segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sapo

Ofegante, parado, o olhar vivo de um ser assustado, ei-lo aqui na varanda, um estranho saído do nada.
Por um instante me perquiro querendo entender o que teria trazido ou tangido este sapo logo nesta hora da tarde em que mais bate o sol sobre a cerâmica do piso na varanda.
É normal nesta época o assédio de estranhos, mas o sapo nem é candidato a nada. Nem lhe caberia bem uma camisa azul ou vermelha dessas de grife que estão em moda por aí.
Sapo não é gente, mas o que o impediria na corrida eleitoral  hoje se pesando bem, sopesando-se os pros e os contra, não acabaria sendo o preferido por centenas de milhares, quem sabe?
Afinal, dando conta dos mosquitos, o sapo ao comê-los presta hoje mais serviços no saneamento básico nas comunidades do que o Governo.
Houve um tempo em que os bichos podiam compartilhar direitos políticos com os homens, concorrendo às eleições.
No mais antigamente, era um pedacinho de papel conhecido como chapinha com o nome impresso do candidato que o eleitor colocava num envelope e o enfiava na urna.
Depois, querendo mais consciência no dever do voto, os fazedores das leis mudaram para o que passaram a chamar de cédula única. Numa mesma tira de papel eram relacionados todos os cargos, restando os espaços correspondentes para que o eleitor os completasse escrevendo o nome ou o número dos seus candidatos.
Até ali, em qualquer um desses sistemas, os bichos podiam concorrer às eleições. Não dependiam de comissões provisórias fazendo como hoje a festa e a fatura dos donos dos partidos. Nem de impugnações e quejandas, em grandes partes resolvidas como hoje por juízes neófitos em direito eleitoral.
Os bichos, diferentemente dos homens, podiam saltar os obstáculos de todas as instâncias partidárias e judiciais, chegando limpos, fichas limpas, ate a boca das urnas num sufrágio resoluto dos eleitores mais conscientes.
Os eleitores optavam por um bicho, davam-lhe um nome de candidato e bancavam a campanha, tudo conforme as regras e os figurinos predominantes. Não havia comitês, voluntários pagos, militância subsidiada.
No tempo da chapinha os adeptos do bicho escolhido pagavam a gráfica e faziam a distribuição nas vésperas das eleições. Com a cédula única, feita a divulgação do nome do bicho durante a campanha, depois era só escrever o nome do bicho ao lado do cargo.
Os bichos que se tornaram famosos sendo os mais votados, em diversas eleições, foram o Cacareco, um rinoceronte do zoológico de São Paulo; o Gregório, um bode de um subúrbio que pastava legal no mato crescente de uma praça, em Recife; e o Tião, um macaco do zoológico carioca.
Todos - Cacareco, Gregório e Tião, cada um no seu tempo, foram eleitos Vereadores. Mas aí a Justiça invocando uma lei que tornava nulos os votos dados a candidatos não registrados não os declarou eleitos.
Mas em que isso foi importante se a maioria de votos apurados, ainda que nulos, eram a expressão torrencial da soberana vontade popular?
O sapo anônimo, visitante inusitado, com o seu olhar esbugalhado e uma papada de não fazer inveja a políticos conhecidos, bem que poderia, a estas alturas, em que muito do novo é bem antigo, ser o nosso candidato a Prefeito. Por que, não?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Nada Consta

Quase ao mesmo tempo em que a plaqueta com o nome de Demóstenes Torres era retirada da porta do Gabinete que ele ocupou por quase 10 anos no Senado, em Brasília, outra plaqueta era colocada com o seu nome na porta da 27ª Procuradoria de Justiça, em Goiânia, Goiás, onde já está trabalhando em troca de um salário de 24 mil reais, equivalente ao de Ministro do Supremo Tribunal Federal.
Na sua aldeia, Demóstenes sempre foi bem sucedido tanto como membro do Ministério Público quanto como Secretário de Segurança Pública do Estado. Ali conhecia todo mundo e como um agente penitenciário bonachão se dava bem com todo mundo, incluindo os bandidos.
Não estava preparado, e jamais estaria, para a vitrine que é o Senado onde passou a se exibir como xerife da ética, da moralidade pública e dos bons costumes, talvez imaginando que o mundo que o circundava em Goiás fosse um planeta distante, inacessível a qualquer estação espacial oriunda do planeta terra.
A promiscuidade com anjos e demônios que abateu o Senador Demóstenes como o novo jumento entregue à fome do leão do circo midiático lhe parecia coisa nenhuma.
A se avaliar agora pelas novas revelações sobre as novas personagens que vão, aos poucos, despontando nessa mesma novela, as coisas nos intramuros da politica e de alguns negócios goianos seguiam aparentemente como naquela cidadezinha do interior paulista onde as pessoas pronunciando as palavras com as letras de trás para frente, acreditam terem inventado seu próprio dialeto.
Chegando ao Senado, pela vontade da grande maioria do Povo, incensado por anjos e demônios, Demóstenes para ser ouvido tinha que falar o idioma predominante da ética e da moralidade, do direito e da justiça, deixando para trás o dialeto com que os da sua tribo se comunicavam entre si no seu arraial.
A maior lucidez de Demóstenes no passado foi ter estudado para passar no concurso para o Ministério Público onde responderá a processo administrativo pelas acusações genéricas que ainda lhe são feitas, mas de onde não será demitido porque, até onde se sabe, na folha funcional do cargo que voltou a ocupar ainda há em seu favor um nada consta.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sempre Ele


José Reinaldo, o nosso estrategista, atualmente deslanchando a reeleição do Castelo, conta em seu último e imperdível artigo como James Bond, o agente 007, sempre a serviço de Sua Majestade, disfarçando-se de jabuti, se infiltrou na ultima campanha eleitoral, saindo candidato ao Senado para, ao final, lhe impedir a eleição.
Como aperitivo, eis aqui um trecho:
“Ultimamente eu tenho encontrado muito jabuti instalado em galhos, alguns até bem altos. O primeiro deles na eleição para Senador em 2010 quando, de uma hora para outra, um “oposicionista” se lança sem nenhuma discussão com a oposição, candidato a senador.
Sabia que não teria chances de eleição, mas se lançou numa boa e o resultado, previsível, foi tirar a oportunidade de a oposição eleger um senador, muito importante para o equilíbrio de poder no estado e ter oportunidade de fazer um contraponto na esfera federal.
O inesperado lançamento tinha o objetivo primordial de evitar que eu fosse eleito, prioridade número um para José Sarney e o grupo dominante.
Mesmo recebendo apelos de toda a oposição o oposicionista se manteve irredutível e, assim, mesmo eu sendo o mais votado, fiquei atrás de ambos os candidatos do governo que lançou somente dois, como era racional. Sarney vibrou com o desfecho e com o sucesso de sua trama.
Depois disso, após várias tentativas de conseguir o domínio do PSB o mais aguerrido partido da oposição, todas elas rechaçadas no voto, eis que ocorre um fato inusitado.
O Presidente de um grande partido nacional, muito forte no estado, renuncia a presidência desse partido e vem para o PSB para ser candidato a Prefeito de São Luís, sem receber convite de ninguém do Estado ou do Município, em uma operação que contou com a esperteza e o senso de oportunidade de, sempre ele, senador José Sarney”. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Entre as Mais


O que metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte tem em comum com São Luís do Maranhão, que não esconde ainda os trejeitos de uma quase  encabulada província?
A Ilha do Amor, gente, é hoje a quarta Capital no Brasil que mais gasta dinheiro com Vereador.
São Paulo tem 55 Vereadores e gasta 8 milhões, 582 mil, 7994 reais por ano com cada um. Rio de Janeiro, que tem 51 Vereadores, gasta 7 milhões, 817 mil, 269 reais com cada um. Belo Horizonte, que tem 41 Vereadores, gasta 4 milhões, 408 mil, 972 reais por ano com cada um.
São Luís do Maranhão, que tem 21 Vereadores, gasta 3 milhões, 073 mil, 226 reais por ano com cada um.
Todas as demais Capitais do Brasil gastam menos com Vereadores do que a Capital do Maranhão.
Em todo Brasil temos hoje para as eleições deste ano mais de 400 mil candidatos a Vereadores, o que dá uma média de 1 candidato para cada 320 eleitores.

Campeão


Fazer qualquer coisa sem as devidas cautelas é querer se arriscar demais. Comprar a crédito indo além do que ganha é sinal de descontrole.
Agora o Brasil acorda e contabiliza o endividamento das pessoas por Estado e as inadimplências decorrentes das facilidades de crédito.
E sabes onde há hoje o maior volume das dividas pessoais no Brasil? Acertou quem respondeu - no Maranhão.
Os dados são do Banco Central, que acompanha a regularidade dos pagamentos nos 26 Estados e no Distrito Federal. 

Só Nas Caxias

O Cartório de Registro de Imóveis é um órgão que realiza serviços importantes, que garante o direito de propriedade das pessoas, bem como de outros direitos referentes a imóveis.

É uma atividade de fundamental importância para a população de todo a cidade. Trata-se de uma concessão pública que exerce serviço de caráter privado.

Em Caxias, o responsável pelo cartório, o moço Durval Júnior, administra a distância. Mora em São Paulo e só vem ao município uma vez por mês, para conferir os dividendos, puxar as orelhas dos funcionários e, também, ralhar com as pessoas humildes que procuram os serviços caros do cartório.

O cartório é simplesmente administrado por telefone, mesmo que nomeada uma escrivã substituta, que não resolve nada, pois tudo depende da apreciação do moço azedo, onde tudo é submetido ao seu parecer. Um verdadeiro absurdo!

Com a palavra o Corregedor do Tribunal de Justiça ou a quem esteja subordinado esse importante serviço!

(Do Blog do Renato Meneses).   
    

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Heluy


O partido que mais fazia barulho nas eleições para o Centro Acadêmico Clodomir Cardoso, na Faculdade de Direito, na Rua do Sol, em São Luís, MA, era o MNA - Movimento Nacionalista Acadêmico.
José Ribamar Heluy, o Jabá, era dos mais ativos. Com ele, Fernando Macieira, Coroacy Fontes e outros que depois formaram a juventude no palanque de Renato Archer, candidato a Governador.
Desse grupo eram também Luis Rocha e Joaquim Itapary, os quais, por influencia de Tribuzi, foram atuantes no palanque de Sarney.
Lembro do Heluy intimorato, desafiando as ordens do Major Pereira, chefe de policia, à frente das passeatas estudantis contra o que pintasse – do aumento das anuidades escolares à solidariedade aos povos oprimidos.
A Helena eu já a conhecia dos congressos secundaristas, do Grêmio Paula Franssinete do Colégio das Freiras da Rua do Egito; do bonde São Pantaleao; da redação do Jornal do Povo onde ela, inseparável da Concy, escrevia uma página inteira aos domingos – Muro de Vidro.
Heluy e Helena se casaram, ajudaram na fundação do PT de São Luis, ele foi ate candidato a Prefeito, ela professora de Direito na UFMA, ele Juiz de direito aposentado, ela Deputada Estadual por vários mandatos, um filho advogado, uma filha juíza, a outra filha jornalista.
Heluy e Helena formaram uma família bonita, unida e feliz.
Neste instante em Caxias, recebo com muita tristeza a noticia da morte do Heluy. Como num curta metragem, revejo aquelas cenas daqueles tempos em que fazendo um barulho politico danado na Ilha já éramos felizes, porém manipulados, e não sabíamos.

Baixa

No terceiro mandato de Deputado Federal, Mauricio Rands, Professor de Direito e Advogado, largou a politica partidária. 

Desfilou-se do PT, onde militava há 26 anos, e renunciou ao mandato na Câmara. 

Mauricio Rands é mais uma vitima da lei dos partidos que consagra a centralização, inviabilizando a democracia interna, cujos limites são os da vontade dos dirigentes nacionais. 

Rands havia disputado as prévias do PT para a Prefeitura de Recife, mas não contava que seu adversário, o atual Prefeito, João da Costa, fosse jogar com tudo da maquina do poder e do dinheiro para cima dele, subornando convencionais. 

Daí apelou à mediação da direção nacional para que outra prévia, sob vigilância de fora, fosse realizada. Qual nada. A direção nacional do PT, que fica em S. Paulo, indicou o Senador Humberto Costa, que nem havia pleiteado lugar, para ser o candidato. 

- Cometeram o equivoco de ter a pretensão de impor, de São Paulo, um candidato ao povo de Recife.  

Curul


Jose Reinaldo não dissimula seu desencanto politico com a jovem guarda que no seu tempo de poder tanto lhe afagou. E foi por ele afagada.
Vocês estão sabendo aí que a depender da nova juventude, Jose Reinaldo já não é mais o líder das oposições.
Nem mesmo do seu partido, o PSB, que já não tem mais Vice para a chapa do Castelo.
Roberto Rocha não só retomou a chefia municipal do PSB como tambem conseguiu, em Brasília, destituir toda a direção estadual que o havia destituído em São Luís.
Jose Reinaldo ainda nem sabia dessas coisas e, a proposito do Roberto, já havia escrito e publicado: 

- Para concluir, foi deplorável a ação dos “novos na política” na amalucada intervenção na convenção do PSB, ocorrida recentemente em São Luís. Ao que parece, tudo leva a crer ter sido uma combinação entre o presidente da convenção municipal do PSB e os “novos” para impedir a votação por meio da qual se decidiria o posicionamento que o partido teria acerca de duas chapas: uma pró-Castelo e a outra pró-Edivaldo, com Roberto Rocha de vice. No episódio, viu-se de tudo. 

Impediram que o partido tivesse o numero mínimo de credenciados para iniciar a votação. Impediram ainda que o partido decidisse democraticamente, pelo voto de seus filiados, qual o rumo a seguir. Como fizeram isso?

A convenção foi marcada para as 9 horas da manhã, mas Roberto Rocha, que a presidia, permitiu, depois de muito tumulto e protestos, que o credenciamento dos filiados para votar só começasse à tarde, em um atraso aparentemente sem explicações, mas deliberado dentro de um plano seguido à risca. 

Logo depois, começaram a chegar dezenas de ônibus repletos de pessoas vindos da convenção de Edivaldo, todos com a ficha amarelinha de filiação do PSB nas mãos e começaram a invadir o local de credenciamento do PSB.

Aquilo chamou a atenção, pois o verdadeiro filiado não anda com a ficha na mão, já que seu nome faz parte das listas de filiados do partido. Ademais, para votar é obrigatório que a filiação tenha prazo maior do que 60 dias para evitar fraudes de última hora.

Um policial que trabalha comigo viu uma porção de amigos seus, moradores de seu bairro, chegando para votar e, ao perguntar se eram do PSB, eles lhe disseram: 

“Estávamos recrutados para a convenção do PTC e aí nos pediram para vir para cá após assinarmos essa ficha para votar num tal de Fernando”. 

O policial perguntou: “Não seria Roberto Rocha?” E recebeu a resposta: “É esse mesmo”. Pediram que fôssemos para o credenciamento e que haveria uma pessoa para dizer o que devíamos fazer. Depois disso, voltaríamos para a convenção do Edivaldo”. E perguntou por fim o que ganharam para fazer aquilo e a resposta foi: “Alguns, como eu, combustível e outros, uma ajuda”.

Essas pessoas, eram centenas, ocuparam a fila do credenciamento e não deixaram que os verdadeiros filiados, aptos a votar, se credenciassem, até que, cansados e enfadados, foram para casa. 

Com efeito, os “novos”, os renovadores da política maranhense, impediram e interferiram violentamente para que o partido, que sempre foi aliado, escolhesse democraticamente no voto o seu rumo, achando que assim poderiam decidir por uma decisão monocrática o rumo do partido. Esse voto seria do presidente municipal do partido, que era vice da chapa de Edivaldo.

Esse tipo de violência e de vale-tudo na política maranhense era prática de poder da oligarquia. Não fica nada bem e traz prenúncios terríveis para o que pode vir por aí com tal tipo de procedimento. Evitar a democracia é tudo que não precisamos e lutamos para evitar na política do Maranhão.

Foi um péssimo começo dos “novos”, inexplicável.