Sobre
as próximas eleições municipais em S. Luis tem pesquisa para todo gosto.
Da
leitura atenta de uma delas, com data recente, logo se vê que as opiniões
anotadas saem de menos da metade do universo pesquisado.
Ou
seja, as maiorias – tanto em intenção de votos quanto em rejeição – não expressam
o sentimento da totalidade entrevistada.
Comprova-se
que não há nada de concreto como ponto de partida. Nada mais que um encabulado
ensaio. Ou um desajeitado treino. Há espaços promissores para outras
candidaturas.
Fenômenos
eleitorais, em tese, se desmilinguem quando a análise é comparativa com os
fatos.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Moacir
Dilma
via Mercadante renovou por mais 4 anos o mandato do Professor Moacir Feitosa no
Conselho Nacional de Educação.
Moacir
foi Secretário de Jackson Lago na Prefeitura de São Luis e também no Governo do
Estado.
Um
dos dirigentes mais conceituados do PDT no Maranhão, Moacir era o Presidente Municipal
em São Luis. Era o Presidente.
Antes
mesmo da Convenção em que o Moacir seria confirmado Presidente, foi destituído do
posto pelo novo grupo ao qual o Lupi entregou o partido no Estado.
Nas
ultimas eleições, o Moacir foi candidato a Deputado Federal tendo sido o mais
votado do PDT em São Luis.
domingo, 3 de junho de 2012
Picadeiro
Não
é de hoje que as pessoas levadas às Comissões Parlamentares de Inquérito na
Câmara dos Deputados ou no Senado da República são tratadas de forma grosseira
pelos parlamentares que, sem nenhum respeito aos direitos constitucionais dos
acusados, acabam por submetê-las a um implacável linchamento moral.
Não é só a ordem constitucional garantindo a todo acusado o direito de ser considerado presumidamente inocente até o transito em julgado da decisão condenatória que deve ser respeitada. Também as regras mínimas de educação e decência às quais todas as pessoas, no mundo civilizado, devem observância e acatamento.
Há no picadeiro desta CPI do Cachoeira um assanhamento de cotoveladas verbais como se houvesse, diante das câmeras de televisão, uma competição para se saber quem ofende mais ao depoente para ganhar, em troca, o troféu midiático dos que ofendendo mais conseguem aparecer mais.
O Senador Pedro Taques, do PDT Ficha Limpa, marinheiro de primeira viagem em CPI no Congresso Nacional, não escondendo seu estado de choque ante à maneira desrespeitosa com que os depoentes vem sendo tratados pelos interrogadores, protestou pedindo para maneirarem.
Sobrou também para ele, o nobre Senador. Taques foi chamado, ironicamente, por Silvio Costa, um Deputado do PTB pernambucano, de “metido a paladino da ética”.
- Não me meça pela sua régua, reagiu Taques.
Não é só a ordem constitucional garantindo a todo acusado o direito de ser considerado presumidamente inocente até o transito em julgado da decisão condenatória que deve ser respeitada. Também as regras mínimas de educação e decência às quais todas as pessoas, no mundo civilizado, devem observância e acatamento.
Há no picadeiro desta CPI do Cachoeira um assanhamento de cotoveladas verbais como se houvesse, diante das câmeras de televisão, uma competição para se saber quem ofende mais ao depoente para ganhar, em troca, o troféu midiático dos que ofendendo mais conseguem aparecer mais.
O Senador Pedro Taques, do PDT Ficha Limpa, marinheiro de primeira viagem em CPI no Congresso Nacional, não escondendo seu estado de choque ante à maneira desrespeitosa com que os depoentes vem sendo tratados pelos interrogadores, protestou pedindo para maneirarem.
Sobrou também para ele, o nobre Senador. Taques foi chamado, ironicamente, por Silvio Costa, um Deputado do PTB pernambucano, de “metido a paladino da ética”.
- Não me meça pela sua régua, reagiu Taques.
-
Você é um merda! Filho da puta, argumentou o Deputado.
É nacionalmente sabido que até nas gafieiras se respeitam os Estatutos. (“Moço, olha o vexame / o ambiente exige respeito / pelos estatutos da nossa gafieira / dance a noite inteira / mas dance direito. (...)
No nosso vetusto Congresso Nacional da nossa ainda não de todo proclamada República há Regimento Interno e Código de Ética, mas como indagaria o Sidney Miller – pois é, prá que?
É nacionalmente sabido que até nas gafieiras se respeitam os Estatutos. (“Moço, olha o vexame / o ambiente exige respeito / pelos estatutos da nossa gafieira / dance a noite inteira / mas dance direito. (...)
No nosso vetusto Congresso Nacional da nossa ainda não de todo proclamada República há Regimento Interno e Código de Ética, mas como indagaria o Sidney Miller – pois é, prá que?
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Marcos, Jorge, Nelson
Na
segunda feira foi o Marcos Nogueira. Paulista, jornalista, amigo de infância do
historiador Marco Antônio Villa, chegou a São Luís como correspondente da Folha
de São Paulo.
As suas revelações sobre a realidade do Maranhão incomodaram tanto que, incomodado também, trocou de emprego indo para o Estadão, onde também não demorou muito. Fez um demorado circuito pelas redações locais, as menos parciais.
Marcos Nogueira assumiu-se como cidadão maranhense.
Sem comprometer a isenção da informação jornalística, passou ao ativismo politico solidário com as causas do Povo do Estado, combatendo de forma muito corajosa, às vezes temerária, os donos do poder.
Na quarta feira, o Marcelo Cordeiro me avisou do velório do Jorge Martins no Campo da Esperança, em Brasília. O Jorge Campos me passou um e-mail.
Conheci o Jorge Martins quando eu, repórter do Jornal do Brasil, cobria Tribunais e ele era o Chefe de Imprensa do Federal de Recursos. Assessor de Imprensa nos tempos da ditadura tinha como função dificultar o trabalho dos jornalistas.
O Jorge, pelo menos comigo, não dificultava nada. Nessas voltas que o mundo dá, um dia lá estou eu advogando e anos depois lá chego eu, Ministro.
Fora dos afazeres do Tribunal, o Jorge adorava comentar futebol e mantinha uma página dominical chamada “Crocodilo”, num jornal local, em que publicava fotos da brotolândia que fazia sucesso nos clubes sob o sol dos fins de semana.
Quando chegou o STJ e foi extinto o TFR, o Jorge se aposentou. Passei a vê-lo raramente, mas todo ano era infalível no cartão de natal e nos parabéns pelo meu aniversário.
Agora a pouco, fiquei sabendo da morte do Nelson Jacobina. Mesmo com um câncer no pulmão em metástase trabalhou ate poucas horas antes de morrer.
As suas revelações sobre a realidade do Maranhão incomodaram tanto que, incomodado também, trocou de emprego indo para o Estadão, onde também não demorou muito. Fez um demorado circuito pelas redações locais, as menos parciais.
Marcos Nogueira assumiu-se como cidadão maranhense.
Sem comprometer a isenção da informação jornalística, passou ao ativismo politico solidário com as causas do Povo do Estado, combatendo de forma muito corajosa, às vezes temerária, os donos do poder.
Na quarta feira, o Marcelo Cordeiro me avisou do velório do Jorge Martins no Campo da Esperança, em Brasília. O Jorge Campos me passou um e-mail.
Conheci o Jorge Martins quando eu, repórter do Jornal do Brasil, cobria Tribunais e ele era o Chefe de Imprensa do Federal de Recursos. Assessor de Imprensa nos tempos da ditadura tinha como função dificultar o trabalho dos jornalistas.
O Jorge, pelo menos comigo, não dificultava nada. Nessas voltas que o mundo dá, um dia lá estou eu advogando e anos depois lá chego eu, Ministro.
Fora dos afazeres do Tribunal, o Jorge adorava comentar futebol e mantinha uma página dominical chamada “Crocodilo”, num jornal local, em que publicava fotos da brotolândia que fazia sucesso nos clubes sob o sol dos fins de semana.
Quando chegou o STJ e foi extinto o TFR, o Jorge se aposentou. Passei a vê-lo raramente, mas todo ano era infalível no cartão de natal e nos parabéns pelo meu aniversário.
Agora a pouco, fiquei sabendo da morte do Nelson Jacobina. Mesmo com um câncer no pulmão em metástase trabalhou ate poucas horas antes de morrer.
Jacobina
era o parceiro do Jorge Mautner em muitas musicas, dentre elas o Maracatu
Atômico – “a chuva tem gotas tão lindas / que até dá vontade de comê-las”. É um
dos versos que mais gosto. Sem embargo deste outro – “todo quadro negro é todo
negro / é todo negro / escrevo seu nome nele só pra demonstrar o meu apego”.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Irá Já
José
Reinaldo Tavares toma posse amanhã como Secretário de João Castelo na
Prefeitura de São Luís.
Considerado
grande estrategista politico, coordenará os movimentos e os fluxos com vistas à
reeleição do atual Prefeito.
O Partido
Socialista Brasileiro do qual José Reinaldo é grande prócer no Maranhão havia
resolvido antes, por seus dirigentes nacionais mais graduados, que o candidato
seria Roberto Rocha, tanto que mandou que lhe entregassem a chefia municipal da
legenda, o que após relutâncias estaduais acabou acontecendo.
Castelo,
fragilizando o acordo PSDB-PDT pelo qual só deveria haver um candidato a
Senador na chapa com Jackson para Governador, apoiou Roberto Rocha em contraponto
à candidatura de José Reinaldo para o Senado na chapa com Flávio Dino para
Govenador.
Jose
Reinaldo defende que as eleições estaduais de 2014 (Governador, Senador e
Deputados) passam inexoravelmente por 2012 em São Luís, sendo, por isso,
imprescindível derrotar os candidatos ligados a Sarney. Na sua avaliação,
Castelo é o que serve para isso.
José
Reinaldo Tavares é dono de um dos mais avantajados currículos na área pública –
Diretor do DER, Secretário de Viação e Obras Públicas, Secretário do Planejamento,
Superintendente do Desenvolvimento do Maranhão, Secretário de Viação e Obras de
Brasília, Diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas,
Superintendente da SUDENE, Ministro dos Transportes, Vice Governador da Roseana
e, finalmente, Governador do Estado.
É a
bomba que Castelo vinha, em silencio, fabricando para sua guerra.
domingo, 20 de maio de 2012
Esperando Godot
E
quem haveria de imaginar que por Palmátria, como o poeta Tribuzi chamava esta
paragem de Pindorama, quem haveria de imaginar, pasmem, que muitos dentre os do
nosso tempo ainda fossem acreditar em Godot e, pior e mais engraçado, ainda se
pusessem a esperá-lo como quem espera um Messias, ainda que desfocado, um
Messias que não tem nada a ver nem com a imitação do original, enfim, um
Messias de Feira do Paraguai, por conseguinte falso nas promessas, falsificado
nas razoes.
O oportunismo em política só busca proveitos e, como para os oportunistas a farinha é sempre pouca, nem se constrangem em levar ao pé da letra a máxima – farinha pouca, meu pirão primeiro.
O Godot é aquele cara por quem muitos esperam, até com doses fortes de encegueiramento, mas que nunca chega. Termina o tempo do espetáculo no qual todos vivem a expectativa de que ele, afinal, vai chegar e o cara não chega.
Talvez, no fundo, o Godot destes tempos tenha uma noção silenciosa e secreta de sua própria inutilidade e fraquezas, sabendo que a sua vocação não é fomentar esperanças e torná-las possíveis, e daí se agarrar até as sugestões dos horóscopos para não chegar nunca, enquanto os outros na platéia o esperam.
Esperando Godot era uma expressão muito recitada no antigamente mais antigo, nem tanto remontando aos tempos bíblicos, quando se queria dizer, para o consolo geral, que um cara formidável, paregórico para todos os males, iria chegar.
Daí que passou a ser mais fácil esperar por Godot. Os povos em todas as gerações têm essa tendência a não sopesar a realidade, a não encarar as dificuldades, a não assumir sua cidadania e a não ir à luta. Preferem sempre, a cada época, esperar por algum Godot, um novo tipo de Messias, quem sabe até de esquerda, quem sabe até de direita, mas se dizendo o novo.
Os grandes déspotas do último século na Europa e em Palmátria, também, começaram como Godot. Tanto as pessoas fantasiaram suas esperas que muitos caras se fazendo passar por Godot, rompendo com o script da peça, contrariando o autor, Samuel Beckett, antes do fim da peça, chegaram. E em cada lugar do mundo, incluindo Palmátria e Pindorama por inteiro, deu no que deu.
Na peça de Beckett, há no começo uma paisagem vazia e lá no fundo, no meio, uma arvore solitária. Nesse vazio, dois vagabundos, Estragon e Vladimir que se entregam à espera de um certo Godot. Quando Godot vai chegar ou porque o esperam, eles não sabem. Mas esperam.
Conversam, espalham lorotas, divagam e coisa e tal e o Godot, gente, nada de chegar. Até porque, talvez, quem sabe, ainda que chegue, não estará chegando. Godot é ausência física, mas como promessa real é puro engodo, não existe. Ele deve ter noção, se atendendo aos pedidos gerais chegar, deve ter noção, sim, da potencialidade do dano que poderá causar em matéria de decepção. Para ficarmos só nessa rima.
Como escreveu, a propósito, Otto Maria Carpeaux, - afinal, a gente se diverte como pode, esperando Godot.
O oportunismo em política só busca proveitos e, como para os oportunistas a farinha é sempre pouca, nem se constrangem em levar ao pé da letra a máxima – farinha pouca, meu pirão primeiro.
O Godot é aquele cara por quem muitos esperam, até com doses fortes de encegueiramento, mas que nunca chega. Termina o tempo do espetáculo no qual todos vivem a expectativa de que ele, afinal, vai chegar e o cara não chega.
Talvez, no fundo, o Godot destes tempos tenha uma noção silenciosa e secreta de sua própria inutilidade e fraquezas, sabendo que a sua vocação não é fomentar esperanças e torná-las possíveis, e daí se agarrar até as sugestões dos horóscopos para não chegar nunca, enquanto os outros na platéia o esperam.
Esperando Godot era uma expressão muito recitada no antigamente mais antigo, nem tanto remontando aos tempos bíblicos, quando se queria dizer, para o consolo geral, que um cara formidável, paregórico para todos os males, iria chegar.
Daí que passou a ser mais fácil esperar por Godot. Os povos em todas as gerações têm essa tendência a não sopesar a realidade, a não encarar as dificuldades, a não assumir sua cidadania e a não ir à luta. Preferem sempre, a cada época, esperar por algum Godot, um novo tipo de Messias, quem sabe até de esquerda, quem sabe até de direita, mas se dizendo o novo.
Os grandes déspotas do último século na Europa e em Palmátria, também, começaram como Godot. Tanto as pessoas fantasiaram suas esperas que muitos caras se fazendo passar por Godot, rompendo com o script da peça, contrariando o autor, Samuel Beckett, antes do fim da peça, chegaram. E em cada lugar do mundo, incluindo Palmátria e Pindorama por inteiro, deu no que deu.
Na peça de Beckett, há no começo uma paisagem vazia e lá no fundo, no meio, uma arvore solitária. Nesse vazio, dois vagabundos, Estragon e Vladimir que se entregam à espera de um certo Godot. Quando Godot vai chegar ou porque o esperam, eles não sabem. Mas esperam.
Conversam, espalham lorotas, divagam e coisa e tal e o Godot, gente, nada de chegar. Até porque, talvez, quem sabe, ainda que chegue, não estará chegando. Godot é ausência física, mas como promessa real é puro engodo, não existe. Ele deve ter noção, se atendendo aos pedidos gerais chegar, deve ter noção, sim, da potencialidade do dano que poderá causar em matéria de decepção. Para ficarmos só nessa rima.
Como escreveu, a propósito, Otto Maria Carpeaux, - afinal, a gente se diverte como pode, esperando Godot.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
O Pilão da Madrugada
Este
foi o título do primeiro livro que o Neiva publicou tão logo retornou do longo exílio - O Pilão da Madrugada.
O livro foi tirado de um longo depoimento a José Louzeiro.
Mas sem qualquer embargo é da coleção do Nery, Sebastião Nery, um dos históricos do PDT, que foi Deputado Federal na primeira safra dos eleitos pelo partido, algumas melhores estórias do nosso grande Caramuru, assim também cognominado porque seus discursos nos áureos tempos da Ilha Rebelde eram de incendiar os corações.
Conta Nery:
O deputado cassado Neiva Moreira, editor dos “Cadernos do Terceiro Mundo” (excelente revista em português, inglês e espanhol), foi a Beirute entrevistar os dirigentes dos partidos libaneses : Partido Progressista, Partido Murabitum, Partido Baath e Partido Comunista.
Depois de vencer rigoroso esquema de segurança, Neiva chegou à rua Afif At-Tibl, perto da Universidade Árabe, e entrou num pequeno escritório para conversar com o secretário do Partido Comunista do Líbano:
Mas sem qualquer embargo é da coleção do Nery, Sebastião Nery, um dos históricos do PDT, que foi Deputado Federal na primeira safra dos eleitos pelo partido, algumas melhores estórias do nosso grande Caramuru, assim também cognominado porque seus discursos nos áureos tempos da Ilha Rebelde eram de incendiar os corações.
Conta Nery:
O deputado cassado Neiva Moreira, editor dos “Cadernos do Terceiro Mundo” (excelente revista em português, inglês e espanhol), foi a Beirute entrevistar os dirigentes dos partidos libaneses : Partido Progressista, Partido Murabitum, Partido Baath e Partido Comunista.
Depois de vencer rigoroso esquema de segurança, Neiva chegou à rua Afif At-Tibl, perto da Universidade Árabe, e entrou num pequeno escritório para conversar com o secretário do Partido Comunista do Líbano:
-
Bonjour.
-
Bonjour, não. Bom-dia. Falo portugues. Sou brasileiro.
-
Brasileiro e dirigente do Partido Comunista
libanês?
-
Nasci no Acre.Minha mãe era acreana, casada com um libanês.Com 7 anos veio e me
trouxe. Tenho uma irmã em Paris e um irmão no Brasil, o ministro da Comunicação
Said Farhat. Somos amigos.Politicamente menos.
E
Albert Farhat, alto, forte, 40 e poucos anos, cabelos pretos, simpático, falou
duas horas a Neiva. Quando terminou, desculpou-se:
-
Estou muito preocupado hoje, porque meu filho está na frente de luta. Tínhamos
até planejado que outro companheiro, o segundo secretário, também conversasse
com você. Mas o Abi-Akel teve de sair.
-
Quem? Abi-Ackel? Irmão também do nosso ministro?
-
Não. Primo.
Neiva
saiu sem saber se tinha entrado no Palácio do Planalto.
BAGDÁ
Neiva estava numa recepção no palácio de Saddam Hussein, em Bagdá, Iraque, e conversava com o coronel Melo Antunes, presidente do Conselho da Revolução de Portugal. Vai chegando um homem de óculos:
- Os senhores ai falando português?
BAGDÁ
Neiva estava numa recepção no palácio de Saddam Hussein, em Bagdá, Iraque, e conversava com o coronel Melo Antunes, presidente do Conselho da Revolução de Portugal. Vai chegando um homem de óculos:
- Os senhores ai falando português?
-
Sou o Melo Antunes, de Portugal. Ele, o Neiva Moreira, do Brasil.
- E
eu o Camilo Pena, ministro da Indústria e Comércio do Brasil.
Aproxima-se o general Samuel Correia, embaixador do Brasil em Bagdá. Camilo Pena apresenta-os, o general surpreende-se:
- Do Maranhão? Os maranhenses são poetas, escritores. Também é?
Aproxima-se o general Samuel Correia, embaixador do Brasil em Bagdá. Camilo Pena apresenta-os, o general surpreende-se:
- Do Maranhão? Os maranhenses são poetas, escritores. Também é?
-
Infelizmente não, embaixador. Os senhores não me deram tempo.
LIBIA
Uma delegação de onze deputados foi a Trípoli, na Líbia, conhecer a terra de Kadafi. Com eles, o deputado Neiva Moreira, o brasileiro de maiores ligações e maior prestígio em todo o Terceiro Mundo.
LIBIA
Uma delegação de onze deputados foi a Trípoli, na Líbia, conhecer a terra de Kadafi. Com eles, o deputado Neiva Moreira, o brasileiro de maiores ligações e maior prestígio em todo o Terceiro Mundo.
Da
delegação fazia parte o deputado Iranildo Pereira, do PMDB do Ceará, sertanejo
duro e seco lá do Cariri. Ficou escandalizado com o hábito árabe de os homens
andarem na rua de mãos dadas e se beijarem no rosto:
-
Seu Neiva, essa história de homens de mãos dadas nas ruas se beijando na cara,
essa não. No Ceará não tem disso não.
Os
líbios ofereceram um banquete à delegação brasileira. Neiva chamou o delegado
da OLP (Organização pela Libertação da Palestina):
-
Abu, preciso de um favor seu. Vou lhe apresentar um deputado brasileiro que
está intrigado com o hábito árabe do beijo no rosto entre homens. Quando você
falar com ele, dê-lhe dois beijos seguros.
Iranildo
chegou, Neiva apresentou o Abu, que lhe
sapecou duas beijocas estaladas nas bochechas. Iranildo quase esmurrou o
árabe.
NEIVA
Na semana passada, em Paris, a chuva despejava bolas de granizo na janela do hotel e de repente a Internet informou a morte de Neiva Moreira, aos 95 anos. Logo me lembrei do saudoso Paschoal Carlos Magno :
NEIVA
Na semana passada, em Paris, a chuva despejava bolas de granizo na janela do hotel e de repente a Internet informou a morte de Neiva Moreira, aos 95 anos. Logo me lembrei do saudoso Paschoal Carlos Magno :
- A
partir de certa idade nossa vida é uma alameda de amigos mortos.
Neiva Moreira foi um dos meus mais fascinantes
amigos no jornalismo e na política. Deputado estadual em 1950, em 1953 o
levamos ao Diretório Academico da Faculdade de Filosofia de Belo Horizonte para
uma conferencia sobre a campanha do Petróleo é Nosso e da Petrobrás.
55
anos depois, no Réveillon de 2007, ele quase cego, estávamos os dois,
emocionados, na posse de Jakson Lago no governo do Maranhão. Foi uma vida bonita, valente, universal,
generosa, venturosa e aventurosa.
JORNALISTA
JORNALISTA
Nascido
em 1917, em Nova Iorque, no Maranhão, aos 15 anos já dirigia o jornal “A Luz”, em Floriano, no
Piauí. Em Terezina, com Carlos Castelo Branco, fundou “A Mocidade”. Em 1942 já
estava no Rio em “O Jornal” e “O Cruzeiro”. Em 1950, funda em São Luis o
“Jornal do Povo”, elege-se deputado estadual. Em 1954, 58, 62, federal.
Presidente da Comissão da Camara para Transferencia da Capital para Brasilia,
Juscelino me disse que sem ele dificilmente teria inaugurado Brasília em 1960.
Um
dos fundadores da Frente Parlamentar Nacionalista, o golpe militar de 1964 o cassou na primeira
lista. Preso meses, asilou-se no mundo. Nenhum exilado brasileiro viveu em
tantos países, fugindo de golpes. Foi para a Bolívia, golpe. Para o
Uruguai,golpe. Para a Argentina, golpe. Para o Peru, golpe. Para o Chile,
golpe. Afinal, México e Europa, sempre jornalista, com seus imbatíveis
“Cadernos do Terceiro Mundo”.
Anistiados, ajudamos Brizola a criar o PDT. Fez varios mandatos de deputado federal pelo seu Maranhão. Um herói nacional : 80 anos de lutas.
Anistiados, ajudamos Brizola a criar o PDT. Fez varios mandatos de deputado federal pelo seu Maranhão. Um herói nacional : 80 anos de lutas.
www.sebastiaonery.com.br
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Neiva Moreira
Companheira
nas mesmas lutas do PDT ao lado de Brizola, Dilma tinha uma ligação especial de
afeto e respeito pelo Neiva.
Quem a conhece mais de perto sabe que ela não se encaixa naquele perfil descrito por Fernando Pessoa – o poeta é um fingidor... O que a Dilma sente, sente.
Olha aqui o que ela escreveu assim que soube da morte do Neiva:
Quem a conhece mais de perto sabe que ela não se encaixa naquele perfil descrito por Fernando Pessoa – o poeta é um fingidor... O que a Dilma sente, sente.
Olha aqui o que ela escreveu assim que soube da morte do Neiva:
-
A política brasileira perdeu hoje (ontem) um de seus mais expressivos líderes.
Neiva Moreira, fundador do PDT junto com Leonel Brizola, lançou raízes do
trabalhismo no Brasil e em vários outros países latino-americanos.
-
Como estudioso, ativista e escritor, sempre esteve ao lado dos povos oprimidos
da região. Viveu intensamente a luta pelas liberdades no Brasil, e, após
retornar do exílio, ampliou sua trajetória política a partir do seu amado
Maranhão.
-
Em nome de todas as brasileiras e de todos os brasileiros, cumprimento os familiares
e amigos, neste momento de dor. Particularmente, guardarei sempre comigo as
boas lembranças de minha convivência com o Neiva Moreira.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A Onça
E
aí, amiga, amigo, temos noticias da onça do STJ?
Não
lembram que as câmeras de segurança flagraram a onça deixando a área do
estacionamento do nosso Superior Tribunal de Justiça indo a caminho do prédio
principal onde estão os Ministros e os processos?
O
STJ processa e julga originariamente os Governadores, os Desembargadores, os
Conselheiros dos Tribunais de Contas dos Estados, os membros do Ministério
Público que atuam perante os Tribunais federais e não só.
Através
do Recurso Especial o STJ pode desconstituir as decisões dos Tribunais dos
Estados ou dos Tribunais Regionais Federais tudo de modo a fazer valer,
consoante a sua interpretação, a unicidade do direito nacional federal.
Então,
a pergunta que há quase duas semanas não quer calar é – o que
aquela onça, uma suçuarana, estaria a querer em pleno horário do expediente no
nosso mui indispensável conquanto volta e meia tão injuriado Superior Tribunal
de Justiça?
É
sabido pelos estudos dos biólogos que a onça suçuarana, que tem o nome
cientifico de puma concolor, circula pela aí com vários pseudônimos. Dependendo
da ocasião, ela pode ser uma cougar, uma Jaguaruna ou apenas a onça-parda.
A
felina do STJ, ou a gatona do STJ, também assim chamada, é um mamífero da
família dos felídeos, família essa ainda não identificada no Maranhão em
eventuais ascendentes, descendentes, colaterais ou mesmo por adoção, nada de
modo a ensejar algum tipo de reprovação moral popular ou mesmo inelegibilidade.
Como
ainda não foi possível lhe aferir o sexo, ou seja, o gênero, o que uma lei
federal sancionada recentemente não mais permite chamar a alguns diversos com
tratamentos iguais, tipo assim – se um é unha, o outro é unho, é bem possível
que a onça do STJ nem a seja, porquanto, quem sabe, não se trate de um onço? O
masculino de estrela seria estrelo.
Convém
não desviar o foco – o que, afinal, pretendia àquela hora nas cercanias do STJ
a onça suçuarana disfarçada em leão da montanha, como também é conhecida pelos
biólogos, a caminho do prédio principal depois da farejar automóveis no
estacionamento?
A
insensatez do seu poder destruidor não se destinaria, é claro, a destruir
processos interrompendo demandas que se arrastam há anos e, assim, quem sabe,
em razão da morosidade causada, gerar algum incomensurável lucro para um dos
lados.
Esse
quesito – destruição ou sumiço de processos – já inspirou em tentações outras
não a uma onça propriamente dita, mas a farejadores humanos e a noticia mais
recente, quanto isso, vem do Maranhão onde dois assessores da ínclita Corte
estadual foram presos quando pegavam grana em troca do sumiço de um processo.
Armação pura, casca de banana e eles pisaram, contesta a defesa. Embora o
flagrante tenha se dado num lugar bem arborizado é certo que não havia nenhuma
suçuarana por perto.
A
onça do STJ, dizem os biólogos, é de um tipo espreiteiro - emboscador que adora
comer ovelhas e, também, gado domestico, espécies que não costumam passear nem
pelas cercanias nem pelos interiores da nossa maior Corte infra –
constitucional.
Pode
ser que a onça, ou o onço, peruando o prédio do STJ, esteja querendo é repassar
a quem interessar possa algum aviso a alguns amigos não necessariamente amigos
da onça, ou do onço. Afinal, há uma verdade que ninguém pode deixar de levar a
sério - quem avisa, amigo é.
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