domingo, 11 de abril de 2010

Estocadas

Na pré-convenção, ontem, em Brasília, em que PSDB, DEM e PPS decidiram que Serra será o candidato a Presidente da Republica, cada partido, por seus dirigentes, como nas lutas de boxe, deus seus pulinhos e estocadas iniciais. Assim:

Rodrigo Maia, Presidente do DEM:

- O atual governo não aceita críticas, não tolera adversários e opositores; não gosta da imprensa livre. Quantas vezes tentaram, e depois tiveram que recuar, na tentativa de controlar e manipular a liberdade de expressão?

Sergio Guerra, Presidente do PSDB:

- O Brasil quer seguir alguém que jamais foi líder, sempre foi auxiliar burocrática? Ou prefere alguém que tem provado sua capacidade de líder e equilibrado desde a juventude? Serra não é um improviso.

Roberto Freire, Presidente do PPS:

- A pregação de um Estado forte, da forma como vem se articulando, está longe das concepções de esquerda e mais e assemelha a idolatria estatística do fascismo.

Detalhe. O PTB também apoiará Serra. Roberto Jeferson, portanto, ainda falará.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ladrones


Sem perder de vista os tempos de agora, bons tempos, talvez, foram aqueles em que os ladrões de alguma forma até mais românticos pareciam se contentar com tão pouco.

A crônica policial chamava a uns de larápios, a outros de descuidistas. Batiam carteiras, afanavam objetos. Alguns, como no filme de De Sica, roubavam bicicletas.

Os temidos assaltantes circulavam nas trevas, depois da meia noite, e um deles nem precisou de pé de cabra para invadir a inspiração do poeta Déo Silva.

Em boa hora, foi socorrido por suas musas num registro policial que começava assim – Caxias à noite / uma rua, um ladrão e eu / a bolsa ou a vida! / Consultei-as / ambas estavam vazias.

Soube de uma mãe que vivia orgulhosa dos sucessos do filho e mais orgulhosa se mostrava quando ele lhe aparecia em trégua da militância dupla entre exposições e mistérios na Capital da República, que era então no Rio de Janeiro.

A vocação para o peculato só a revelou mais tarde, muito depois da mudança da Capital para Brasília.

Antes, movia-se timidamente entre estelionatos da boa fé e a bater carteiras de esperanças dos que se quedavam à sua lábia sedutora. A mentira e a traição lhe renderiam depois a fortuna indubitável.

Tirando os tipos assim, e ainda não eram muitos, os larápios de então corriam muito risco, e ai dos que incitassem os faros de detetives como Zé Verde ou de repórter policial como Amado Ribeiro.

Nelson Rodrigues que o diga!

A crônica policial dos tempos de agora se ocupa, volta e meia, com delinqüentes, em tese, dos cofres públicos, a maioria de nível municipal, e ultimamente deu para falar muito num Prefeito conhecido como Mãos de Ouro.

Do que acusam o alcaide de Satubinha, o qual já está preso depois de ter sido tirado do cargo? De ter contratado serviços sem licitação. De ter contratado fornecimento de materiais para a Prefeitura sem licitação.

Como o Arruda, ao ser preso ainda como Governador de Brasília, o Mãos de Ouro teria perguntado na cadeia – mas, por que eu? E os outros?

Os outros são os corajosos e dotados de uma fé que só eles acham capaz de remover aquelas montanhas, as montanhas da impunidade.

Daí que milhões e milhões dos cofres públicos saíram ligeiros sem licitação para despesas como essa que os jornais estão falando e que serão realizadas no prazo de até um ano, em dias consecutivos, contados de agora.

Depois que morreram 16 crianças por falta de leito hospitalar em Imperatriz, no sul do Maranhão, o que provocou uma onda de protestos indignados na grande imprensa do País, logo se soube da destinação de 11 milhões de reais para as obras de um hospital.

Para que as estradas sejam recuperadas de modo a que possam ser trafegadas com segurança, a quanto se somará a conta dos mortos nos acidentes?

Entre os problemas mais preocupantes no Maranhão, a corrupção é quase imperceptível para a grande maioria da população, a qual tem para si prioridades mais imediatas.

O Maranhão ainda é hoje, proporcionalmente, o maior enclave do atraso em tudo.

As mais humilhantes das privações humanas, a fome de não ter o que comer e a fome de não ter como saber, esta tecnicamente chamada de analfabetismo, são pandemias crescentes atacando vorazmente a população.

Quem não tem o que comer e nem sabe como saber, como vai entender essa outra questão sistêmica chamada corrupção?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Leguleios

Não é esta a primeira vez que o cargo de Presidente da Republica escorrega na cadeia de substituição, indo agora para o Presidente do Senado.

Uma vez, quando não havia Vice porque o Vice já era o Presidente e ninguém falou que se devia eleger um Vice para o Vice que ascendera, pela morte do titular eleito, à titularidade, a Presidência foi parar por uns dois ou três dias na mesa do Presidente do Supremo.

Agora, o Presidente viaja e o Vice porque quer ser candidato improvisa uma viagem e o Presidente da Câmara porque também será candidato nem que seja à reeleição para Deputado também improvisa uma viagem.

Todos para fora do Brasil. Período durante o qual, por estarem ausentes, não estarão sujeitos à jurisdição presidencial do substituto protocolar para quem a Presidência escorregará, o Presidente da Mesa do Senado.

O Time

Está completo o time no TSE para as eleições deste ano.

Pelo STF estarão Lewandowiski, Presidente; Carmen Lucia, Vice; Marco Aurélio, vogal. Na suplência, Tóffolli e Ellen.

Pelo STJ, Aldir Passarinho e Hamilton Carvalhido, titulares. Eliana Calmon e Nancy Andrigui, suplentes.

Pela advocacia, continuam Marcelo e Versiani, sendo suplentes Henrique Neves e Joelson Dias.

Pela tradição, os suplentes de hoje são os titulares inarredáveis amanhã.

Biscoito

Ao votar pela multa de 5 mil reais a Lula, por fazer campanha antecipada para Dilma, Brito no TSE doutrinou:

- A qualidade da vida política no Brasil é ruim por essa promiscuidade entre projeto de governo e projeto de poder. Ninguém foi eleito para fazer o seu sucessor, mas para implementar seu projeto de governo.

- Quando o chefe do Poder Executivo só pensar em fazer o sucessor, ele desvia o olhar do projeto de governo para o projeto de poder, como acontece em alguns países muito próximos ao nosso.

- Essa confusão entre projeto de governo e projeto de poder é cultural, infelizmente.

- Está na cabeça dos prefeitos, dos governadores e do presidente da Republica, quem quer que seja ele. Se acham na obrigação de fazer o sucessor e se afastam 2, 3 meses do mandato para se dedicarem a isso. Ele foi eleito para um mandato cheio e não para fazer sucessor.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Os Custos

O juiz apita decretando que o jogo acabou, a torcida do time vencedor em êxtase cerra os punhos e como se quisesse atirar as mãos no ar vibra e grita.

Cada um dessa torcida do time que venceu profere impropérios, diz o que lhe dá na telha, não interessa o conteúdo, o que conta é a vitória final, o seu time venceu.

No gramado, as alegrias espocam incontidas, os onze vencedores dão a volta olímpica em torno do gramado, mas a taça que simboliza a vitória alcançada é entregue apenas a um jogador, geralmente o capitão do time

Ninguém vai se lembrar do quanto custou para muitos, desde muito antes, aquele momento tão ansiado e de tantas alegrias. Ninguém depois vai querer contabilizar os custos.

Quantos nos treinos foram eliminados para que a seleção resultasse a melhor possível?

Quantos não tiveram que acorrer, na diretoria, quitando dívidas atrasadas ou contraindo novas dívidas para que, chegando o dia decisivo, ninguém reclamando de nada, o ambiente fosse invadido pela confiança da coesão interna, todos na mesma disposição de luta querendo vencer?

E quantos, no anonimato das arquibancadas, sendo apenas torcedores, mas imprescindíveis à vitória porque time sem torcida ativa não joga quente para ganhar, quantos na torcida não foram xingados, e alguns até sofreram violência física por conta da paixão desmedida da torcida adversária?

Dos anônimos, importantíssimos para a vitória final, poucos se lembram.

Os registros vão dar conta de quem chutou em gol, e com o tempo ninguém se lembrará da habilidade de quem passou a bola apropriadamente para o colega chutar em gol.

As defesas do goleiro cairão no esquecimento. Dos que foram contundidos, vitimas do desespero adversário, ninguém vai querer se lembrar.

Os focos do reconhecimento, dos elogios, as celebrações da vitória, tudo se direcionará no primeiro momento para o capitão do time e secundariamente para os artilheiros daquela partida.

Passando hoje pela manhã numa praça da cidade onde agora estou, longe do Brasil, vi sobre um pequeno obelisco uma bola de futebol em tamanho natural, prateada.

Num primeiro momento imaginei que se tratasse de uma homenagem à seleção nacional que numa dessas rodadas quadrienais arrebatou para o seu País, há alguns anos, a Copa do Mundo.

Se fosse só por isso já seria interessante. Mas não.

Fui ler a placa e a placa dizia – homenagem às vitimas da violência no futebol.

Daí então, pensei. Todos buscam a vitória e a celebram. Dos custos da vitória, poucos se lembram. Das vitimas que de alguma maneira restaram tombadas no campo da batalha, quase ninguém se lembra.

Como no futebol, nas guerras de todos os gêneros, assim também na política.

Alcançada a vitória de um partido em seus movimentos, todos se voltam tributando os méritos para quem encabeçou batalha, e em muitas vezes ele nem é o líder, é só um nome emprestado à simbologia ao momento.

Ninguém vai se lembrar de reconhecer os esforços, os sacrifícios, as renuncias, os desprendimentos, as violências sofridas de quantos, os que se tornaram conhecidos na linha de frente ou os anônimos das torcidas ativas.

Não há vitória sem custos e todos que participam da luta são pagantes, de alguma maneira pagam esses custos por antecipação ou algum dia depois.


 


 

quarta-feira, 31 de março de 2010

Zangados

Corre em Brasília, à boca pequena, que a cirurgia na boca do atual Presidente do Senado foi marcada em data estratégica para ele não comparecer à despedida dos Ministros, não incorrendo assim em indelicadeza com Lobão.

Do mesmo modo, a filha do Presidente do Senado, atual ocupante do Palácio dos Leões, no Maranhão, buscou um providencial atendimento medico de emergência num hospital de São Luis.

É que pai e filha estão mesmo é até aqui com Lula por causa do PT. Acham que Lula, se quisesse, teria impedido a aliança da secção maranhense com o PC do B, o qual, mais uma vez, junto com o PSB, irá às eleições com candidato próprio, no caso agora o Flávio.

Entrementes, da assessoria do atual Presidente do Senado saiu providencial vazamento sobre quem teria editado a redação final do discurso de Dilma saindo da Casa Civil para ser candidata.

A frase final – não digo adeus, digo ate breve – é costumeiramente usada pelo imortal cedido pela Academia Brasileira de Letras aos sofrimentos da política no Amapá e no Maranhão.

Até Breve!


Ao discursar para a seleta platéia, no Centro Cultural Banco do Brasil, convidada para as despedidas dos Ministros que deixam o Governo para se candidatarem às eleições deste ano, Lula saiu-se muito bem.

Bem humorado, brincou fazendo piada com alguns deles, como Pimentel, da Previdência.

- Este aqui é aquele que ao ser nomeado Ministro dizia que não ia ser candidato a nada.

Pimentel, do PT cearense, saiu agora para ser candidato ao Senado, ameaçando o nome mais forte do PMDB, Eunicio Oliveira.

Dilma encerrou sua fala dizendo que não é daquelas pessoas que gostam de dizer adeus. E por isso acenou, despedindo-se com um – até breve, sinalizando que logo estará de volta ao poder.

O noticiário sobre a solenidade, todo ele, destaca que Lula foi muito aplaudido várias vezes e que Dilma só recebeu, ao final, aplausos protocolares.

Sinceramente, não sei por que aconteceu de acontecer assim.


Quem Pode Mais

Quem, como Ciro, apostou que Serra não deixaria o Governo de São Paulo para assumir a candidatura a Presidente da Republica, perdeu.

- Vamos juntos! O Brasil pode mais.

Com esta frase de forte efeito patriótico e eleitoral, Serra encerrou o discurso com as discretas indicações das diretrizes da futura campanha.

- Já fui governo e já fui oposição, mas de um lado ou outro nunca me dei às frivolidades das bravatas.

- O nosso governo serve ao interesse publico, e não à maquina partidária. Nós governamos para o público.

- Repudiamos sempre a espetacularização, a busca pela noticia fácil, o protagonismo sem substancia.

- Por tudo que fizemos, sinto ganhar bastante força para a etapa seguinte que nos espera. Vou ingressar nesta etapa com muita disposição, muita força, muita confiança, muita sinceridade e muito trabalho.

- Austeridade não é mesquinharia.

O discurso de Serra durou 55 minutos e foi assistido por mais de 4.500 pessoas no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo.