sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Negócio

Esse negócio de emenda parlamentar em alguns casos como este do Amapá parece que é negócio mesmo.

É o que estão querendo dar a entender os acusados dos desmantelos com as verbas do Ministério do Turismo nos depoimentos que estão prestando à Policia Federal.

O Inquérito rola no Amapá porque a verba que pagou o convênio com a ONG paulista decorre de emenda da Deputada Fátima Palaes, do PMDB daquele Estado.

E olha só o que estão dizendo à Policia os acusados em seus depoimentos. Falam que parte do dinheiro liberado era repassado à Deputada autora da emenda.

Direitos autorais, não? A lei dos direitos autorais não prevê situações como estas. A Deputada repudia insinuações em tal jaez. A Policia vai continuar investigando, é claro.

Outra Aulinha

RICARDO - Como é o nome do Instituto que você trabalhava no Amapá?

HUGO - Ibrasi

RICARDO - Você usou minha empresa pra fazer o quê, bicho, lá nessa p.?

HUGO - Não usei sua empresa não, usei uma carta de propostas só isso, por quê?

RICARDO - Quem te autorizou a fazer isso?

HUGO - Ué! Você que passou pra mim, animal, não lembra não?

RICARDO - De quê?

HUGO - Carta de proposta que eu mandei pra você lá ver pra mim tudo, por quê?

RICARDO - Porque a Polícia Federal tá aqui, querendo saber que p. é essa, que eles estão investigando um negócio, que minha empresa está sendo investigada, que p. é essa aí?

HUGO - Você é só carta de proposta, você não participou não.

RICARDO - Que carta de proposta? Carta de proposta de quê?

HUGO - Proposta de orçamento, não tem na da a ver isso aí não.

RICARDO- Orçamento?

HUGO - É bicho, orçamento! Tipo assim entrou eu, tu e o Guilherme e eu que ganhei.

RICARDO - Uhm! Então por que tá sendo investigada?

HUGO - É porque eles tão fazendo uma auditoria no projeto, só isso só.

RICARDO - Ai você bota minha empresa no bolo! Quem assinou essa carta?

HUGO - Não tá assinada não bicho, foi tudo por email.

RICARDO - Mas tem que ser assinada.

HUGO - Tem que ser assinada?

RICARDO - Lógico!

HUGO - Mas não tava assinada não!

RICARDO - O telefone tá aqui, tá aqui cinco policiais, eu vou botar no seu r. pra você largar de ser otário, não mandei você usar p. nenhuma da minha empresa.

HUGO - Pode botar bicho, isso ai não tem nada a ver não, isso é só orçamento só.

RICARDO - E por que que esses filhos da p. tão aqui?

HUGO - Tu tá falando isso na frente do cara, xingando eles?

RICARDO - Não, eles estão ali embaixo!

HUGO - É porque é só auditoria bicho!

RICARDO - Ele não falou que era auditoria não, ele falou que era fraude não sei o que, num convênio de capacitação lá no Amapa.

Peito

As reações de desagrado ao trabalho da Policia Federal partidas de dentro do Governo e de seus principais aliados, leia-se PT e PMDB, podem resultar em contrapartidas indesejáveis.

A base da Policia Federal, perplexa, pergunta agora – ah, é? E ameaça com paralisação geral se o Governo não atender de pronto às suas principais reivindicações.

Os policiais federais irão parar se o Governo não voltar atrás com os cortes orçamentários da corporação e com as terceirizações dos seus serviços. Eles querem a retomada dos concursos para peritos, agentes e delegados.

"A Polícia Federal já está sofrendo com a agenda econômica do governo (cortes orçamentários), não pode ser pautada também pela sua agenda política" - disse o Presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Bolívar Steinmetz. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Uma Aulinha


FREDERICO: Escuta, aquela sede ali, dentro do que tá vindo para cima, não atende, nós temos que fazer um negócio de imediatíssimo, um aluguel de dois, três meses, colocar uma baita placa e mudar o endereço no site urgente, porque possivelmente alguém vai bater foto lá.

FÁBIO: Tá bom! Até sexta-feira, combinado isso?

FREDERICO: Combinado, mas pega um negócio ai pra chamar a atenção, assim, de porte, por três meses.

FÁBIO: Tá bom, mesmo se for por um ano a gente segura, não tem problema não!

FREDERICO: Mas é pra ontem! Que se alguém aparecer para tirar uma foto lá nos próximos dois dias, as chances são altas.

FÁBIO: Tá! Então vou correr com isso aqui. (…)

FREDERICO: Pega um prédio moderno aí, meio andar, diz que tá com uma sede que está em construção, mas por enquanto…

FÁBIO: A gente tem um prédio de três andares, grande (…).

FREDERICO: Mas o importante é a fachada e tem que ser uma coisa moderna que inspira confiança em relação ao tamanho das coisas que vocês estão fazendo.

FÁBIO: Tá bom, tranquilo.

FREDERICO: Um abraço.

O Frederico aqui é Secretário Executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva Costa. Fábio é o Fábiode Mello da ONG paulista para a qual foram repassados milhões da emenda da Deputada Pelaes, do PMDB do Amapá. O diálogo faz parte das gravações feitas nas investigações da Policia Federal com autorização judicial. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Prende e Solta

Dos 38 presos, acusados dos desmantelos no Ministério do Turismo, 16 já estão soltos e nem foi preciso habeas corpus. Foram liberados após prestarem depoimento à Policia Federal, em Macapá.

O Ancelmo Góes, de O Globo, registra em sua coluna hoje que Sarney, Senador pelo Amapá, ligou furioso para Lula manifestando indignação assim que soube das prisões.

Isso tudo por conta de 3 milhões de um convênio que teriam sido desviados em Macapá. O convênio de Timon, outro polo turístico no Maranhão, beira os 10 milhões.

Em Timon Também

Para o Ministério do Turismo a cidade de Timon, no Maranhão, nas margens do Rio Parnaiba, do outro lado de Teresina, Capital do Piaui, atrai muitos turistas.

Em 28 de Janeiro do ano passado, ano eleitoral, é bom lembrar, foram liberados 2 milhões, 311 mil, 725 reais de um convenio com a Prefeitura de Timon para apoio a projetos de infra-estrutura turística na cidade, leia-se pavimentação de ruas na área urbana.

No dia 13 de maio último, ou seja, maio deste ano, foram liberados mais 1 milhão, 811 mil, 725 mil reais para o turismo de Timon.

O convênio tem prazo de validade até 30 de outubro deste ano. O valor total é de 9 milhões, 750 mil reais. Quase o equivalente a outro sob as investigações da Policia Federal.

Fotografia


Quando a Dilma mirou o cenário e apertou o flash viu logo que o nosso amigo José Eduardo não ficou bem na foto.

Lula era avisado de tudo muito antes pelo Ministro da Justiça, mas ontem ela só foi saber das ações da Policia Federal prendendo o pessoal acusado de desmantelos no turismo momentos antes.

A Polícia Federal cumpria ordens do Judiciário que impôs sigilo total em tudo. Cardoso, jurista, sabe bem como são essas coisas. É crime funcionário público, ainda que seja o Ministro da Justiça, revelar fato sigiloso do qual tenha conhecimento em razão do cargo.

Como esta foi a sua primeira vez de saber antes que a PF, sob sua jurisdição administrativa, porém independente porque não é Policia de Governo, mas, sim, Policia de Estado, empreenderia uma operação nos escaninhos do próprio Governo, a Dilma, embora aborrecida, deixou passar.

Daqui para frente ela quer saber tudo antes. No entanto, todo cuidado é pouco porque operações importantíssimas para o resgate da moralidade pública frustraram-se na ultima hora por causa de vazamentos.

O caso mais exemplar é o de Bill Clinton, então Governador do Arkansas. A Polícia tinha uma ordem judicial para prender seu irmão viciado em drogas acusado de envolvimento com traficantes. Recebeu a informação sigilosa e fez que esqueceu. A mãe do Governador só foi saber que o seu outro filho, o Roger, havia sido preso pela televisão.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Turismo

A Dilma mandou que o Pedro, o Pedro Novais, volte imediatamente a Brasília para explicar essas coisas que estão rolando no Ministério do Turismo, cujo Secretário Geral, Frederico da Silva Costa, acaba de ser preso pela Policia Federal.

A operação policial denominada de "Voucher", que significa vale ou cheque que assegura um crédito para futuras despesas com mercadorias ou serviços, apura desvios de dinheiros oriundos de emendas parlamentares no Orçamento público.

Estima-se que os desvios passam de 100 milhões de reais.

Além do Secretário Geral do Ministério do Turismo, já foram presos mais 37 pessoas, dentre ex servidores e servidores, prestadores de serviços, e mais o ex Presidente da Embratur, Jorge Moisés, que cedeu o cargo há poucos dias a Flávio Dino, do PC do B do Maranhão.

Ao todo 200 policiais estão mobilizados na operação que cumpre mandados de prisão em Brasília, São Paulo e Amapá. Todos os presos estão sendo levados em aviões da Policia Federal para Macapá, a sede do Inquérito.

No loteamento para garantir maioria parlamentar ao Governo da Dilma, o Ministério do Turismo foi cedido ao PMDB da Câmara, de cuja bancada faz parte o atual Ministro, Pedro Novais, Deputado pelo Maranhão.

Sem Choro, Nem Vela


Sempre bonita, bem arrumada, educada, inteligente, foi chamando a atenção dos outros logo no começo, quando se apresentou, moçoila ainda, às provas do concurso para Procuradora do Ministério Público Federal, em Porto Alegre.

E nem era gaúcha.

O Humberto, Humberto Gomes de Barros, Presidente do STJ depois de mim, que a examinou numa das provas para Juiza Federal, me disse que em meio aos outros candidatos ela parecia uma estrela de Hollyoowd.

A Ellen chamava, ainda chama, a atenção mesmo.

Cargo de Juíza, naqueles tempos, quase sempre, era algo assim para as feias inteligentes ou para as megeras autoritárias. Não parecia o melhor lugar para mulher bonita, sensível, bem educada, como a Ellen.

Foi o Humberto quem me apresentou a Ellen há uns 20 anos numa reunião de Juizes Federais em Santa Catarina. Ele é um grande cordelista e eu, vez por outra, me meto a poeta. Fiz uma poesia para aquela Juíza elegante que parecia muito ocupada com a ideia de escolas para a magistratura.

Mostrei a poesia ao Humberto, ela a chamou, eu amarelei de encabulado, mas não mostrei a poesia, que para ela vai continuar inédita. Aquela apresentação começou nossa amizade extensiva à Eurídice, minha mulher e ao Isaac, o amigão gaúcho da Ellen, com quem me dou muito bem ainda hoje.

A Ellen seguia vitoriosa a carreira chegando a Presidente do Tribunal e depois cumprido o mandato, apenas Desembargadora Federal, quando virou consenso no País a ideia de que estava na hora de uma mulher ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

O Nelson, Nelson Jobim, me contou os detalhes da operação. Ele havia sido o Ministro da Justiça do Fernando Henrique e a Dona Ruth, esposa do Presidente, era quem mais discursava em particular em favor de uma mulher no STF.

Foi o Nelson quem levou a Ellen numa noite ao Palácio do Alvorada apresentando-a formalmente ao Fernando Henrique, que se encantou com ela. A Ellen estudou nos Estados Unidos, foi bolsista da Fulbraight, e o Fernando, como o chama o Nelson, nunca escondeu seu entusiasmo por curriculuns com lastros acadêmicos.

Cabe lembrar que foi o curriculum do Brindeiro, Geraldo Brindeiro, lembram, pós graduado em Yale, por exemplo, que levou FHC a recuar na decisão de nomear Procurador Geral da República o José Arnaldo, o Sub Procurador Geral José Arnaldo da Fonseca, depois de ter prometido ao Senador ACM, que o faria.

Em seguida, abriu-se uma vaga no STJ para onde foi o José Arnaldo, onde realizou trabalho intenso de grande Ministro, Juiz humanista.

Mas voltando à Ellen, o Fernando fez assim com o polegar para cima em aceno positivo ao Nelson. Dona Ruth adorou a moça e ultrapassados os prolegômenos e seus rituais, lá estava no Supremo Tribunal Federal a primeira mulher, uma Juíza Federal, que também fora Procuradora Federal, uma Professora de Direito, a Ellen Gracie Norfield, uma típica cariúcha, nascida carioca e criada gaúcha.

Não sou contra a PEC da Bengala, a que eleva a aposentadoria dos magistrados para 75 anos, e quando a defendi na Câmara e no Senado não o fazia em causa própria, eis que pedi para sair do STJ quando teria pouco mais de 09 anos ainda a vencer no cargo.

Tenho aconselhado a todos a quem encontro que saiam antes. Assim, terão algum tempo de vida util para a liberdade de viver. Quanto a mim, me sentindo livre para escrever o que penso e viver como sempre gostei, trabalhando sempre, mas dono das minhas horas e opções, cada dia me convenço que fiz o certo.

A Ellen já vinha ensaiando sair há algum tempo. Seu sentimento era de missão cumprida. Avisou antes do ultimo recesso que não mais voltaria à sua bancada no plenário e que, dessa vez, era para valer. Esquivou-se das homenagens regimentais dos formatos das despedidas, naqueles rituais renascentistas.

Lembrando o apóstolo Paulo, ela combateu no que lhe foi possivel o seu bom combate. E não conspurcou a sua fé.

Deve ser muito chato ser Ministro do Supremo queimando em ementas, relatórios e votos, à exaustão, as melhores energias do espirito e tendo que ainda manter distancia das melhores alegrias da vida.