Instituto Brasiliense de Direito Público.

“A responsabilização é objetiva. Não está sendo avaliada a conduta pessoal de Bolsonaro. A responsabilidade do abuso de poder é objetiva, não importa se a campanha agiu com culpa (sem intenção) ou dolo (propositalmente). Vai ser avaliado se conduta teve ou não influência na campanha”, diz Guilherme Salles Gonçalves, especialista em Direito Eleitoral e membro fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político. (Publicado originalmente pela veja.com)

Porandubas Políticas

Por Torquato Gaudêncio
Abro a coluna com uma historinha encaminhada pelo amigo jornalista Neimar Fernandes.
Só queijo francês
"Na longínqua quarta-feira santa do ano de 1969, o jornalista carioca Zózimo Barrozo do Amaral foi preso e levado para o Batalhão da Polícia do Exército, na Tijuca.
No segundo dia na prisão, sua esposa, Márcia Barrozo do Amaral, conseguiu visitá-lo, levando uma cesta da Lidador, fina loja de importados. A cestinha estava repleta de queijos: camembert, brie, roquefort e outras estrelas da fromagerie francesa.
Zózimo, morto de vergonha com a ostentação em pleno território dos que brigavam pela ascensão do proletariado faminto, colocou as iguarias no mesão socialista. Depois, cochichando, deu um toque em Márcia: "da próxima vez traz catupiry."
Dois dias depois daquele banquete lá estava novamente Márcia com outra cestinha de delicadezas. Dessa vez elas falavam o melhor carioquês. Nada de importados. Tinha catupiry, queijo minas e mortadela. Tudo gostoso, e agora politicamente compatível com o cenário espartano do presídio. A turma comeu, agradeceu e foi dormir.
Bezze, "chefe" dos presos, um dos organizadores da célebre Passeata dos Cem Mil pela avenida Rio Branco e membro do Centro Acadêmico Cândido Oliveira da Faculdade de Direito da UFRJ, percebeu a mudança de sotaque no cardápio.
No dia seguinte, chamou Zózimo no canto: "olha aqui, meu prezado colunista, nós estamos presos, jogados neste fim de mundo, mas nem porisso perdemos a nossa dignidade, compreendeu?" Zózimo ficou paralisado. "O que houve? O que foi que eu fiz?"
Bezze explicou: "da primeira vez a sua mulher trouxe camembert, brie, um banquete delicioso. Ontem foi catupiry. Antes que a coisa chegue ao Polenguinho, eu quero te dizer o seguinte: só queijo francês! Do bom! Nós somos socialistas, mas gostamos é de queijo francês, morou?!"
Neimar, com ironia, arremata: Passados 49 anos desse episódio, nada mudou". A esquerda brasileira continua "caviar". E hipócrita.
PS: O episódio consta da biografia de Zózimo Barrozo do Amaral.
O pulso do nordeste
Acabo de voltar do Nordeste, onde passei alguns dias tentando sentir o pulso. Não deu para chegar aos fundões, mesmo assim captei sensações. A onda Bolsonaro inundou capitais e grandes cidades, enquanto o andor do "pai Lula" foi bem conduzido por cidades médias e pequenas. Haddad ganhou aqui e perdeu lá. Há um sentimento generalizado que o petismo agoniza. Incidentes ocorrem aqui e ali, como esse, no Ceará, em que o senador eleito Cid Gomes pediu autocrítica ao PT e chamou petistas de "babacas". No RN, a senadora petista Fátima Bezerra, que disparava nas pesquisas, vê diminuir distância para o candidato ao governo Carlos Eduardo, do PDT.
Cidade fantasma
Impressiona o jeito de "cidade fantasma" que desenha a moldura da capital potiguar. Do aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, até o centro, não se vê uma pessoa nas ruas. A violência é tanta que reduziu as andanças pelas ruas. Quem se aventura a fazer isso, corre alto risco de ser assaltado. Natal dá medo.
Lula... Mas
Não tem havido abandono a Lula ou ao lulismo. O nordestino é e será sempre agradecido pelo bem que recebeu. Emerge por toda a parte muito agradecimento pelo que ele fez. Principalmente nos fundões, onde se espera que seu candidato amplie os benefícios da era lulista. Ocorre que, em paralelo, chega em marolas a história do PT no meio dos túneis da corrupção. Dilma é apontada como a grande responsável por eventual derrocada do lulismo e da crise que o país atravessa.
Duas vertentes
Há, assim, duas vertentes: a do coração, que embala o "santo Lula", e o fenômeno Bolsonaro, que empolga o eleitor das capitais e grandes cidades. As circunstâncias, o ambiente tenso, a facada no capitão, a roubalheira que grassou (a) no país, a bandidagem assassina, enfim, a balbúrdia que gera insegurança, elevam o capitão às alturas. Onde desfruta a posição de "bola da vez".
Nulos e brancos?
Quem leva o eleitor às urnas é a enxurrada de candidatos a deputado estaduais e Federais. Portanto, o lógico seria esperar por uma debandada do eleitor no 2º turno, com abstenção e alto índice de votos brancos e nulos. Esta é a análise do abalizado observador da cena política, Lafaiete Coutinho, a partir de seu posto de observação em João Pessoa. Ele prevê que o eleitor comparecerá bem às urnas e não vai anular o voto. A campanha virou uma guerra entre duas bandas, dois exércitos, duas correntes. Um lado quer vencer o outro. Para tanto, precisa estar na praça de guerra.
Grande vontade
Lafaiete arremata: "O fato de quase todas as eleições nordestinas terem terminado no 1º turno poderia indicar abstenção maior no 2º turno. Dessa vez, não: os eleitores estão motivados e mesmo excitados para votar contra o PT, contra Bolsonaro e ou em nenhum dos dois. Mas é bem provável que Bolsonaro amplie sua vitória nas capitais; não acredito, porém, que a onda crescente chegue aos fundões".
Conflitos
Conflitos violentos, com relatos de agressões, têm ocorrido. Os comitês dos candidatos, principalmente o de Bolsonaro, continuam a agitar ruas e bairros. Multiplicam-se brigas entre eleitores. Há cidades que fazem questão de pontuar: quem não votar em Haddad, receberá um troco; e há recantos fechados com Bolsonaro.
Capitais influenciam?
O voto das capitais influencia o interior? O tema é polêmico. Tivéssemos uma campanha normal, sim. Haveria um processo de capilaridade com tendência de o "voto direcionado" sair do centro para as margens. Mas o ambiente de guerra acaba formando cinturões em torno das cidades, "queimando" o voto no adversário. A fidelização eleitoral tende a ser maior no Nordeste. Ademais, o sufrágio está consolidado. Cada ala bate no peito sua decidida intenção de apostar no escolhido há tempos.
Cabos eleitorais
Governadores eleitos no 1º turno, do PT ou simpáticos a Haddad, se esforçam para aumentar o voto no petista. Querem provar que farão barba, cabelo e bigode. Que são bons de voto. Vê-se esse esforço na Paraíba, no Ceará e no Piauí, com mais intensidade. No contraponto, as alas bolsonarianas reagem com furor, desfraldando suas bandeiras verde-amarelas.
Redes sociais
As redes sociais fazem a articulação das militâncias, mantendo o animus animandi, a agitação. Ciro Gomes foi para a Itália, evitando engajar-se na campanha petista. Apesar do "apoio crítico" a Haddad, persiste a dúvida: será que ele não gostaria de ver a débâcle do PT?
A linguagem
Bolsonaro conquista popularidade na esteira de uma linguagem debochada. Ao rés do chão. Impressiona como o eleitor o vê como um dos seus, comparável a Lula na imagem popular. Não passa a ideia de pessoa culta. Quanto mais rasteira a linguagem, mais parece agradar. O tal "mito" é: mistura de admiração ao militar, jeito simples e desbocado de ser, perfil de xerife que vai matar bandido, identificação da ordem contra a bagunça. Dizer, por exemplo, que os capitães "vão ter um dos seus em Brasília", como falou segunda ao visitar o Bope, no Rio, é coisa que coopta o coração da galera.
Adeus comovido
Tem-se, ainda, a impressão geral é a de que o voto em Haddad no Nordeste tem um jeitão de adeus comovido a Lula.
Fraude
Corre o sentimento de que as urnas eletrônicas são fraudadas por cabos eleitorais do PT em espaços com poucos controles. Ouvi diversas vezes essa denúncia em forma de lamúria. A teoria da conspiração inunda o território.
Furor cívico
Nunca vi e ouvi tanto furor cívico e interesse por eleições quanto presenciei nesses dias no Nordeste. Os nordestinos parecem ter descoberto o poder letal do voto. Fazem questão de recitar e acompanhar com os dedos os nomes dos perdedores da velha política. Sobram risadas após a contagem. O que se vê é um desfile de exclamações e interrogações sobre o amanhã. E ninguém quer comentar sobre eventual "reversão de expectativas", a possibilidade de um eventual governo Bolsonaro falhar.
Mais forte
Em suma, a onda bolsonariana é mais forte que a onda Haddad, com muita dificuldade para o PT resgatar seu peso eleitoral nesse 2º turno. A não ser que o capitão seja flagrado por monumental besteira, uma declaração contra as mulheres ou transgêneros, capaz de queimar sua imagem. Empolítica, não se pode excluir a possibilidade do Senhor Imponderável de Todas as Horas nos visitar.
A guerra por cargos
A campanha nem chegou ao final e já se vêem grupos e alas disputando espaços no futuro ministério dos dois candidatos. Haddad sinaliza simpatia pelo nome do professor Sérgio Cortella para o Ministério da Educação. Da parte de Bolsonaro, a disputa parece mais aguerrida com indicação de nomes para algumas Pastas. E poucos avançam nas hipóteses de insucesso de governos que terão de administrar a mais forte crise do país em sua contemporaneidade.
Ou lá ou cá
Poucos admitem alternativas como impopularidade do presidente em menos de três meses no cargo, autogolpe (como um general chegou a se referir), pautas retrógradas no Congresso, etc. O fato é que nenhum governo conseguirá o milagre de alcançar popularidade e, ao mesmo tempo, executar uma política de contenção de gastos públicos. E o Brasil não pode transitar mais na via da gastança. Uma coisa ou outra.
Torquato Gaudêncio, cientista político, é Professor Titular na Universidade de São Paulo e consultor de Marketing Político.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Bolsonaro, 58%. Hadad, 41%. Garante o DataFolha hoje

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 18, mostra que Jair Bolsonaro (PSL) segue na liderança da corrida eleitoral pela Presidência neste segundo turno das eleições 2018, com 59% das intenções de voto. Fernando Haddad (PT) tem 41%.

O cálculo leva em consideração apenas os votos válidos, ou seja, exclui os brancos, nulos e indecisos. Os dois candidatos apenas oscilaram em relação à pesquisa anterior do Datafolha, divulgada na semana passada, que mostrava Bolsonaro com 58% e o adversário com 41%.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-07528/2018. Foram entrevistados 9.137 eleitores em 341 municípios entre os dias 17 e 18 de outubro. Os contratantes foram o jornal Folha de S.Paulo e a TV Globo.

Policia Federal procura o Presidente do PROS para prendê-lo

A Polícia Federal está tentando prender, desde o início da manhã desta quinta-feira, o presidente do PROS,Eurípedes Júnior, um dos alvos centrais da Operação Partialis , investigação sobre desvio de dinheiro da prefeitura de Marabá (PA). 
A ordem de prisão foi expedida pela 2ª Vara da Justiça Federal do Pará. Pelas informações da polícia, Júnior faria parte do grupo do ex-prefeito de Marabá suspeito de facilitar pagamentos da prefeitura em troca de propina. Só um um dos casos, os investigadores descobriram indícios de um suborno de R$ 100 mil. (Fonte: G1).

Um tapetão para tirar Bolsonaro


O PT está pedindo ao TSE investigação judicial com vistas à decretação da inelegibilidade de Bolsonaro ou de cassação do diploma, se for eleito, ou afastamento do cargo de Presidente da República, se já estiver empossado.

O indicio de materialidade a ensejar a investigação sobre abuso de poder econômico e uso indevido de comunicação digital apresentado contra Bolsonaro é a reportagem publicada na edição de hoje da Folha de S. Paulo levantando suspeitas de que empresas estariam comprando pacotes de divulgação em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp.

Na mesma toada, o Presidente do PDT, Carlos Lupi, anunciou que irá pedir a anulação das eleições.

Bolsonaro rebateu pelo Twitter: "PT não está sendo prejudicado por 'fake news', mas pela VERDADE. Roubaram o dinheiro da população, foram presos, afrontaram a justiça, desrespeitaram as famílias e mergulharam o país na violência e no caos. Os brasileiros sentiram tudo isso na pele, não tem mais como enganá-los!".

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Porandubas Políticas

Por Gaudêncio Torquato

Renovação da política

Nesses tempos de renovação partidária e, queira Deus, da purificação de alguns costumes, a coluna relembra essa história, como exemplo.

Robaina, vereador do MDB de Bagé/RS, ficou no PMDB depois da extinção da Arena e do MDB. Vivo, pôs a mulher no PDS. O senador Pedro Simon estranhou:

- Robaina, como é que você fica no MDB e sua mulher no PDS?

- Pois é, presidente. Ainda tenho três filhos para a reforma partidária.

O eleitor no furacão

O pleito de 7 de outubro vai ficar marcado na história como o mais devastador da velha política nesses tempos de crises política, econômica e ética. O eleitor fez questão de dar um recado tão intenso, que nem mesmo as pesquisas detectaram seu impacto. A velha política foi jogada na cesta do lixo. Grandes figuras da política tradicional foram alijadas do processo. A renovação veio em cheio. Foi a eleição das surpresas. No contraponto, outsiders apareceram, entre os quais o empresário Romeu Zema, em Minas Gerais, e o juiz Wilson Witzel no Rio de Janeiro, que disputarão o segundo turno da campanha contra Antônio Anastasia e Eduardo Paes.

Petismo e anti-petismo

No plano presidencial, o pleito se caracterizou por ser uma disputa entre o petismo e o antipetismo, na esteira do clássico bordão tão ecoado pelos petistas: "Nós e Eles". O PT foi amplamente castigado pelo voto do Sudeste, maior reduto eleitoral do país (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) e, ainda, por enclaves do Sul, Centro-Oeste e Norte. O petismo deu boa resposta no Nordeste, onde, com exceção do Ceará (Ciro levou a melhor), Haddad bateu Bolsonaro.

Quase 1º turno

Com quase 50 milhões de votos, o capitão quase ganhou no 1º turno. Houve um empuxo na última semana, a formar uma onda bolsonariana que puxou classes médias, contingentes das margens, setores produtivos e engajamento de grupos identificados com as bancadas evangélica, agronegócio, profissionais liberais. O voto útil acabou não aparecendo na quantidade desejada e assim Ciro Gomes, que poderia ser o catalisador dessa modalidade, ficou para trás.

Campanha inusitada

Vimos uma campanha inusitada: mais curta, mais asséptica quanto à limpeza das ruas, mais contundente na área dos discursos, cheia de ódio entre os militantes. E mais: os dois mais rejeitados foram os dois mais desejados, a denotar que a polarização acaba jogando a questão da rejeição ao segundo plano. Também foi uma campanha onde o líder dos votos ficou praticamente afastado das ruas. O atentado que sofreu - uma facada na barriga em Juiz de Fora - obrigou-o a ficar em um hospital e em sua casa.

Inversão

Praticamente sem recursos, o capitão Bolsonaro inverteu a ordem dos eixos do marketing eleitoral: sem aparecer, teve a mais forte visibilidade em função do simbolismo que passou a representar e da forte inserção de seu nome nas redes sociais. Vídeos sobre ele correram nas redes. Tiradas picantes e algumas cheias de humor. Ganhou a batalha da comunicação de bico calado. A articulação social foi a perna do marketing mais desenvolvida nessa campanha: os movimentos organizados praticamente realizaram as tarefas dos cabos eleitorais.

Radicalização

Haddad foi empuxado de Lula, a partir da prisão na PF em Curitiba, onde praticamente montou o comitê central da campanha petista. O padrinho transferiu cerca de 40% dos votos do Nordeste para seu afilhado. Não passou mais pela onda bolsonariana que bateu na região na última fase da campanha, com eleitores cheios de vigor e dispostos a fazer carreatas. O bolsonarismo fez campanha com a tocha acesa, assumindo posições radicais. Foi mais forte que o PT na radicalização. O PT ficou refém da Lava Jato, escondendo os erros e malfeitos de dirigentes e ex-dirigentes envolvidos na operação.

Dilma, a esquecida

A ex-presidente Dilma Rousseff foi esquecida na campanha de Haddad. Ficou em Minas Gerais, onde esteve sempre na frente das pesquisas. Nunca o PT fez purgação de seus pecados, na tentativa de querer terceirizar as responsabilidades pelo mensalão e pelo petrolão. Dilma se consolava com a perspectiva de pode enfrentar no Senado seus acusadores e apoiadores do impeachment que sofreu. E eis que os mineiros lhe dão um novo castigo: sem votos para sua eleição. Será difícil para a ex-presidente voltar a ter importância na moldura política.

Dirceu, o estraga festa

José Dirceu, o maior estrategista do PT, cometeu o deslize de dizer que uma coisa é ganhar uma eleição e outra é tomar o poder. O que seria uma questão de tempo para o partido. O efeito foi o de dar medo, sob a ilação de que o PT poderia trilhar os caminhos de um golpe. Ruim para Haddad. Vamos acompanhar o 2º turno para captar a expressão de Dirceu.

Mourão na contramão

Da banda bolsonarana, a expressão que causou aborrecimentos foi a do vice, o general Mourão. Falou sobre o 13º de modo a dar lugar à especulação: Bolsonaro vai acabar com ele. Quis explicar os detalhes técnicos do 13º como se isso fosse o suficiente para melhorar a compreensão de sua fala. Pior. Deu ideia de que o assunto seria enfrentado em um governo do capitão, que acabou dando um puxão de orelha no general. Como o falador irá se comportar no 2º turno?

Mudanças

Que mudanças poderão ocorrer nos contingentes eleitorais? Vamos a algumas posições, a partir do reconhecimento de que os votos em campanha intensamente polarizada tendem a se manter. Mas é visível o esforço de Haddad para arrastar partidos e lideres do "centro democrático", como a ele se refere. Os votantes de Ciro Gomes e os setores intelectuais do PSDB tendem em grande parte a correr em direção a Haddad. Ma há tucanos que perfilarão ao lado de Bolsonaro, como o candidato ao governo de São Paulo, João Doria. Já FHC e seu entorno irão para a banda de Haddad. Ciro já declarou apoio ao petista. Isso importa?

Autonomia do eleitor

O que se constata nesse pleito é a autonomia do eleitor, sua disposição de não seguir os caminhos traçados por candidatos de quaisquer partidos. Uma parcela dos eleitores de Ciro até pode caminhar com Haddad, mas isso não significa que o pedetista transfira o voto de seus maiores redutos. Quem é contra o PT, não vai raciocinar sob o manto de conceitos de democracia, autoritarismo, liberalismo, social-democracia, etc. Há um ranço antipetista imune às doutrinas.

PSL, o grande salto

O PSL é o partido com a maior força vitoriosa. Com 52 deputados, vem logo depois do PT, ganha posição de 1ª bancada. E assim podemos descobrir que um nanico pode ser catapultado às alturas. Não se sabe o que ocorrerá com ele. Mas, ante a perspectiva de extinção de 14 siglas, em função das obrigações contidas na cláusula de barreira, a vingar já nesse pleito, pode ser que o PSL venha a ganhar uma leva de congressistas. A conferir.

A cláusula da purificação

A eleição de domingo, além de toda a varrição que provocou na política, ainda servirá para purificar a barafunda de partidos sem alma e quase sempre sem ideologia que infesta o panorama. Dos 35 existentes, 14 não conseguiram atingir um desempenho mínimo nas urnas e perderão instrumentos fundamentais para sua sobrevivência. Serão impedidos pela cláusula de barreira. A nova regra exige ao menos 1,5% dos votos válidos nacionais ou mínimo de nove deputados em pelo menos nove Estados. Esses partidos ficarão sem tempo de propaganda no rádio e na TV, sem os recursos do fundo partidário e sem estrutura no legislativo, como gabinete partidário, assessores, etc.

Partidos sem verba. E seu futuro?

Em princípio, deverão ficar de fora a Rede (de Marina Silva), o PC do B (vice na chapa do PT), o PRTB (aliado de Jair Bolsonaro), além de Patriota, PHS, PRP, PMN, PTC, PPL, DC, PMB, PCB, PSTU e PCO. Ainda não é uma lista definitiva, pois há pendências judiciais na contagem dos votos. Vai cair bem o número de partidos de mão estendida no toma lá, dá cá de nossa política.

São Paulo

As campanhas no Brasil mostraram surpresas, com o deslocamento dos competidores nas pesquisas de intenção de voto. Em São Paulo, o governador Márcio França, em terceiro, acabou desbancando Paulo Skaf, do MDB. França vai disputar com João Doria, do PSDB, cujo maior desafio é administrar a alta rejeição - 38% - pelo fato de não ter sido bem recebida pelo eleitor sua renúncia ao cargo de prefeito de São Paulo. França tem condições de aproveitar a maré crescente que o embala. João terá de bater forte no petismo. Para onde irá Alckmin? Mas seu apoio terá eficácia eleitoral?

Em Minas

Outro grande desafio do PSDB é o enfrentamento com Zema em Minas Gerais. Anastasia, até então, liderava com folga as pesquisas de intenção de voto. Até aparecer o fenômeno Zema, que vai de Bolsonaro. Um cultor do capitão. É possível que o 2º maior colégio eleitoral do país dê adeus ao tucanato. Mas o senador Anastasia é muito bem avaliado em sua administração anterior, a par de ser um político de alta expressão.

E o nordeste?

A região nordestina vai continuar sendo colorida pela tinta vermelha do petismo? É bem possível. Mas minha bola de cristal está envolvida por intensa névoa cinzenta, que não oferece condições para fazer prognósticos.

Gaudêncio Torquato, Professor Titular na USP, é cientista politico, Jornalista, escritor e consultor de marketing politico.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A Rússia deve um mandato a Gorbachev?

Por Edson Vidigal

Os polegares do Casagrande, o comentarista da TV Globo, parecem mecânicos de tão ágeis e aparentemente incansáveis sobre o teclado do celular.

Fui pegar lá em cima, no meu apartamento, o livro sobre o Gorbachev, volto só agora, e o Casagrande, parceiro do Galvão e do Ronaldo, ainda segue ligeiro na mensagem que digita.

O movimento na ante sala do hotel parece não perturbar o antigo craque da nossa seleção, que ressuscitado de um alcoolismo brabo, dizem os seus amigos e familiares, e ele também, é agora outro homem.

Tenho muito respeito por pessoas assim, que se reinventam e seguem tocando a vida em frente, sem ódios, sem traumas, sem medos.

Quando Mikhail Gorbachev chegou ao poder como Secretário Geral do PC na União Soviética, o comunismo já estava mal das pernas, quase nem andando por lá e mundo afora.

Gorbachev percebeu que o muro de Berlim era um outdoor escancarado ao mundo livre denunciando o opróbio de um regime politico apodrecido que, como os demais do seu naipe, só conseguia se manter sob a opressão em suas diversas formas.

Bem antes de Gorbachev, as atrocidades dos ditadores comunistas, dentre os quais Stálin, tido como o mais malvado, já haviam sido reveladas por Nikita Kruschev, outro governante proibido de ter um tumulo no Kremlim. Fidel Castro o odiava por não tê-lo deixado explodir um míssil sobre os Estados Unidos.

As insatisfações populares na Rússia e seus países satélites já eram irrefreáveis quando Gorbachev assumiu. Em Moscou, o céu está sempre azul. E ainda se fala de um lugar onde o sol aparece à meia noite.

Foi quando Gorbachev lançou os seus dois audaciosos projetos – a perestroika para a reconstrução econômica e a glasnot para a abertura politica. Nunca na Rússia, nem no Império czarista nem nas ditaduras soviéticas, ninguém votou em eleição direta.

A pressão do mundo ocidental, capitalista, sobre a Rússia e todo o resto da chamada Cortina de Ferro, gaseificou a debacle econômica e a crise politica que Gorbachev intentava debelar.

A certa altura, teve aquele rolo da tentativa de deposição de Gorbachev pelos generais da linha dura. Boris Iéltsin, então Deputado, opositor das politicas do Presidente porque queria mais velocidade nas mudanças, interveio parando os tanques a serviço do golpe e libertou Gorbachev, àquela altura um preso politico. Preso comum, condenado por crime comum, é outra coisa.

Mais adiante, Gorbachev renunciou à Presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e declarou extinto o cargo.

Convocadas eleições diretas para o novo cargo de Presidente da Rússia, candidataram-se Boris Iéltsin, Genady Ziuganov  e Mikhail Gorbachev.

Estava na cara que Gorbachev iria perder, e feio, aquela eleição. Do lado de fora da sessão eleitoral, onde votou,  falou:

- A realização destas eleições significa que já obtive uma vitória. Fui eu que propus as eleições neste País. Uma batalha só é considerada perdida quando o próprio comandante renuncia a ela. Nada pode me humilhar, nem as pesquisas, nem o poder. Nenhuma força pode humilhar um homem se ele se sente confiante, mantém a dignidade e a defende. Vocês tem diante de si um homem assim.

Gorbachev, viúvo de Raissa, vive em Moscou ao lado da filha Irina e das duas netas Xênia e Anastásia. Preside a fundação que tem o seu nome e a Cruz Verde Internacional, uma organização ambientalista.

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal. Esteve em Moscou recentemente.  

Porandubas Políticas

Por Gaudêncio Torquato

Abro a Coluna com um "causo" pernambucano:

Tá morto

O caso deu-se em São Bento do Uma/PE, nos idos de 60. O caminhão, entupido de gente, voltava de um jogo de futebol, corria muito, virou na curva da estrada. Foram todos para o hospital. Uma dúzia de mortos. Lívio Valença, médico e deputado estadual do MDB, foi chamado às pressas. Pegou a carona de um cabo eleitoral, entrou na sala de emergência do hospital e foi examinando os corpos:

– Este está morto.

Examinava outro:

– Este também está morto.

O cabo eleitoral se empolgava:

– Já está até frio.

De um em um, passaram de 10. Lá para o fim, Dr. Lívio examinou, reexaminou, decretou:

– Mais um morto.

O morto gritou:

– Não estou morto não, doutor, estou só arrebentado.

O cabo eleitoral botou a mão na cabeça dele:

– Cala a boca, rapaz. Quer saber mais do que o dr. Lívio?

Chegando a hora

Estas são as últimas Porandubas antes do pleito do domingo. Com o prognóstico fixado: Bolsonaro versus Haddad. Não vai dar tempo a dois candidatos – Ciro e Alckmin – passar Haddad para concorrer com o capitão no 2º turno. A única possibilidade que eles têm é um arranjo milagreiro: um acidente/incidente, até na área da expressão, algo que seja considerado uma aberração. Mas os dois que estão na frente vão se preservar. Tem um debate na quinta. O debate da TV Globo. Mas não creio que mude a moldura.

Pode mudar o cenário

Muito difícil haver mudança no cenário para o 2º turno. A não ser que o Imponderável dos Anjos nos faça uma visita na boca da eleição. (O imponderável apareceu por ocasião do acidente que vitimou o ex-governador Eduardo Campos, que seria forte candidato em 2014; e deu também as caras em Juiz de Fora, por ocasião da facada em Bolsonaro). O que se sente nessa reta final é a consolidação dos votos nos dois candidatos com viés de crescimento de Bolsonaro e viés de pequena baixa de Haddad.

2º turno

A segunda rodada será um torneio muito aguerrido. É possível ocorrer tumulto de rua. Os militantes das duas bandas vão se engalfinhar. Há possibilidade de choque. Conflito. Murros recíprocos. As redes vão estourar com denúncias. Fakes news de todo lado. Contundência. Quem terá mais chance? Pela minha bolinha de cristal, Haddad perde fôlego ante a onda bolsonariana que cresce; Bolsonaro está subindo de patamar. Por quê? Pelo sentimento anti-PT, que nesses últimos dias ganha força. Ambos precisam administrar suas rejeições. A do capitão gira por volta de 44%; a do emissário de Lula, por volta de 38%.

Diminuir rejeição?

É possível? Sim. Dentro dessas hipóteses: a onda contra a volta do PT crescerá em termos geométricos; as falas inglórias de José Dirceu continuarão a corroer a imagem do petismo (ou será que Dirceu quer implodir cúpula do PT?); os ataques das militâncias eleitoras de Bolsonaro serão tão intensos contra o petismo, que conseguirão conter a onda de Haddad. E a rejeição de Haddad, que subiu para 38% segundo o Ibope, também poderá ser atenuada, caso o petismo convença indecisos de que seu candidato não é uma ameaça como Bolsonaro. (A rejeição a Haddad cresce e é maior do que a de Lula na última pesquisa como candidato do PT). O petismo trabalha com a ideia de medo da volta dos militares. Já o general Mourão produz falas devastadoras, mas Bolsonaro parece exibir o efeito teflon, nada de negativo cola nele.

Denúncia de Palocci

O juiz Sérgio Moro liberou partes da delação de Palocci. Traz um dado impactante: houve pagamento de propina para a inclusão de "emendas exóticas" em 900 das mil medidas provisórias editadas nos quatro governos do PT. Palocci também narra diversas formas de corrupção adotadas pela gestão petista em parceria com partidos aliados, associando diretamente o aparelhamento político da máquina pública à corrupção.

Pega ou não?

A denúncia conseguirá afetar a campanha de Haddad? Deverá consolidar votos de eleitores já decididos. É pouco provável que as margens tomem conhecimento dessas denúncias, de modo a compreendê-las e a torná-las fator de influência sobre sua motivação de voto. Nas classes médias, é possível que a denúncia demova algum eleitor ainda indeciso. Serão poucos a mudar na esteira da denúncia. Os votos de ambos estão consolidados. Apenas aumentarão a taxa de contundência dos discursos.

São Paulo, eixo central

São Paulo será decisivo na definição do vencedor. Aqui se concentra o voto racional, o voto de cabeça, o voto crítico, mais comparativo. Até 7 de outubro, é pouco provável que esse voto possa ser transferido a um perfil mais do centro. E depois do dia 7? Haddad poderia levar a melhor em SP? Há quem divise essa possibilidade, a partir da indicação de líderes do tucanato, como Fernando Henrique, que apontou Haddad como a opção de 2º turno. Mas FHC não está com essa bola toda. A polarização aguda deverá beneficiar Bolsonaro. Sob o lema: não deixar o PT voltar.

Indecisão

Um fenômeno a merecer registro: grande parcela das mulheres está indecisa a poucos dias da eleição. Índice atingiu 18%, ante 14% na mesma época da campanha de 2014. Alta de 4 pontos percentuais é inédita pelo menos desde 1994. Interessante: as mulheres protestaram contra Bolsonaro em movimentos por todo o país. Mas ele tem crescido junto às mulheres, pobres e ricos, segundo as últimas pesquisas.

Dois planetas sangrando

Não há como deixar de reconhecer: seja Haddad ou Bolsonaro o vitorioso, o Brasil, a partir de 1º de janeiro de 2019, será dividido em dois planetas: um, vermelho, outro, verde-amarelo, conforme se vestem os militantes dos dois candidatos. Esse ódio permeará as relações sociais por algum tempo. O Executivo terá grande dificuldade para dialogar com as forças congressuais. O que se vê é um PT desejando a peleja ideológica. Vai radicalizar mais ainda o discurso, sob a crença de que precisa "tomar o poder". Termos usados por José Dirceu. As bases parlamentares agirão sob a balança do pragmatismo. Quem der mais, ganha. O Judiciário será o palco elevado da briga política. A conferir.

Tamanho das bancadas

De acordo com pesquisas e análises dos potenciais partidários, damos, aqui, a última versão sobre as perspectivas da eleição de deputados federais (com os ajustes necessários para a somatória dar 513). PT-50; PP-50; PSDB-45; PSD-45; PR-45; MDB-40; DEM-36; PRB-36; PDT-29; PSB-25; PSL-18;PTB-17;SDD-1;PROS-10;PODEMOS-10;PCdoB-10;PSOL-10;PPS-8;PV-6;REDE-6; e NOVO-6.

Cláusula de barreira

Aproximadamente 18 partidos irão superar a cláusula de desempenho e poderão ter atuação plena no Congresso e nos Parlamentos Estaduais e Municipais. Também é importante ressaltar que apenas esses 18 terão acesso aos recursos do Fundo Partidário, para suas ações partidárias, assim como o acesso ao Fundo Eleitoral para as próximas eleições. Da mesma maneira, somente essas siglas terão direito ao uso gratuito dos meios de comunicação, seja em campanhas ou na apresentação de programas partidários. Por fim, vale registrar que acabaram as coligações nas eleições proporcionais (vereadores e deputados).Nas próximas eleições já não serão permitidas. A expectativa é a de que, por conta dessas mudanças, em 2023 tenhamos no máximo 10 Partidos.

STF gera confusão

Nossa mais alta Corte vive dias agitados. O último episódio que chamou a atenção foi o do pedido da Folha de S.Paulo para que o Supremo permitisse que Lula concedesse uma entrevista ao jornal. O ministro Lewandovski acatou o pedido. Mas o ministro Luiz Fux, vice-presidente da Corte, derrubou a autorização do colega. Lewandovski voltou a permitir, confrontando a decisão de Fux. Com o imbróglio tendendo a deixar o STF em maus lençóis, entrou em ação o presidente Dias Toffoli. Que acabou jogando a decisão para o Plenário, mas não agora. Uma entrevista de Lula nesse momento, reconhece a maioria dos ministros, influenciaria o processo eleitoral. Ficou a decisão para depois do 2º turno das eleições.

Marketing capenga

Um bom marketing ajuda a eleger, mas é o candidato quem se elege. Marketing mal feito, ao contrário, ajuda um candidato a perder as eleições. Não adianta um bom marketing se o candidato é um boneco sem alma. Candidato não é sabonete. Tem vida, sentimentos, emoção, choro e alegria. Portanto, muita coisa depende dele, de sua alma, de seu calor interno, de sua identidade. Marketing há de absorver essas condições para evitar transformar pessoas em produtos de gôndolas de supermercado. Em um primeiro momento, a inserção publicitária na TV até pode exibir o candidato de forma mais genérica, por falta de tempo para expor conteúdo. Mas o eleitor não se conformará com meros apelos emotivos e chavões-antigos, como os usados para embalar perfis saturados (candidatos beijando crianças e velhinhos, tomadas em câmera lenta mostrando o candidato no meio do povo, etc).
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Livro Porandubas Políticas

A partir das colunas recheadas de humor para uma obra consagrada com a experiência do jornalista Gaudêncio Torquato.

Em forma editorial, o livro "Porandubas Políticas" apresenta saborosas narrativas folclóricas do mundo político acrescidas de valiosas dicas de marketing eleitoral.

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