segunda-feira, 2 de maio de 2011

Fim da Caçada


Nada de túneis tenebrosos ou de montanhas íngremes. Osama Bin Laden foi localizado e morto em uma luxuosa mansão num bairro de ricos no Paquistão vivendo com uma mulher mais nova.

Quando um pelotão americano adentrou a casa para prende-lo ele reagiu usando uma outra mulher também novinha como escudo humano. Levou um tiro na testa. Morreram outros tres do lado dele.

Pouco depois de a notícia se espalhar pelas redes de TV Al Jazeera, ABC e CNN o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apareceu confirmando. Os louros são da CIA, a ABIN de Washington.

Foram tiradas amostras do corpo de Bin Laden para exames de DNA e depois de cumpridos os rituais islâmicos o cadáver foi atirado em alto mar para que não havendo túmulo algum o principal mandante dos atentados terroristas às torres gêmeas de Nova Iorque em 11 de setembro, há quase dez anos, não inspire romarias e lendas.

As operações dos norte-americanos contra o terrorismo vão continuar.

domingo, 1 de maio de 2011

Das Inércias

Olhe aqui, amiga, amigo, esse quase sobrenatural nas coisas. 

Para variar, nuvens cinza, prenúncios de mais chuvas. Certezas de mais buracos. Mais lama visível encorpando a transparência do dia.

Há poucas horas antes deste regresso à ilha deu para ver de passagem por um desses municípios de muitas fachadas em beira de estrada um prédio em ruínas e sem portas. 

Lá dentro, o mato crescente. Do lado de fora, no frontispício em letras garrafais prateadas, imagine, o que está escrito? Poder Legislativo Municipal.

Passei um bom tempo da viagem pensando na simbologia daquilo. Gente, isso é a República de araque que eles nos impõem, a democracia de mentirinha que eles praticam para nos submeter e nos espoliar. 

Na fachada cabe tudo. Na fachada cabem todas as instituições, todas as intenções, primeiras, segundas, terceiras intenções.

Ora, pois, pois. Resmunga o gajo ao meu lado no ônibus que sacoleja, sacoleja, pára adiante, esvazia e se enche, para acolá, enche mais e lá adiante se esvazia para em seguida se encher novamente.

Quando o ônibus arranca todos nós, passageiros, somos impulsionados para frente. Mas se dá uma freada brusca somos movidos para trás. Diz-se sobre a freada brusca que é para arrumar a carga.

No Liceu me disseram que esses movimentos têm a ver com a lei da inércia. 

Não foi Newton, mas sim Galileu quem primeiro elucubrou sobre essas coisas. Disseram-me no Liceu. Muito, muito antes de Newton condensar suas observações no livro Principia Matemática, Galileu já se ocupava em curiosidades e observações sobre a inércia.

Estou falando inércia, rapaz. Sabes quando as coisas são inércia pura? É como está agora aqui. Tudo parado. Tudo parado como se uma carga de paralelepípedos houvesse desabado de um zepelim em vôo rasteiro e não aparecesse ninguém ousando arriscar sequer um olhar de alguma janela entreaberta de algum mirante só para aferir o tempo lá fora.

Tudo parado. E as pessoas com mêdo.

Aferir o tempo lá fora só para saber se ainda vem mais chuvas e então poder imaginar por quanto tempo a cidade ainda vai continuar assim alagada, esburacada, enormes tabuas de pirulitos,mas sem pirulito algum exceto, certamente, para uns poucos que nem precisam se incomodar com esse peso do inverno ou com esse inferno cotidiano que tem sido querer trafegar por necessidade de ter que ir de um lugar ao outro nesta nossa ilha do amor.

Ter que ir e ter que voltar. É certo, disse o poeta paraibano, que no caminho da volta ninguém se perde. Mas a volta se torna difícil quando se tem que encarar os mesmos obstáculos e pedregulhos vencidos a duras penas na ida. 

Melhor muitas vezes é não haver volta para não haver reencontros indesejados, para não ter que retribuir a sorrisos hipócritas, para não ter que estender as mãos limpas e não ter que lavá-las em seguida, imediatamente. 

Mãos sujas, larápias, se estendem em simulações cínicas querendo cravar alguma aposta no futuro bem aventurado que está chegando.

E eu ia lhes falar sobre a inércia por estas bandas que é tanta que não suportando mais nem a si própria desafiou a gravidade fazendo levantar em vôo um avião que é só sucata, sem motor, sem turbinas, sem piloto. 

Um avião velho, depenado, que está ali inerte há anos no ferro velho do aeroporto levantou voo de repente. Talvez só para chamar a atenção que nem mais a inércia agüenta mais tanta inércia.

Pneumonia

Começou com uma forte gripe. Uma radiografia do pulmão na quinta - feira ultima acusou princípio de pneumonia. No dia seguinte Dilma já estava em São Paulo, no Sírio Libanês, onde foi internada para exames.

Os exames complementares, sob a direção do cardiologista Roberto Kalil, indicam que o quadro da Presidente é de normalidade. Ela vai tomar uns antibióticos por dez dias, e depois tudo bem.

Amanhã, segunda - feira, Dilma já retorna a Brasília.

Eu sei o que é pneumonia em Brasília e, no meu caso, escapei do muito pior em tempo.

Pneumonia é uma doença que derruba toda a imunidade da pessoa deixando-a exposta a todos os vírus e um deles te pegando de mal jeito faz um psiu bem convincente chamando a morte.

Os médicos que cuidaram de mim, dentre eles meu primo, o santo doutor Euler Vidigal, com receio de que eu pegasse uma infecção hospitalar, me isolaram num quarto em casa, onde fiquei que nem manga verde, abafado, longe da luz do sol.

Eu era examinado duas vezes por dia. E tomava fortes doses de antibióticos. Três semanas depois me liberaram e eu tomei um avião à noite para Teresina de onde segui, madrugada adentro, para a casa de Caxias.

Naquele clima de mato e açude ainda fiquei tomando remédio e repousando por mais uma semana. Não foi fácil para mim. Pneumonia, gente, é a doença mais covarde porque ela te ataca e tu nem percebe e ela pode te apagar do mapa imediatamente. 

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Fundo do Poço

A sempre lúcida conquanto bem informada Dora Kramer, analista de politica de O Estado de São Paulo, traduz bem a partir da pobreza cívica em que vive o Senado o estado de desencanto a que chegaram os guardiãs restantes das nossas instituições republicanas.

Ora, digo eu, sem uma República consistente não há falar-se em Democracia inarredável tampouco em Estado de Direito. Falta ainda bastante cidadania, o que só se constrói com uma constante e consciente indignação coletiva.

Diz a Dora:

Seria impreciso dizer que o Senado chegou ao fundo do poço quando decidiu constituir um Conselho de Ética ao arrepio do decoro indispensável à atividade parlamentar. Isso porque o poço em que o Poder Legislativo resolveu já há algum tempo jogar sua credibilidade parece não ter fundo.

Entra ano, sai ano, entra escândalo, sai escândalo, os acontecimentos bizarros não têm fim, medida nem limites.

A presença de oito processados na Justiça entre os 15 titulares do conselho soa como uma contradição em termos. Agride à lógica da vida normal, mas está absolutamente de acordo com as regras do Congresso.

Mais: compõe perfeitamente o cenário da degradação. Todos os integrantes do conselho destinado a zelar pela ética na Casa são tão senadores quanto qualquer outro. A partir do momento em que seus pares não impuseram reparos a condutas julgadas no passado e os eleitores lhes confiaram delegação, podem participar de todas as atividades sem restrição.

A questão não é o que Renan Calheiros, que trocou a renúncia à presidência do Senado pela absolvição em processos por quebra de decoro, ou Gim Argello, investigado pela Polícia Federal e obrigado recentemente a renunciar à relatoria do Orçamento da União por suspeita de desvios na distribuição de emendas, estão fazendo no Conselho de Ética.

A pergunta correta é o que esses e outros estão fazendo no Senado e o que o Senado faz consigo ao, entre outras façanhas, reconduzir à presidência da Casa José Sarney e seu manancial de escândalos, cuja mais recente leva data de dois anos atrás.

Esse episódio do conselho ganhou repercussão, é tratado como um grande problema, mas é apenas parte do infortúnio que assola o Parlamento e, em boa medida, a sociedade que não exerce ela mesma o voto limpo enquanto não se institui de vez a obrigatoriedade legal da ficha limpa: a indiferença à ética, ao conjunto de valores que disciplinam o comportamento humano como atributo essencial à vida civilizada. Pública ou privada.

Embora a completa ausência de pudor, ainda que em grau apenas suficiente para a manutenção das aparências em colegiado presumidamente ético, fira os espíritos mais sensíveis, não se configura uma novidade em face da revogação geral de quaisquer valores balizadores de condutas.

Em ambiente onde um senador pode roubar um gravador - como fez Roberto Requião ao surrupiar o equipamento pertencente à Rádio Bandeirantes e apagar do cartão de memória uma entrevista que não lhe interessava ver divulgada - e ainda assim ser defendido pelo presidente da Casa, não há poço que seja fundo o bastante para delimitar a fronteira entre a civilidade de fachada e a selvageria total."



Ponte da Inveja

Quando no comando da Secretaria de Segurança Cidadã, Eurídice Vidigal tomou a decisão de alugar viaturas para o patrulhamento de São Luís. Foi um Deus nos acuda. Toda a mídia sarneysista criticou violentamente a secretária Eurídice Vidigal. Ontem, o senador José Sarney, presidente do senado, decidiu alugar carros para os senadores ao custo mensal de 4 mil reais. E o argumento para o aluguel dos carros é o mesmo utilizado pela ex-secretária de Segurança Cidadã maranhense: economizar na manutenção dos veículos que fica por conta do proprietário. Isso significa que Eurídice estava mais do que certa. Mas como os oligarcas se esquecem rápidamente das coisas, é bem possível que ninguém peça desculpas a ela pelas críticas injustas. (Jornal Tribuna do Nordeste). Até o Sarney reconheceu que esta é a melhor medida...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Cheque Mais Seguro

Caindo aos poucos em desuso e cedendo espaço para o cartão de crédito, o cheque ganha agora umas blindagens para torná-lo mais seguro e assim voltar a ser mais confiável como ordem de pagamento à vista ou substituto do dinheiro em espécie.

Nos novos contratos com os seus clientes os bancos terão que estabelecer claramente os critérios para a concessão de talões de cheques. Vão ter também que criar um cadastro atraves do qual o comerciante terá informações instantâneas sobre o cheque que estiver recebendo.

Para o correntista sustar um cheque no banco ele precisará registrar antes na Polícia o motivo e, assim, só com o Boletim de Ocorrências em mãos poderá dar a ordem de sustação do cheque ao banco. Essa informação sobre o bloqueio ou sustação do cheque será disponibilizada aos comerciantes na rede de informações.

O Banco Central quer com essas novas medidas reduzir o numero de cheques sem fundos. Os novos contratos de abertura de conta bancária já conterão essas novas clausulas e os atuais contratos terão que estar renovados com essas novidades no prazo de um ano. Decisão do Conselho Monetário Nacional agora ha pouco.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Suplentes

Hoje pela manhã antecipei pelo twitter que o STF iria decidir à tarde que embora o mandato eletivo seja do partido sob cuja legenda o candidato foi eleito, em caso de licença, renúncia ou morte, a vaga é preenchida pelo suplente da coligação e não pelo suplente do partido.

Isso me pareceu tão lógico que não tive dúvidas em ousar apostando nesse resultado. O qual agora ha pouco se deu.

Ou seja, quem não se elegeu pela coligação ficando como suplente é quem tem a expectativa de direito para assumir o mandato em caso de morte, licença ou renuncia do titular. Assumindo, aí sim, os deveres de fidelidade e disciplina serão para com o partido ao qual estava filiado quando da formação da coligação.

Neusinha

A imagem que ficou foi aquela da mocinha rebelde, filha de um pai amoroso, mas autoritário, que se lançou no mundo do espetáculo, indo da popular e bem humorada Discoteca do Chacrinha, o programa de maior audiência entre o povão, ao Fantástico, o ainda hoje bem caprichado e sofisticado dominical da Globo.

O seu principal sucesso musical foi um rock que ela mesma compôs intitulado "Mintiúra", de mentira mesmo.

Neusinha Brizola, a filha mais contestadora de Leonel Brizola, a que mais lhe deu dor de cabeça nos tempos em que Governou o Rio de Janeiro, morreu hoje aos 56 anos, vitima de complicações pulmonares, no Rio de Janeiro.

Deixa dois filhos, Paulo César e Layla, e dois netos, Túlio e Breno. O Deputado Brizola Neto, seu sobrinho, foi quem deu a noticia da morte de Neusinha. O corpo será enterrado em São Borja, no Rio de Grande do Sul, onde estão sepultados os seus pais.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Viva Zapata!

O Senado oficializará amanhã os nomes que irão integrar nos próximos dois anos o seu Conselho de Ética.

Qualquer procedimento visando à punição de um membro do Senado por infringência a princípios éticos, morais ou legais passa antes pelo juízo de admissibilidade do respeitável Conselho de Ética.

Os 15 novos guardiãs da moralidade, da legalidade e da ética do Senado da República no poderoso conquanto temível Conselho de Ética, espécie de Tribunal do Santo Oficio para os hereges da política, serão os seguintes.

Anote, por favor. João Alberto (PMDB-MA), Romero Jucá (PMDB-RR), Lobão Filho (PMDB-MA), Humberto Costa (PT-MA), Wellington Dias (PT-PI), José Pimentel (PT-CE), Mario Couto (PSDB-PA), Cyro Miranda (PSDB-GO), Gim Argelo (PTB-DF), Jayme Campos (DEM-MT), Vicentinho Albes (PR-TO), Ciro Nogueira (PP-PI), Acir Gurgacz (PDT-RO), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e Renan Calheiros (PMDB-AL).