sábado, 31 de dezembro de 2011

Menos um Dentre os Poucos

Para quem acha que acidente cardiovascular, o popular AVC, só ataca as pessoas de mais de 60 anos de idade, olha aqui a tristeza cristalizada na noticia que me chega agora.
Daniel Piza, jornalista e escritor, pessoa por quem sempre tive grande apreço e respeito intelectual, morreu ontem à noite em Gonçalves, Minas Gerais, onde foi passar as festas de fim de ano com a família. Ele tinha apenas 41 anos de idade.
O pai do Daniel, que é médico, ainda tentou socorre-lo, mas não teve jeito. Ele morreu nos braços do pai.
Daniel escreveu 17 livros e ia agora publicar o 18º - um mapeamento cultural do Brasil, por encomenda da editora Leya.
Ele mantinha um blog acessível, inclusive, através do link “Os Outros” deste meu hebdomadário.
Clicando aí lado em “Os Outros” – Daniel Piza você vai ver a lucidez de sempre nos seus últimos textos. Ele comenta, por exemplo, as mortes ocorridas nos últimos dias de pessoas que irão agora fazer muita falta ao mundo.
Lágrimas.
O final de ano veio marcado por mortes de pessoas marcantes.
O ator Sérgio Britto, remanescente dos tempos em que o teatro brasileiro ditava rumos culturais como jamais depois; o carnavalesco Joãosinho Trinta, de uma ousadia que deveria ser o padrão da festa, mas quase sempre foi a exceção; a cantora cabo-verdiana Cesaria Évora, inesquecível com sua voz docemente triste e seus dançantes pés descalços.
E o polemista inglês Christopher Hitchens, infelizmente lembrado mais por sua confusa adesão ao neoconservadorismo de Bush II do que por sua corajosa crítica cultural na velha e boa linhagem libertária, ou dissidente, dos britânicos; como já notei, ele caiu em óbvia contradição com seu ataque às religiões, se bem que nestes também foi confuso, como ao desprezar a cultura visual do cristianismo (que legou, entre outras conquistas, o Renascimento)”.

O Genro e o Rei

Assim que soube que o seu genro estava sob a suspeita de malfeitos com o dinheiro público, o Rei da Espanha, Juan Carlos I, mandou logo tira-lo das listas do cerimonial e agora que foi intimado pela Justiça a se explicar, o boneco que o representava foi retirado do Museu de Cera no salão destinado aos membros da Família Real.
Inãki Urdagarin era atleta da seleção espanhola nos Jogos Olímpicos de Atlanta, USA, quando conheceu Cristina, a filha do Rei. Hoje casados e com quatro filhos, moram em Washington, DC.
Pesa contra Inãki a acusação de ter recebido 2,3 milhões de euros do Governo da Província de Baleares, entre 2004 e 2004, através de uma ONG, para organizar congressos turísticos, mas não gastou com isso nem a metade indo o restante para as suas empresas e do seu sócio Diego Torres, também indiciado.
Outro desvio teria ocorrido num contrato de quase 3 milhões de euros entre a mesma ONG e autoridades da Província de Valença.
Ele terá que se apresentar pessoalmente ao Tribunal de Palma de Maiorca em 06 de fevereiro e se não o fizer será preso. 
O Rei da Espanha ainda fez mais. Mandou divulgar na internet o Orçamento da Casa Real, quanto ele recebe, quanto gasto e quanto paga de imposto de renda.
Ele ganha € 292,752 mil (euros) brutos por ano. A metade do valor é referente a gastos com representação. Já o príncipe herdeiro Felipe recebe há dez anos a metade deste valor, ou seja, € 70,260 mil em salários e € 76,117 mil em verba de representação.
A rainha Sofia, a esposa do príncipe Felipe, Letícia, e as infantas Cristina e Elena não recebem salários, mas seus gastos com representação este ano chegaram a € 375 mil.
A Casa Real recebe € 8,4 milhões do governo espanhol para seu orçamento anual. De todos os salários são descontados 40% de impostos.
A publicação do orçamento da Casa Real era uma reivindicação antiga de diversos partidos políticos no país. Os salários da realeza sofreram uma queda de 15%, em 2010 e um congelamento dos recursos neste ano.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Morreu, Acabou


Quanto mais poderosos o homem ou a mulher, menos se dão conta de que na vida é assim. Morreu, acabou.
António Carlos Magalhães tinha duas caras.
Quando queria uma coisa e não conseguia, virava Toninho Malvadeza. Muitos se tomavam de medo das bravatas dele e cediam. Quando notava que o que queria poderia obter sem dificuldade se transmudava em Toninho Ternura.
Na politica baiana deitou e rolou. Na politica nacional fez e aconteceu.
Agora a família e uns amigos que restaram querem produzir em DVD um documentário – ACM, Vida e Espaço.
O projeto foi orçado inicialmente em 1,4 (um milhão e quatrocentos mil reais). Uma ninharia que nos tempos de poder lhe chegaria às mãos num estalar de dedos.
Mas agora está difícil arrecadar o dinheiro. E o projeto foi reduzido para 523 mil, o que comprometerá, é claro, a qualidade do conteúdo.
Indubitável que o ACM, tanto o seu lado Malvadeza quanto o seu raro perfil Ternura, são parte da história politica do Brasil merecendo registro visível às novas gerações.
António Carlos não foi megalômano, melhor dizendo precavido, ao ponto de em vida arrecadar dinheiro para bancar o próprio mausoléu ou um filme documentário.
Quando morreu tinha uma família unida ao seu lado e uns poucos amigos. Poucos, mas amigos. E o mais importante. De tudo fez em vida para obter o reconhecimento e o carinho sincero do Povo para o qual tanto trabalhou colocando a Bahia à frente de muitos Estados do Brasil.

Fora do Ar


Em algum lugar do passado, ou seja, num itinerário baiano de quando podia transitar sem as intempéries comuns às celebridades, Eliana Calmon busca agora nestes dias de festas o sossego merecido ao lado da família.
Ela sempre foi assim destemida, espirito publico inconformado com as injustiças, sem medo das maledicências e corajosa para enfrentar e vencer as barbáries no serviço público.
Querendo apenas e tão somente cumprir o seu dever de Corregedora Nacional da Justiça, Eliana não está produzindo nenhuma novidade fora da Constituição e das Leis da República.
Essa algazarra dos corporativismos nefastos é só porque as ações pela transparência no Judiciário são lideradas hoje por uma mulher. No caso, a Eliana.
O Dipp, seu antecessor, fez incursões idênticas, embora em menor intensidade por falta de estrutura, à época, e ninguém reclamou.
Um dia desses reencontrei a Eliana numa solenidade no STJ. A Corregedoria Nacional de Justiça tem-na absorvido muito.
- Estou com saudades de você, Eliana!
E ela, sem baixar o tom, para todo mundo ouvir:
– E nós todos aqui com saudades de você!

Sem Cura


Primeiro Deputado Federal assumido publicamente como homossexual, Jean Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro, nega que a homossexualidade tenha cura. E não tem cura, argumenta, porque não é doença.
As igrejas que pregam a cura dos gays devem, na avaliação do Deputado, ser punidas se essa pregação é transmitida pelo rádio ou pela TV.
O Deputado argumenta que sendo as rádios e TVs concessões públicas, as Igrejas não tem o direito de prometer cura da homossexualidade mediante terapia ou quaisquer outros meios porque isso é discriminação.
- As religiões tem liberdade. Está na Constituição. Os pastores são livres para dizer no púlpito de suas igrejas que a homossexualidade é pecado, já que assim o entendem. Entretanto, eu não acho – diz Jean Wyllys – que os pastores que estão explorando uma concessão pública de rádio e TV tenham que aproveitar esses espaços para demonizar e desumanizar uma comunidade inteira, como a comunidade homossexual.