segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Como 2 e 2

A Costa Rica, pequeno País da América Central, com 3 milhões de eleitores, acaba de eleger a primeira mulher, Laura Chinchilla, para Presidente da República.

O que chama a atenção não é bem isso, o resultado da eleição e uma mulher sendo eleita, mas os quase 20 milhões de dólares que rolaram na campanha eleitoral, o que vem a ser um exagero considerando-se o tamanho do País, menor que o Piauí e com eleitorado inferior ao do Maranhão.

O perigo está em que a democracia começa a se tornar mercadoria, aliás, muito cara, e a República, garantidora da alternância no Poder, com esse custo operacional, começa a perder substancia.

O poder político que se consolida formando oligarquias e que só admite aliança com o poder econômico, e nunca com o poder do povo, vai se tornando cada vez mais incontrastável na medida em que os cargos públicos, providos mediante eleição, vão se transformando em objetos de um indisfarçável leilão.

Os obstáculos legítimos a essa desenfreada escalada em busca do poder só se tornarão intransponíveis com o crescimento da cidadania, a qual não se constrói sem educação e audacioso ativismo político.

Tudo Certo

O PC do B oficializou sua intenção em fechar com o PT nas eleições presidenciais deste ano. Falando apenas em candidatura única no campo governista, não menciona Dilma.

É um gesto de elegância típico de camaradas como Rabelo. Por que comprometer-se publicamente com Dilma quando o seu próprio partido, o PT, ainda não se definiu oficialmente?

O que ficou certo mesmo foi a decisão de ampliar a bancada do PC do B no Congresso Nacional e o apoio a Flavio Dino como candidato a Governador do Maranhão, mas sempre considerando, ressalva, as circunstâncias eleitorais no âmbito nacional.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

As Novas

Começa o dia, você liga o rádio, vê a televisão, folheia os jornais e se lhe perguntam pela novidade a resposta que sairia límpida logo se transfigura em outra pergunta – novidade? Não há novidade.

Essa inundação de informações quase afogando o silêncio da gente no amanhecer vai se diluindo com o correr das horas nos reencontros com a rotina, mas a impressão que fica é que não há novidade mesmo.

É muita tragédia. Muitas ações cínicas usurpando os espaços das ações cívicas. Muita imoralidade. Muita desonestidade. Muita crueldade. Muita indiferença. Inseguranças e doenças. Muito desrespeito.

Você se antena nessas mídias e logo se cansa na quase certeza de que aquilo tudo é antigo, os nomes não os mesmos às vezes, os lugares também não são os mesmos às vezes. De tudo, resta a quase certeza da mesmice, que não há novidade mesmo.

No Maranhão não é só a mesmice das noticias sempre tendenciosas, douradas como as antigas pílulas contra o estupor ou então intragáveis que nem óleo de rícino, tudo conforme o interesse do dono de tudo.

O problema está em não apenas ter que conviver com a mesmice dessas coisas, mas ter que aceitar calado a repetição das mentiras, as mesmas mentiras sobre todas as coisas.

Digo aceitar calado porque num lugar onde a República ainda não chegou e onde a Democracia é uma miríade muito distante, um lugar enorme mas onde tudo está dominado pela mesmice do mesmo, resta apenas protestar, protestar, mas protestar num lugar dominado pelas forças da ocupação não faz tanto efeito.

Clarice Lispector, a propósito dessa coisa de protestar escrevendo, perguntou a Rubem Braga se ele ainda acreditava que isso pudesse ter alguma influencia, gerar algum resultado.

Ele respondeu contando que, uma vez, ao voltar de Paraty escreveu sobre as belezas do lugar, mas também reclamando contra um alto falante na praça que nas tardes de domingo, num tom altíssimo, ensandecia as pessoas.

A crônica fez sucesso, todo mundo comentou, as pessoas de Paraty lhe escreveram agradecendo os elogios ao prazeroso lugar, mas tempos depois quando retornou lá nada havia mudado - o alto falante continuava no mesmo lugar com o seu som altíssimo desacatando o sossego das pessoas.

No Brasil, sentenciou Braga a Clarice, a gente escreve é para os colegas.

Em Portugal surgiu agora um movimento social reivindicando dos políticos e da mídia que parem com as mentiras velhas. Queremos mentiras novas! É só o que querem.

Não tenho idéia de como seria isso entre nós. Talvez o movimento logo se esvaziasse como esse da inelegibilidade dos políticos fichas sujas. Então vocês querem é mentiras novas, ah é? Pois aqui estão elas, novinhas em folha. Entre nós não falta político bom nisso. Nem mídia.

Daí que depois de tudo, atiçado por aquela impressão, a mesma de Torquato, num dos seus mais belos poemas, Domingou, – as noticias que leio conheço, já sabia antes mesmo de ler – só me resta, em busca de alguma novidade, garimpar os anúncios classificados.

É lá que estão grandes novidades. Como esta aqui, por exemplo, – Cantinho da Vovó, jogo de búzios e tarot, amarração e feitiços para o amor, faço e desfaço trabalhos. Trago a pessoa amada aos seus pés em 24.hs.

Que tal, isso não é uma novidade?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Big Brother

Estão atribuindo a Rita Lee a idéia de em vez de campanha eleitoral fazer-se um Big Brother em rede de televisão exclusivo para os candidatos.

Assim, recolhidos àquela casa cheia de câmeras, eles estariam à vontade para se mostrarem uns aos outros, enfim repetindo as mesmas rotinas e trampolinagens a que se entregam os BBBs da Globo.

No mesmo modelo de eliminação do programa, o grupo iria se reduzindo até chegar a ultimo e este, então, já seria proclamado eleito.

Gasolina

Por alguns meses a gasolina não subirá de preço porque o Governo, ao reduzir a alíquota da contribuição que incide sobre os combustíveis, conseguiu segurar o aumento.

Como essa renuncia fiscal implicará em 3 bilhões de reais a menos nos cofres do Tesouro, é previsível que mais cedo ou menos tarde não haverá saída satisfatória.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Falou

Ciro voltou a dizer que é candidato a Presidente da República e que não abre. A não ser que o seu partido, o PSB, cedendo a pressões de Lula, não o queira mais.

Ciro estava no PPS depois de duas campanhas para a Presidência quando o PSB, ou seja, Eduardo, com receios de não ultrapassando a clausula de barreira perder condições de funcionamento, o procurou.

A votação de Ciro para Deputado salvaria como salvou o PSB de ficar sem as verbas do fundo partidário, sem horário de radio e TV, exceto o mínimo destinado aos nanicos e àquelas legendas de aluguel, e mais – ajudou a aumentar a bancada.

Na contrapartida, Ciro pediu o comando do PSB no Ceará onde o seu irmão, Cid, foi eleito Governador e a candidatura a Presidente em 2010. O PSB topou tudo.

Agora Ciro quer receber o restante, Eduardo resiste a Lula que quer tirar Ciro do páreo, e a pergunta que não quer calar é esta – até quando?

Ciro, que anda agora muito sereno e com aquela calma de dar medo, esclarece que só transferiu seu domicilio eleitoral para São Paulo para atender a um pedido de Lula, mas que foi logo avisando que não seria candidato a Governador.

Amanhã os jornais irão estampar entrevista enorme de Ciro reiterando que só o PSB pode impedi-lo na candidatura presidencial. E pode.


 

Simulações


Juracy Magalhães, que fez história na Bahia como um dos políticos mais empreendedores e de grande aceitação popular, disse um pouco antes de morrer que, dentre os seus descendentes, o que mais levava jeito para essa difícil arte do possível, a política, era o Jurinha, seu neto.

Eu li isso numa entrevista que ele deu ao Jornal do Brasil.

O Jurinha é esse rapaz, o Deputado Juthay Magalhães Junior, que foi meu aluno no Mestrado de Direito Eleitoral na Universidade Federal da Bahia, e que a propósito das ultimas pesquisas comparece com a denúncia a seguir:

"Na mais recente pesquisa de intenção de votos do Instituto Sensus, Serra tem 33,2%, Dilma 27,8% e Ciro 11,9%.

Quando se tira Ciro, o Serra cresce 7,5% - vai para 40,7%. E Dilma apenas 0,7% - vai para 28,5. Ou seja: Serra cresce 10 vezes mais do que Dilma.

Acontece que isso é virtualmente impossível no histórico das pesquisas eleitorais dos últimos tempos. Nenhuma pesquisa jamais registrou fenômeno igual.

Nas pesquisas divulgadas no início de dezembro, Serra obtém 31.8% na Sensus, 38% no Ibope e, no Datafolha, divulgado quinze dias depois dessas duas, 37%. E neste mesmo Datafolha de dezembro, quando Ciro sai, tanto Serra quanto Dilma crescem 3 pontos percentuais cada um.

Tudo indica que o erro da pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem está na primeira simulação, com o objetivo claro de aproximar os dois pré-candidatos. Se não for isso, o erro estará na segunda simulação.

É virtualmente impossível que ambas as simulações da CNT/Sensus estejam corretas. O mais provavel que que a primeira simulação cumpra o objetivo de "fabricar" um empate técnico!

Mesmo com esses dados, Serra cresce na primeira e na segunda simulação e, sem o Ciro, ganharia a eleição no 1º turno."

Suspense


Vai depender de Serra, apenas dele, a prorrogação do suspense quanto aos rumos da sua sucessão no Governo de São Paulo.

É que, se de um lado corre no silencio mais solto a sua pré - candidatura a Presidente da Republica, vitoriosa até aqui nas pesquisas, de outro aumenta o desassossego entre os partidos ante a sua indefinição formal quanto a se será mesmo candidato a Presidente ou se será candidato à reeleição ao Governo paulista.  

Para o PSDB não há dúvida. Serra será candidato a Presidente. Mas isso não se resolverá ainda com a simples renuncia que ele apresentar ao cargo de Governador, no prazo da desincompatibilização.

Fora do Governo do São Paulo ele ainda terá um bom tempo para dizer se desiste da candidatura presidencial, cedendo o lugar a Aécio, para se candidatar novamente a Governador. Legalmente, pode.

PC do V

Os 80 anos da fundação do Partido Comunista do Vietnam, festejados hoje naquele País, são lembrados pelo PC do B.

Renato Rabelo enviou Mensagem em que destaca os bons resultados econômicos da relação bilateral Brasil – Vietnam.

Ele dá destaque ao fato de que entre 2002 e 2007, a corrente de comércio entre os dois países passou de US$ 43 milhões para US$ 323 milhões, o que representa um crescimento superior a 650%. Em 2010, foi proposta a meta de essa corrente de comércio atingir 1 bilhão de dólares.

E registra que a despeito da grave crise internacional, o Vietnã registrou um crescimento de 5,3% no ano 2009, e no último trimestre de 2009, registrou um crescimento de 6,9%, com a inflação sob controle.