terça-feira, 8 de junho de 2010

Sem Vice

O PSDB tem sido muito cauteloso na definição do Vice de Serra, o qual se inclina por um perfil com história de vida que nem o dele, e também capaz para uma boa performance na campanha.

O Vice tem que ser, ainda, alguém de bom nível para ajudá-lo na divisão de tarefas específicas no Governo.

Alguém com passado político, mas com experiência administrativa e que, conhecedor do País, tendo ficha limpa, possa merecer a admiração geral.

Sérgio Guerra, o Presidente nacional do PSDB, disse que não vai ser possível definir o nome do Vice até sábado próximo, data da Convenção Nacional, a realizar-se em Salvador, Bahia.

O nome que Serra, mais depois, escolher será referendado pela Comissão Executiva Nacional do PSDB e confirmado pelos demais partidos da coligação – DEM, PPS, PTB, PTC.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Agora Sim

As alterações que o Senado fez no projeto já conhecido como Ficha Limpa para candidatos às eleições melhoraram significativamente o texto, adequando-os às constitucionalidades até então inexistentes.

Princípios universais do direito e cláusulas pétreas da Constituição agora, sim, estão respeitados. Inclusive a elevação da condição de lei ordinária para lei complementar.

A única dúvida restante está em saber se essas alterações vigorarão para as eleições deste ano, considerando-se a determinação constitucional de que a lei que alterar o processo eleitoral só terá eficácia depois de completado um ano da data da sua publicação.

O STF irá resolver sobre isso e também sobre os que foram condenados por um daqueles ilícitos encampados pela nova lei.

Lembro que a disposição de lei nova só pode retroagir para beneficiar, jamais para prejudicar.

Neutralidade

Falam agora que o PT do Maranhão por ordem lá de cima ingressará numa zona de neutralidade.

Como é que é isso?

Zona de neutralidade, dizem, é não apoiar Roseana nem Flávio porque, no pior dos mundos, esta opção de o PT ficar feito moça velha, solteirona, é a que melhor atende hoje ao projeto de eleição da atual governadora.

Então, se o PT estará proibido, conforme as ordens lá de cima, de coligar com Flávio e com o PMDB, vai sair solteirão da silva com candidatos próprios para tudo quanto é cargo nestas eleições?

Ou para ver se elege pelo menos algum deputado não vai coligar com o PDT, que a nível nacional integra a base aliada do Governo?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Primeiras Damas

Ao cantar hoje num show na Casa Branca Paul McCartney dedicou à Primeira Dama Michelle Obama o seu sucesso Michelle cujos versos dizem – eu te amo, eu te amo, eu te quero, eu te quero.

Depois, o ex beatle pediu desculpas a Barack Obama, o marido de Michelle, e disse brincando que nunca sentiu-se tão perto de levar um murro de um Presidente da República.

No Maranhão, nos anos 50, aconteceu algo parecido mas com desfecho quase fatal.

O cantor Gilberto Milfont, no começo da carreira, foi convidado a se apresentar no Palácio dos Leões e lá para as tantas, muito humildemente, achou de dedicar à Primeira Dama o seu maior sucesso, cujos versos diziam – senhora, pareces senhora, todos te respeitam sem ver quem tu és...

O Jornal Pequeno contou no dia seguinte e não deu outra.

O cantor anoiteceu na cidade, mas não amanheceu e o dono do jornal, Ribamar Bogea, escapou por pouco de ser morto por um capanga armado com um pé de mesa restante do quebra - quebra na redação.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Educação, Estúpido!


O jovem Governador do Arkansas, Bill Clinton, querendo vencer as primárias do Partido Democrata para ser o candidato a Presidente dos Estados Unidos chamou um desconhecido publicitário, James Carville, para assessorá-lo.

Bill sabia tudo das questões nacionais, e para isso vinha se preparando desde garoto, quando numa tarde de domingo, numa visita dos melhores alunos da sua escola à Casa Branca, estendeu a mão num cumprimento a John Kennedy e foi correspondido.

O Serviço Secreto fez a foto, décadas depois famosa em milhões de cópias vendidas pelos comitês democratas arrecadando fundos para a campanha.

Confirmada a candidatura, Bill tentava montar o discurso, afinal construído depois da insistência de Carville que, atrás das câmeras ou bem à frente dos microfones, exibindo um cartaz, ditava-lhe a prioridade – A Economia, Estúpido!

Hoje, aqui no Brasil, a área econômica do Governo Federal anunciou um corte no orçamento da educação para este ano de 1 bilhão, 340 milhões de reais. 


Assim, os investimentos em educação, prioridade permanente, são reduzidos em 2 bilhões, 340 milhões em relação ao que foi aprovado pelo Congresso Nacional.

Abusos

Com a autoridade de quem foi Presidente do Supremo Tribunal Federal e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Mário Veloso, agora Ministro aposentado e advogado militante, considera gravíssimo que o Presidente da República não só antecipe a campanha eleitoral para promover a sua candidata à sua sucessão como também se utilize da estrutura de poder institucional para favorecê-la.

Fala Veloso:

- Lula já recebeu quatro multas do TSE, e isso é um indicativo claro de infração, principalmente com uso da imagem institucional da Presidência para promover a petista.

- A gente evita nomes. Mas, sem dúvida, nós temos assistido a máquina administrativa favorecendo uma candidatura. Isso não está correto, é contra a lei.

O Ministro Veloso defende rigor na punição ao uso da máquina pública a favor de candidatos e acredita, inclusive, na possibilidade de cassação de um Presidente eleito com uso desse recurso.

- Quando se põe a maquina administrativa a favor de uma candidatura, isso deve ser punido com severidade porque cria, sem duvida nenhuma, desequilíbrio, abuso de poder político, abuso de autoridade. Isto não é forma democrática de encarar a questão. Nós estamos cada vez mais adquirindo maioridade política. Vinte anos atrás seria uma calamidade falar uma coisa dessas (cassação de um Presidente por abuso de poder), mas hoje não.

Codinomes

Se cada pessoa tivesse que atender pelo nome que cada pessoa, digo outra pessoa, resolvesse nominar, já pensou?

Algo assim como recorrer a um catalogo para, entre as inumeráveis disponibilidades, escolher um nome para logo mais chamar alguma pessoa.

Tipo assim – o fulano que num instante pode atender por José, por favor, nada a ver, no mesmo momento é chamado, ele próprio, por outra pessoa de Caxinguelê.

Mas aí vem o outro alguém e objurga dizendo que Caxinguelê não é nada mais que um apelido, não é um nome. Sim, e daí?

Sua Majestade Imperial, Dom Pedro I, chamava-se Pedro de Alcântara Francisco Antonio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim Jose Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon.

Se alguém falasse Serafim podia ser com ele e se por derredor não estivesse nenhum outro João Carlos ou algum outro Xavier de Paula então, com certeza, alguém estava querendo falar mesmo era com Sua Majestade Imperial.

Não perguntei ainda ao Google o porquê dessa coisa de tantos nomes, ate nomes compostos e com tantos prenomes, ensejando a possibilidade de esconder o verdadeiro codinome da pessoa.

O nosso primeiro Imperador, por exemplo, nem teve tempo de se imaginar com qual desses tantos prenomes e nomes compostos iria se apresentar a certa pessoa, melhor dizer logo, à Marquesa de Santos, numa madrugada chuvosa ou num amanhecer radiante.

Desde menino, por onde andasse só lhe chamavam de Majestade e os mais íntimos, como o Chalaça, o cara que, nas emergências, lhe arrumava namorada, não perdia tempo decorando aqueles nomes todos para com algum deles, ou mesmo com todos eles, se dirigir ao amigo.

Tem tese de mestrado nas prateleiras sustentando que Pedro I gostava mesmo era quando lhe chamavam de Pedroca. Tinha a ver não só com o carinho dos mais íntimos. Também com a firmeza da rima.

Isto faz lembrar um Presidente de um time que depois de virar figura publica nacional, não podendo encarar mais só a comida caseira, pediu que o Chalaça de plantão lhe providenciasse uma iguaria diferente.

E lá se foi o homem em evocações à boa fama, em tais quesitos, do nosso primeiro Imperador, envergando o seu anonimato. Ou seja, achando que ele nem era ele, a figura publica indissociável da torcida do seu time.

Em lá chegando, crente que não seria reconhecido, antes das preliminares e dos leguleios, eis que a providenciada respeitosamente lhe pergunta – como o senhor quer que eu lhe chame, Presidente?

O homem tomou um susto, mas estava tão apressado que nem se tocou que ele também, embora nem tanto quanto o nosso primeiro Imperador, tem nome comprido e ali, naquela aflição, poderia sacar um deles, mas nunca o codinome pelo qual se tornou mais conhecido.

A pressa faz dessas coisas. Tudo que ele imaginara para ser um grande enigma se desmanchou quando num tom muito sublime sugeriu à moça - me chama de José.

O nome de Sua Majestade Dom Pedro II Imperador do Brasil, alguém de vocês aí é capaz de dizer?

Pois lá vai. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Cocaína

Quem discorda que o grande consumo de drogas como a cocaína está entre os maiores problemas, corroendo o tecido social, a partir da desagregação familiar, no Brasil?

Quem concorda com a idéia de que essa enormidade de droga, incluindo o crack, para estar no Brasil, que não produz a matéria prima, no caso as folhas de coca, conta com a complacência, com a leniência, de alguma autoridade nacional ou estrangeira?

Serra falou que o Governo da Bolívia teria responsabilidade nisso na medida em que sendo o maior produtor de folhas de coca no continente não atua de forma agressiva contra a saída dessa matéria prima da cocaína das suas fronteiras.

O mundo veio abaixo contra Serra.

Agora a pouco saiu a noticia de que a Policia Federal acaba de apreender a maior quantidade de cocaína nos últimos anos. Mais de meia tonelada da droga, procedente de onde? Da Bolívia.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dificil


A palavra vicissitude quer dizer - seqüencia de coisas que se sucedem, mas quer dizer também instabilidade que conduz à imprevisibilidade, condição que contraria ou é desfavorável a algo ou a alguém. Dificuldade.

Não sei se deriva daí a palavra Vice. Mas pelas definições léxicas tem tudo a ver.

Daí que a escolha de um Vice, destinado à substituição ou a sucessão do titular, há que ser precedida sempre dos maiores cuidados. Os norte-americanos levam isso tão a sério que preferem deixar com o titular da chapa a responsabilidade da escolha, sem qualquer tipo de ingerência partidária.

Houve um caso de um Senador ter sido escolhido para Vice por se tratar de figura pública respeitadíssima no plano nacional e em seguida ter que renunciar à indicação só porque num passado lá muito atrás submeteu-se a tratamento médico à base de remédios controlados. Um outro foi constrangido a renunciar só porque pegou uma multa de transito na pequena cidade do seu Estado.

O Vice de Nixon, ex Governador de Maryland, renunciou meses depois de tomar posse no cargo por problemas com o imposto de renda.

O Vice tem que ser alguém não apenas ficha limpa, capaz, em condições de numa emergência assumir o comando da administração e ter o bom senso de resistir às tentações para mudanças de rumos no que estiver certo. E não só isso. Tem que ter ostensiva empatia com o titular e sua família, e seus amigos. E a confiança geral.

Serra sabe disso. E Jackson também.