sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Aldirzinho

Há 13 anos no STJ onde chegou como Desembargador Federal do TRF-1, o Ministro Aldir Passarinho Junior pede agora para sair.

Aldirzinho, como é mais conhecido, e o diminutivo é de afeto porque é filho do Ministro Aldir Passarinho, ex Presidente do TSE e do STF, pessoa muito querida nos meios jurídicos, teria ainda, se quizesse, mais 12 anos pela frente até alcançar a aposentadoria compulsória. Ele tem 58 anos de idade.

Sua despedida, agora em definitivo, está marcada para 18 de abril. A lista triplice a ser feita pelo STJ após a abertura da vaga será composta apenas por Desembargadores federais.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

No Campo de Centeio

The Catcher in the Rye, de JDSalinger, chegou em 1965 na Editora do Autor, no Rio de Janeiro, fundada por Fernando Sabino, Rubem Braga e Walter Acosta. Acharam o livro ótimo, mas o problema era o titulo.

Rubem Braga inventou a tradução do titulo, O Apanhador no Campo de Centeio. Anos depois a editora fechou, mas o Apanhador continua vendendo muito ate hoje.

Apanhador passou também a designar homem que apanha de mulher.

Agora mesmo pintou um caso de grande repercussão no Rio de Janeiro.

A ex Vereadora Veronica Costa, funkeira conhecida como Mae Loura, esta sendo procurada pela Policia porque o seu marido, Marcio Costa, 34 anos, empresário, cansado de tanto apanhar dela, registrou queixa na Policia.

O marido da loura cheio de queimaduras esta internado num hospital sem previsão de alta. Não é caso de violencia doméstica e se aplicar em favor dele a Lei Maria da Penha?

Mapeado

O Maranhão continua imbatível na disputa com Alagoas no campeonato pelo primeiro lugar no que não presta. Agora é no mapa da violência que o José Eduardo, da Justiça, divulgou hoje.

O Rio de Janeiro, que executa desde o primeiro Governo Cabral a politica preconizada pelo PRONASCI / Programa Nacional de Segurança com Cidadania, é o Estado que ostenta a maior queda na violência, entre 1998 e 2008.

O Maranhão, o primeiro a adotar a politica da segurança com cidadania em 2007 e o primeiro a abandoná-la em 2009, é o Estado que ostenta o maior crescimento da violência no Brasil. Passou de 300%.

Semelhanças

Saad Dejebbar, inglês de origem argelina, Professor de Direito e Advogado na Inglaterra, defendeu Kadafi da acusação de mandante da explosão do avião da Pan Am, em 1988, quando morreram 270 pessoas.

Defender Kadafi agora de qualquer coisa é causa impossível, diz Saad.

- Defendi o Governo líbio, mas nunca fui defensor do regime. No plano pessoal, porém, sinto o que muitos árabes sentiram em 1969, quando Kadafi tomou o poder na Líbia. Ele era uma figura carismática, um símbolo do pan-arabismo, do nacionalismo e de uma postura desafiadora contra os interesses americanos, sem falar numa defesa dos palestinos. Uma espécie de Che Guevara para o mundo árabe.

E depois, hoje?

- Kadafi perdeu o prazo de validade. Foi corrompido pelo poder e ficou cada vez mais alienado, até porque cercou - se da família e criou um sistema de pactos tribais. Usou de repressão e violência. Nada soou tão triste quanto aquele discurso em que ele simplesmente disse personificar o povo líbio. Isso num momento em que o mundo árabe inteiro está sendo varrido por uma onda de poder popular.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O Jovem Predador

Há quem diga na minha idade já não me cabe mais fazer isso ou aquilo. Ora, o mais grave a partir de certa idade não está em não fazer isso ou aquilo.

O mais grave na maturidade, e pior ainda na velhice, não é a perda das capacidades oftálmicas ou auditivas, que vão se reduzindo de forma inexorável, ou da memória. E quejandas.

O mais grave a partir de certa idade, digamos assim,  chegando à maturidade até alcançar a velhice, é a perda da noção do ridículo. Não há nada mais ridículo do que um velho arrogante e ridículo.

Mas eu quero é falar bem dos velhos, melhor dizendo dos mais vividos, louvando - lhes a sabedoria, a prudência, essas coisas resultantes da experiência que se transmudam e ficam em grandes lições de vida.

Eu pensava nisso quando o Luiz Raimundo, meu quase irmão de uma vida inteira, manda essa historinha, a qual para mim, e com certeza para você aí também, vem a calhar bem no tema.

Uma idosa senhora foi a um safári na África levando o seu velho cão vira latas. Um dia, caçando borboletas, o velho cão, de repente, se deu conta de que se perdera.

Vagando a esmo, em busca do caminho de volta, remoendo aquele verso de José Américo, no caminho da volta ninguém se perde, ninguém se perde, o velho cão percebeu que um jovem leopardo o seguia.

Vendo uns ossos espalhados, restos da mesa farta de algum outro inimigo, o velho cão chegou mais perto, um olho nos ossos e outro olho no jovem predador que se aproximava e passou a fazer de conta que os roía.

Ao notar que o jovem predador contava a regressiva para lhe dar o bote, o velho cão calmamente, ajeitando aquela ossada com odor de véspera, falou alto e compassado, palavra por palavra que nem um rei gago lendo um discurso. Oh cara, este leopardo estava delicioso. Será que há outros por aí?

Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um arrepio de terror, sustou o seu ataque e saiu arrancando a cem por hora como quem busca asas para se esconder nas nuvens. Carrajo! Exclamou num alivio. Essa foi por pouco. O velho vira lata quase me pega.

Aqui entra em cena um macaco. Historia de leão que não tem macaco fica insossa. E o que faz o nosso distante ancestral? Esse jovem leopardo é um perigo e eu preciso da proteção dele. Engendrou.

O macaco contou então ao jovem predador que aquilo tinha sido uma inteligente jogada do velho cão. Fulo de raiva, o leopardo como se brincasse de surrão, quer comprar surrão, quer comprar, sai com o macaco nos ombros atrás do velho cão. Canalha, vais me pagar. Resmungou raivoso.

Novamente o velho cão surpreende. Ao ver os dois correndo, o macaco se pendurando nos ombros do leopardo, os dois correndo, mancomunados, querendo agarrá-lo, o velho cão fica na sua, de costas para o perigo. Parado.

E só quando os dois estão bem perto, o velho cão novamente quase soletrando as palavras, que nem um rei gago, indaga num tom firme. E cadê o filho da puta daquele macaco? Estou quase morrendo de fome! Ele me disse que ia trazer outro leopardo para eu comer e não chega nunca!

Moral da história. Completa o Luiz. Não subestime um cachorro velho. Idade e habilidade são mais que juventude e intriga. Sabedoria não vem apenas com a idade. Vem com a experiência. Vale ser astuto. Nunca ridículo.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Reduzindo

Agora tranquilo com o resultado da sua proposta de salario mínimo na Câmara, e convicto de que não haverá surpresas no Senado, o Governo cuida dos ajustes na previsão de arrecadação considerando a redução que fará na tabela do Imposto de Renda para pessoas físicas.

A redução que o Governo quer fazer será de 4,5%, abaixo da inflação do ano passado que fechou em 6,4%.

Os contribuintes de menor renda serão os maiores prejudicados, eis que um grande contingente seria isento este ano se a correção seguisse a inflação medida pelo INPC / Índice Nacional de Preços ao Consumidor.

De Corpo Inteiro

O principio constitucional da presunção da inocência garante que não pode haver culpa antes do transito em julgado da condenação.

Quem apura, processa, julga e absolve ou condena é o Judiciário. Não é jornalista, nem dono de TV, de rádio ou de jornal. Ninguém. Só o Poder Judiciário.

O então metalúrgico João Paulo Cunha, muito admirado na região de Osasco, SP, foi eleito Deputado Federal sobressaindo-se como líder do PT e depois como Presidente da Câmara.

Envolvido no escândalo do mensalão, um suposto esquema de pagamento de propinas a parlamentares para que votassem sempre a favor dos projetos do Governo no Congresso, João Paulo foi denunciado com mais outros 38 acusados e o Supremo recebeu a denúncia.

O processo tem 41 mil páginas em 191 volumes e 433 apensos. Há diligencias em curso a pedido de réus e do Ministério Público. O Relator, Ministro Barbosa, disse que vai precisar de um ano de isolamento só para redigir o seu voto.

Não há a menor chance dos acusados, dentre eles José Dirceu, serem julgados antes de 2012..

Esclarecido, portanto, que ninguém até aqui está condenado por crime algum, é bom lembrar que constitui ofensa à Constituição da Republica execrar o Deputado João Paulo Cunha na chamada grande mídia como se ele ou outros acusados fossem fugitivos do sistema penitenciário.

Se João Paulo, no calor das fogueiras da lei da ficha limpa, foi considerado elegível pela Justiça Eleitoral e se foi eleito e diplomado e tomou posse é porque não pode pesar até aqui nenhum impedimento ao exercício dos seus direitos de cidadão, em especial o de exercer o seu mandato popular em toda integralidade.

É fascismo o que fazem os que acusam sem provas ou simplesmente execram os outros em público sem que tenha havido antes transito em julgado de eventual condenação.

Degustando Sorvete

Posto para correr pela voz rouca das ruas do cargo de Presidente da Tunísia que vinha exercendo há 23 anos, Bem Ali, 74 anos de idade, foi para uma sossegada mansão no mar vermelho, onde de tanto queixar - se da solidão da falta de poder começou a sentir umas dores esquisitas no peito e antes que fosse muito tarde internou-se num hospital.

Seu quadro clínico, disseram os médicos, não é muito alentador. Sofreu um derrame e está em coma.

Os déspotas, não só os metidos a esclarecidos quanto os medievais e anacrônicos, tanto no poder quanto depois de apeados, não gostam de assessoria de imprensa de verdade. Preferem os lacaios geralmente pagos com dinheiro público.

Um dos lacaios de Bem Ali falando a jornalistas do Ocidente disse que seu ídolo e chefe não teve derrame nenhum, que ele está bem e que hoje até saboreou um sorvete de tâmara.


Ciência e Simpatia

Não já lhe aconteceu de estando você entre duas ou mais pessoas numa conversa e, de repente, o celular tocar, tocar, e ninguém atender?

É que muitas vezes há coincidências de toques e daí alguém não se dar conta de que o telefone que toca é o seu.

Um taxista em Fortaleza inoculou no seu celular a voz da sua mulher dizendo três vezes amor atende, na primeira num tom bem carinhoso, na segunda num tom seco e, finalmente, um amor atende num tom estupido dizendo palavrões. Vi o homem atender rindo.

Por anos o toque do meu celular era um som de ficção cientifica e como nunca encontrei ninguém com um toque igual tinha garantida a certeza de que se um telefone soasse daquele jeito sem duvida que era o meu.

Depois com o tempo nem eu mesmo aguentava. Agora, se alguém ouve latido de cão e não há cão por perto sem dúvida que é o meu celular. As pessoas por perto acham graça e eu também, isso ajuda a manter aceso o bom humor.

Fui menino criado solto nas beiras de rio, de riacho, no mato onde ia buscar lenha e apanhar frutas, eu tive um cachorro, tive um jumento, que me ajudaram muito a me escafeder da solidão quando o cansaço do trabalho me tirava a disposição para os livros e a alegria para cantar e sonhar.

Não confio em quem não gosta de criança e de bicho, não necessariamente nesta ordem. Geralmente são pessoas de alma seca, que não se encantam com uma canção nem com um poema, sem tempo para os sonhos e, coitadas, até pensam que sabem, mas não sabem o que é o amor e, por isso mesmo, nem sabem amar.

Por falar em criança e bicho, estou lendo aqui que numa pequena vila do leste da Índia, mais precisamente em Patarpur, Estado de Orissa, um menino de dois anos de idade se casou, ou melhor, casaram-no, com uma cadela, o que por lá é comum, espécie de simpatia para espantar os maus espíritos e a má sorte.

O noivo chamado Sagula Munda foi levado para a casa onde vive Jyotti, a noiva cadela, em um riquixá, o veiculo tradicional no Oriente, decorado. A cerimonia foi celebrada por um religioso, de acordo com as tradições do hinduísmo, com cânticos em sânscrito e um banquete.

O garoto, segundo seu pai, Sanrumula Munda, tem um problema de dentes que se não fosse resolvido a tempo, através do casamento com a cadela, agradando-se assim também a uma divindade tribal, acabaria por contaminar de mau agouro toda a família e sua vizinhança.

No Japão, os cientistas anunciam que a colonoscopia, um exame constrangedor e incômodo para detectar o câncer nos intestinos, já pode ser feito sem necessidade de câmera e de anestesia.

Aquilo tudo agora já se substitui pelo focinho de um cão labrador cujo faro detecta câncer até mesmo onde a colonoscopia com o seu invasivo passeio de câmera se mostra ineficaz.

Calma, amiga, amigo. Sem drama. O examinado não precisa se expor às proximidades do focinho do labrador, não. Tudo se realiza a partir das amostras, amostras das fezes do examinado.