terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ainda a Esperança


Uma notícia vinda do Japão na semana passada ainda me ocupa aquele espaço que a gente costuma reservar para as divagações próprias dos momentos cada vez mais difíceis para algum retiro espiritual.
Digo cada vez mais difíceis porque um momento de sossego no qual a gente possa estar só com a gente, sem interferências ou ruídos do mundo em derredor, um tempo para pensar nas coisas que vão acontecendo, buscando obter da reflexão ensimesmada algum sinal confiável para a gente não se perder na estrada, um momento assim para reflexões está mesmo a cada dia mais difícil, tamanhas as interrupções a que as imposições das rotinas do dia a dia nos submetem.
Há dias que essa notícia vinda do Japão, não me sai da cabeça. No começo deste ano, como vocês se lembram, um terremoto e uma onda tsunami devastaram o país, inclusive causando uma explosão numa usina nuclear, deixando centenas de milhares de pessoas ao desabrigo, muitos até sem água para beber.
A capacidade do povo japonês em se soerguer das cinzas às quais volta e meia é atirado, vulcões, terremotos, tsunamis, explosões em usinas nucleares, bombas atômicas, isso tudo não só impressiona o resto do mundo como também nos avisa de que todos nós, mundo afora, ainda temos muito que aprender com os japoneses.
Num banheiro público em Sakado, um pequeno município na periferia de Tóquio, alguém encontrou um envelope com 131 mil dólares e um bilhete.
No Japão, a coisa perdida não é de quem a encontra. E no caso do envelope com os dólares havia um bilhete indicando que aquele dinheiro era uma doação em favor das vítimas das catástrofes que quase dizimaram o país.
O envelope com o dinheiro foi deixado num banheiro público de Sakado, mas o doador anônimo fez questão de dizer no seu bilhete que o benefício deveria ser destinado para os moradores de Tohoku, um município da região nordeste, a mais afetada pela explosão da usina nuclear de Fukushima, onde morreram cerca de 20 mil pessoas.
O Governo municipal de Sakado, onde o dinheiro foi encontrado, anunciou que aguardará por três meses uma manifestação do legítimo dono do dinheiro. Esse legítimo dono até aqui não é mais que um ilustre japonês ou uma ilustre japonesa de rosto anônimo na multidão.
Dentro de três meses, não aparecendo o dono do dinheiro e autor do bilhete, os 131 mil dólares serão entregues à Cruz Vermelha que os destinando em ajuda às vítimas das catástrofes do começo do ano estará realizando a vontade do doador. "Estamos espantados e também agradecidos", disse o porta-voz da municipalidade de Tohoku, Massumi Sakiguchi.
Essa história poderia ser apenas uma a mais no repertório das filantropias, inusitada conquanto, se o bilhete do doador anônimo não registrasse, de passagem, um pequeno detalhe – estou só, não tenho mais futuro.
É sobre isso que eu tenho pensado. Se nada pode ser pior a uma pessoa que a solidão e a falta de futuro, imagine um desalento desses se esparramando sobre um Povo inteiro. Um Povo sem líderes confiáveis, rodeado por políticos, na maioria, desonestos ou despreparados, tem todas as razões para se sentir só. E não almejar mais a futuro algum.

sábado, 8 de outubro de 2011

Lucidez


Lucidez não é artigo de consumo que se encontre em prateleiras, notadamente em prateleiras de bodegas freqüentadas por políticos no Maranhão. 
Ao dar entrevista a uma rádio do sistema mirante, também conhecido como sistema mentira, e são incontáveis as que em ofensa à honra alheia são propagadas por motivos políticos no Estado, buscando intrigar pessoas decentes com a opinião pública, Flávio Dino soube, a meu ver, se expressar com lucidez:
- É preciso se debater quadros e a candidatura à Prefeitura de São Luis deve ser amadurecida com uma discussão em conjunto com grupos aliados e o olhar de mudança com discurso que seja compatível com a visão que a população de São Luis tem da administração do Prefeito João Castelo.
- Na medida em que a administração Castelo é mal avaliada, naturalmente nós achamos que é preciso trilhar outro caminho.
- No ano que vem haverá o melhor momento para se definir candidaturas. A eleição de 2012 será marcada pelo debate político e a vontade do eleitor na escolha do futuro administrador de São Luis. 

PDT Maranhão


De Imperatriz, o segundo maior colégio eleitoral do Estado, o Vice Prefeito Jean Carlo, líder do PDT na região, informa que os Vereadores Rildo Amaral e Luis Gonçalves se filiaram ao partido.
O Vereador Rildo lidera segmentos jovens do Municipio tendo sido um dos mais votados na última eleição pelo PV, o Partido Verde. O Vereador Luis Gonçalves é Pastor da Assembléia de Deus, um dos lideres religiosos de grande prestigio popular.
Agora, de Balsas, a capital do agro-negócio, um dos Municípios de maior potencial de crescimento no Estado, o líder do PDT local, Márcio Honaiser, dá a notícia da festa cívica que será a filiação de mais de uma centena de líderes da comunidade, representantes dos mais diversos setores empresariais, operários e estudantis.
Sobre a festa das filiações de hoje em Balsas o Presidente regional do PDT, Igor Lago, enviou mensagem a ser lida pelo Márcio, neste termos:
Companheiras e companheiros do PDT de Balsas,

Foi com alegria que tomei conhecimento de vossa confraternização a poucos instantes.

Gostaria de externar a todos voces que o nosso partido, após a cassação, a campanha eleitoral mais difícil de sua existência e, por último, o desaparecimento físico de seu líder maior, vem cumprindo com o seu primeiro dever, isto é, o de reorganizar-se e fortalecer-se para continuar sendo um instrumento de luta em favor de nosso povo sofrido.

Até a presente data, estamos reorganizados em mais de 200 municípios, a maioria em forma de comissões provisórias, o que nos estimula a seguir em frente e pensar em realizar logo as convenções municipais para a formação dos diretórios.

Não pensamos e não fazemos a política das negociatas, das barganhas, das rasteiras, dos conchavos, das trocas de cargos ou favores. Nada disso! Nós pensamos e fazemos a política republicana que todo partido verdadeiramente democrático e popular deve pensar e fazer.

O nosso objetivo é trabalhar pela coesão partidária sob o legado que o nosso Jackson Lago deixou, o da honestidade, o do trabalho e o da ética.

Sejam bem vindos a este partido fundado com o objetivo de transformar a realidade brasileira e maranhense.

Precisamos ser sábios e persistentes para superar todas as adversidades do presente.

Aproveito a oportunidade para sugerir-lhes um grande encontro regional, ao qual me comprometo, desde já, a comparecer e discutir o partido e o seu papel em nosso estado com todos voces.

Saudações Trabalhistas!

Jackson Lago vive!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Intenções


Vamos 'a beira do mar, garota.
O vento vindo não sei de onde empurra agora a água turva que chegando ao fim, quase morrendo lentamente na praia, se transmuda em ondas claras, ondas que não são como aquelas altas, volumosas, violentas, de surfistas. Ou como aquelas outras fortissimas e apressadas às quais chamamos de tsunamis.
Vamos sair deste calor, garota, deste clima abafado.
Um giro pelo centro antigo, bem antes da praia, nos inundando de saudades,nos fará bem, trazendo em lembranças cantigas que as pedras das escadarias de tantos becos gravaram e escondem dos que, diferentemente de nós, nem sabem ouvi-las.
Vamos nos embebedar com a brisa que o vento vindo, e agora, sim, eu sei de onde, e' o vento que chega pela praia, vamos beber essa brisa que sobe e desce as ladeiras e invade os pulmões da cidade pelos telhados dos bangalôs e dos sobrados.
Vamos, garota. Vamos sair em busca de algumas nostalgias noturnas para ver se, assim, acalmamos um pouco o silêncio das aguas paradas nas marés vazantes, silencio que parece assumir um certo desprezo pelas bocas encardidas, bocas de jarras de esculturas antigas e mal cuidadas de jardins esquecidos de tão antigos.
Andar à noite subindo e descendo as ladeiras, as escadarias de pedras, driblando o lodo nas pedras de cantaria, rever os paralalepidedos sobre os quais os trilhos se encompridavam em itinerários certos para os velhos bondes, que amanheciam com as manhãs incrustrando na cidade suas certezas e malemolencias, vai fazer um bem danado, garota, acho, para quando mais tarde voltarmos a sonhar.
Ontem eu vi um neuro cientista dizendo na TV que o sonho é uma salvaguarda do sono, que a gente sonha para segurar o sono e que, por isso, quando o sonho é bom o cerebro faz um esforço danado no inconsciente para o sono não acabar. Até onde isso é mesmo verdade, eu não sei. Mas achei interessante.
Posso te levar, garota, para ver as noivas posando para fotos no fim da tarde, aproveitando o por do sol. Não sei de onde saem tantas mulheres vestidas de noivas, diversos modelos de vestidos, bem produzidas, maquilagens e tudo mais que tem direito. Não há noiva que não seja bonita. Os paramentos parecem fazer parte dos despertar dos desejos.
É o dia começar a se despedir de sua faina, o sol ir se amolecendo por detrás daqueles arranha céus, e elas, as noivas, começarem a surgir inspiradoras pelas orilhas do lago.
São longos ensaios naqueles vestidos brancos,  a maioria longos, todas as poses, caras e bocas de todo jeito, eu passando por aquelas criaturas da graça divina invocando maneiras muito respeitosas, sei lá o que pode acontecer.
As noivas parecem sair assim do nada quando o sol começa a se entregar à noite. Assim como as garças despontam assim pernaltas, o olhar fixo na agua gastando um tempo que parece infinito.
Vem comigo, choubinha. E eu te levarei a ver as poses das noivas no cair da tarde. E as garças esguias, paradas, brincando de estátuas, no amanhecer no lago.

sábado, 1 de outubro de 2011

Gisele


Como dizia o poeta, as feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental.
Este verso do Vinicius me vem a propósito dessa polêmica instaurada por Irini, a modelo de vontade política atualmente chefiando o Ministério das Mulheres, contra a Gisele, a modelo de mulher bem - sucedida, ao ponto de causar inveja a tantas outras mulheres.
A formosa Ministra viu a Gisele, deslumbrante e quase desnuda, na TV em comercial de roupa íntima e, claro, não gostou.
O enredo do anúncio é uma brincadeirinha ironizando as mulheres que se montam bem bacanas para conseguirem coisas a mais do marido, como aumento do limite no cartão de crédito e outras frivolidades do gênero.
A personagem traduzida pela Gisele em si, por si, nem calha com a mensagem porque a nossa patrícia transmite uma exuberância tamanha que nem precisaria dessas artimanhas de langerie e coisa e tal.
Mas a Ministra quer mandar passar a tesoura nesse comercial para que, assim, censurada, a Gisele em roupas íntimas saia do ar. Pelo menos na televisão.
Como indagaria o companheiro Leonel, conterrâneo famoso da Gisele, - mas, francamente, este não seria o caso de mandar os incomodados se coçarem na frente do espelho?
A propósito, Dona Marta, a Senadora do PT por São Paulo, comenta hoje na Folha o que não chega a ser uma troca de tiros entre a jovem Ministra e a jovem modelo, isto porque a Gisele até aqui parece não estar nem aí.