domingo, 14 de novembro de 2010

Gastar a Sorte

O dia lá fora ainda nem começou com direito aos seus burburinhos, mas aqui dentro já tem filas. Passeio o olhar nas verduras, nos quiabos, nos maxixes.

Passeio o olfato nos maços das ervas, alecrim, manjericão, hortelã. O verde ainda se encomprida nas cebolinhas, coentro, rúcula, agrião, alfaces.

Tem mangas aqui que de tão cheirosas nem dá vontade de comê-las. Melhor, talvez, fosse só cheirá-las, cheirá-las, ate fungar como se elas, as mangas, tivessem cangotes.

Na melancia partida ao meio prepondera uma cor rosa, e as flores, sim, há um espaço só para as flores, e elas, as flores, se chamam rosas, umas vermelhas em dois tons, outras amarelas, algumas brancas.

Lembro de D. Violeta, irmã da Flor de Lis, mãe da Gardênia, na Rua da Paz, toda feliz segurando um cabo de vassoura como se fosse um microfone e cantando rosas vermelhas para uma dama triste, eu vou mandar rosas para alguém.

Passa uma mulher em seus saltos altos, toda arrumada e espalhando um perfume forte como quem não tem mais tempo a perder a caminho do trabalho, ela deve ser uma dona de casa, empurrando celeremente o carrinho e eu me espanto com a rapidez com que ela feliz recolhe as cebolas, as batatas, as cenouras, o pacotinho de alho.

Gosto de ficar assim, olhando os estoques, passeando o olhar anônimo no anonimato dos outros, vendo as pessoas simples, bem humanas no amanhecer.

No supermercado mais do que na feira as pessoas atuam com a sinceridade adequada a cada necessidade.

O homem elegante em seu blazer estilo inglês entra na fila do caixa eletrônico e parece bem confortável em sua cadeira de rodas.

Ficará dependente daquela cadeira por algum tempo ou precisará daquele apoio para todo o sempre?

Como se o meu olhar fosse uma câmera de TV desloco-o rápido para o restante do mundo nas pernas que passam. Aí, como se descobrisse uma grande novidade, me dou conta de como é bom poder andar com as próprias pernas.

Como é bom poder alcançar as coisas com os próprios braços, pegá-las com as próprias mãos, tocá-las com os próprios dedos, olhá-las bem de perto com os próprios olhos.

E estando com isso tudo funcionando normalmente ainda nos gastamos em reclamações ou resmungos por causas ou coisas menores.

Como é bom poder sentir o aroma das flores, das ervas, enxergar nítida a gota d´agua que desliza como se fosse lágrima de alegria sobre a pele escura da berinjela.

Como é bom ter amigos de verdade, saber que se pode contar com eles na precisão do conselho, na alegria da confraternização sincera, naquela solidariedade de quando a gente tem a certeza de que nunca estará só.

Ah como é bom amar e ser amado, ter uma família em que todos se apóiam e se orgulham uns dos outros, sem ninguém a nos envergonhar.

É bom amanhecer assim vendo as pessoas em movimento, encenando essas rotinas em que nos gastamos felizes, sem culpas, sem traumas.

Agora, na saída, me aparece aquele vendedor loteria que está sempre a oferecer o bilhete premiado. Ele me mostra um bilhete com o numero exato da placa do meu carro.

Obrigado, amigo. Vai que eu ganho e aí terei gasto a minha sorte, obrigado!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Cabeças Cortadas

Não é segredo que a administração do sistema penitenciário no Brasil é, muitas vezes, refém do tráfico de drogas que atua dentro das prisões.

A autoridade maior dos presídios consegue manter a ordem, muitas vezes, fazendo vistas grosas ao consumo de drogas entre os detentos.

Nos infernos em que vivem, e a maioria deles sem ter sido ainda sequer condenada, alegam que não dá para encarar numa boa a realidade cruel de todo dia. Daí a dependência da droga.

Nunca antes na história do Maranhão, em nenhum Governo, aconteceu rebelião em presídio com essas proporções – 14 mortos, 3 dos quais com as cabeças decepadas, outros castrados antes. Tudo em rompantes de um só dia.

Não é nem o caso de superlotação no presídio. O corte súbito da entrada da droga gerou o desespero e essa doideira geral.

Há solução para tudo no mundo, exceto para a morte e para os impostos. Há solução também quando a raiz das coisas que não prestam é uma elite política carcomida, egoísta, despreparada, anacrônica, indiferente aos sentimentos das pessoas e às realidades e do mundo circundante.

Levar o Maranhão outra vez ao banco dos réus na Corte Interamericana de Direitos Humanos, onde será condenado a pagar pesadas indenizações às famílias dos presos assassinados sob a custódia estatal, não vai resolver nada.

O Maranhão já foi denunciado de outras vezes pela mesma Corte Internacional também por violação de direitos humanos. 
 

Mas o Povo do Maranhão, este sim, é que tem sido o maior condenado ao ter violados os seus direitos humanos, todos eles, e o pior, que condenado por si mesmo, ao consentir, ainda que em maioria ínfima de eleitores, que essa raiz de todos os atrasos ainda sustente essa macróbia arvore do mal.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pendura Aí

Uma coisa tão cobiçada em qualquer lugar do mundo como uma Presidência de República não iria cair assim tão de graça no colo de uma pessoa, que nunca nem sonhou com isso, por nadinha de coisa nenhuma neste mundo.

Como se diz no mundo dos negócios, não tem almoço grátis.

Pois não é que 50 bilhões de reais só em restos a pagar vai ser a primeira conta que a Dilma vai ter que administrar logo nos primeiros meses do ano que vem?

Isso equivale a mais que a conta de todos os investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento, o badalado PAC que o Lula, juntando todos os projetos em andamento e os que ainda tinham para fazer andar, entregou para a Casa Civil gerenciar.

Outro rolo restante é o da previdência social que fecha este ano de 2010 com um déficit de 45 bilhões e 700 milhões de reais. Só com pagamentos indevidos como duplicidade e aposentadorias a pessoas mortas os cofres do Governo tem prejuízo de 1 bilhão por ano.

Claro que não vai dar para seguir, como no samba do Chico – Feijoada Completa, a solução indicada à mulher de comprar cerveja para um montão de amigos que ele estava levando pra casa pra conversar – diz que tá dura, pendura / fatura no nosso irmão / e vamos botar água no feijão...

Em tempo. O nosso irmão, no caso, era o dono do bar mais próximo.

Restos a Pagar

Houve tempo em que apuradas as eleições, eleitos ou não os candidatos, os seus partidos ainda faziam despesas por conta das chamadas sobras de campanha.

Puro eufemismo. PC Farias foi o primeiro, dentre os mais famosos, a atribuir aos restos de campanha algumas alegrias naquele período. Depois, outros e outros.

Agora o que mais se fala é sobre dívidas de campanha. A de Serra ainda precisa arrecadar 10 milhões de reais para fechar as contas. O PT corre atrás de 20 milhões.

Isso tudo tem que estar resolvido até 30 de novembro, que é o prazo fatal permitido pela lei para a finalização das contas perante o TSE.

Bom lembrar que no começo a estimativa do PSDB para as despesas com a campanha do Serra era de 180 milhões de reais e a do PT para Dilma era de 157 milhões. Depois, com o segundo turno, o PT subiu sua previsão para 191 milhões.

Para se ter uma idéia de como está ficando cada vez mais caro disputar eleições na democracia do Brasil, o PT pagou 44 milhões de reais só com o marqueteiro da Dilma.

domingo, 7 de novembro de 2010

Entre Ratos e Homens

Não sei o nome pelo qual atende entre os seus, os da sua praia ou tribo, mas o que sei é que, embora não saiba o seu nome, já estamos na terceira rodada e agora estou sem saber se eu o venci ou se ele me venceu.

Os médicos deram para receitar banana porque descobriram, enfim, que os macacos nunca se deprimem. Estão sempre alegres, bem dispostos e salientes. A razão de tanta exuberância é o potássio que na banana está em maior quantidade.

Manhã bem cedo quando vou à bacia de frutas pegar minha banana noto que uma delas está comida até a metade. Separo-a das outras e me detenho examinando. Por duas ou três manhãs, a mesma coisa.

Se não foi dente de gente nem de macaco, dente de que bicho seria? A Iraci, que sabe tudo desses meandros, lança a suspeita – isso é coisa de rato.

Ora, se rato gosta tanto assim de banana então ele se aparenta dos macacos, por conseguinte também dos homens, todos necessitados de doses e mais doses de potássio.

Daí, fico a imaginar querendo encontrar razões para o fato de ter homem tão parecido com rato e também com macaco e de ter homem com atitude de rato ou com atitude de macaco.

Se tu reparas bem, o macaco não é larápio. Ele te surrupia a banana em gestos engraçados, não espera tu dares as costas para o objeto do desejo dele, não age nas caladas da noite. O macaco é transparente.

O rato, não. O rato que nem algumas categorias de homens sem categoria não age às claras, prefere sempre as caladas da noite para suas práticas deletérias.

Então, a banana que amanhece mordiscada até quase pela metade na bacia de frutas na cozinha é coisa de rato. Mas que calhorda!

Se eu continuar leniente ele vai espalhar out-dor pelas esquinas da ilha, num rasgo de bom mocismo, me agradecendo as quase vinte bananas que ele comeu pelas beiradas nas madrugadas lá em casa, enquanto todos dormiam.

Estou sabendo sobre uma senhora Karen Robbins que mantém uma ONG nos Estados Unidos voltada para a proteção dos ratos, os quais são tratados com estima e carinho.

Aqui também nesta quase França Equinocial, incluindo esta Ilha do Amor, tem pessoas com seus ratinhos de estimação, tratados como leais companheiros, gordinhos, rechonchudos, alguns até lembrando gorgulho, aquele bicho que ataca sacas de feijão.

Os ratos, aliás, ajudaram os romanos num sentido inverso a conquistarem muitos territórios.

Muitos lugares tinham ratos demais, os povos em meio a tantas doenças não sabiam o que fazer. Àquelas alturas, os romanos já haviam descoberto o gato como invencível devorador de ratos.

E levavam centenas de milhares de gatos famintos em suas expedições. Muitas vezes nem precisavam fazer guerra. Era soltar os gatos atrás dos ratos e os povos, aliviados, se entregavam logo aos romanos.

Voltando ao rato devorador de bananas aqui de casa, já estou na terceira rodada e não sei quem venceu a parada.

Na primeira, misturei bifinho da Miúcha com chumbinho. O danado comeu tudo. Na noite seguinte peguei apara de pizza e fiz sanduíche de chumbinho. Não amanheceu nada. Sinal de que comeu tudo. Na terceira eu deixei só caroços de chumbinho espalhados no roteiro dele. Amanheceu tudo do mesmo jeito. Mas a banana sempre mordiscada.

No reino animal deve ter um ministério publico para ratos. Não é possível. Deve ter.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

As Sobras

Não chega a ser novidade porque, afinal, todo Governo sempre deixa alguma conta para o que vem em seguida pagar.

Mesmo quando o Governo que segue é o mesmo ou o da mesma pessoa em caso de reeleição.

O do Maranhão, por exemplo, ao que se sabe, está quebrado. A conta que a atual chefe do Governo deixa para si mesma, agora em seu quarto mandato, não foi nem quantificada em números exatos. Tamanha a confusão orçamentária.

Fornecedores do Estado estão há meses sem receber. Muitas Secretarias de Estado estão com atrasos nas despesas de custeio. E a própria folha de pagamento do funcionalismo estaria dependendo de reforço bancário.

No tocante ao Governo federal, é bem diferente. Lula lega a Dilma um País seguindo em frente com superávit de arrecadação, inclusive. E Orçamento equilibrado.

Os ajustes impopulares que serão feitos são naturais em todo começo de Governo. São aquelas pequenas maldades que ou são cometidas logo para arrumar a carga ou será pior se forem deixadas para depois.

A conta que fica para Dilma é de 52 bilhões e 500 milhões comprometidos com investimentos autorizados nos anos anteriores, dos quais 22 bilhões e 8 milhões comprometidos até outubro.

O reajuste salarial do Judiciário e do Ministério Público sairá por 6 bilhões. Se acontecer na forma proposta.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Durango Kid

Medidas econômicas de forte impacto e repercussões negativas serão adotadas por Lula que deseja, assim, poupar Dilma da impopularidade que isso tudo ocasionará.

Nesse estoque de providências estaria a redução de reajustes nos vencimentos do funcionalismo público e corte de verbas de custeio no Judiciário e ao Ministério Público.

Outras medidas de ajuste fiscal já estão em estudos, inclusive na elaboração do Orçamento da União para 2011 ainda tramitando no Congresso.


Começou

Lula acha que Palocci pode fazer sombra a Dilma se for Ministro da Casa Civil.

Dilma, no entender de Lula, não pode começar com ninguém forte no Palácio. E Palocci, que é muito jeitoso, poderia acabar sendo uma espécie de Primeiro - Ministro, aquele tipo com quem os políticos e os empresários preferem conversar. Dilma concorda.

Bom lembrar que se não tivesse sido derrubado do Ministério da Fazenda, vitimado por uma armação, Palocci é que teria sido o candidato a Presidente.

Mas deixa isso prá lá porque o mundo, afinal, como dizia o poeta Fernando Pessoa, é para quem nasce para o conquistar e não para quem apenas sonha em querer conquistá-lo, ainda que tenha razão.

Então Lula quer Palocci no Ministério da Saúde porque acha que esse é um setor prioritário no qual o atual Governo, em seus dois mandatos, não conseguiu avançar o quanto deveria. E Palocci, é bom lembrar, além de administrador testado é médico sanitarista.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Agora É Com Ela

Bem mais longo que o discurso de improviso de Serra, o agradecimento de Dilma foi escrito e de incursões genéricas, das quais, em resumo, cabe destacar:

"Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa. Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto. Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa Constituição. Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da Presidência da República.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.

A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar.

Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda a responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.

Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público. Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.

Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.
Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste.

Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As críticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, é coisa que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós. Baterei muito à sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado."