Quem vê Marlon Brando encarnando Don Corleone no filme de Francis Ford Copolla, tirado do romance de Mário Puzo - O Poderoso Chefão - chega a acreditar que o mundo dos mafiosos era aquele glamour inteiro.
Corleone, no começo uma vitima da violência entre as famílias e da impunidade estatal, no vilarejo em que vivia na distante Sicilia, onde viu o seu pai assassinado numa cruel vindita, escapando ele também de ser morto, embarca num navio de emigrantes para Nova Iorque.
Ainda rapazola se inicia na transgressão cometendo pequenos furtos até que um dia, em meio à procissão do padroeiro dos italianos, com um tiro de revólver acaba com a folga de um temido achacador, espécie de dono do bairro.
Tendo destruído um instrumento do medo e do mal, Corleone logo se credencia no respeito das pessoas de bem e dos bandidos também. Com o tempo, vai formando sua própria famiglia.
Marlon Brando, e os demais do elenco sob a direção irrepreensível de Copolla, dá tanta veracidade à personagem, que no final morre de forma melancólica num enfarte fulminante enquanto brincava com o neto no quintal de sua casa, depois de passar a vida inteira escapando de atentados.
A ficção desafia tanto a realidade que a historia teve que ser retomada em outros dois filmes – O Poderoso Chefão II e O Poderoso Chefão III.
Nessa seqüencia de chefão e de chefinhos é que mora o perigo para os que se sentem melhor levando a vida no cumprimento dos deveres cívicos e no estrito cumprimento e respeito à lei, à ordem democrática.
A saga da famiglia Corleone contada por Copolla em seus filmes passa a idéia de um núcleo singelo que apenas se defendia no seu direito de sobreviver jogando as regras consentidas de então.
Digo consentidas porque, no apoio às transgressões legais dos Corleones, havia um entourage de pessoas supostamente a serviço da lei, dentre elas políticos, incluindo senadores, juízes, chefes de policia e jornalistas.
Corleone tinha o seu lado mecenas apadrinhando vocações artísticas de bom nível e também as que não conseguiam emergir da própria mediocridade.
Na medida em que envelhecia, tornava-se mais autoritário, mais vingativo e mais cruel, e mais leniente com os descaminhos dos filhos e do genro.
O Corleone de Marlon Brando, Copolla e Puzo, é apenas um emblema muito bem construído tentando mostrar que os mafiosos, eles também, são contraditoriamente capazes de matar e de amar.
A história enumera as principais famílias de mafiosos que deram muito trabalho à Policia e à Justiça nos Estados Unidos.
Em 1922, a famiglia Genevose somava 250 membros, afora 600 membros associados. Atuava na jogatina, indústria têxtil, pornografia e extorsão.
Por ter sido o cara que deu melhor estrutura ao crime organizado, Lucky Luciano foi eleito pela revista Time uma das 20 maiores personalidades do século 20 no mundo dos negócios, ao lado de nomes como Bill Gates.
Outros chefões, como Joe Bonano, Gambino, Joe Colombo, este hiper católico, fizeram história no mundo do crime.
Para mim, o mais genial de todos eles foi Tommy Lucchese, que foi chefe mafioso durante 50 anos e jamais foi condenado por qualquer crime.
Lucchese, o Poderoso Chefão perto de quem Al Capone era fichinha, morreu velhinho de causas naturais. Deixou muitos seguidores pelo mundo afora.