quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Fala, Carlos


Por Ângela Chagas, do Portal Terra.
Direto de Porto Alegre

Doze anos após abandonar a política por causa de uma decepção com líderes do PDT no Rio Grande do Sul, um dos deputados mais votados na década de 1980 pretende retornar ao partido que ajudou a fundar. Ex-marido de Dilma Rousseff, o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo é considerado o maior confidente da presidente da República, a quem ele classifica como uma grande amiga. De prosa simples e com muitas histórias para contar, Carlos Araújo recebeu o Terra em sua casa, na zona sul de Porto Alegre, onde confirmou o desejo de retornar à política.
"Quero me filiar de novo porque tenho muita vontade de fazer política, mas como eu vou fazer é o que eu ainda não sei", disse Araújo. Apesar de não ter planos de disputar um cargo público novamente, o advogado quer ajudar a reerguer o trabalhismo que, segundo ele, perdeu suas raízes nos últimos anos. "O PDT está descaracterizado, mas eu acho que logo vão surgir novas lideranças", afirmou ao criticar o atual presidente da sigla, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi.
Na casa na beira do Guaíba, Carlos Araújo divide as tarefas da advocacia com as leituras sobre Getúlio Vargas. Orgulhoso do trabalho de Dilma, ele relatou a luta do casal que se conheceu nas reuniões dos grupos de esquerda e que passou a dividir os sonhos de liberdade e os dramas da tortura e da repressão. Sobre a instalação da Comissão da Verdade para elucidar os crimes cometidos na ditadura, Araújo disse que espera que a sociedade cobre a devida punição aos envolvidos. "Eu acho que não cometi crime nenhum durante a ditadura e mesmo assim fui condenado, agora por que esses caras que fizeram horrores, que mataram, torturaram, não podem ser condenados também?", questionou.
Em uma conversa de quase duas horas, o ex-deputado ainda falou sobre o julgamento do mensalão, que começa nesta quinta-feira, dia 2. "Eu acho tudo isso uma barbaridade, um absurdo. Não tem provas contra ninguém. É um julgamento político incentivado por uma mídia que nós sabemos bem como é", disse, mesmo sem deixar de criticar o partido de Dilma. "Eu sempre tive uma visão muito crítica do PT. Uma coisa é a liderança do Lula, que é incontestável, mas o PT hoje é muito mais uma força eleitoral do que uma força política. Não diria que é uma falsa esquerda, mas as divergências dentro do partido são tão grandes que está virando de tudo um pouco. Eu digo até que virou um PMDB de esquerda, infelizmente".
O Terra inicia uma série de entrevistas com personalidades da política nacional que abandonaram seus partidos depois de terem ocupados cargos públicos de destaque, como governadores, deputados e senadores. A seguir, confira os principais trechos da primeira entrevista:
Terra - Por que após a ditadura o senhor resolveu se filiar ao PDT de Leonel Brizola. O PT não seria o caminho mais natural?
Carlos Araújo - O que eu aprendi depois de estudar muito, principalmente na cadeia, foi que todos os movimentos sociais e revolucionários fortes se constroem em cima de um grande líder. No Brasil foi assim com Getúlio Vargas e Jango. Quando surgiu o Lula, com as greves no ABC Paulista, eu logo procurei ele, sempre achando que deveríamos seguir esse veio da história, do trabalhismo. Mas o PT surgiu com muita pretensão, dizendo que a história começava dali para frente. E eu achei que não era bem assim. Eu não tinha nenhum vínculo com o trabalhismo, mas via que todas as sociedades que haviam prosperado tinham respeitado suas forças sociais, sua história. Por isso fui para o trabalhismo, me aliei ao Brizola porque achava que ele respeitava isso, e ainda tinha forte liderança, poderia levar essa luta adiante.
Terra - O senhor tentou levar o Lula para o partido do Brizola?
Carlos Araújo - Sim. Eu e a Dilma fomos para Lisboa para uma reunião com o Brizola, na época ainda antes de se formar os partidos. Eu fiz uma parada em São Paulo para tentar convencer o Lula a ir junto conversar com o Brizola. Mas ele disse que não iria.
Terra - O senhor acha que o PT é uma falsa esquerda?
Carlos Araújo - Eu sempre tive uma visão muito crítica do PT. Uma coisa é a liderança do Lula, que é incontestável, mas o PT hoje é muito mais uma força eleitoral do que uma força política. Não diria que é uma falsa esquerda, mas as divergências dentro do partido são tão grandes que está virando de tudo um pouco. Eu digo até que virou um PMDB de esquerda, infelizmente. Claro que a gente tem que respeitar, primeiro porque é uma grande força eleitoral, segundo porque lá dentro tem quadros de melhor qualidade. Mas eu acredito que o trabalhismo ainda vai desempenhar um papel forte no futuro.
Terra - Como o senhor avalia o PDT hoje, sob o comando do ex-ministro Carlos Lupi?
Carlos Araújo - É um pavor. Eu acho que o PDT está descaracterizado, sem liderança depois da morte do Brizola, mas logo devem surgir novos líderes que vão recuperar isso.
Terra - Poderia citar quem teria condições de ser um líder no PDT?
Carlos Araújo - Eu acho que vão surgindo lideranças, não posso chegar e dizer vai ser essa, vai ser aquela. Aqui em Porto Alegre, por exemplo, o PDT tem quase mil jovens, é emocionante ver essa gurizada querendo fazer política. E tem os próprios netos do Brizola, que vão acabar desempenhando um papel importante. Um é vereador no Rio de Janeiro, um é ministro e a Juliana é deputada no Rio Grande do Sul. Mas acho que vai ser bom para o País se o PDT retomar a sua tradição, as raízes trabalhistas.
Terra - O senhor teve alguma decepção com o Brizola?
Carlos Araújo - Não, é preciso entender o Brizola. Ele foi um governador tão bom no Rio de Janeiro que foi reeleito. Acho que cometeu alguns erros, alguns equívocos, mas muito por causa dessa disputa com o PT. O que aconteceu é que surgiram duas grandes forças na esquerda, e isso dividiu o movimento. O PDT com o tempo foi perdendo espaço para o PT e não soube superar isso. Faço uma observação, não é crítica, de que quando o Brizola foi para a Europa e se aliou à socialdemocracia, principalmente à alemã, acho que isso fez mal para ele, porque o Brizola perdeu suas características próprias, que o tornavam uma figura rara, e adquiriu essa nova postura. Isso o levou a uma certa hibridez. Mas isso não desmerece o Brizola, ele foi um grande líder, tivemos algumas desavenças, mas ele foi muito importante.
Terra - O Brizola foi contra a sua candidatura à prefeitura de Porto Alegre em 1988?
Carlos Araújo - Sim, no primeiro momento ele foi contra. O Brizola queria uma candidatura mais conservadora, achava que Porto Alegre não era uma cidade preparada para ter uma pessoa de esquerda no comando, preferia que fosse o Carrion, e eu concordei. Mas ele acabou mudando e ideia porque viu a manifestação do partido ao meu favor, viu que não tinha como impor uma candidatura.
Terra - A sua derrota para o petista Olívio Dutra nessa eleição foi culpa do seu companheiro de partido Alceu Collares?
Carlos Araújo - Sim, o Collares era prefeito de Porto Alegre. Eu estava em primeiro lugar nas pesquisas e uma semana antes da eleição estourou uma greve dos lixeiros. A cidade ficou imunda até o dia da eleição e não houve empenho nenhum do prefeito, que era do meu partido, em terminar a greve. Então fui derrotado.
Terra - O senhor saiu do PDT por causa disso?
Carlos Araújo - Eu saí mais tarde, quando o Collares foi candidato a prefeito em 2000. Eu não queria votar nele, por tudo que aconteceu, mas não podia desrespeitar a orientação do meu partido. Então para evitar isso eu saí do PDT.
Terra - O senhor então apoiou o candidato do PT?
Carlos Araújo - Sim, apoiei o Tarso Genro.
Terra - A Dilma já havia deixado o PDT e se filiado ao PT. Por que o senhor optou por ficar sem partido?
Carlos Araújo - Eu não quis me filiar mais a nenhuma partido, primeiro porque estava doente, tive enfisema pulmonar e fiquei com muita dificuldade de fazer trabalho político. Segundo porque eu já tinha uma visão política crítica do PT, de que o caminho brasileiro passa pelo trabalhismo. Quanto mais eu conheço Getúlio Vargas, Jango e Brizola, mais me convenço disso. Getúlio Vargas é o político que mais se escreveu sobre a sua trajetória, mas para mim é o político mais desconhecido, porque quem escreveu sobre ele ou fazia parte de uma esquerda que inventou teses absurdas sobre ele, cheia de preconceito, ou fazia parte de uma direita que o odiava.
Terra - Como o senhor avalia a democracia no Brasil hoje?
Carlos Araújo - Acho que a democracia avançou muito no seu aspecto político, da liberdade de se criar partidos, a liberdade nas eleições, não há discriminação contra ninguém. Também vejo que há uma liberdade social, à medida que as camadas populares estão adquirindo mais conhecimento, estão começando a compreender mais as coisas. E há um avanço também na democracia econômica, superando aquela ideia de esperar o bolo crescer para dividir, mas dividindo enquanto vai crescendo. As pessoas têm um salário real bem melhor do que tinham antigamente.
Terra - O PT foi fundamental para se alcançar esses avanços?
Carlos Araújo - Sim, principalmente por causa da grande força eleitoral do partido, e também pela expressão política de suas lideranças.
Terra - O senhor tem interesse em se filiar novamente a algum partido, fazer política de novo?
Carlos Araújo - Sim, quero me filiar de novo porque tenho muita vontade de fazer política. Como eu vou fazer é o que eu ainda não sei.
Terra - Qual partido o senhor pretende se filiar?
Carlos Araújo - Ao PDT.
Terra - O senhor tem alguma influência no governo da presidente Dilma?
Carlos Araújo -
Não, eu não dou nenhum palpite, não tenho nenhuma influência no governo dela. Somos grandes amigos, nada mais. Ela dirige esse País com as ideias dela.
Terra - Foi uma surpresa para o senhor a eleição da Dilma?
Carlos Araújo - Foi uma surpresa para mim, para ela também quando foi decidido que ela seria candidata. Mas eu sabia que ela faria um grande governo, porque ela estava muito preparada. Me sinto muito orgulhoso porque as grandes ações estão começando a acontecer.
Terra - Como o senhor conheceu a presidente Dilma?
Carlos Araújo - Conheci a Dilma na primeira reunião dos grupos de esquerda, ela fazia parte da Colina (Comando de Libertação Nacional) de Minas Gerais. Foi no Rio de Janeiro, em janeiro de 1969. Marcamos uma segunda reunião dos grupos um mês depois. Chegamos lá e houve um envolvimento muito grande entre nós dois. Fomos morar juntos logo em seguida, sentimos essa atração forte e juntamos os trapos.
Terra - Como era a atuação do senhor e da Dilma no movimento contra a ditadura?
Carlos Araújo - Nós fazíamos o trabalho urbano, de organização. Tinha um setor militar que fazia as ações armadas, e nós ficávamos com o trabalho de massa, de organização do movimento.
Terra - Como foi a participação de vocês no assalto ao cofre do governador paulista Adhemar de Barros?
Carlos Araújo - Não tivemos participação física no assalto. A participação minha e da Dilma foi na decisão de fazer a operação. Somos responsáveis, tanto quanto qualquer outro companheiro da direção do movimento, que eram nós e mais três, pela decisão de fazer o assalto. Avaliamos toda a operação, se era viável, mas não participamos do assalto em si porque não era atribuição do nosso setor.
Terra - Como vocês conseguiram trocar o dinheiro do assalto?
Carlos Araújo - Na época era muito dinheiro, quase US$ 2,5 milhões. A gente precisava desse dinheiro, tinha muita gente de outros Estados que foi para o Rio de Janeiro, porque lá era mais fácil para alugar um apartamento, ninguém pedia documento, não queriam saber quem você era. Mas era muita gente, estávamos precisando fazer uma ação em banco por dia praticamente para manter a estrutura do movimento. Por isso que decidimos fazer um assalto grande para não precisar mais das ações nos bancos. Um milhão de dólares nós levamos para a embaixada da Argélia, que ficou responsável por mandar para os companheiros que estavam passando por dificuldades, até passando fome lá fora. A outra parte a gente dividiu por setores e Estados também. Foi até engraçado, porque tínhamos uma mala de dólares, mas não tínhamos dinheiro para fazer nada, nós precisávamos trocar. Foi então que decidimos pegar duas companheiras, que sabiam inglês, e elas foram numa casa de câmbio atrás do Copacabana Palace. Colocaram as melhores roupas que tinham, eram mulheres muito bonitas, e conseguiram trocar um pouco do dinheiro. Outro dia conseguimos trocar um pouco mais. Mas também tínhamos que tomar cuidado, porque já tinha saído no jornal. Foi então que, 72 horas depois do assalto, o Bradesco veio nos procurar porque queria trocar todo o dinheiro, com câmbio superior ao oficial. Resolvemos nos encontrar com eles e trocamos o restante do dinheiro.
Terra - Uma das jovens que trocou o dinheiro do assalto era a Dilma?
Carlos Araújo - Sim, era a Dilma. A outra era a Dodô, a Maria Auxiliadora, uma médica que depois acabou se matando na Alemanha. Eram mulheres muito bonitas, fizeram o papel delas sem problema nenhum.
Terra - Como o senhor reagiu com a prisão da Dilma?
Carlos Araújo - Como não saiu a fusão com a VPR (organização comandada por Carlos Lamarca), o nosso grupo (VAR-PALMARES) precisava de uma força em São Paulo e coube a ela organizar tudo lá. Ficamos separados por um tempo, eu continuei no Rio. Ela foi presa lá, um ano depois de termos nos conhecido. Foi um choque terrível porque eu ficava imaginando o sofrimento que ela estava passando na cadeia.
Terra - Pouco tempo depois o senhor foi preso. O senhor passou por muitas sessões de tortura?
Carlos Araújo - A tortura é a coisa mais terrível que pode acontecer no mundo, você fica a mercê, podem fazer o que quiserem contigo. Me colocaram no pau-de-arara, ficaram dando paulada, choque elétrico. Colocaram fios nas extremidades do corpo para o choque fosse maior, nos órgãos genitais, na língua, nos dedos. Depois eles ligavam a televisão, quando trocavam de canal dava o choque horrível. A pessoa fica vulnerável, ninguém sob tortura quer continuar vivendo, quer morrer logo. Entre a dor continuada e a morte, toda pessoa prefere a morte.
Terra - O senhor pensou em se suicidar?
Carlos Araújo - Naquela época, nenhum de nós estava preparado para ser torturado, na verdade ninguém nunca está preparado para isso. Mas naquela época todos nós achávamos que éramos fortes, que iríamos aguentar. Mas chega lá e não era nada disso. Então ficávamos apavorados. No fim do primeiro dia de tortura eu vi que não iria aguentar mais e decidi que a coisa mais digna a faze era me matar. Menti para eles ao contar que tinha um encontro marcado com o Lamarca no outro dia. Escolhi um lugar fácil de se matar, numa rua por onde passavam muitos caminhões, jamantas, era só jogar o corpo para frente e morrer. Pensei primeiro em me jogar em baixo de um DKV, mas aí veio o instinto de sobrevivência e pensei que era um carro muito pesado. Pensei em me jogar em baixo de um fusca, mas era muito baixo. Então me atirei em uma Kombi, que era mais altinha. Eles me levaram para o hospital e eu me livrei da tortura.
Terra - Tentaram lhe torturar no hospital?
Carlos Araújo - Sim, no Hospital Militar, mas as freiras não deixaram. Elas fizeram um banzé lá dentro e me salvaram. Aí eu consegui o tempo que queria. Quando voltei para a prisão, eu não tinha mais nada para falar porque a aquela altura tudo já tinha se modificado, minhas informações não eram mais importantes para eles. Eu até fui torturado mais algumas vezes, mas pouco.
Terra - O senhor lembra quem foram os torturadores?
Carlos Araújo - Eu não guardei os nomes deles. Às vezes eu vejo na imprensa a fotografa de um, de outro, aí me lembro. Mas o principal torturador da época, esse eu me lembro, era o capitão Albernaz.
Terra - Ele torturou a Dilma também?
Carlos Araújo - Sim, na época era o maior torturador. Fiquei sabendo que ele morreu louco.
Terra - O senhor sente ódio dessas pessoas?
Carlos Araújo - Não, eu não posso pessoalizar. Se não fosse o Pedro, era o João. Tem várias coisas que estão por trás disso, para torturar a pessoa, ou tem um problema mental ou tem que estar drogado. Eles se drogavam violentamente lá dentro.
Terra - O senhor viu os torturadores se drogando?
Carlos Araújo - Sim, eles se drogavam na nossa frente. Usavam cocaína e injetavam na veia também, essas drogas que alucinam. Então eu não tenho como ter um sentimento por essas pessoas, nem mesmo ódio. O que eu condeno é o sistema, que precisou usar desses métodos para permanecer no poder.
Terra - Hoje, com a instalação da Comissão da Verdade, o senhor gostaria que essas pessoas fossem punidas?
Carlos Araújo - Eu fui julgado, fui condenado, e os meus companheiros da esquerda também. Agora por que os torturadores não podem ser julgados? Todos devem ser julgados. Eu acho que não cometi crime nenhum durante a ditadura e mesmo assim fui condenado, agora por que aqueles caras que fizeram horrores, que mataram, torturaram, não podem ser condenados?
Terra - A esquerda armada deveria ser julgada também?
Carlos Araújo - A esquerda já foi julgada. É muito raro encontrar um cara que não tenha sido julgado, condenado, muito pegaram cadeia grande.
Terra - A comissão deveria resultar na revisão da Lei da Anistia?
Carlos Araújo - Ela não tem competência para isso. Eu particularmente acho que mais cedo ou mais tarde a Lei da Anistia vai ser revisada, hoje tem uma jurisprudência internacional que diz que tortura e sequestro não prescrevem nunca, então isso não está prescrito e precisa ser revisto. Mas o processo histórico vai dizer, para mim o fundamental é que tudo venha à tona, pois a sociedade vai reagir e vai cobrar essa punição. O Supremo Tribunal Federal entendeu que estão todos anistiados, que os crimes foram prescritos, então a sociedade precisou procurar alternativas diante disso, principalmente os familiares dos mortos. O que começou a ser feito: ir às casas dos torturadores, denunciar quem torturou. São coisas que não precisavam ser feitas se o Supremo tivesse mandado todo mundo a julgamento. Por causa dessa decisão equivocada, a sociedade precisa tomar as suas medidas. O ideal é que as coisas fossem feitas pelo próprio Estado.
Terra - A presidente Dilma foi corajosa ao instalar a comissão?
Carlos Araújo - Eu acho que ela foi muito corajosa sim, porque um povo que não conhece a sua história não pode planejar o futuro. Não podemos temer a nossa história, e sim conhecer tudo como realmente aconteceu para termos uma prática presente e planejar o futuro. Esse trabalho de colocar tudo em pratos limpos é fundamental.
Terra - Sobre o início do julgamento do mensalão na próxima semana, qual a sua expectativa?
Carlos Araújo - Eu acho tudo isso uma barbaridade, um absurdo. Não tem uma prova contra ninguém. É um julgamento político incentivado por uma mídia que nós sabemos como é, enquanto tem outro mensalão, do PSDB, que eles não falam, estão deixando prescrever. Todo mundo sabe que no Brasil existe uma legislação absurda, que permite a coligação política dos partidos, mas não autoriza a coligação econômica entre eles. Isso todos os partidos tem, o chamado caixa dois.

domingo, 5 de agosto de 2012

Espantos


O homem nu só visível à altura dos telhados, os mais altos, já havia passado por São Paulo, esteve à vista das pessoas numa das regiões mais frequentadas, mas alvoroço mesmo ele só foi despertar quando o viram no alto do prédio de um conjunto, no centro do Rio de Janeiro.
A impressão que, aos poucos, nas primeiras horas do dia, foi se generalizando indicava que as pessoas, lá embaixo, iriam testemunhar um tresloucado gesto.
Um homem nu, em pé no alto do telhado de um edifício num lugar de muito movimento estaria querendo o que? Chamar a atenção de todos para o seu tresloucado gesto.
É um suicida, chama os bombeiros! Pula, pula, instigavam outros. As pessoas paravam incrédulas, uma pequena multidão foi se formando, vendedores ambulantes também foram chegando. Pula, pula, gritavam uns e a distancia era tão grande, entre o chão e aquela altura, que o homem nu parecia nem ouvir.
A guarda municipal chegou atarantada e isolou uma área indicando, pelos cálculos do comandante, o lugar onde o homem nu lá de cima poderia, eventualmente, cair.
Chama os bombeiros, já foram chamados, mas estão demorando, mas já foram chamados, é sempre assim, quando chegam o fogo já se alastrou, mas não é bem assim, os bombeiros somam uma corporação de heróis mal remunerados, mas que dão conta do serviço com idealismo e muita raça. É isso mesmo, mas estão demorando.
A estas alturas a gaiatice carioca se assanha e começam as especulações – é um senador querendo se redimir antes que estoure um novo escândalo e seu nome, afinal, reapareça mais explicito nos grampos!
Não, é um vascaíno arrependido! Nada, é um cara que se hospedou num hotel em Goiânia e sem querer, no café da manhã, sentou à mesma mesa de um sujeito que é a cara do Cachoeira! Tá lascado, vai já ser chamado pela CPI! Lorota homem – é o novo técnico do Flamengo que, antes mesmo de assumir, já perdeu o emprego!
Especulações de todos os matizes, chegam os bombeiros e meia hora depois a decepção estende seu manto sobre aquele aglomerado de maledicências.
O homem nu era uma escultura fazendo parte de uma exposição chamada “Event Horizont” do artista plástico inglês Antony Gormley, o qual anunciou depois que outras 30 (trinta), igualmente em tamanho natural, serão espalhadas por alturas estratégicas pela cidade.
Viro a página do jornal e leio que os familiares do cantor Wando, morto há alguns meses, estão brigando entre si pela herança, não só os direitos autorais de suas musicas, também a milionária coleção de calcinhas que as fãs em êxtase nos shows lhe atiravam.
É nisso que dá o sujeito em vida trabalhar tanto, formar um patrimônio para depois ficarem os parentes, merdeiros como diria a Berenice, se esfarrapando, em pé de guerra, por conta de inspirações que, antes, nunca tiveram. É triste.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sem Importância


O julgamento do chamado mensalão, que a mídia considera o mais importante da história do Supremo Tribunal Federal, está longe de ser o processo do século.
Esta é a opinião de Américo Lacombe, ex Presidente do Tribunal Regional Federal – 2ª Região, em artigo publicado hoje no “Migalhas”, editado em São Paulo e um dos mais prestigiados pela comunidade jurídica do País.
Segundo Lacombe, “vários outros processos tiveram uma importância muito maior”.
Ele lembra, por exemplo, o Mandado de Segurança impetrado por Collor para que fossem secretos os votos dos deputados na admissibilidade do seu impeachement. O STF decidiu que os votos seriam abertos. “Fossem os votos secretos, a história teria sido outra”. Observa Lacombe.
Depois, houve o julgamento de Collor pelo STF resultando na sua absolvição por falta de provas. “Esse processo foi mais importante que o mensalão porque estava em julgamento um Presidente da República”.
Lacombe lembra ainda julgamentos mais recentes e, a seu ver, mais importantes, embora sem o estardalhaço com que a mídia ultimamente foca o caso do mensalão.
Por exemplo: fidelidade partidária; aborto dos anencefálicos; pesquisas com célula tronco; constitucionalidade da chamada lei da ficha limpa; questão das terras indígenas.
O mensalão – aduz Lacombe – não passa de um processo crime um pouco mais relevante que os outros, mas não trará consequências sociais como aqueles que citei.”
“A mídia, por certo, fará o seu estardalhaço costumeiro, mas a sociedade pouco se beneficiará com o resultado. No entanto, a possibilidade de a ciência utilizar-se das células tronco para a cura de inúmeras doenças beneficiará a sociedade por muitos anos. A lei da ficha limpa promoverá uma limpeza ética na politica muito maior e por muito mais tempo do que a condenação de alguns mensaleiros”. Concluiu.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Gregos



A fome batendo agora também às portas dos gregos raspa paredes de estômagos e raspa também a compaixão e despidos também da misericórdia no sentimento os gregos já não atiram mais seus restos aos cães.
Os gregos agora atiram os seus cães ao que já nem mais resta sequer da estima. Dá pena ver na televisão os cães da Grécia sendo largados por seus donos pelas esquinas lúgubres de ruas quase desertas em fins de tardes sob nuvens cinzentas.
A decadência dificilmente deleta a memória dos seus bons tempos e aí é que reside toda dificuldade para conviver depois com a bancarrota.
Aproximando-se a decadência muitos se agarram ao passado e fantasiam. Outros, que nem os donos dos cães na Grécia, se tornam figuras ásperas, insensíveis, ao que parece, sem o mínimo sentimento de lealdade e amizade.
Quantos daqueles cães não conheceram o fausto proporcional às posses econômicas ou ao poder politico dos seus donos?
Quantos daqueles cães não responderam afetivamente às carências de tantos donos que não acreditando na amizade dos homens preferiram a amizade deles?
Os cães gregos agora são largados nas esquinas lúgubres das ruas quase desertas de Atenas e de outras cidades como criaturas pesadas e inconvenientes das quais os seus donos precisam se livrar logo.
A reportagem na televisão não mostrou nenhuma cena traduzindo algo como se fosse uma despedida de um dono do seu cachorro.
Pode ser que algumas pessoas tenham abandonado seus cães nas esquinas lúgubres das ruas distantes de suas casas na esperança de que, por si, eles também consigam sobreviver à crise econômica, de raiz politica, que arrasta hoje à decadência toda a Europa e num dia, quem sabe, se reencontrarem como sobreviventes, velhos amigos, numa boa.
Entre nós, no Brasil nordestino, temos exemplos diferentes em cenários um tanto parecidos.
Em "Vidas Secas", Graciliano Ramos nos conta sobre a lealdade de uma família de pobres retirantes, fugitivos da seca, com a sua cadela igualmente faminta, quase couro e osso, mas ainda assim atendendo pelo nome de "baleia".Além da cadela, havia um papagaio meio esquisito, invocado, que quase não falava.
A certa altura da viagem, a fome foi tamanha que a pequena família, embora hesitando um pouco, teve coragem para matar o papagaio sem nome, depená-lo como se fosse um frango tipo biafrense e leva-lo a ferver sobre o fogo ardente numa improvisada panela.
"Baleia", a cadela nordestina na saga daquela família de retirantes, era tratada como um parente próximo.
Quando o Fabiano, o pai da família, tomado pelo desespero e achando que a cadela padecia de alguma doença transmissível quis mata-la, as crianças foram em cima e não deixaram. A "baleia" era muito querida.
Os cães da Grécia, muitos deles, certamente, também devem ser muito queridos pelos seus donos. O que causa o dilema é a fome.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Fala Marina


Marina foi a Londres unicamente para, a convite do Comitê Olímpico Internacional, o COI, compor o seleto grupo de celebridades incumbido de desfilar com a bandeira branca das Olímpiadas, levando-a ao pódio.
Todas as despesas foram pagas pelo Comitê e o convite só lhe chegou com três dias de antecedência com a cláusula de absoluto sigilo. Tirando seu marido e os filhos, ninguém mais ficou sabendo no Brasil.
Em Londres, ainda por conta do sigilo, Marina foi mantida numa concentração, isolada num local até momentos antes da cerimonia da qual seria, e foi, uma das poucas figuras centrais.
Ora, se Marina simboliza para o resto do mundo a luta em defesa da natureza, e sendo do Brasil onde há mais desmatamentos hoje, é lógico que ela seria presença incomoda para o Governo brasileiro.
Incabível consultar antes os miolos do Planalto, alguns dos quais, depois,  confirmaram que haveria o veto, caso tivesse havido a consulta.
No hotel, em Londres, onde foi hospedada, Marina falou ao O Estado de São Paulo:
- Não acho que a gente deve apequenar isso em uma disputa politica. Aqui é o interesse maior do Brasil. Isso me entristece. (...)
- Meu apelo é para a Presidente Dilma: que a causa que eu represento, e ali não era eu como figura politica, não seja uma afronta para o Brasil, que seja uma dadiva. Porque eu tenho respeito pelo Brasil, pela nossa historia e a Presidente Dilma sabe como, na minha divergência, eu sou leal. As pessoas com as quais eu convivi durante 30 anos não são meus inimigos.
- Do mesmo jeito, eu fico feliz de ver as autoridades brasileiras cumprindo o seu papel num evento dessa magnitude, eu imaginava que, nesse momento, eles não misturariam as coisas. Eu estou aqui em nome de uma causa que na história do Brasil é de todos nós. Começou lá atrás com o Chico Mendes e o Presidente Lula, como companheiro do Chico Mendes, tem participação nisso.

domingo, 29 de julho de 2012

Morena Rosa

Foi a câmera focar a bandeira branca das Olímpiadas e o Brasil inteiro, entre surpreso e orgulhoso, ver a Marina, a nossa Marina, a brasileira Marina Silva, entre o seleto grupo escolhido em segredo para sintetizar naquele momento emblemático os anseios do mundo pela vitória da Paz.

Ali não estavam países pobres ou ricos, emergentes ocasionais ou em ocasional decadência. Entendendo-se num mesmo idioma, o idioma da Paz, estavam ali representantes de todas as nações.

Mas houve quem, no Governo brasileiro, não gostasse de ver Marina levando a bandeira branca ao pódio, naquele momento marcante, ao lado de Ban Ki Moon, o Secretario Geral da ONU; Daniel Baremboin, o grande maestro das regências pacifistas; Mohamed Ali, o impávido e eterno campeão das lutas contra a discriminação racial e os últimos ganhadores do Nobel da Paz.

No miolo do Planalto acharam que foi uma tremenda descortesia o Governo brasileiro não ter sido consultado antes sobre a inclusão da Marina naquele grupo de celebridades mundiais. A razão? É que ela é adversária politica da atual Presidente.

Não faltaram as piadinhas reveladoras de um grande despeito, ao qual a Dilma logo, em público, não obstante também surpresa, fez questão de se excluir – “é um orgulho para a gente”.

O troféu “Infelicidade Maior” na abertura das Olímpiadas sobrou para o nosso estimado camarada Aldo, o Ministro dos Esportes, que como todo bom comunista restante da boa safra tem se mostrado jeitoso e cordial.

Para desqualificar a Marina, olha o que disse o Aldo:

- Ela sempre teve boa relação com as casas reais da Europa e com a aristocracia europeia...
 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sapo

Ofegante, parado, o olhar vivo de um ser assustado, ei-lo aqui na varanda, um estranho saído do nada.
Por um instante me perquiro querendo entender o que teria trazido ou tangido este sapo logo nesta hora da tarde em que mais bate o sol sobre a cerâmica do piso na varanda.
É normal nesta época o assédio de estranhos, mas o sapo nem é candidato a nada. Nem lhe caberia bem uma camisa azul ou vermelha dessas de grife que estão em moda por aí.
Sapo não é gente, mas o que o impediria na corrida eleitoral  hoje se pesando bem, sopesando-se os pros e os contra, não acabaria sendo o preferido por centenas de milhares, quem sabe?
Afinal, dando conta dos mosquitos, o sapo ao comê-los presta hoje mais serviços no saneamento básico nas comunidades do que o Governo.
Houve um tempo em que os bichos podiam compartilhar direitos políticos com os homens, concorrendo às eleições.
No mais antigamente, era um pedacinho de papel conhecido como chapinha com o nome impresso do candidato que o eleitor colocava num envelope e o enfiava na urna.
Depois, querendo mais consciência no dever do voto, os fazedores das leis mudaram para o que passaram a chamar de cédula única. Numa mesma tira de papel eram relacionados todos os cargos, restando os espaços correspondentes para que o eleitor os completasse escrevendo o nome ou o número dos seus candidatos.
Até ali, em qualquer um desses sistemas, os bichos podiam concorrer às eleições. Não dependiam de comissões provisórias fazendo como hoje a festa e a fatura dos donos dos partidos. Nem de impugnações e quejandas, em grandes partes resolvidas como hoje por juízes neófitos em direito eleitoral.
Os bichos, diferentemente dos homens, podiam saltar os obstáculos de todas as instâncias partidárias e judiciais, chegando limpos, fichas limpas, ate a boca das urnas num sufrágio resoluto dos eleitores mais conscientes.
Os eleitores optavam por um bicho, davam-lhe um nome de candidato e bancavam a campanha, tudo conforme as regras e os figurinos predominantes. Não havia comitês, voluntários pagos, militância subsidiada.
No tempo da chapinha os adeptos do bicho escolhido pagavam a gráfica e faziam a distribuição nas vésperas das eleições. Com a cédula única, feita a divulgação do nome do bicho durante a campanha, depois era só escrever o nome do bicho ao lado do cargo.
Os bichos que se tornaram famosos sendo os mais votados, em diversas eleições, foram o Cacareco, um rinoceronte do zoológico de São Paulo; o Gregório, um bode de um subúrbio que pastava legal no mato crescente de uma praça, em Recife; e o Tião, um macaco do zoológico carioca.
Todos - Cacareco, Gregório e Tião, cada um no seu tempo, foram eleitos Vereadores. Mas aí a Justiça invocando uma lei que tornava nulos os votos dados a candidatos não registrados não os declarou eleitos.
Mas em que isso foi importante se a maioria de votos apurados, ainda que nulos, eram a expressão torrencial da soberana vontade popular?
O sapo anônimo, visitante inusitado, com o seu olhar esbugalhado e uma papada de não fazer inveja a políticos conhecidos, bem que poderia, a estas alturas, em que muito do novo é bem antigo, ser o nosso candidato a Prefeito. Por que, não?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Nada Consta

Quase ao mesmo tempo em que a plaqueta com o nome de Demóstenes Torres era retirada da porta do Gabinete que ele ocupou por quase 10 anos no Senado, em Brasília, outra plaqueta era colocada com o seu nome na porta da 27ª Procuradoria de Justiça, em Goiânia, Goiás, onde já está trabalhando em troca de um salário de 24 mil reais, equivalente ao de Ministro do Supremo Tribunal Federal.
Na sua aldeia, Demóstenes sempre foi bem sucedido tanto como membro do Ministério Público quanto como Secretário de Segurança Pública do Estado. Ali conhecia todo mundo e como um agente penitenciário bonachão se dava bem com todo mundo, incluindo os bandidos.
Não estava preparado, e jamais estaria, para a vitrine que é o Senado onde passou a se exibir como xerife da ética, da moralidade pública e dos bons costumes, talvez imaginando que o mundo que o circundava em Goiás fosse um planeta distante, inacessível a qualquer estação espacial oriunda do planeta terra.
A promiscuidade com anjos e demônios que abateu o Senador Demóstenes como o novo jumento entregue à fome do leão do circo midiático lhe parecia coisa nenhuma.
A se avaliar agora pelas novas revelações sobre as novas personagens que vão, aos poucos, despontando nessa mesma novela, as coisas nos intramuros da politica e de alguns negócios goianos seguiam aparentemente como naquela cidadezinha do interior paulista onde as pessoas pronunciando as palavras com as letras de trás para frente, acreditam terem inventado seu próprio dialeto.
Chegando ao Senado, pela vontade da grande maioria do Povo, incensado por anjos e demônios, Demóstenes para ser ouvido tinha que falar o idioma predominante da ética e da moralidade, do direito e da justiça, deixando para trás o dialeto com que os da sua tribo se comunicavam entre si no seu arraial.
A maior lucidez de Demóstenes no passado foi ter estudado para passar no concurso para o Ministério Público onde responderá a processo administrativo pelas acusações genéricas que ainda lhe são feitas, mas de onde não será demitido porque, até onde se sabe, na folha funcional do cargo que voltou a ocupar ainda há em seu favor um nada consta.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sempre Ele


José Reinaldo, o nosso estrategista, atualmente deslanchando a reeleição do Castelo, conta em seu último e imperdível artigo como James Bond, o agente 007, sempre a serviço de Sua Majestade, disfarçando-se de jabuti, se infiltrou na ultima campanha eleitoral, saindo candidato ao Senado para, ao final, lhe impedir a eleição.
Como aperitivo, eis aqui um trecho:
“Ultimamente eu tenho encontrado muito jabuti instalado em galhos, alguns até bem altos. O primeiro deles na eleição para Senador em 2010 quando, de uma hora para outra, um “oposicionista” se lança sem nenhuma discussão com a oposição, candidato a senador.
Sabia que não teria chances de eleição, mas se lançou numa boa e o resultado, previsível, foi tirar a oportunidade de a oposição eleger um senador, muito importante para o equilíbrio de poder no estado e ter oportunidade de fazer um contraponto na esfera federal.
O inesperado lançamento tinha o objetivo primordial de evitar que eu fosse eleito, prioridade número um para José Sarney e o grupo dominante.
Mesmo recebendo apelos de toda a oposição o oposicionista se manteve irredutível e, assim, mesmo eu sendo o mais votado, fiquei atrás de ambos os candidatos do governo que lançou somente dois, como era racional. Sarney vibrou com o desfecho e com o sucesso de sua trama.
Depois disso, após várias tentativas de conseguir o domínio do PSB o mais aguerrido partido da oposição, todas elas rechaçadas no voto, eis que ocorre um fato inusitado.
O Presidente de um grande partido nacional, muito forte no estado, renuncia a presidência desse partido e vem para o PSB para ser candidato a Prefeito de São Luís, sem receber convite de ninguém do Estado ou do Município, em uma operação que contou com a esperteza e o senso de oportunidade de, sempre ele, senador José Sarney”. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Entre as Mais


O que metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte tem em comum com São Luís do Maranhão, que não esconde ainda os trejeitos de uma quase  encabulada província?
A Ilha do Amor, gente, é hoje a quarta Capital no Brasil que mais gasta dinheiro com Vereador.
São Paulo tem 55 Vereadores e gasta 8 milhões, 582 mil, 7994 reais por ano com cada um. Rio de Janeiro, que tem 51 Vereadores, gasta 7 milhões, 817 mil, 269 reais com cada um. Belo Horizonte, que tem 41 Vereadores, gasta 4 milhões, 408 mil, 972 reais por ano com cada um.
São Luís do Maranhão, que tem 21 Vereadores, gasta 3 milhões, 073 mil, 226 reais por ano com cada um.
Todas as demais Capitais do Brasil gastam menos com Vereadores do que a Capital do Maranhão.
Em todo Brasil temos hoje para as eleições deste ano mais de 400 mil candidatos a Vereadores, o que dá uma média de 1 candidato para cada 320 eleitores.