quarta-feira, 18 de maio de 2011

Garapa

Pitta, o primeiro afro - descendente eleito para uma das maiores Prefeituras do mundo, a de São Paulo, assim que deixou o cargo assinou contrato milionário com uma editora para escrever um livro recebendo logo uma boa bolada como adiantamento.

Apesar de muito badalado em matérias pagas pela editora, o livro de Pitta não pegou, restando-lhe para declarar ao Imposto de Renda apenas a grana do adiantamento.

Depois o Pitta acabou preso pela Policia Federal. Não demorou muito morreu numa penúria a ponto de o seu funeral ter sido custeado por uns poucos restantes amigos.

Agora, porém, em se tratando de livros de memorias e de biografias de políticos os tempos são outros.

Barack Obama, por exemplo, o primeiro afro - descendente eleito Presidente do País mais poderoso do mundo, os Estados Unidos da América do Norte, recebeu 6 milhões de dólares só em direitos autorais referentes aos seus dois livros publicados antes de ser eleito Presidente da República – "A Audácia da Esperança"  e "As Origens dos Meus Sonhos".

No Brasil, Regina Echeverria, uma talentosa jornalista que se notabilizou escrevendo biografias de artistas como Elis Regina e Cazuza, está vendo o seu mais recente trabalho "Sarney, Uma Biografia" sumir das prateleiras das livrarias como garapa em roda de menino em festa de arraial.

Não se sabe de acordo pelo qual o biografado tenha alguma participação nesse encanto que está acontecendo em matéria de direitos autorais.

Os 40 mil reais que o biografado de Regina está tirando do próprio bolso para pagar um jantar para 60 convidados não passaram nem de raspão pelo seu salário de senador. É só uma pequena parte dos direitos autorais de seus livros mais anteriores, dentre os quais o de maior vendagem – "O Dono do Mar", publicado em vários idiomas. Inclusive em português.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Solidão Simultânea

Quem sabe se invocando os deuses, assim no plural, não consigamos algum progresso? Para a remoção de tantos destroços, só deuses. Assim no plural, deuses plurais.

As nossas vontades humanas não estão conseguindo segurar essa pauta em que as esperanças tenham de ficar ainda por mais tempo em concentração de esperas.

Enquanto nos comportamos segundo os parâmetros politicamente corretos, fiéis a princípios, observando valores, defendendo a ética, comprometidos com as ações moralizadoras, eles de lá, nem, nem, quer dizer não estão nem aí.

A política deixou de ser um campo de ação unicamente destinada à realização do bem comum, aos investimentos para o progresso e ao enfrentamento das desigualdades sociais, para ser apenas um meio de ascensão ao poder.

É do poder que eles precisam e é no poder que eles se nutrem e não se fartam. Precisam do poder para serem reconhecidos. Usam o poder para se favorecerem. Consagram a impunidade para os seus. E manipulam o poder para nunca mais caírem do poder.

Daí esses destroços.

Lembro aqui apenas uns. Eles sabem sobre todos, mas nada os preocupa ou os incomoda. Não querem saber se as pessoas no Maranhão têm proporcionalmente a mais baixa renda no Brasil.

O crescimento econômico no Maranhão aconteceu, sim, mas como rabo de cavalo. Para baixo. A pobreza cresceu 16%. É também neste quesito o Estado mais atrasado do Brasil.

Quase 2 milhões e 500 mil pessoas vivem distantes dos centros urbanos, encafuadas em casas de taipa cobertas de palha de babaçu, sem água tratada, sem fossa sanitária, sem assistência médica, sem escolas para os filhos, sem estradas que as levem a algum lugar, os homens com Deus na fé e as mulheres, quase todas, com as esperanças na barriga.

Mais da metade do povo no Maranhão, ou seja, 54,27% da população, o equivalente a mais de 3 milhões de pessoas, vive em plena miséria.

Em analfabetismo, os números são vergonhosos – 19,1%, dentre os maiores de 15 anos, não sabem ler nem escrever. Sobre o analfabetismo entre crianças com menos de 15 anos nada se sabe.

Há ainda aquele contingente de analfabetos funcionais, os que mal rascunham o nome, mas decidem as eleições. Não sabem porque votam, mas votam ajudando a manter no poder os que os escravizam nas trevas da miséria e da ignorância. Eles somam mais de 30% da população.

Esses destroços são num Estado cujo poder político é monopólio de um único grupo político há quase 50 anos. Um Estado para o qual o Governo Federal nunca deixou de mandar dinheiro. E para cujo grupo político o Governo Federal nunca faltou em apoios políticos.

Não dá mais, gente, para continuar com o grito preso na garganta, as energias de repulsas reprimidas, somando esperas em solidão simultânea, cada combatente seguindo para um lado, sem sintonia certa.

Ou agimos com competência ou deixamos que tudo se resolva tão só pela vontade dos deuses. O que não seria justo com a nossa condição humana. Nem com a condição dos deuses.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Entrevista Com o Igor

Em entrevista à repórter Carla Lima, da Editoria de Política do jornal O Estado do Maranhão, que a publicou na edição de ontem, domingo, o médico Igor Lago, filho do ex-governador Jackson Lago, indicou os rumos que o PDT buscará seguir em meio ao vazio aberto com a morte do seu pai.

O PDT vai botar o pé na estrada trabalhando para se reestruturar em todo o Estado. Igor foi indicado para Presidente da Comissão Provisória estadual que preparará as bases para essa reestruração.

O ESTADO – Como você analisa a política maranhense pós-falecimento do ex-governador Jackson lago?

Igor Lago – A política do Maranhão sofreu uma grande perda porque ele foi um dos maiores líderes políticos. Acredito que hoje a nossa política está com um vazio por tudo que ele representou tanto nas disputas para deputado estadual e pela Prefeitura de São Luís e seus conseqüentes mandatos sejam pelas quatro vezes em que ele foi candidato ao governo do Estado. Sempre à frente de um movimento político de oposição. E tudo isso foi reconhecido tanto por políticos do grupo dele quanto de seus adversários.

O ESTADO – Como filho do ex-governador, você pretende ser o herdeiro político dele?

Lago – Nós estamos sendo convidados pelo partido a contribuir com a reestruturação do PDT, substituindo o nome dele [Jackson Lago] na presidência da comissão provisória estadual. Temos o objetivo de oxigenar o partido para ocupar o espaço que o PDT sempre teve na trajetória democrática e popular na política local.

O ESTADO – A falta de tradição política sua pode ser um empecilho para o você chegar a comandar em definitivo o PDT ?

Lago – Apesar de nós não estarmos envolvidos diretamente, todos esses anos acompanhamos conversando com nosso pai, com companheiros de partido e até mesmo aliados de outras legendas. Nós de alguma forma demos nossa contribuição esses anos todos, claro que não de forma direta e ativa porque era desejo do nosso pai de preservar tanto eu quanto minhas irmãs da lida direta da política. Creio que essa preservação é que nos dá condições de aceitar esse convite que nos foi feito pelo partido. Acredito ainda que, uma vez aprovada a indicação do PDT no Maranhão pela Executiva Nacional, podemos começar nossa ação partidária e um relacionamento amistoso, leal e companheiro com outros partidos.

O ESTADO – O seu nome é consenso dentro do PDT para comandar a comissão provisória?

Lago – Eu tenho recebido manifestação de apoio de todos os setores do partido tanto em São Luís quanto no interior do estado. Não pedimos esse papel, estamos aceitando um convite. Agora lembro que estamos sendo muito claros quando digo que somente oito dos 11 membros da atual comissão provisória assinaram a ata que apontou meu nome como presidente da comissão provisória.

O ESTADO – Você acredita que o pós-2006, quando Jackson Lago foi eleito governador do Maranhão, e conseqüente cassação dele em 2009 foi uma injustiça? Adversários e aliados desempenharam o mesmo papel nesse episódio?

Lago – Acredito que ele foi mal compreendido e que não recebeu o tratamento que merecia por parte de pessoas e grupos políticos que estiveram com Jackson Lago em 2006. Essas pessoas não entenderam o momento histórico que estávamos vivendo. Ele sempre procurou ser o elo da unidade entre os setores, mas infelizmente alguns dos setores não entenderam o papel que ele queria ter desenvolvido até o fim da vida dele.

O ESTADO – Em que momento não houve essa compreensão?

Lago – Acredito que a partir da cassação do mandato dele. Nós observamos uma postura diferente de alguns setores da política aliados do ex-governador até antes a cassação.

O ESTADO – Qual foi o papel, na sua opinião, do ex-governador José Reinaldo nesse momento pós-cassação?

Lago – O meu pensamento a respeito do ex-governador José Reinaldo é uma pessoa de natureza conservadora. Ele sempre teve sua história política de vínculo ao grupo Sarney. Por questões particulares, ele rompeu com seu grupo e em 2006 exerceu um papel importante. Já em 2010, nós não podemos falar a mesma coisa. Até porque esses setores colocaram em primeiro lugar o interesse de seu grupo.

O ESTADO – Sobre o Edson Vidigal houve algum desacerto entre o ex-ministro e o Jackson depois da publicação de um artigo que foi colocada a expressão "velho escroto" atribuída ao ex-governador na época.

Lago – Isso foi algo episódico e que já foi superado. O que temos que reconhecer é que o ex-ministro Edson Vidigal compartilhava da opinião de Jackson Lago de unidade da oposição. Vidigal teve um posicionamento em 2010 que se mostrou leal, compromisso e ajuda incansável para que a campanha fosse exitosa.

O ESTADO – E o papel do ex-deputado federal Flávio Dino ?

Lago – Ele é um ex-deputado eleito pelo ex-governador José Reinaldo. No segundo turno, em 2006, Dino apoiou Lago de forma verbal e declaratória. Não vi nenhum outro tipo de apoio talvez à participação em duas carreatas aqui em São Luís. Em relação à eleição de 2010, o que posso dizer é que ele, assim como seu principal aliado, não entendeu o momento histórico. Essas pessoas colocaram em primeiro lugar seu projeto político pessoal.

O ESTADO – Em um artigo publicado na imprensa, você fez um desabafo contra os aliados que teriam virado as costas para Lago. Essa foi a intenção?

Lago – Aquele texto foi algo espontâneo feito assim que saiu a decisão do STF em relação à aplicabilidade da Lei da Ficha Limpa. Naquele momento, tínhamos a consciência de que essa regra fere o artigo 16º da Constituição, que diz que as regras eleitorais só podem ser modificadas um ano antes do jogo. Então, aquele texto foi uma resposta para todos aqueles que utilizaram o argumento de Ficha Suja, da incerteza da candidatura do ponto de vista jurídico da candidatura de Jackson Lago.

O ESTADO – O senhor pensa em disputar a eleição para a Prefeitura de São Luís?

Lago – O nosso grupo não se reuniu para tratar disso. A nossa função nesse momento é reorganizar o partido e fortalecer o PDT em todo o estado. Somente no próximo ano que vamos começar a tratar dessa questão de eleição. Uma vez reorganizando o partido e tivermos sucesso, aí sim vamos nos reunir e decidir democraticamente de forma transparente os rumos pedetistas para as eleições municipais, não só aqui em São Luís, mas em todo o estado.

O ESTADO – Em 2000, o então candidato à reeleição para a Prefeitura da capital fez uma aliança com a governadora Roseana Sarney.

Lago – Há muita exploração em torno disso. O prefeito Jackson Lago estava marchando para a reeleição e os vereadores do partido da governadora manifestaram o total interesse de apoiar a candidatura de Lago. A partir daí é que se começou a trabalhar a aliança entre o então PFL e o PDT, mas não houve nenhum acordo político.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

“O” Positivo

Assim que correu a noticia do grave acidente com o Edinho, o Senador Lobão Filho, correu mundo via internet que o hospital onde ele está internado em São Luís do Maranhão precisava de sangue tipo "o" positivo para os procedimentos cirúrgicos.

Lobão, o pai, o Ministro Edison Lobão, me disse que chegou a ser comovente constatar como se somaram a centenas as pessoas que acorreram ao hospital se dispondo a doar sangue para o seu filho. Afora os que se apresentaram em telefonemas.

Ninguém sabe de onde tiraram essa necessidade porque o banco de sangue do hospital estava e ainda está com quantidade suficiente de "o" positivo para atender a emergências como essa do Edinho.

O jovem Senador, apesar da violência do choque do seu carro com outro maior e mais robusto, numa estrada escura em noite chuvosa, está fora de perigo. Conta a seu favor ter sido sempre um atleta. Não fuma, nem bebe. Seu único vício é trabalhar, trabalhar. Quando voltava sozinho do aeroporto onde guarda o helicóptero estava a trabalho.

Agora à noite o Lobão, pai e a Nicinha, mãe, já respiravam aliviados dando graças a Deus porque o Edinho sairá desta com a saúde mental intocada. Conheço os meninos do Lobão e da Nicinha desde pirralhos. O Edinho foi colega do Edson e do Everardo, meus filhos, no INEI da Professora Maria Elói, nos anos 70, em Brasília. Onde foram campeões de judô.

Paraguai

Dilma não irá mais ao Paraguai, onde estava tudo pronto para uma grande recepção, ainda mais agora depois que o Brasil aumentou a participação daquele País nas rendas de Itaipu.

Chegou-se a especular que como todos da linha de substituição presidencial na ausência de Dilma também se ausentariam do País - o Vice Presidente da Republica, o Presidente da Câmara e até o Presidente do Senado, - a Presidência da República seria entregue ao Ministro Peluso, Presidente do Supremo.

Os médicos que cuidam da pneumonia da Dilma deram a palavra final. A Presidente, embora esteja evoluindo bem no tratamento, não deve se expor numa viagem longa quando ainda deve guardar repouso.

Por isso, ela fica. E está mandando o Presidente do Senado para representá-la nas festas do Paraguai.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Estrelas Errantes

Os gregos inventaram a democracia, o governo do maior número, ou seja a maioria decidindo, mas respeitando a minoria, democracia que no dizer de Churchill ainda é o pior dos regimes sendo que depois dos gregos, até hoje, ninguém inventou nada melhor.

Acuada pelas minorias armadas de outros meios de convencimento, algum poder estatal com mídia influente e muito dinheiro, a democracia cambaleia e não se afirma e não realiza a república se não for oxigenada pela vontade coletiva majoritária capaz de dobrar pelo entusiasmo as resistências e intimidações.

Vitoriosa a democracia com a consistência das suas proposições e credibilidade popular dos seus combatentes instaura-se então o regime do povo, pelo povo e para o povo, assim definido por Lincoln.

Nas monarquias anacrônicas o poder se realiza e se restringe aos laços da consangüinidade.

Nas famílias mafiosas a regra não é absoluta, mas é assim também quase sempre.

Nas oligarquias o poder se sustenta nas espertezas de uma promiscuidade de parentes, áulicos e negocistas, todos aproveitadores.

Nas ditaduras, as camarilhas.

Isso tudo aflora até mesmo como erva daninha em nascentes democracias para depois se transformar numa sucuri envolvente que por constrição segue matando-a lentamente.

Se a maioria do povo não está motivada e possuída de energias positivas suficientes para garantirem a força necessária aos embates que são constantes, o clientelismo, o assistencialismo, o populismo, e se isso for pouco, a grana, muita grana tocará mais alto nas fraquezas gerais e aí adeus rosa, necas de democracia.

Mas por que essa insistência no mundo por democracia? Porque só na democracia quando plena é possível a igualdade de direitos e de oportunidades. A democracia realiza a justiça social.

Só a democracia garante a república e só com a república plena que as oligarquias, as máfias e as camarilhas não têm voz nem vez. A democracia não faz concessões à impunidade.

Em alguns quadrantes do País, que se revela positivamente em melhorias das condições de vida do povo, senhor de suas liberdades e do seu destino, em alguns quadrantes, em especial no litoral nordeste, ainda vicejam maus exemplos de políticos que só atravancam a democracia e mutilam impiedosamente a república.

As eleições são livres? Sim, mas só na formalidade do imaginário. Compram-se votos no atacado em feiras inimagináveis não só favores do poder público e dinheiro vivo, porém muito e principalmente com toneladas de medo.

Aos descrentes que já estão quase se dando por vencidos e dizendo que isto aqui não tem mais jeito, eu peço que busquem reencontrar bem dentro de si mesmos aquela velha certeza de que nem tudo está perdido.

Há estrelas por aí vagando, querendo ocupar os espaços do espaço, umas batendo nas outras, querendo todas o mesmo lugar de brilho. Acham que nunca irão cair. Estrelas não têm brilho próprio.

Irão despencar na praia e nem há grãozinhos de areia de olho nelas.

Macho

Cid Gomes, Governador do Ceará, não se contendo com o estado de abandono das estradas federais no seu Estado, partiu para cima do Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, chamando-o de "inepto, incompetente e desonesto".

E mais adiante.

- Precisamos denunciar esse descaso do Ministro dos Transportes e de sua laia do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Aquilo ali é uma laia, um antro de roubalheira.

Depois convocou a população a fazer um rally de protesto pela BR-222, a estrada federal em piores condições de tráfego no Ceará.

Ciro Gomes me disse uma vez, pouco antes de se lançar candidato a Presidente da República, que iria fazer um curso socila de linguagem.  


Socila era um curso de boas maneiras antigamente freqüentado por candidatas a noivas ou candidatas a concursos de misses.

O atual Governador do Ceará, já em segundo mandato consecutivo, é irmão do Ciro.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Homem e Mulher

Pelo menos um Procurador, integrante do Ministério Público, mas estadual, sem entrar no mérito da questão, se opõe abertamente à decisão do Supremo Tribunal Federal estendendo os direitos da união estável entre homem e mulher às uniões entre homossexuais.

É o  Procurador Lenio Streck, do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul. Ele defende que isso não é matéria da jurisdição e que só o Congresso Nacional tem competência para resolver.

Olha aqui a entrevista que ele concedeu a O Estado de São Paulo, que será publicada amanhã:

O sr. considera que o STF deveria decidir essa questão?

Isso não é matéria para jurisdição. Isso é o espaço para discussão do Legislador, como se fez na Espanha e em Portugal. Lá esse assunto foi discutido pelo Parlamento. O Judiciário nesse ponto não pode se substituir ao Legislador. Se o Congresso aprovasse uma emenda constitucional ou um projeto de lei mudando o Código Civil, bingo! Assim se fez em Portugal, assim se fez na Espanha. Por que o Brasil é o único país que tem que recorrer à jurisdição Constitucional? Não queremos discutir as coisas na Democracia?

Pela divisão do Congresso, jamais se aprovará uma lei nesse sentido. O que fazer?

Esse é o risco da democracia. Não é proibido mudar a Constituição, mas é preciso fazer. É a sociedade que tem que decidir. Não se corrige a Constituição com argumentos morais, por mais que eu ache a causa justa, justíssima.

Na falta de uma regra, o STF pode decidir?

A Constituição estabelece uma limitação, ela fala em homem e mulher. Esse é um limite semântico da Constituição. Se admitirmos que o Judiciário passe por esses limites, estaremos admitindo um terceiro turno do processo Constituinte, isto é, aquilo que o Legislador não aprovou, acaba sendo feito pelo Judiciário. Estaremos dizendo que é possível fazer uma Constituição do B.

O STF não tem que atuar para proteger essa minoria?

O STF atua quando há espaço de atuação, quando diz que uma lei é inconstitucional, quando diz que há uma lacuna na lei, há uma omissão. Neste caso, não se pode dizer que a Constituição é inconstitucional. É duro isso, mas é o preço da Democracia. O Judiciário não está autorizado a preencher uma lacuna que não existe. A Constituição estabeleceu seus limites ao dizer que a união é entre homem e mulher. Todo mundo sabe o que é um homem, todo mundo sabe o que é uma mulher.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Adivinho

Há uma semana, o Wikileaks, o saite de vazamentos de segredos oficiais, divulgava uma mensagem captada da Al Qaeda pelos Estados Unidos advertindo que se Osama Bin Laden fosse morto o mundo se preparasse porque eles lá da organização terrorista já tinham até uma bomba atômica pronta para explodi-la.

A notícia passou meio despercebida porque, exceto para alta cúpula do Governo dos Estados Unidos que já vinha monitorando a operação para pegar e matar Bin Laden, o paradeiro do estrategista dos grandes atentados executados pela Al Qaeda parecia não interessar mais, tantas as histórias desencontradas que se contavam sobre a sua vida ou morte.

Agora, com Bin Laden morto depois de aprisionado na mansão onde morava há cerca de 5 anos, próximo a um quartel do exército paquistanês, no interior do Paquistão, os alarmes são acionados na Europa e nos Estados Unidos pelos receios de que uma vingança do terrorismo pode estar a caminho.