quinta-feira, 20 de outubro de 2011

De Senectude


Estar velho não quer dizer estar imprestável. Ao contrário, estar velho ou haver alcançado os quase últimos degraus da idade, o que Sartre acertadamente chamava de a idade da razão, pode ser uma benção para a contemporaneidade.
Afinal, o que seria do presente se não tivessem as boas histórias dos nossos antepassados a nos encherem a alma de orgulho e as nossas inspirações de bons exemplos?
Fazemos questão de buscar nos baús esquecidos nos desvãos da memória os bons feitos, nunca os defeitos, daqueles que antes de nós carregaram com honra o peso de um legado ou quando menos de um sobrenome.
Os feitos de monarcas, guerreiros, cientistas, déspotas, gângsteres, ladravazes ou de estelionatários de todo o gênero, no geral, não se confundem porque, como ensinava o Cristo, se pelos frutos conhecereis as árvores pelos bons ou mal resultados saberemos quem foi o autor da ação.
As más ações, aquelas de inspirações mal pensadas e de resultados infelizes são geralmente atribuídas, segundo a maior parte dos registros da história, mais à imprudência típica dos jovens do que à cautela segura típica da experiência das pessoas mais maduras.
Tancredo, nosso primeiro presidente civil eleito após a ditadura militar, parecia até gostar quando, na campanha, lhe provocavam querendo saber se, já tendo passado 70 anos, não se achava um tanto velhinho para os desafios da redemocratização do país.
Tancredo adorava lembrar que Nero aos 30 anos de idade tocou fogo em Roma e que Adenauer quase chegando aos 80 anos recuperou a Alemanha dos escombros da Segunda Guerra Mundial.
É raro encontrar nos exemplos da história do mundo ou mesmo nas vitrines da política antiga do Brasil um velho safado, alguém que sempre se aproveitando de tudo, até mesmo da própria senectude, chantageando a emoção dos poderosos, nem se importando que as suas intermediações escabrosas, espancando a ética, atirando na moral e atropelando os bons costumes, resvale em mal feitos contra o Povo em geral, em ofensas graves capazes de reduzir a credibilidade da República e em maus exemplos às novas gerações.
Estas reflexões que me vem agora a propósito de um cidadão chamado José Guimarães Neiva Moreira, o Neiva, Secretário-Geral da Frente Parlamentar Nacionalista na Câmara dos Deputados em Brasília. O Neiva Moreira, líder das Oposições Coligadas contra o caciquismo político no Maranhão entre as décadas de 50 e 60, quando o conheci, eu adolescente na militância da política estudantil e começando a me viciar em redação de jornal e nas questões de Direito.
O prédio do Jornal do Povo num sobradão de azulejos na Rua da Paz foi incendiado nos primeiros dias da ditadura militar. O Neiva, dono do jornal, foi cassado e preso, depois exilado.
Passou 10 anos exilado peregrinando por países como a Bolívia, Peru, Chile e México. Com Brizola e Darci, Julião e Doutel, dentre outros, fundou o PDT. A primeira escala do Neiva na volta do exílio foi S. Luís do Maranhão, onde mora até hoje.
Esta semana é de festejos pelos seus 94 anos de idade. Quase um século de lucidez e coerência com a sua história de vida. E de respeito com a própria biografia. Não é um retrógrado. O Neiva soube compreender as mudanças do mundo. E por sua probidade e decência o mundo local inteiro lhe devota respeito e carinho.

domingo, 16 de outubro de 2011

Construindo a Unidade

O Jornal Pequeno, de São Luis, Ma., edição de hoje, domingo, 16.10.11, publica na 3ª. Página, com chamada na 1ª, a entrevista que eu concedi ontem, sábado, ao correto Jorge Vieira.
P - Como o senhor avalia a atual conjuntura estadual? Ainda é possível juntar a oposição após o fiasco de 2010?
R – Ora, se antes, em 2010, quando ainda tínhamos um líder inconteste, legitimado pela força das urnas, no caso o Jackson, vimos o que vimos, imagine-se agora, em 2012, ou amanhã, em 2014, com essa euforia antecipada espargindo no ar algum cheiro de vitória.
Sejamos humildes, tenhamos confiança na capacidade de trabalho do outro, paciência para ouvir a todos, um por um, prudência para definir os momentos exatos da ação, enfim, o que está aí para ser feito não é trabalho para nenhum ser humano que sozinho se ache o competente, se julgue o cara, assim, assim, com Deus.
Eu, pessoalmente, vou continuar labutando por essa unidade, que eu vejo possível, sim. O tempo tem ajudado muito.
P - Em sua avaliação, a sucessão de 2014 passa prioritariamente por 2012?
R – Sim. As eleições municipais de 2012 nos impõem a tarefa da reorganização das bases partidárias na Capital e no Interior do Estado. Todos os partidos de Oposição se voltam agora no reencontro das possibilidades de alianças e de coligações. O que resultar disso, após as eleições de 2012, será decisivo para a organização da vitória em 2014.
P – O senhor migrou do PSDB para o PDT dentro do prazo determinado para quem deseja disputar mandato em 2012. O que lhe moveu a mudar de legenda em pleno período especulativo?
R – Quando terminamos a campanha de 2010, eu já estava em união estável, digamos assim, com a militância e principais dirigentes do PDT no Estado. Fora do PSDB, eu queria ficar um bom tempo solteiro, sem partido, mas em política as coisas não são sempre como a gente quer.
Foi quando chegou o convite para eu ir ao Congresso Nacional do PDT, em Brasília. Em lá chegando fui muito festejado, um grupo queria que eu me filiasse ali mesmo para ser o candidato a Prefeito de São Luis. O Ministro Lupi, Presidente nacional, reforçou o convite.
Eu disse calma gente, isso tem que ser conversado com o Jackson. Eu achava que o Jackson escaparia logo e então essa minha ida para o PDT e as razões estratégicas teriam que ser combinadas com ele, que ainda estava internado no Hospital Einstein, em São Paulo. Não deu tempo.
Depois, fui novamente procurado e concordei em ir para o PDT, mas só bem depois, não condicionando a minha ida a candidatura nenhuma em 2012. Nas eleições de 2014, estando eu com boa saúde, como agora, poderiam contar comigo.
Não aconteceu como eu queria. Fui solicitado a ingressar no PDT o quanto antes. E agora, estamos aí...
P – Quando será que a oposição maranhense vai entender que quanto mais se divide, mais fortalece o inimigo comum?
R – Quando tiver menos estrategistas e passar a ouvir mais o Povo, a ter ouvido para as pessoas comuns, sensibilidade mais aguda para os problemas das cidades, menos discurso e mais ação.
Muita gente sonha em ser isso, em ser aquilo, mas se você puxa uma conversa séria para avaliar o conteúdo das propostas, é picolé de morango. Há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! ... E a história não marcará, quem sabe, nem um. Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. (Fernando Pessoa).
P – O senhor também defende a tese da preservação de Flávio Dino para 2014?
R – Essa tese é muito pobre, não merece o Flávio. Ele tem presente e futuro maior que isso. Quer dizer que vamos congelar a Capital e o resto do Estado, não vamos discutir novas idéias, novos planos, novos projetos, vamos instituir o Maranhão criônico, deixar todo mundo congelado à espera de que o Flávio, em 2014, desponte fabuloso na Porta da Esperança, o Estado feito um grande auditório?
Ora, se ele tem cacife eleitoral e idéias lúcidas, viáveis, para os problemas de São Luis, então que aceite disputar as eleições para Prefeito com os candidatos de todos os partidos, incluindo os das Oposições.
O primeiro turno das eleições no Brasil já funciona hoje como eleições primárias, aquelas que, filtrando, restringem, no final, a decisão entre os dois melhores. Isso é bom para a democracia. Bom, não. É ótimo.
Ah, o Flávio pode perder e aí ele se desqualifica para 2014. Bobagem. A democracia se faz com eleições no perde ou ganha. Quem disse que o futuro dele se acaba em 2014?
E vem cá. O Governo do Maranhão vai ter que continuar como um trono imperial? O Flávio não é um Pedro II cuja maioridade foi antecipada para que o trono, no tempo próprio, lhe fosse garantido como reserva de poder.
Eu não sei se ele anda sabendo dessas bobagens que circulam por aí com o seu nome. Preservar um líder de massas de uma eleição na qual pode sair derrotado porque ele, em tese, pode vencer a outra eleição subseqüente, isso é pobre e autoritário, pois recusa aos outros atores da contemporaneidade as valorações que, ficando assim, só podem ser atribuídas a ele. Então, o Maranhão está assim, esse deserto de homens que para qualquer cargo eletivo, de Prefeito a Governador, só pode ser o Flávio?
Se não querem respeitar o nosso jovem ex- Juiz Federal que respeitem aqui o jovem ex - Presidente do Conselho da Justiça Federal. Eu.
P – Numa eleição de dois turnos, não seria mais interessante que os partidos lançassem seus candidatos com o compromisso de todos estarem no mesmo palanque no segundo turno?
R – Muito mais interessante. No segundo turno, far-se-ia a adaptação dos Planos de Governo para que, ao final, sendo um só, o candidato o pregasse na campanha e caso eleito o executasse com a participação de todos do novo grupo. Fiz isso com o Jackson estava dando certo. Ninguém faz tudo sozinho.
P – O senhor está chegando agora no PDT, embora tenha dado sua contribuição ao partido aos longos das últimas campanhas eleitorais, em que condição: pré-candidato ou simplesmente militantes?
R – Pré - candidato, não. Simplesmente militante, sim. Mas como diria o doutor Tancredo, ninguém vai ao rubicão para pescar.
(Referencia a Júlio Cesar. Antes de atravessar o rio rubicão soltou a frase – Alea jacta est. A sorte está lançada. Fez a travessia com suas então modestas tropas, enfrentou os adversários e venceu a batalha.)
Então indago eu, o que um homem com tanta experiência na vida pública e com tantas idéias a discutir vai fazer num partido político que tem dentre os seus objetivos a conquista do poder através das eleições?
P – Qual o legado que o ex-governador Jackson Lago deixou para a oposição do Maranhão e para a esquerda do país?
R – Dois grandes legados. Primeiro, o PDT, um partido que ele ajudou a fundar com os exilados, os perseguidos pela ditadura militar, querendo com Brizola, Neiva, Julião, Doutel e Darci, resgatar os princípios do trabalhismo de Pasqualini, Getúlio e Jango, dos direitos sociais, dos movimentos sociais, da educação com qualidade, da saúde pública eficaz, da segurança com cidadania, do Estado como instrumento da sociedade a serviço do bem estar coletivo com segurança e desenvolvimento.
O outro legado, o seu Governo com idéias novas, interrompido pelo golpe judiciário. Esse Governo vai ter que ser restabelecido, a partir das urnas, para que os projetos inovadores que já estávamos começando a ver acontecendo possam ser retomados. E outros novos projetos possam ser acrescentados.
O Jackson tinha uma liderança moral sobre essa turma toda aí. Alguns hoje fingem ignorar a coerência da sua luta e a consistência dos seus exemplos.
P – Em sua opinião, a população maranhense vai dar a resposta ao governo de Roseana em 2014?
R – Já deu em outras e agora em 2014 vai novamente dar. Há tempos que eles não vencem eleições no Maranhão. Eles tomam eleições no Maranhão. É  diferente e muito desigual.
P – Em sua avaliação, a reciclagem da classe política do Estado já começou ou será um processo lento e demorado?
R – É um processo lento de peneira. Passa pela educação moral nas escolas, pela ética como disciplina obrigatória em todos os cursos das universidades. É preciso acabar com essa cultura de que o vencedor é o que leva vantagem em tudo porque os fins justificam os meios. Valores morais e princípios éticos precisam voltar as casas das famílias, às escolas, aos sindicatos, aos partidos políticos, às agremiações desportivas, à convivência entre grupos sociais.
P – E o futuro do Maranhão? Ainda há tempo de se recuperar o estrago feito pelos mais de 40 anos de desmando da oligarquia Sarney?    
R – Não vai ser tarefa que se resolva no programa do Silvio Santos por mais sorte que tenha o sortudo ou por maior e mais piscante que seja a Porta da Esperança. Por mais recheado  que esteja o Baú da Felicidade.
Uma depredação de cinco décadas num Estado que quanto mais recursos federais recebe mais decai só avançando nas estatísticas negativas, no qual uma minoria ínfima se mantém potentada, sem uma classe média plena, com uma maioria ampla na pobreza, um sucateamento desses não se conserta numa única gestão de um só Governo. É tarefa para muitos. Por isso é que defendo, a exemplo do que as esquerdas fizeram no Chile, um Pacto de Concertácion. Mas isso aí é conversa para outra ocasião. 

Idoso Sem Velhice


Conheço um idoso que ainda não ficou velho.
Tem oitenta e tantos anos no cartório, mas não tem essa idade no coração.
Sua disposição e vivacidade são reveladas de diversas maneiras:
Pela pontualidade diária;
Pela ética no cumprimento dos horários;
Pelo vibrante interesse no andamento dos projetos da empresa;
Pela lucidez com que aconselha;
Pela memória posta em ação em sábias sugestões;
Pela dignidade em tolerar aqueles que não lhe dão a devida atenção;
Pelo desprendimento em perdoar as indelicadezas de colegas impacientes;
Pela sua grande discrição quanto às suas lembranças, melancolias, saudades, limitações.
O que se vê são esperanças, planos, atividades.
Conheço um idoso que ainda não ficou velho.
Seu calendário não tem só ontens, mas está repleto de amanhãs.
Ele não vive buscando ensinar, mas busca aprender a cada dia.
Está tendo o privilégio de viver uma vida longa e tem-na tornado produtiva e digna.
Sem perder a jovialidade segue com seu sorriso;
Sorriso sempre freqüente, que inexiste em muitos de nós com faces bem mais jovens.
Penso que deveríamos aborrecê-lo com homenagens freqüentes;
Ele é digno delas.
Por sua ética, sua experiência prodigamente compartilhada,
Por seu cumprimento matinal caloroso,
Por seus elogios aos “gurus” que o rodeiam,
Quando apenas há um único guru aqui: ele mesmo
Dr. Paulo Natal E Silva!
Para o senhor, nossas felicitações e nossos votos de saúde e que esta jovialidade
continue a irradiar para todos nós. Feliz Aniversário!
(O texto acima, de Tadeu Montenegro de Miranda Henriques, foi o vencedor de um concurso entre os servidores da CODEVASF / Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, em Brasília, dentre as homenagens prestadas ao funcionário mais antigo, o Doutor Paulo Natal e Silva, pai da Eurídice, meu sogro, que deixou o serviço público definitivamente.)
Paulo Natal e Silva, filho de Marcelo Francisco da Silva e Eurídice Natal e Silva, nasceu em 04 de novembro de 1925, na Cidade de Goiás, GO. Seu caminho se cruzou com o da jovem Maria Yeda da Nóbrega e casaram-se na cidade de Fortaleza, CE, em 25 de dezembro de 1954. Tem uma filha, chamada Eurídice Maria da Nóbrega Silva Vidigal, e três netos: Rodolpho, Maria Paula e Ana Catarina.
Vida profissional

O Dr. Paulo Natal formou-se em Engenharia Civil no ano de 1949, pela Escola Nacional de Engenharia, localizada no Rio de Janeiro. Completa, portanto, neste ano, 60 anos de formado.
Em 1947, aos 21 anos de idade, ainda enquanto era estudante de Engenharia, iniciou suas atividades profissionais no Escritório Hildalius Cantanhede, tendo sido contratado como engenheiro após a conclusão do curso. Permaneceu nessa empresa até 1957, quando passou a trabalhar na Comissão do Vale do São Francisco, que viria a ser a Suvale – Superintendência do Vale do São Francisco. Em 1973 viu-se trabalhando na Codevasf, tendo sido esta criada em substituição da Suvale.
Coordenou a elaboração do Plano Diretor para o Desenvolvimento Integral do Baixo São Francisco, com dotação orçamentária do Banco Mundial. Coordenou a elaboração dos projetos de irrigação de Maniçoba e Curaçá. Coordenou também a Plano Diretor de Desenvolvimento do rio Grande e do rio Corrente, na Bahia. Contribuiu na elaboração do sistema adutor de água para a região de Guanambi, tendo o rio São Francisco como manancial.
Coordenou, como assessor especial do então presidente da Codevasf, Dr. Eliseu de Andrade Alves, a quem tem em grande estima, as negociações feitas com o BIRD, com o BID e com a OSTF de um empréstimo visando à implantação de perímetros de irrigação e fez a contrapartida brasileira em relação à equipe do Bureau of Reclamation, órgão americano que atendia tecnicamente a Codevasf. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Fábrica de Leis

A Constituição Brasileira completou 23 anos e já recebeu 73 emendas, enquanto a Carta Magna dos EUA tem 224 anos e recebeu apenas 27 emendas.
O aniversário de 23 anos aconteceu no dia 05 de outubro. Estudos feitos pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) apontam que, ao longo desse período, 4,35 milhões de novas normas federais, estaduais e municipais foram editadas no Brasil. Quando destrinchadas, descobrimos que foram 518 novas normas por dia, ou 776 por dia útil.
Das quase 4,5 milhões de novas normas aprovadas em 23 anos, 155,9 mil são federais, que incluem 73 emendas à Constituição, sendo que dentre estas há uma subdivisão importante: 6 emendas constitucionais de revisão e 67 emendas constitucionais. Os autores do estudo são categóricos em afirmar que a legislação brasileira é “um emaranhado de assuntos”.
Eu acrescentaria que este emaranhado é bastante confuso e gera uma grande instabilidade e insegurança jurídica para os cidadãos brasileiros bem como para empresas, sejam estas brasileiras ou estrangeiras. E, por último, esta insegurança jurídica leva muitas empresas multinacionais a adiarem ou desistirem de se instalarem aqui.
No âmbito estadual, segundo o levantamento do IBPT, foram 1,13 milhão de novas normas em 23 anos, sendo 259.889 leis complementares e ordinárias, 376.994 decretos e 499.301 normas complementares. Já nos municípios, foram cerca de 3 milhões de novas normas, divididas em 542.745 leis complementares e ordinárias, 577.500 decretos, e 1.941.282 normas complementares, aponta o estudo. 
Ainda temos uma criação de 1,3 norma tributária por hora e o estudo lembra que, desde 1988, foram feitas 15 chamadas reformas tributárias e criados (alguns depois abolidos) tributos como CPMF, Cofins, Cides, CIP, CSLL, entre outros.
Nos últimos 23 anos, cerca de 275 mil das 4,35 milhões normas criadas se referem aos tributos, isto é, 6,3% do total, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Dessas novas normas tributárias, 29,5 mil são federais, 85,7 mil estaduais e 159,8 mil municipais. 
A média diária de aprovação desse tipo de regra resulta em 33 por dia ou 1,3 por hora desde 1988, apontou o estudo. Vale dizer, uma VERDADEIRA FÁBRICA DE LEIS. O pior disso tudo é que a qualidade dessas leis é muito ruim. Muito ruim mesmo, haja vista a quantidade de inconstitucionalidades existentes. (Do Blog do Marcos Pereira.)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Gisele Sem Censura


A tentativa do Governo através do Ministério das Mulheres de tirar do ar o comercial sobre langerie estrelado por Gisele Bündchen foi rechaçada pelo Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária, o Conar.
Por unanimidade, o processo foi arquivado.
Segundo o Governo federal, “a propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grandes avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas".
O Conar entendeu, contudo, que “os estereótipos presentes na campanha são comuns à sociedade e facilmente identificados por ela, não desmerecendo a condição feminina".
No comercial de TV que o Ministério das Mulheres tentou censurar, Gisele aparece usando roupas normais para falar, por exemplo, que bateu o carro. A estratégia é classificada como "errada" e em seguida a forma "correta" é mostrada: a modelo repete a notícia, usando apenas lingerie. "Você é brasileira, use seu charme".

Duas Versões

Jorge Vieira é uma pessoa por quem tenho muita estima pessoal, respeito profissional e admiração plena. É um modelo de seriedade e de responsabilidade em tudo que executa. Informado por alguém que, com certeza, gosta muito de mim, o Jorge publicou no seu conceituado blog:


“O ex Ministro do STJ, Edson Vidigal, ex candidato ao Senado em 2010, manifestou o desejo de representar o PDT na sucessão de São Luis, durante reunião do partido realizada na noite de segunda feira.


Considerado hoje um dos melhores quadros da oposição à oligarquia Sarney, Vidigal, segundo um dirigente pedetista, poderá ser a opção partidária para 2012, diante de forte resistência contra a coligação com João Castelo (PSDB) ou Tadeu Palácio.
A candidatura do ex Ministro é vista com muita simpatia pelas mais diversas correntes que disputam o comando interno do partido e deverá mobilizar as discussões internas nos próximos encontros.”
Dia seguinte, Lourival Bogéa, editor do Jornal Pequeno, me perguntou se eu havia lido no Informe JP a nota do Jorge Vieira. Não. Estava em viagem pelo interior, a serviço do PDT.
Sou amigo pessoal de uma vida inteira da família Bogéa. Sou advogado do jornal para o qual ainda escrevo, a título de colaboração, um artigo semanal. Eis aqui a nota do Informe JP:
Durante reunião do PDT, na noite de segunda feira, o ex Presidente do STJ Edson Vidigal manifestou desejo de representar o partido na sucessão de São Luis.
Considerado hoje um bom quadro da oposição à oligarquia Sarney, segundo um dirigente pedetista que não apóia a tese de aliança com o Prefeito João Castelo, pode ser uma opção partidária para 2012.
Apesar da candidatura do ex Ministro ser vista com simpatia por setores que disputam o comando interno do partido,a tendência do PDT é coligar com o Prefeito João Castelo.”
Falei para o Lourival achando graça. Passei à noite com a Eurídice pela reunião do PDT apenas para cumprimentar o Igor por já estar o partido organizado em 211 Munícipios do Estado e, também, para abraçar o Ewerton pelo seu aniversário. Sobre 2012 não falei nada. Ninguém me ouviu falar nada. Saímos de lá para a casa do Neiva.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Três Histórias

Eu estava atrás desse discurso do Steve Jobs na Universidade de Stanford. O discurso ficou famoso muito antes de Jobs morrer. É que neste texto ele fala inclusive sobre a sua relação bem próxima com a morte. E dá dicas importantes sobre o exercício de viver. E vencer. 

Como se diz em inglês, enjoe...


É uma honra estar com vocês hoje nessa formatura de uma das mais excelentes universidades do mundo. Eu nunca me formei na faculdade. Verdade seja dita, esta foi a vez na vida em que eu cheguei mais perto de uma formatura de faculdade. Hoje eu gostaria de contar pra vocês três histórias da minha vida. É isso. Não é grande coisa. Só três histórias.


A primeira história é sobre ligar os pontos. Eu deixei a Reed College depois dos primeiros 6 meses, mas então eu fiquei por lá como um “drop-in” por outros 18 meses, coisa assim, antes de eu realmente sair. Então por que eu saí?


Começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem e solteira estudante de faculdade, e ela decidiu me colocar para adoção. Ela achava muito fortemente que eu devia ser adotado por pessoas formadas, então tudo estava preparado pra que quando eu nascesse fosse adotado por um advogado e sua esposa. Exceto que quando eu apareci eles decidiram no último minuto que na verdade eles queriam uma garota. Então meus pais adotivos, que estavam numa lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite perguntando: “Nós temos um garoto ‘imprevisto’; vocês o querem?” Eles disseram: “É claro!”

Minha mãe biológica mais tarde descobriu que minha mãe adotiva nunca se formou na faculdade e que meu pai adotivo nunca se formou no colégio (ensino médio). Ela se recusou a assinar os papéis finais da adoção. Ela só cedeu alguns meses depois quando meus pais adotivos prometeram que um dia eu iria para a faculdade.
E 17 anos depois eu fui pra faculdade. Mas ingenuamente eu escolhi uma faculdade quase tão cara quanto Stanford, e todas as economias dos meus pais de classe operária estavam sendo gastas na minha educação superior.

Depois de seis meses, eu não podia enxergar o valor daquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer com minha vida e nenhuma idéia de como a faculdade poderia me ajudar a descobrir. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais economizaram durante suas vidas inteiras. Então eu decidi sair e confiar que tudo ia acabar dando certo. Era bem assustador naquela época, mas olhando para trás, foi uma das melhores decisões que eu já tomei. Assim que eu saí eu pude parar de assistir as aulas obrigatórias que não me interessavam, e comecei a assistir as que pareciam interessantes.

Nem tudo foi tão romântico. Eu não tinha um dormitório, então eu dormia no chão do quarto dos amigos; eu devolvia garrafas de coca-cola aos depósitos por 5 centavos pra poder comprar comida; e eu andava as 7 milhas (11,2 km) através da cidade toda noite de domingo pra pegar uma boa refeição semanal no templo Hare Krishna. Eu amava aquilo. E muito do que eu encontrei seguindo minha curiosidade e intuição se mostrou de valor incalculável mais tarde.

Deixe-me dar um exemplo: A Reed College naquele tempo oferecia quem sabe a melhor instrução sobre caligrafia no país. Por todo o campus, cada pôster, cada etiqueta em cada gaveta, apresentava uma bela caligrafia manual. Por eu ter saído e não ter que assistir as aulas normais, eu decidi tomar aulas de caligrafia para aprender a fazer aquilo. Eu aprendi sobre caracteres com e sem serifa, sobre a variação do espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna a grande tipografia grande. Era bonita, histórica, artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode capturar, e eu achei aquilo fascinante

Nada disso tinha sequer um lampejo de aplicação prática na minha vida. Mas dez anos depois, quando nós estávamos projetando o primeiro computador Macintosh, aquilo tudo voltou. E nós colocamos tudo no Mac. Foi o primeiro computador com uma tipografia bonita. Se eu nunca tivesse entrado naquele simples curso da faculdade, o Mac nunca teria múltiplos tamanhos de letra ou fontes proporcionalmente espaçadas. E como o Windows só copiou o Mac, provavelmente nenhum computador pessoal teria.

Se eu nunca tivesse deixado a faculdade, eu nunca teria entrado na aula de caligrafia, e os computadores pessoais poderiam não ter a maravilhosa tipografia que eles têm. Claro que era impossível conectar os pontos olhando pra frente quando eu estava na faculdade. Mas ficou muito, muito claro olhando pra trás dez anos depois.

De novo: você não pode conectar os pontos olhando adiante; você só pode conectá-los olhando pra trás. Então você tem que confiar que os pontos de algum jeito vão se conectar em seu futuro. Você tem que confiar em alguma coisa – seu intestino, destino, vida, karma, seja o que for. Essa idéia nunca me deixou cair, e fez toda a diferença na minha vida.

Minha segunda história é sobre amor e perda. Eu fui sortudo – encontrei o que eu amava fazer cedo na vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Nós trabalhamos duro, e em 10 anos a Apple cresceu de apenas nós dois numa garagem até uma companhia de 2 bilhões de dólares com mais de 4000 empregados. Nós tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o Macintosh – um ano antes, e eu tinha acabado de fazer 30. E então eu fui demitido. 

Como você pode ser demitido de uma empresa que você começou?
Bem, conforme a Apple cresceu nós contratamos alguém que eu achava muito talentoso para levar a empresa comigo, e no primeiro ano, mais ou menos, as coisas saíram bem. Mas então nossas visões do futuro começaram a divergir e eventualmente nós tivemos uma briga. Quando isso aconteceu, nosso Quadro de Diretores ficou do lado dele. Então aos 30 anos eu estava fora. E muito escandalosamente fora! O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta se foi, e isso me destruiu.

Eu realmente não sabia o que fazer por alguns meses. Eu sentia que tinha falhado diante de toda a geração anterior de empreendedores – que eu deixei cair o bastão quando ele estava sendo passado a mim. Encontrei David Packard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter trabalhado tão mal. Eu era uma falência pública, e eu até pensei em fugir do vale (do silício).

Mas algo começou a surgir lentamente em mim – eu ainda amava o que eu fazia. A série de eventos na Apple não tinha mudado isso nem um pouquinho. Eu fui rejeitado, mas eu ainda estava apaixonado. Então eu decidi recomeçar.

Eu não via isso na hora, mas o fato é que ser demitido da Apple foi a melhor coisa que jamais poderia ter me acontecido. O peso de ser bem sucedido foi trocado pela leveza de ser um iniciante de novo, sem ter certeza de quase nada. Isso me libertou para entrar num dos períodos mais criativos da minha vida.

Nos cinco anos seguintes, eu comecei uma empresa chamada NeXT, outra empresa chamada Pixar, e me apaixonei por uma magnífica mulher que se tornaria minha esposa. A Pixar criou o primeiro filme do mundo animado por computador, Toy Story, e hoje é o mais bem sucedido estúdio de animação do mundo.

Numa memorável seqüência de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu retornei à Apple, e a tecnologia que nós desenvolvemos na NeXT está no coração da atual ressurreição da Apple. E Laurence e eu temos uma maravilhosa família juntos.

Tenho toda a certeza de que nada disso teria acontecido se eu não fosse demitido da Apple. Foi um remédio de gosto amargo, mas acho que o paciente precisava dele. Às vezes a vida te bate na cabeça com um tijolo. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me manteve em ação foi o fato de que eu amava o que fazia.

Você tem que achar o que você ama. E isso é tão verdade para o seu trabalho quanto é para seu companheiro. Seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e o único jeito de ficar verdadeiramente satisfeito é fazer o que você acredita que é um belo trabalho. E o único jeito de fazer um belo trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não achou, continue procurando. Não fique sentado. De todo o coração, você vai saber quando encontrar.

E, como qualquer grande relacionamento, só melhora mais e mais conforme os anos vão passando. Então continue procurando até achar. Não fique sentado.My third story is about death.Minha terceira história é sobre a morte.

Quando eu tinha 17 anos, eu li uma citação mais ou menos assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, algum dia provavelmente você vai acertar”. Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu tenho olhado no espelho cada manhã e perguntado a mim mesmo: “Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu ia querer fazer o que eu vou fazer hoje?” E sempre que a resposta foi “Não” por vários dias seguidos, eu soube que eu tinha que mudar alguma coisa

Lembrar que eu logo vou estar morto é a ferramenta mais importante que eu já encontrei pra me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Porque quase tudo – toda a expectativa exterior, todo o orgulho, todo o medo de dificuldades ou falhas – estas coisas simplesmente somem em face da morte, deixando apenas o que é realmente importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de achar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Mais ou menos há um ano eu recebi um diagnóstico de câncer. Eu fiz um exame às 7:30 da manhã, e ele mostrou claramente um tumor no meu pâncreas. E eu nem sabia o que era um pâncreas! Os médicos me disseram que era quase com certeza um tipo incurável de câncer, e que eu não devia esperar viver mais do que de três a seis meses.

Meu médico me aconselhou a ir pra casa e botar meus negócios em ordem, o que no idioma dos médicos significa: prepare-se para morrer. Significa tentar dizer aos seus filhos tudo o que você pensou que teria os próximos 10 anos para lhes dizer, em apenas uns poucos meses. Significa ter certeza que tudo está no lugar para que seja tão fácil quanto possível para sua família. Significa dizer adeus.

Eu fiquei com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, naquela noite eu tive uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio na minha garganta, através do meu estômago e dentro dos meus intestinos, colocaram uma agulha no meu pâncreas e pegaram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha esposa, que estava lá, me disse que quando eles viram as células no microscópio os médicos começaram a chorar porque descobriram que era uma forma muito rara de câncer pancreático que é curável através de cirurgia. Eu sofri a cirurgia e hoje eu estou bem.

Isto foi o mais perto que eu cheguei de encarar a morte, e eu espero que seja o mais perto que eu chegue por algumas décadas mais. Tendo sobrevivido, hoje eu posso dizer isto a vocês com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito útil mas puramente intelectual: ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que querem ir para o Céu não querem morrer pra chegar lá. E mesmo assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca escapou a ela.

E é como deveria ser, porque a Morte é muito provavelmente a melhor invenção da Vida. É o agente de mudança da Vida. Ela tira o velho do caminho pra dar espaço pro novo. Por enquanto o novo são vocês, mas algum dia não muito distante, vocês gradualmente vão se tornar os velhos e sair do caminho. Me desculpe por ser tão dramático, mas é totalmente verdade.

Seu tempo é limitado, então não gaste vivendo a vida de outra pessoa. Não caia na armadilha do dogma – que é viver com os resultados do pensamento de outra pessoa. 

Não deixe o ruído da opinião alheia sufocar sua voz interior. E mais importante, tenha coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles de alguma forma já sabem o que você realmente quer se tornar. Tudo o mais é secundário.

Quando eu era jovem, havia uma maravilhosa publicação chamada “The Whole Earth Catalog” (O Catálogo de Toda a Terra), que era uma das bíblias da minha geração. Foi criada por um camarada chamado Stewart Brand não muito longe daqui, em Menlo Park, e ele deu vida à publicação com seu toque poético.

Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores pessoais e da editoração eletrônica, então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras polaróides. Era tipo o Google formato brochura, 35 anos antes do Google aparecer: era idealista, e com abundância de recursos elegantes e idéias brilhantes.

Stewart e sua equipe publicaram várias edições do “The Whole Earth Catalog”, e então quando seu papel estava cumprido, eles publicaram uma edição final. Era meados dos anos 70, e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa da edição final havia uma fotografia do amanhecer em uma estradinha de terra, do tipo em que você poderia ficar pegando carona se você for aventureiro. Embaixo dela estavam as palavras: “Stay Hungry. Stay Foolish.”

Era a mensagem de despedida deles ao sair do ar. Stay Hungry. Stay Foolish. E eu tenho sempre desejado isso pra mim mesmo. E agora, ao vocês se formarem para começar outra vez, eu desejo isto a vocês: “Stay Hungry. Stay Foolish” [Continuem esfomeados. Continuem moleques].

Muito obrigado a todos vocês.