segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Genros


Só porque o genro do Rei da Espanha andou fazendo, dizem, coisas que não deveria ter feito com o dinheiro público, vamos então demonizar os genros?
Houve um tempo em que os homens até rezavam para que os filhos a caminho nascessem homens, o que tinha a ver, parece, com os costumes monárquicos.
Mulher era sinônimo de genro. Soava à maldição. Nesse quesito, são incontáveis, nos dois sentidos, as histórias.
William Somerset Maugham, consagrado autor de "A Servidão Humana", foi entrevistar Winston Churchill, Primeiro Ministro e Chefe do Almirantado inglês, assim que acabou a segunda guerra mundial.
Quase esgotado o estoque de perguntas, Maugham fez esta - qual o homem que o senhor mais admira? Benito Mussolini. Maugham, que era gago, ficou estupefato. Mas por quê? Teve coragem de mandar matar o genro, respondeu Churchill.
Menelau era genro de Tíndaro. Orestes era genro de Menelau. Lacedemon era genro de Eurotes. Genros gentes boas, bem comportados.
Se Páris, um mulherengo danado, filho do rei de Tróia, não tivesse bulido com Helena, a mulher de Menelau, aquela guerra e nem aquele cavalão de madeira jamais teriam acontecido.
Com Orestes, filho de Agamenon e genro de Menelau, a história é mais comprida. Na volta da guerra de Tróia, Agamenon foi morto por Clitemnestra e seu amante, Egisto.
Suspeitando ser o próximo da lista, Orestes buscou proteção na corte de Estrófio até que depois, já adulto, sob as ordens de Apolo, partiu para matar a própria mãe, crime do qual acabou absolvido por voto de desempate.
Outra vez Apolo, aquele terrível, monitorando Orestes mandou que ele fosse a Táurida roubar a estatua de Ártemis e devolve-la a Atenas. Novamente preso e condenado, foi salvo por Ifigênia, sua irmã.
Enfim, Orestes herdou o trono de Agamenon, reinou por muito tempo e morreu aos 90 anos, picado por uma serpente. Não teve genro.
Semana passada o genro da Princesa Anne, da Inglaterra, Mike Tindall, casado Zara Phillips, foi excluído da seleção inglesa de rúgbi e sancionado com multa de 25 mil libras por violar o Código de Ética do time. Após uma partida pelo mundial, na Nova Zelândia, o Mike encheu a cara num bar passando a protagonizar cenas lascivas com uma ex-namorada.
O genro do Rei da Espanha era jogador de handebol quando conheceu a infanta Cristina. Ingresso na família real, ganhou o título de Duque de Palma. Contrariando o sogro, mas com o apoio discreto da sogra, foi para o mundo dos negócios. Hoje é acusado de desvios de verbas públicas, contratos sem licitação com governos regionais, grana em paraísos fiscais e rombo de mais de 6 milhões de euros.
Sobre o genro do Dom Pedro, o nosso segundo Imperador, o Conde Deu, a história do Brasil não conta nada sobre o que ele tenha recebido ilicitamente ou mesmo dado de graça.
Os genros do povo em geral são os melhores, dizem quase todos os seus sogros, garantem todas as sogras. Já os genros da coisa pública, nada a ver. Sai de perto.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Comunistas


O partido único da Coreia do Norte não se intitula de comunista. É PT, mas do trabalho, não dos trabalhadores. O regime, não obstante, é comunista e dos mais arcaicos.
A pergunta agora é se com a morte de Kim Jong-il, o baixinho que conduzia o País com mão de ferro e com um dos exércitos mais disciplinados do mundo, o seu filho Kim Jong-um, que ainda nem completou 30 anos de idade, mas que é General de 4 estrelas sem nunca ter servido ao Exército, vai conseguir manter o País unido na mesma toada e compasso.
Os Estados Unidos, que no Governo de Bush Jr viu a Coreia do Norte fazendo parte do eixo do mal junto com o Irã e o Iraque, adotam a cautela. A China, idem, mas tende a anexar a Coreia como província.
No Brasil, o PC do B que surgiu de uma dissidência do histórico PCB, numa inconciliável divergência entre Prestes e Amazonas, este partidário do comunismo albanês, primo-irmão do comunismo coreano, divulgou carta de sentidas condolências pela morte de Kim Jong-il.
A Deputada Manuela Dávila, que na vitrine do comunismo faz a cara mais  bonita e ativa da militância jovem do PC do B, não apoiou essa manifestação da sua chefia partidária  dizendo pelo twitter que não tolera a hereditariedade no poder. O novo ditador coreano é neto de Kim II-sung, o fundador do regime.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Abuso de Poder


O partido pelo qual se elegeu Prefeito não tinha à época grande expressão nem confortável condição financeira e daí que após a posse alguns militantes foram se abastecer na folha de pagamentos da Prefeitura, onde não trabalhavam.
As doações à campanha foram quase nenhuma e não podendo o partido continuar pagando àquelas companheiras e companheiros, a saída foi mandar que a Prefeitura os pagasse.
Não são poucos, mais que milhares, os que no Brasil chegando ao Poder arrastam para as folhas estatais os salários dos companheiros imprescindíveis à continuação da luta e ao funcionamento do partido.
Afinal, pensam eles, o Poder é do partido e, sendo assim, é justo que o Poder banque as despesas do partido.
Certo? Errado? Errado.
Jacques Chirac, no começo dos anos 90, começava pela contramão das tendências ideológicas prevalecentes, assumindo-se no máximo como de centro direita, a escalada que o levaria por duas vezes à Presidência da República da França.
Foi Primeiro Ministro de Mitterrand, um Presidente de esquerda, mais ou menos, até que anos mais tarde venceu pelo seu pequeno partido gaullista, a corrida para o Eliseu, o palácio presidencial, uma das raras maravilhas do mundo para se morar e trabalhar.
Jacques Chirac era Presidente da Republica quando descobriram que ele, quando Prefeito de Paris, mandava pagar com dinheiro público os salários de alguns empregados do seu partido, que haviam trabalhado em sua campanha municipal.
A Justiça abriu um processo que se arrastou por anos até que agora, só agora, restou condenado por desvios de fundos públicos, abuso de confiança e aquisição ilícita de interesses.
Com outras palavras esses malfeitos também são tipificados no Brasil no capitulo dos crimes contra a administração pública do Código Penal com a diferença de que nenhum deles entre nós enseja um processo tão longevo. Aqui, nesses casos, prescrevem sempre bem antes de vinte anos. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A Grande Mentira

Sob Saddam Hussein, o sanguinário, o Iraque ameaçava o sossego do mundo produzindo e estocando armas de destruição em massa. 

George W Bush convenceu Toni Blair disso e os dois lançaram os Estados Unidos e a Inglaterra numa guerra que se arrastou por quase 9 anos.
Só para os Estados Unidos a conta foi de 800 bilhões de dólares. Foram mandados para essa guerra 1 milhão e 500 mil soldados, dos quais 119 mil foram mortos em combates. 
Saddam Hussein foi enforcado. Ninguém encontrou arma nenhuma de destruição em massa. O Iraque está completamente destruído.
Não se fala em derrota americana, mas também não se fala em vitória americana. Claro que o grande derrotado é o povo americano, que pagou os 800 bilhões gastos com a guerra mais idiota de todos os tempos. 
A bandeira americana que tremulava no Iraque já foi arreada por ordem de Obama, para quem a guerra já acabou.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Estações

Começo o dia cedo, mas já devendo à vida seis quilômetros de caminhada. Vem chuva muita aí. Então, definitivamente, não vai dar. Sair de casa agora para fazer a caminhada, nem pensar.

À tarde, quando venço aquelas urgências que os outros inventam e nos impõem, e muitas delas até que caberiam melhor em algum outro relógio no dia seguinte, e se não há chuva, me alegro muito.

Alcanço o sol poente e em passos rápidos vou deixando que o mar com sua língua de cão imenso, língua de ondas que se diluem em espumas brancas, alcance os meus pés descalços.

Voltando, meia hora depois, terei pagado à vida mais seis quilômetros de caminhada. Ao todo, doze quilômetros.

Ontem o radiologista me telefonou apreensivo dizendo que a chapa que ele bateu semana antes indicava alguma anormalidade no meu pulmão esquerdo. Na conclusão dele, é claro.

No tira – teima a tomografia computadorizada, mostrando agora os pulmões coloridos, bacanas, parecendo uma pintura moderna, expressionista, dando vontade até de colocá-la numa moldura e pendurá-la num lugar nobre da parede, essa tomografia agora me tira um pouco do sério.

Na pior das hipóteses, imagino, não consigo me imaginar respirando só pela direita. E olha que há mais de quarenta anos odeio cigarro.

A nicotina me pegou quando logo nos primórdios do golpe militar me levaram preso. Eu sofria de um amor platônico pela irmã de um amigo e deu que ela um dia, na companhia da mãe, numa tarde de visitas, me apareceu deixando-me de presente, adivinha aí, um pacote de cigarros.

Cigarro aceso entre o indicador e o polegar, pensando nela, quanta sorte eu tenho, vejo hoje, me sentia o próprio Fernando Pessoa nestes versos: 

“E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.

Sigo o fumo como uma rota própria. / (...) Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando. / ( Ah se eu casasse com a filha da minha lavadeira... Talvez fosse feliz.) /Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.” 

Depois, no poder, numa noite num jantar, o Lula me ofereceu um charuto, eu recusei gentilmente, ele me disse que era menos ofensivo, eu acrescentei, porém mais caros, ele me disse que caros que nada e me deu a pista. Quando souberem que gostas, receberás de presente. Não deu outra.

Até de Cuba ganhei caixas de charutos. O Emerson Fittipaldi me visitando uma vez me presenteou com charutos de sua grife. Todos os charutos que me davam, eu os repassava ao Lula.

Há mais de quarenta anos que eu me libertei do tabaco. Há mais de quarenta anos que tenho horror a fumaça de cigarro, a bafo de nicotina e tenho pena dessas meninas que eu vejo por aí fumando e das mulheres no geral de voz grossa que até são fortes noutros embates, menos nesse de largar de fumar.

O que eu devo ter no pulmão esquerdo é um resto de tango argentino que eu aspirei numa noite na Avenida Corrientes, tango o qual, na volta ao Maranhão, um dia ainda acabarei de cantar.

Agora aqui da janela do meu quarto eu vejo as nuvens trazendo as chuvas, mas por decreto estamos no verão. O horário é de verão.

Agora na Ilha do Amor, São Luis do Maranhão, onde chove quase o ano inteiro, os movimentos sociais anunciam o começo da primavera. Uma primavera tipo carnaval fora de época. Com muitas emoções fortes e esperanças bastante verdes. Que nem essa que ultimamente vem derrubando ditaduras e oligarquias no mundo árabe.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pimentel Se Explica


Dilma é amigona de Pimentel, ex Prefeito de Belo Horizonte e seu atual Ministro da Industria e Comercio.
Lupi ainda não havia pedido demissão e outro Ministro já entrava na alça de mira da mídia, exatamente o Pimentel.
Ele teria faturado 2 milhões de reais dando duas consultorias, uma para a Federação das Industrias de Minas e a outra para uma empresa de informática.
E aí a Dilma, mais que depressa, chamou o Pimentel mandando que ele se explicasse o mais rapidamente possível.
"Responda de forma transparente, seja objetivo e bastante explícito, mostre tudo para dirimir qualquer dúvida, porque você não tem nada a esconder, não tem nada de errado nisso". Aconselhou.
Pimentel então disse que o seu rendimento líquido com as consultorias foi entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,3 milhão, menos do que os R$ 2 milhões brutos, considerando o desconto dos impostos e os gastos administrativos da empresa.
E apresentou cópias dos contratos assinados com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e com a QA Consulting, uma empresa de informática,
— Não embolsei R$ 2 milhões. Entrou mesmo R$ 1,2 milhão, R$ 1,3 milhão que dividido por 24 (meses) equivale a R$ 50 mil mensais. Estamos falando de uma remuneração absolutamente compatível com o mercado de executivos hoje no Brasil.
— Foi a forma que eu tive de ganhar dinheiro e sobreviver. Não tem nada de irregular, nada de ilegal. Foi um trabalho de consultoria com notas fiscais emitidas. Uma empresa de consultoria na qual trabalhei em 2009 e 2010 e da qual me afastei no fim de 2010 — disse.
O ministro negou que tenha influenciado o resultado de licitação na prefeitura de Belo Horizonte, para favorecer o grupo Convap, para o qual prestou consultoria em 2010, como mostrou a reportagem. 
Pimentel disse que, em conversa por telefone com o secretário de Obras da prefeitura, Murilo Vasconcellos, fora informado de que o consórcio do qual participa a Convap ganhou a licitação para uma das obras mencionadas na reportagem, a Via 210, mas foi desabilitado e só conseguiu assinar o contrato depois de ganhar uma liminar na Justiça.
— O governo de Marcio Lacerda é um governo de frente. Tem gente do PT, do PSB e do PSDB. Concluir que houve qualquer interferência minha nos contratos públicos é uma afirmação totalmente descabida.