sábado, 1 de janeiro de 2011

Sob Teto de Zinco Quente

Muita gente vai se admirar com o novo visual da Dilma e quando se diz novo é que ela vai estar melhor para as câmeras hoje do que naquelas aparições pela TV durante a campanha.

A Presidente Dilma vai estar mais longilínea fisicamente e em cores mais discretas no vestuário. Nada daquele vermelhão petista. Ela quer simbolizar que vai presidir o Brasil para todos os brasileiros, não só para aqueles que votaram nela.

O resto do cerimonial todo mundo já sabe. Desfile em carro aberto pela Esplanada até o Congresso Nacional e de lá, após o juramento de posse e do discurso, subida da rampa do Palácio do Planalto, onde Lula lhe passará a faixa presidencial.

O General Golberi, um dos bruxos mais notáveis no poder palaciano no século 20, dizia que depois que a pessoa sobe aquela rampa no meio de duas filas daqueles dragões da independência que lhe batem continência solenemente, quando ela chega lá em cima e nota que só a chamam de Presidente, então é porque já é Presidente mesmo.

O resto é com a história. História com H.


Não Deu

Alencar não vai poder estar hoje na posse de Dilma como pretendia. 
 

Ele que por duas vezes subiu com Lula a rampa do Palácio do Planalto em dois mandatos vai ver de um quarto de hospital, pela televisão, os momentos finais de uma presidência da qual fez parte duas vezes como Vice.

De cada cirurgia que escapava, e nós aqui de fora já nem sabemos quantas, Alencar renovava o desejo de descer a rampa do Planalto ao lado de Lula.

Com água de mais no corpo e tendo, por isso, que fazer diálise, Alencar está bem, segundo os médicos e, segundo seu filho, ele até comeu um pururuca assado na ceia de Ano de Novo. 
 

Seu quadro clínico, não obstante, considera imprudência sua ida hoje a Brasília para a posse de Dilma e momentos finais de Lula. Alencar luta há mais de dez anos contra um câncer no estômago.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sem Adiamentos

Amanhã, como dizia o poeta, estarei a pensar somente em depois de amanhã. Nada me alcançará em cansaços antecipados e infinitos.

Depois de amanhã fincando um novo marco zero nos certificaremos de que um calendário se exauriu, mas que ainda assim só um pedaço do tempo passou.

O tempo que nos aperreia é daqueles que demoram e não passam assim indo embora só porque o calendário de um ano se passou e um ano novo chegou.

Ainda vai demorar a se ir esse tempo travoso danoso à lucidez, espaçoso para o dominador, nutriente das mediocridades despóticas antigas e das mais recentes, enrustidas nas mesmices das suas liturgias, dissimuladas em seus apetites insaciáveis e ambições urgentes.

Tem hora em que vendo esses cenários nos quais transitam os fingidos, amigos do alheio, ou inimigos do erário, nem sei, quando os vejo na ribalta enorme deste Estado de coisas nem fico a pensar.

Não sei se o que sinto em relação a essa gente é pena ou nojo. Por isso, nem fico a pensar. Nem fico a pensar.

Não é só a coragem deles que faz a decência estancar. Não é só a audácia deles que faz o opróbrio avançar.

É a nossa desorganização, a nossa falta de compromissos com os outros, com o coletivo, é a nossa dispersão sem uma consciência clara dos sentidos da dignidade humana e da cidadania plena, é a nossa passividade que os faz avançar.


São essas coisas assim que nos tornam reféns deste tempo que, apesar das viradas dos anos, das suas passagens festivas, foguetórios e esperanças, se esvai aos pedaços, ou em farelos, não passa inteiro, todo de uma vez, e nos faz estancar.

Ou definimos claramente meta por meta o que teremos que alcançar no transcorrer deste ano novo, identificando e trabalhando sério na organização das iniciativas, ou daqui a um ano, nesta data, continuaremos a nos repetir renegando o tempo das coisas ruins, sem inspiração de confiança.

O ano novo que começa depois de amanhã, a depender de nós outros e não apenas de outros nós, não será um ano oco. Será um ano murcho se continuarmos assim nessa incapacidade tola de mirarmos o alvo e de alcançarmos os objetivos certos.

Se quisermos que o ano que está pronto para começar depois de amanhã nos chegue para ser o ano da retomada das sagas antigas pelos ideais de sempre, combinando as ações e cada um assumindo a trincheira em que cada um for o mais capaz, conseguiremos que não se esvaeçam as esperanças gerais das quais ainda somos, e não sabemos ainda por quanto tempo, os fies depositários.

O calendário como sempre repetirá os nomes dos meses, mas não dirá o mesmo do ano que se acaba quanto aos dias da semana nem quanto á lua em suas fases.

Tudo nas folhinhas acontecerá diferente. Se quisermos mesmo, para valer, o ano novo será muito mais que isso. Será bem diferente, se quisermos mesmo.

Como as lamparinas tendem a resistir nas intempéries mais que as velas, não dispensaremos as velas, mas convocaremos as lamparinas.

Quando a noite fizer luar e as nuvens derramarem sombras na estrada turvando pedaços do caminho seguiremos à luz das velas, se for preciso. Ou das lamparinas, se for preciso. Importante em tudo é que seguindo em frente não nos percamos uns dos outros.

Feliz ano novo, gente! Até depois de amanhã.

 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Coimbra no DPF

Eduardo Cardoso, o novo Ministro da Justiça, confirma que Leandro Coimbra, o atual Superintendente de São Paulo, será o novo Diretor Geral do Departamento de Policia Federal.

O atual Diretor Geral do DPF, Luiz Fernando, será o Coordenador Geral das Ações de Segurança da Copa do Mundo e das Olimpíadas. 
 

Ele já fez isso, e bem, quando dos Jogos Pan Americanos, no Rio de Janeiro, quando foi Secretário Nacional de Segurança.

A Secretaria Nacional de Segurança será dirigida por Regina Miki, atual Secretária Geral do Conselho Nacional de Segurança.

Luiz Paulo, que passou a Ministro desde a saída de Tarso Genro, volta a ser o Secretario Geral do Ministério.

Pedro Abromovay não ficará na Secretaria de Assuntos Legislativos e nem aceitará ser Secretario Geral do Ministério da Ciência e Tecnologia porque prefere retornar às atividades acadêmicas, agora na Fundação Getulio Vargas.

Cardoso disse que a escolha do novo Diretor Geral da Policia Federal foi difícil porque a Policia Federal dispõe hoje dos melhores e grandes quadros profissionais altamente qualificados do serviço publico.

Leandro Coimbra, o novo Diretor Geral da Policia Federal, tem 44 anos de idade e é Policial Federal desde 1995. Já foi Chefe da Divisão de Repressão a Crimes Fazendários, Coordenador-Geral de Polícia Fazendária e desde 2007 é Superintendente em São Paulo. 


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Morre Quércia

Orestes Quércia morreu esta manhã em São Paulo, Capital, no Hospital Sírio Libanês, onde estava internado há seis dias.

Aos 72 anos de idade, Quércia vinha lutando contra um câncer de próstata que há alguns anos havia sumido e que de repente voltou neste semestre lhe interrompendo a campanha para Senador.

Lúcido, renunciou à candidatura declarando apoio a Aloísio Nunes Ferreira, que ao final se elegeu, sendo o mais votado. E passou a cuidar só da sua saúde.

Diz-se que as qualidades de uma pessoa pública só lhe são ressaltadas depois que ela morre.

É o caso de Quércia.


Combatido a vida inteira por causa do patrimônio pessoal que amealhou como homem de negócios, Quércia agora é lembrado como um dos mais importantes resistentes ao regime militar e como excelente administrador ao tempo em que governou São Paulo.

Começou como jornalista, Vereador em Campinas, Deputado Estadual, Prefeito de Campinas e ainda jovem, na casa dos 40, se elegeu Senador em confronto aberto com o regime militar pregando como plataforma a revogação de todos os atos institucionais, as eleições diretas e a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.

Foi Vice Governador de Franco Montoro e em seguida Governador, sempre no MDB o qual depois passou a ser o PMDB. Deixou o Governo para candidatar-se a Presidente da República, no ano do Plano Real, perdendo feio para Fernando Henrique, ficando muito atrás de Lula.

Quércia divergia abertamente da direção do PMDB sustentando que o partido não deveria ficar a reboque do Presidente da Republica. Defendia que o PMDB deveria ter identidade própria para crescer nacionalmente e ter candidato a Presidente da Republica.

Seu corpo será velado no Palácio dos Bandeirantes, sede do Poder Executivo estadual. Deixa viúva a médica Alaíde e duas filhas.

Ser e Ter

Não vem ao caso lembrar as circunstancias dos começos, quase todos muito difíceis, até porque não é o acaso o grande feitor das coisas.

Como tudo na vida, as coisas se fazem com começo, meio e fim. As coisas boas têm fim, as coisas ruins têm fim. A vida, enfim, com tudo de bom e de ruim, tem fim.

Só o amor, porque vem antes da vida e transcende à vida, não acaba, não pode ter fim.

Muita gente, muita gente mesmo, padece de uma dificuldade em compreender que esse espaço de tempo entre uma coisa e outra, um dia acaba.

Quantos não estão agora nestas vésperas se lembrando do quanto foram mimados em incontáveis votos de boas festas, votos sólidos, alguns robustos, muitos engarrafados, todos parecendo se destinar apenas à urna da amizade imorredoura na cabine indevassável de um inoxidável afeto.

Só os tolos, aqueles que logo se embriagam no primeiro gole do poder, podem acreditar que os mimos todos com que são cercados antes das festas, durante as festas e depois das festas, mas só enquanto estiverem em seu naco de poder, são mesmo por causa deles, da inteligência deles, da beleza deles, das qualidades deles.

Estar no poder, há quem acredite, faz até a feiosa parecer bonita, o baixinho pançudo parecer elegante, o chato pedante parecer filosofo, o idiota incapaz capaz de tudo, o truculento verbal parecer diplomata, o velho meliante parecer uma vestal, o poder, enfim, definia Kissinger, é até afrodisíaco.

Estar por um longo tempo no poder esquecendo-se todo o dia de se lembrar que um dia haverá a véspera do dia seguinte é se imaginar capaz de parar o sol a qualquer momento da sua trajetória diária em suas alvoradas e crepúsculos.

Não se preparar com muita antecedência para o desembarque do dia seguinte, preparação essa que, aliás, deve começar desde o primeiro dia de exercício do poder, é se achar o imortal poeta de tudo quanto é marimbondo e, assim, não se achar o mais tolo dentre todos os tolos encontráveis até mesmo nos Evangelhos do Velho Testamento.

Não agir como um tolo é saber distinguir-se entre a pessoa que você sempre foi se esforçando todo dia para ser uma pessoa melhor e a pessoa no poder que você de fato não é porque exercendo o poder você é não é mais que um dos encarregados de mover com a força da autoridade que lhe deram as engrenagens para as coisas acontecerem.

Dependendo de como você exerce a sua autoridade, as coisas podem acontecer em resultados bons, ruins ou maus, sobrando, assim, para todo mundo.

Então os mimos com que cercam a pessoa investida no poder da autoridade, e até mesmo os seus parentes e amigos também são cercados, nada disso tem a ver com as pessoas no que elas são desde o antes e no que elas voltarão a ser completamente a partir da véspera do depois.

Por isso, o bom é quando depois de tanto tempo fora do poder a presença que se registra continua sendo aquela dos velhos amigos, os mesmos de muito antes e também dos poucos que no enquanto surgiram e que souberam manter-se no durante, todos eles para todo o sempre.

O problema é que muitos no poder ainda confundem o ser com o ter. Acabam misturando a essência do que são ou poderão ser como pessoa com as fuligens do poder que imaginam ser coisas suas, pessoais, e não são.

Olha, gente, isso tudo é tão passageiro. Algumas vezes até demora, mas um dia passa. E acaba.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Esquisito

Os partidos políticos que se apresentaram em oposição ao grupo dominante no Maranhão precisam se acertar em estratégias tendo em vista as eleições futuras e, tendo em vista, sobretudo, e acima de tudo, o futuro do Povo do Maranhão.

Soa esquisito que a mais contundente e, em tese, a mais promissora representação pedindo à Justiça Eleitoral a anulação do diploma da Senhora Roseana Sarney Murad por condutas vedadas, por abuso de poder político e por abuso de poder econômico nas ultimas eleições, não tenha sido apresentada por nenhum, mas nenhum mesmo, desses partidos políticos ostensivamente situados na oposição.

O pedido para anular o Diploma da atual Governadora invoca os mesmos argumentos legais e jurisprudência que serviram à época para a coligação da Senhora Roseana obter do TSE a anulação do diploma do então Governador Jackson Lago.

Se o TSE não renegar o precedente fixado com a cassação do Jackson, tirar a Senhora Roseana do cargo será uma questão de tempo. A petição inicial da atual temporada está robusta em argumentos e provas.

A esquisitice está em que a representação é de autoria individual, no caso apenas o Engenheiro Jose Reinaldo Tavares, e não da coligação pela qual ele concorreu às eleições para o Senado, no caso o PSB, o PC do B e o PPS, coligação esta que tendo concorrido também para o cargo de Governador e Vice mais legitimada, ainda mais legitimada, estaria para a postulação.

Oportuno lembrar que o Engenheiro Jose Reinaldo Tavares não é apenas um filiado ao PSB, mas seu principal cacique.

Nas questões de direito eleitoral, especialmente no TSE, há sempre alguém chegado a uma polêmica. E essa questão da legitimidade da parte, do interesse direto para agir, não obstante a incipiente jurisprudência favorável, pode dar em imbróglio ou em gastança de tempo. Na conclusão, em nada.

Resta lembrar que as coisas são as coisas, os fatos são os fatos, as atitudes são as atitudes. Não existem meias coisas, nem meios fatos, nem meias atitudes. Tudo ou é ou não é. Assim também ou temos partidos de oposição ou não temos partidos de oposição?


Cadeiras Vazias

Vazios não estão ultimamente apenas os bancos das praças, em especial à noite, ainda que se imponha o luar.

Arriscar uma trégua num banco de praça ou desses bancos que se espalham pelo cais da beira-mar é como querer pagar em parcelas uma divida de cartão de crédito. 

Ou seja, num caso ou no outro você pode acabar assaltado.

Estamos vendo agora que os vazios se impõem com mais estridência nas cadeiras reservadas a grandes personalidades como os recentes ganhadores do Premio Nobel da Paz e do Premio Shakarov à Liberdade de Pensamento.

A Fundação Nobel como vocês sabem não tem maracutaia de dinheiro público, não. O dinheiro dos prêmios vem dos lucros obtidos pela administração da fortuna deixada por Alfred Nobel, o inventor da dinamite.

E assim, anualmente, são premiados os que mais se destacam na pesquisa cientifica, na literatura e nas lutas pela Paz no mundo.

O velho Nobel teria se sentido tão culpado pela invenção de uma coisa que acabou se prestando para tanta destruição que aí, querendo purgar-se, inscreveu no seu legado um premio de boa grana a quem mais se destacasse não só nas áreas da ciência, da literatura, da economia, mas também na luta pela Paz.

Volta e meia o Nobel da Paz se direciona a alguém quase anônimo, envolto em guerra quase particular, algumas vezes solitária, mas guerra séria por princípios sem os quais a civilização empaca, as certezas de liberdades democráticas se diluem e perecem.

Agora, outra vez, o Nobel da Paz chama a atenção do mundo para um dissidente político, no caso o chinês Liu Xiaobo, condenado e cumprindo pena de reclusão na China por não concordar com os conteúdos da ideologia e maneiras do Estado predominantes em seu País.

Daí que na solenidade de entrega do Nobel da Paz o premio foi colocado sobre uma cadeira vazia.

Não foi novidade porque anos atrás semelhante entrega de premio ocorreu com Andrei Shakarov, um dissidente do então comunismo soviético, cujo Governo não lhe permitiu sair do País para receber pessoalmente a homenagem.

Ontem, em Bruxelas, outra cadeira vazia chamou a atenção do mundo agora em censuras ao regime político de Cuba, o qual também não permitiu que Guilhermo Farinãs saísse de Havana para receber o premio Andrei Shakarov à Liberdade de Pensamento, resultado de uma vaquinha entre ativistas dos direitos humanos na  União Europeia.

Farinãs é aquele escritor que escapou da morte ao denunciar numa longa greve de fome que em Cuba ainda há muitos prisioneiros políticos.

Cadeiras vazias que, no Brasil de atualmente, são doirados sonhos de assunção entre a maioria dos políticos em Brasília e alhures, no resto do mundo se afirmam cada vez mais como símbolos de protestos eficazes e de denuncias estridentes dos mal feitos dos poderosos.

Cabe aqui lembrar o Chico naquela canção, - "é sempre bom lembrar que um copo vazio / está cheia de ar..."


 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

STF ou AGU

A confirmação de Luiz Inácio Adams como Ministro da Advocacia Geral da União – a AGU encerra agora as especulações de que o Flávio iria para esse lugar, mas não o elimina no novo cenário sendo agora visto como o nome do PC do B para a 11ª vaga do Supremo Tribunal Federal.

A indicação atende ao PMDB que, embora ainda não tenha desistido do César para a vaga do Eros, prefere ver o Flávio fora das disputas eleitorais do Maranhão.

Agora mesmo, a ser julgada procedente a ação de anulação de diploma que já corre na justiça eleitoral contra a atual Governadora do Maranhão, e se mantido o precedente aplicado quando da cassação do Jackson, será o Flávio o Governador a ser diplomado para o restante do mandato.