quinta-feira, 22 de abril de 2010

Justiça Federal

Das 230 Varas da Justiça Federal que eu deixei encaminhadas, antes de renunciar à Presidência do STJ para candidatar-me a Governador do Maranhão, já está certo que uma será instalada em Bacabal, no Vale do Mearim e duas em São Luis, sendo uma delas exclusiva para as questões de Direito Ambiental.

As outras duas Varas, que eu pretendia instaladas em Balsas, na região sul do Estado, e em Barra do Corda, ficarão para depois e eu não vou desistir desse propósito.

Há hoje uma luta enorme para que mais Varas da Justiça Federal sejam instaladas no interior do Brasil, onde a criminalidade de todos os matizes tem aumentado.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

De Novo

Outra vez, Serra na frente.

Agora é o Ibope que mostra o candidato do PSDB com 36% contra 29% de Dilma.

Em pesquisa anterior, Serra tinha 5 pontos à frente de Dilma e agora está com 7 pontos.

Num hipotético segundo turno, ele vence de 46% a 37%.

Em terceiro lugar, ainda vem Ciro agora empatado com Marina – 8%.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ação Rescisória

Engambelados em sua boa fé, quatro juízes acreditando que estavam aplicando um corretivo aos abusos do poder político cassaram o mandato de um governador.

Jackson foi o primeiro a vencer uma eleição quebrando uma hegemonia de quarenta anos em que o Maranhão esteve sob o controle de um mesmo grupo político, e na maioria das vezes sob o domínio absoluto de uma só pessoa.

Nesse tempo todo o Estado rico por suas potencialidades só conheceu o atraso político e a miséria social. Metade da população hoje está no bolsa - família e só a outra metade ainda não está por inteiro no bolso de uma ou duas famílias.

Quando o ainda chefe da oligarquia dominante ascendeu ao poder na crista de uma onda de indignação popular vencendo as eleições com indisfarçável apoio do regime militar, cujos asseclas se apresentavam aos medrosos chefes políticos interioranos em nome do Marechal Presidente de então, ainda assim o nosso Povo viu naquele momento o fincar de esperanças firmes de libertação exemplar e de vigoroso progresso.

Vencidos os vinte anos do caciquismo vitorinista e transcorridas as ultimas quatro décadas do mandonismo oligárquico, o nosso Povo só conheceu ate aqui a humilhação da fome, a prepotência do atraso social, a arrogância da verdade única pela manipulação dos meios de comunicação favoráveis, a asfixia financeira dos que, leais à historia do nosso Povo, se recusam às louvaminhações.

Os políticos do interior que não deram o lombo à taca sofreram perseguições horrendas. Recursos públicos destinados aos Municípios foram sonegados quando os Prefeitos não confessavam o credo do grupo dominante.

A política nessas seis décadas dos dois domínios, um de vinte anos e outro de quarenta, sempre foi movida com as ferramentas da perseguição e o combustível do ódio.

No antigo regime do caciquismo, a lei se resumia à máxima segundo a qual o inimigo tem que ter defeito e se não o tem, então se inventa um. Outro mandamento dizia – quem come do meu pirão apanha do meu cinturão.

A oligarquia seguinte modificou alguns conceitos como aquele segundo o qual para os amigos tudo, para os inimigos a lei. O circulo de poder foi se estreitando e a lei deles também foi se adequando ate que ficou assim – para a sagrada família tudo. Para os amigos da sagrada família, a lei.

E para os inimigos? Para os inimigos as denuncias inventadas, as injurias e as calúnias encorpando os processos, a boa fé dos juízes disponíveis nos tribunais possíveis.

E foi assim que o Povo do Maranhão que, contrariando as vontades de quem se julgava e ainda se acha seu dono votou contra, elegendo o Jackson, se viu contestado judicialmente, a sua vontade majoritária revogada numa farsa processual pela boa fé de juízes disponíveis num tribunal possível.

O processo correu célere e solto em escancarada supressão de instancia. A instrução se deu toda por delegação, o relator do feito ausente em todos os momentos processuais.

Como um relator pode formar sua convicção se ele não participou da instrução? A convicção do Juiz para decidir ao final se forma ao longo da instrução que ele próprio preside. É a lógica do sistema adotado no Brasil.

Tudo se deu em ofensas ostensivas a princípios fundamentais do estado de direito democrático, a valores republicanos e, pior, em negativa de vigência ao parágrafo único do artigo primeiro da Constituição da República – todo o poder emana do Povo que o exerce por meio de representantes eleitos.

E não obstante a violência da cassação, de boa fé, a pessoa rejeitada nas urnas pelo Povo, fonte de todo o Poder numa democracia, foi quem assumiu o Governo. Sem nova eleição, sem nada.

Os recursos com os mesmos argumentos e provas, estes sim com provas, demonstrando que ela, sim, se beneficiou de vantagens indevidas e cometendo abusos de poder ainda dormitam esquecidos nos escaninhos disponíveis dos tribunais possiveis, que não os julgam.

A data de amanhã, um ano depois do golpe de estado pela via judicial, é de grande significação. Estamos a pouco tempo de desempatarmos esse jogo injusto e nefasto acreditando que o Povo do Maranhão responda dizendo nas urnas quem pode mais.

Nestas eleições o Povo é quem vai dizer se a eleição do Jackson valeu e se valeu a sua cassação terá que ser revogada pela ação rescisória do voto popular. 

terça-feira, 13 de abril de 2010

Elas e Elas


Nesta fase tem pesquisa a partir de tudo e para todo gosto.

Hoje saiu uma do Sensus indicando 32,7% para Serra e 32,4% para Dilma.

A pesquisa encomendada por um sindicato de São Paulo ouviu 2 mil pessoas em 24 Estados e foi fechada na véspera da pré-convenção que lançou Serra para Presidente.

O Brasil tem 27 Estados e um Distrito Federal. Nessa geografia estão 132 milhões, 629 mil, 575 eleitores.

Daqui até faltando 30 dias para as eleições, as pesquisas vão dividir muitas pessoas entre as que, incrédulas, se sentirão ate injuriadas e as que, enganando a si mesmas, ficarão felizes com as suas ilusões.

Café com Leite

Como registrou Noel Rosa, Minas dá leite, São Paulo café e a Vila Isabel dá samba...

Em cima disso, criou-se a política do café com leite que, traduzindo, significa que quando o Presidente sai de São Paulo o sucessor vem de Minas.

Esse pacto funcionou na Republica Velha e foi retomado com a eleição de Lula, de base política paulista, tendo Alencar de Vice, da base empresarial de Minas.

Agora, saindo Serra de São Paulo para a Presidência, Minas já se qualifica para, na próxima sucessão, indicar Aécio, o qual terá, nesse pacto, o maciço apoio paulista.

Serra, a convite de Aécio, começa sua jornada a partir de Minas, no dia 19 deste mês, segunda feira.

Ridículo

A ordem de Lula é prevenir para impedir que ele e Dilma voltem a ser envolvidos em situações oficiais que causem ridículo.

O porto que Lula e Dilma haviam inaugurado há duas semanas em Humaitá, Amazonas, desabou ontem. Por isso a decisão do Presidente agora de mandar checar tudo antes de inaugurar.

No Rio de Janeiro, pouco antes de deixar a Casa Civil, Dilma inaugurou um hospital em meio a um festão de políticos, pompa e circunstancia, sem saber que o Governo federal não havia caído com um tostão sequer na obra.

Antes, ela e Lula haviam inaugurado um gasoduto que, na verdade, só vai estar pronto para funcionar em setembro.

Problema


Lula está de volta correndo da viagem aos Estados Unidos não vendo a hora de aterrissar no campo da recém nascida campanha de Dilma para abafar alguns focos de incêndio surgidos tão logo resolveu deixar sua candidata sozinha.

O Presidente acha que ela tem que começar a andar com os seus próprios pés, assumindo discursos próprios e liderando seu staff de campanha.

Ontem ela foi a Fortaleza, Ceará, causando um rebuliço suficiente para irritar os aliados de Ciro, do PSB, aliado de Lula. Ciro, não querendo confronto direto viajou para São Paulo, mas Patrícia, a Senadora do PDT, também da base aliada, disparou:

- Não se trata aliado dessa forma e não se ganha eleição passando por cima dos outros. Ciro foi um dos Ministros mais leais ao Presidente Lula. Mais leal ate do que os Ministros petistas. E agora a segunda visita da campanha da Dilma é ao Ceará? Ela veio aqui fazer o que? Por que não espera pelo menos a definição do PSB sobre a candidatura presidencial? Isto é uma afronta.

Na Bahia, onde remanescentes de ACM começam a se entender com Geddel, enfraquecendo o palanque do PT, os adversários de Dilma festejam.

- Quanto mais eles comerem o couro um do outro, melhor para nós. É um desastre para a campanha. O ambiente não está bom para Dilma vir à Bahia. Ainda mais se resolver visitar o tumulo do ACM. Tancredo ainda foi gentil, mas ACM é capaz de se virar no sarcófago. – Disse João Almeida, líder do PSDB na Câmara.

O Globo, do Rio de Janeiro, destaca hoje os incidentes causados pela suposta inabilidade política de Dilma, uma semana depois de ter deixado a Casa Civil para sair em pré-campanha.



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Prende e Solta

A prisão preventiva pode ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indicio suficiente de autoria.

Arruda, ainda Governador de Brasília, foi acusado de atrapalhar as investigações, mandando corromper uma testemunha.

Isto bastou para que Fernando, Relator do caso no STJ, apoiado em maioria de votos na Corte Especial, lhe decretasse a prisão preventiva.

Agora a pouco, por proposta do Relator do caso, o STJ revogou o seu decreto de prisão de preventiva e mandou soltar Arruda. Os fundamentos que justificaram sua prisão não mais subsistem. Assim entendeu a maioria dos Ministros da Corte Especial.

domingo, 11 de abril de 2010

Aecinho


O doutor Tancredo chamava o seu neto Aécio, carinhosamente, de Aecinho.

O pai de Aécio, o Deputado Federal Aécio Cunha, foi meu colega na Câmara. Sempre estivemos muito próximos por conta da minha ligação política com o doutor Tancredo, ligação essa que com o tempo foi se tornando afetiva.

Fui um dos consultores jurídicos de Tancredo na montagem do Partido Popular, o PP que faria a ponte para a transição do regime autoritário para a democracia.

Viajamos juntos pelo País, ampliando as bases do PP. Foi quando, apresentado por Tancredo, conheci valorosas figuras da política nacional.

No Maranhão, Tancredo só esteve duas vezes.

A primeira, a pedido de Getulio Vargas, de quem fora Ministro da Justiça, para arquitetar a eleição de Chateaubriand para o Senado.

Naquele tempo não havia exigência de domicilio eleitoral. O dono dos Diários Associados, não obstante ser à época um dos homens mais poderosos do País, o que prova que em eleição dinheiro e poder nem sempre são tudo, não se reelegeria Senador por seu Estado, a Paraíba.

Tancredo me contou que o Maranhão, pelas peculiaridades eleitorais, era o único lugar no Brasil onde Getulio poderia garantir a Chatô uma eleição segura. A oligarquia então reinante sob o comando do Senador Victorino Freire mantinha tudo dominado.

Getulio precisava agradar a Chatô, a que preço fosse, porque iria precisar do seu apoio para eleger Juscelino, então Governador de Minas, à sua sucessão.

Por ordem de Victorino, um Senador e seu Suplente renunciaram abrindo-se a vaga para Chatô candidatar-se.

O próprio Juscelino foi depois ao Maranhão se encontrar com o então Governador Eugenio Barros, prometendo-lhe o Ministério da Agricultura se fosse eleito.

A segunda vez que o doutor Tancredo esteve no Maranhão foi para me dar posse na Presidência estadual do Partido Popular. 

O PP incorporou-se pouco depois ao PMDB para escapar do casuísmo do voto vinculado, uma armadilha do regime autoritário para tirar da Oposição a maioria que se auspiciava no Colégio Eleitoral que elegeria o próximo Presidente.

Os governistas de todos os plantões apostavam em Maluf Presidente. O eleito foi Tancredo cabendo a Vice a um ultimo dissidente do regime em decadência, o atual Presidente do Senado

O discurso de Aecinho ontem na pré-convenção do PSDB-DEM-PPS é para ser lido e guardado. Eloquente e firme. Ousado sem ser inconseqüênte. Passou credibilidade, confiança e esperança.

Anota aí. Depois do Serra, quem ainda estará com tudo para ser o Presidente do Brasil vai ser o Aecinho, o neto querido do doutor Tancredo.