terça-feira, 12 de abril de 2011

Humilhante

No poder há mais de 10 anos sempre ao seu modo desafiando adversários e ao seu modo vencendo eleições.

Todos que demoram a sair se sentem assim absolutos e não querem mais sair.

Nas ditaduras isto fica mais claro. Nas falsas democracias muito mais ainda. Povo pobre, oposições fisiológicas e instituições políticas incipientes cevam oligarquias.

Da Costa do Marfim, rico e pobre País africano, que nem o Maranhão rico na sua potencialidade e pobre no seu abandono, vem a lição aos que, enfim perdendo eleições, ainda assim teimam em ficar.

O Gbagbo, o Presidente da Costa do Marfim armou adeptos e foi para o quebra pau fazendo de tudo para não passar o poder ao eleito, o Outtara.

Acabou preso em casa onde montou uma fortaleza e ainda levou um tapa na cara. Só não foi linchado porque as forças da ONU ainda o protegem.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Podres Poderes


Nem Melo e Póvoas, o sobrinho querido do Marques de Pombal, no Maranhão Colônia, nem Urbano Santos, um cacique bem letrado no Maranhão da República Velha, tiveram tanto prestigio e poder  político junto ao poder central quanto esta jovem senhora, filha mimada de um dos homens mais poderosos do Brasil, desde a ultima ditadura militar aos dias de hoje.

Somam-se agora os 100 primeiros dias de um 4º mandato, outro recorde pois ninguém em quatro séculos de Maranhão, desde a chegada dos franceses, ocupou o poder no Estado com tanto poder e por tanto tempo!

E o que nos salta da memória ou o que nos desponta à vista a não ser esse caos generalizado na segurança, na saúde, na educação, na infra-estrutura, o Maranhão em disputa permanente com regiões mais atrasadas pelo primeiro lugar em tudo que não presta?

Isto tudo e mais ainda a perversão nos costumes, o apedrejamento público da honra alheia, o envenenamento da ética, a derrocada da moral, a disseminação dos maus exemplos, a impunidade, a corrupção política reinando soberana.

Todo dia a mais, ainda que somando meses e alcançando a casa dos anos, será igual um a outro.Mediocridade e desonestidade não carecem de medidas. Cada uma em si é ela só.

Enquanto estiver infiltrada nas oposições essa indisposição cívica para a luta sem tréguas nossas expectativas não farão uma canção.

Enquanto estiver infiltrada nas oposições essa predominância do faz de conta, de olhar graúdo dividindo-se entre aspirações pessoais corriqueiras, nossas energias continuarão diluídas e a luz apontando o caminho certo não se acenderá.

Sem um projeto político de Estado fixando metas firmes para o Maranhão no século 21, com idéias novas e respostas consistentes aos desafios nessas décadas todas da dominação deles que tanto aperreiam a vida do nosso Povo, refém da pobreza política e do atraso social, não mereceremos o respeito das legiões que ainda lutam nem a credibilidade das novas gerações que despontam alvissareiras.

Entristece-me ver a cada dia no Maranhão pessoas aéticas, sem compromissos programáticos com as questões coletivas, só tirando proveito político para suas ambições e negócios pessoais, muitos inclusive ocupando espaços na política e aderindo à emergência no plantão, ao sabor de suas conveniências.

Eu sei que é difícil enfrentar isso tudo. Mas acredito na conscientização do Povo, na força do seu despertar, na unidade e disposição de luta dos verdadeiros  oposicionistas para que possamos fazer juntos essa quase impossível travessia do mar vermelho nos livrando da escravidão do Faraó e partindo livres para a construção do nosso futuro na terra prometida, que é aqui mesmo, o nosso Maranhão. 

sábado, 9 de abril de 2011

Outra Vez


O ultimo inquérito da Policia Federal confirmando noticias antigas e outras novas sobre o mensalão está dando motivos a que mais uma investigação, também da Policia Federal, se instaure e agora no Banco do Brasil.

É aguardar.

Gasolina


O Brasil é superavitário na produção de petróleo, ou seja, nao precisa mais dos outros para se manter dependendo de petróleo. Produz mais do que consome.

Não obstante, importa petróleo porque, segundo os entendidos, comprar dos outros lá fora ainda sai mais em conta do que refinar o que tem por aqui em abundancia.

Daí que com a estabilidade dos preços do barril de petróleo lá fora o preço do litro da gasolina no Brasil não sobe há 9 anos.

Mas agora com o barril chegando a 120 dólares, diz a Petrobrás que está no prejuízo além do limite e que o jeito mesmo é aumentar o preço da gasolina.

A Dilma não quer ouvir nem falar em aumento da gasolina.

O Lobão acha que se o Governo aumentar a taxação das exportações de açúcar forçará os usineiros a produzirem mais álcool combustível e, assim, teremos a médio prazo um equilíbrio da situação, frustrando-se o aumento da gasolina defendido pela Petrobrás.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Jacarés

Os criminosos de alta periculosidade, em geral, os traficantes, em especial, deram para criar animais selvagens, de alto poder ofensivo, mantendo-os à vista de quem possa eventualmente lhes incomodar.

A polícia do Rio de Janeiro apreendeu hoje numa fortaleza dos traficantes em Manguinhos alguns jacarés de espécie reconhecidamente mais violenta.

No Maranhão, mais precisamente em São Luis, a oligarquia que mantém o Estado no maior atraso do Brasil, também cria jacarés. Só que mais perigosos do que os dos traficantes.

Besuntados em óleo de rícino atuam em forma de frasco humano.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Jackson

Só há tempo para o viver. Entre o nascer e o morrer só o tempo para o viver. Nascer é chegar ao mundo, abrir-se para a vida e seguir o destino pela estrada que, um dia, terá fim. Ou nunca terá fim.

Para muitos, a estrada tem fim. A viagem acaba com a chegada da morte. Nascer não é inevitável. Morrer para muitos é inevitável. Há aqueles para quem a estrada nunca acaba porque apesar da morte, prosseguem.

Prosseguem no exemplo, nos ideais de luta, não a luta pelo mal aos outros, mas a luta buscando o bem dos outros.

O Jackson se inscreve agora entre aqueles para quem a estrada da vida não acabou. Aqueles que sobrevivem à própria morte.

O Jackson médico, trabalhou seu oficio curando doentes, ajudando a salvar vidas, espantando as lamurias que a morte leva às casas dos enfermos.

O Jackson professor soube inspirar seguidores, disseminando o que aprendeu em técnicas, erudição, experiência e conhecimentos.

O Jackson político, que administrou a Capital por três vezes, sempre bem avaliado, era querido pela população porque fazia da política não a arte do possível como muitos ainda entre nós a praticam no mal sentido, achando que esse possível se encerra na possibilidade das coisas sempre para eles, a favor deles, do patrimônio político e também do patrimônio pessoal deles.

O Jackson político fincava sua ação em princípios rígidos, dos quais ninguém o arredava. Não concebia a vida política fora dos parâmetros republicanos e democráticos.

Homem público, no exemplo que o Jackson buscava intensamente transmitir, não podia ter outros compromissos que não os fossem, primeiramente, com o coletivo. Era assim, beirando muitas vezes a um remansoso romantismo, o seu jeito de gerenciar a coisa publica.

Antes da morte física de agora ha pouco, o Jackson já havia sofrido uma tentativa de morte política quando lhe arrebataram covardemente, ainda no primeiro biênio, o mandato de Governador eleito pela maioria do Povo do Maranhão.

Depois, nas eleições seguintes, ele novamente concorrendo para se submeter a um novo julgamento, querendo tirar a prova dos nove, foi vitima de novo atentado agora com a bazófia da inelegibilidade que lhe inventaram e que a morosidade judicial ajudou a prosperar.

O Jackson não era inelegível coisa nenhuma. Eu me esgoelava garantindo isso nos comícios, na campanha inteira, ao lado dele.

Quando a Justiça eleitoral, em sua fama de que tarda, mas não falha, mas falhando porque tardia, disse que não havia mesmo inelegibilidade nenhuma contra o Jackson, a tendência forte que antes lhe era favorável já se contaminara pela mentira espalhada pela má fé e, assim, lhe esvaziavam os apoios.

E assim, derrotado, covardemente derrotado, logo no primeiro turno, o Jackson gladiador da resistência republicana e democrática no Maranhão foi a nocaute.

O que lhe causou, enfim, a morte física não foi o câncer que já o acompanhava e com o qual convivia em alguma harmonia há algum tempo. Nem a pneumonia se aproveitando da sua baixa resistência decorrente da quimioterapia.

O que o abateu mesmo foi a depressão profunda em que mergulhou decepcionado com os falsos e envergonhado por ter dedicado todo o tempo em que passou palmilhando a estrada na luta pelos outros e vendo a vitoria definitiva quase chegando ter confiado em uns tantos em quem não valeu a pena confiar.

Como naquele verso de Fernando Pessoa, estou hoje perplexo como quem pensou, achou e esqueceu...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Lugar Comum

Como se a manhã nas beiras das calçadas, nas paralelas das ruas, só tivesse axilas.

Assim como se todos os poros do amanhecer só funcionassem nas axilas. E a cidade nos seus restantes, dormente.

Entre um resto de lua ainda visível em despedida rápida ali pelo rumo do poente e os primeiros raios de luz querendo começar o dia sopra uma brisa atlântica.

É possível imaginar o vento em sua força matinal fazendo ondas. A brisa é atlântica, porém contaminada.

Como se a cidade fosse um único elevador superlotado em que as pessoas quase se espremendo entre as outras comprimindo os ombros e protegendo as axilas da contaminação.

Não há nada mais desagradável conquanto inevitável que a atmosfera contaminada por aquela catinga de sovaco no sobe ou desce num elevador lotado.

A cidade como se fosse um vagão único de elevador e todos nós pedestres lá dentro tem amanhecido assim e se mantido assim fedorenta, suja, impermeável em sua sujidade, infensa até mesmo aos banhos das chuvas.

De tudo exala fedor. Do esgoto com tampa quebrada. Do ralo entupido rejeitando enxurradas.

Exala um fedor que parece se encompridar por léguas dos sacos plásticos com o lixo orgânico que os cães sem donos e os ratos da noite escarafuncharam atraídos por aquela acidez mais que úrica dos restos dos caranguejos mortos por asfixia nas panelas ferventes e devorados a cacetadas nas vésperas.

Esse fedor como se expelido de algum spray de concentrados de abandono, de descaso, de insensibilidade, de maneiras anacrônicas de ver e lidar, inspira indignação, revolta e também tristeza.

Essa sujeira refletindo ocasionalmente pequenas mazelas visíveis no cotidiano da cidade serve para provar a nós mesmos quanto nos acomodamos e nos acovardamos diante da arrogância do caos. Urge rugir!

Urge rugir, cidadãs, cidadãos, moças, rapazes, meninada, juventude, companheiras, companheiros, camaradas!

Aceitar essa anemia das inércias contaminando as manhãs, inundando de tristeza a parceria das flores, surrupiando de cada amanhecer o sopro de vida que a brisa atlântica insiste em nos trazer, silenciar, silenciar achando que nada por aqui tem mais jeito, que só a ira do Senhor num tsunami implacável lavará a nossa honra e nos libertará, é negar vigência à lei de Deus – faz por ti, que eu te ajudarei.

Temos que ver inexoráveis, nessas violações todas, as possibilidades à nossa frente.

A questão agora não é se eu pudesse, eu quereria. Temos que querer, sim. E querendo, poderemos, sim.

De que adianta o atlântico nos mandar essa brisa entremeada com tantos recados das marés, saudações matinais das ondas quebradas nas areias alvas das praias, se daqui a pouco, a continuar assim, nesse calendário de espertezas manjadas e descasos anacrônicos, nem poderemos mais ver de perto as praias?

Está na hora, gente, de soltarmos os pés seguindo em frente sem medo, em liberdades e compromissos.

terça-feira, 29 de março de 2011

Chefe de Estado

Dilma e Lula estão voltando de Portugal a tempo de assistirem as exéquias de Alencar amanhã no Palácio do Planalto.

Depois o corpo do ex-Vice Presidente da Republica será levado a Minas onde será sepultado com as honras protocolares de Chefe de Estado.

Alencar ingressou na politica, depois de ter se consolidado como empresário, o maior do País no ramo da tecelagem. Entregou a empresa, a Coteminas, ao filho e foi ser Senador por Minas.

Quando começava a ser notado em meio àquelas raposas do Senado, Lula, que já havia perdido campanhas presidenciais para Collor e Fernando Henrique, o convidou para ser o seu Vice na quarta tentativa.

Lula assustava o mercado e precisava de um Vice que passasse mais credibilidade e equilíbrio às forças do capital. José Dirceu, então Presidente do PT, foi a Minas fazer as sondagens e o Alencar topou.

Como Vice-Presidente nos dois mandatos do Lula o Alencar empunhou a bandeira contra os juros altos, mas isso não gerou atrito entre os dois. Lula sempre respeitou Alencar.

A bandeira do Brasil hasteada a meio pau no pátio do STJ me fez desconfiar que a infausta notícia que poderia se confirmar a qualquer hora, desde ontem quando o Alencar, já sem as esperanças gerais, saiu de casa para o hospital, acabara mesmo de se confirmar. 
 

O câncer que o matou hoje aos 79 anos de idade o corroía há mais de 13 anos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

PV do B

Passados apenas alguns meses da expressiva votação recebida por Marina Silva nas eleições presidências, o Partido Verde já decreta sua divisão. Não pode ser outra a leitura do resultado da reunião da Executiva Nacional do partido realizada na última quinta-feira 17.

Por 29 votos a 16 foi aprovada resolução apresentada pelo deputado José Sarney Filho (MA), prorrogando o mandato da atual direção, comandada pelo deputado José Luiz Penna (SP), por mais um ano.

A decisão foi um soco no estômago do grupo liderado por Marina Silva, que desde que aderiu ao PV, no final de 2009, nutria a ilusão de "reformá-lo por dentro". Na reunião da semana passada, a proposta do deputado maranhense foi apresentada logo em seguida a uma longa explanação do deputado federal Alfredo Sirkis (RJ), vice-presidente da legenda.

Integrante do grupo de Marina, Sirkis propunha uma detalhada agenda de atividades para o partido e levava em conta que seria mantido para este ano o calendário que determinava a realização de uma convenção para a renovação da direção partidária.

Penna, presidente do partido já há doze anos, articulou-se primeiro e surpreendeu seus adversários internos. A ex-senadora – que reagiu com indignação à proposta – ainda teve que passar pelo constrangimento de ouvir uma indesejável comparação com o ex-futebolista Ronaldo: "a era dos fenômenos acabou", afirmou um dos defensores de Penna, ao lembrar que o sucesso eleitoral de Marina não tinha resultado no crescimento da bancada verde na Câmara.

O artigo publicado por Sirkis em seu blog e aqui republicado dá toda a dimensão da gravidade da crise. Impossível lê-lo sem concluir que as malas de Marina e Sirkis começaram a ser arrumadas. Junto com eles devem partir Guilherme Leal, Fernando Gabeira, Ricardo Young, Sérgio Xavier, João Paulo Capobianco, Luciano Zica, Marco Mroz e Mauricio Bruzadim, entre outros.Como as eleições de 2012 batem às portas, vem aí o PV do B. Com Penna e Sarney Filho, fica o PV. A amargar também as perdas que deve contabilizar em sua bancada para o PSD (ex-quase PDB) de Gilberto Kassab, hoje nas bancas.

Um caso explícito de autofagia verde. O cineasta Fernando Meirelles, apoiador efusivo da candidatura de Marina à presidência, pode liberar o uso do título do seu "Ensaio sobre a Cegueira" para a resolução aprovada pela direção do partido.

(Celso Marcondes, da Carta Capital.)