quarta-feira, 15 de julho de 2009

Boizinho Atarrachado

A época não poderia ser mais apropriada. Um bumba-meu-boi fora de época.

No Maranhão é assim. As coisas têm o seu tempo, mas sempre transcendem ao calendário.

E aí tem o carnaval fora de época, a eleição fora de época – no tapetão, claro. E o bumba-meu-boi fora de época.

A Operação Boi Barrica, da Policia Federal, chega ao final com vários indiciamentos, dentre eles o de Fernando Sarney apontado nas conclusões como chefe de um grupo acusado de usar forte influencia política (de quem?) para direcionar licitações e desviar dinheiro publico.

Queres Saber Mais?

É só ler aqui a matéria de O Globo, de hoje, assinada por Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília:

Depois de quase três anos de investigação, a Polícia Federal decidiu indiciar o empresário Fernando Macieira Sarney, um dos filhos do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por corrupção e formação de quadrilha, entre outros crimes. Fernando Sarney e os demais integrantes do núcleo do grupo investigado pela Operação Boi Barrica deverão ser indiciados ainda esta semana. Ele é apontado como chefe de um grupo acusado de usar de forte influência política para direcionar licitações e desviar dinheiro público.

"A PF e o Ministério Público Federal encontraram indicações de caixa dois nas eleições de 2006 e superfaturamento da ferrovia Norte-Sul. Na lista dos investigados que deverão ser indiciados estão ainda Ana Clara Murad Sarney, neta de Sarney, e o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, segundo informou ao GLOBO uma autoridade que acompanha o caso.

Ontem, o delegado Márcio Anselmo, presidente do inquérito, foi a São Luís para intimar, interrogar e indiciar os acusados.

Para a PF, são fartos os indícios de crimes cometidos pelo grupo.

Com os indiciamentos, o delegado pretende concluir quase três anos de investigação.

O indiciamento dos principais integrantes do grupo de Fernando Sarney é considerado um desfecho natural para a Operação Boi Barrica. Em setembro passado, a PF pediu a prisão do empresário e mais 13 acusados.

O pedido foi endossado pelo MPF, mas rejeitado pelo juiz do caso, Neian Milhomem da Cruz.

O juiz entendeu que a PF poderia aprofundar as investigações sem a detenção do filho de Sarney.

A ordem de prisão teria sido inviabilizada também pelo vazamento da informação.

Na fase preliminar das investigações, a polícia e o MP tratam da proximidade de Fernando Sarney com Astrogildo Quental, diretor-financeiro da Eletrobrás, e Ulisses Assad, diretor de engenharia da Valec, empresa vinculada ao Ministério dos Transportes, responsável pela Norte-Sul.

Segundo o MP, "o grupo criminoso, com poder de influência no resultado das licitações realizadas em sua área de atuação, bem como nas fiscalizações das obras, cooptava empresas que tinham interesse em realizar obras nesse setor".

A partir do relatório final da PF, caberá ao MP decidir se mantém ou não as acusações contra Fernando Sarney."

terça-feira, 14 de julho de 2009

Um Senador Envergonhado

Num aparte ao Senador Artur Virgilio (PSDB-AM), o Senador Pedro Simon (PMDB-RS), se declarou envergonhado com o que está acontecendo no Senado.

Disse:

- Olha, nós chegamos ao limite do mínimo da responsabilidade que nós podemos ter. Eu digo com a maior tristeza, com a maior mágoa. Nessa altura, não adianta o Presidente Sarney se licenciar. Ele tem que renunciar à Presidência do Senado. Ele tem que fazer o que os seus antecessores fizeram. Ele deve renunciar à Presidência do Senado. E nós devemos nos reunir para escolher alguém que seja a representação de todos nós.

- Não adianta suspender os atos, não adianta indicar nada, não adianta o ex 1º Secretário, coitado, vir à tribuna e oferecer: vê a minha vida, vê isso, vê mais aquilo. Nós perdemos toda a credibilidade, Senador. Agora, V. Exª, dirigindo o Conselho de Ética... O Conselho de Ética ainda não se instalou. Em primeiro lugar, eu vejo pelo meu Partido, eu tenho o maior respeito pelas pessoas que foram indicadas. Eles até têm muitas qualidades, mas não foram indicados pelas qualidades. Eles foram indicados pela fidelidade, por fazer aquilo que o Sr. Renan, Líder do PMDB, porque ele e o Sr. Sarney controlam e comandam a bancada do PMDB.

- É uma humilhação. Eu tenho vergonha, eu tenho vergonha da posição que eu estou. Aí me perguntam: por que o senhor não vai para outro partido? Eu não tenho para onde ir, mas, sinceramente, eu estou pensando em ir para casa, Senador. Eu estou pensando. Já ao sou mais candidato a nada, mas estou pensando em sair. Eu não tenho mais condições de fazer nada. Se eu não posso ajudar, pelo menos que eu vá embora. O Presidente Sarney tem que ter a grandeza de renunciar à Presidência do Senado.

- Eu estive no seu gabinete, fui lhe dizer isso dias atrás. Não tive coragem, porque ele falou com tal maneira, com tal firmeza que eu não tive coragem de dizer pra ele aquilo que eu fui lá pra dizer: Presidente, renuncie! Esse negócio da fundação... Em primeiro lugar, era o Convento das Mercês, um prédio... o mais espetacular. Em segundo lugar, a Assembléia vota uma lei... desde a Constituinte até hoje, é a primeira vez que o Senado anula uma lei estadual, a pedido dele, porque a Assembleia tinha determinado a devolução... S. Exª é presidente eterno, vitalício. Se ele morrer, é a esposa dele; se morrer a esposa dele são os filhos dele; se morrerem os filhos, são os netos, pelo menos é o que diz o jornal. Eu nunca tinha visto isso na minha vida!

- Eu nunca tinha visto isso na minha vida! A conta no exterior... isso S. Exª responde que viajou para Veneza a convite, com as contas pagas pelo presidente do banco que é um homem que foi condenado a não sei quanto tempo! Mas o que é isso, ir visitar Veneza com as contas pagas por um homem inescrupuloso que nem é o presidente do Santos! Aí ele foi a única pessoa do Banco de Santos que das contas o dinheiro foi retirado antes de quebrar o banco e vem o presidente do banco e diz: não, ele não pediu, eu fiz por minha conta. Mas onde é que está isso, meu Deus do céu?!

- Quer dizer, o presidente dum banco chegou na hora... vai quebrar o banco amanhã, tira o dinheiro do Sr. Sarney e bota fora pra ele não perder! Olha, cá entre nós... eu tive inveja, uma inveja cristã do neto do Presidente Sarney. Aquele rapaz, formado em Harvard, formado na Sorbonne, um belo dum rapaz, com uma firma organizada... o Presidente Sarney permitir que ele entre num negócio de quinta categoria aqui no Senado! O Presidente Sarney permitir que ele entre em um negócio de quinta categoria do Senado! Um rapaz que teria tudo para progredir, para crescer, para ser um grande rapaz!

- Quer dizer, o Presidente Sarney, nesse espírito dele, fazer isso com um neto! Ele tem de se afastar. A imprensa já diz: o Presidente Getúlio Vargas saiu da vida para entrar na história; e o Presidente Sarney saiu da história para cair na vida. Ele tem de renunciar. Eu digo, com mágoa, eu juro, para o meu filho, que eu achava que a licença era suficiente. Hoje não é mais. Não adianta ele anular os atos. Não adianta nada! É um neto, é o segundo neto, é o primeiro sobrinho, é o segundo sobrinho, é o terceiro sobrinho, é o filho, é coisa demais! E não vamos nos esquecer que ele está no terceiro mandato. É o brasileiro que mais ocupou a Presidência do Senado na história de todo o Senado.

- E ele que indicou as pessoas que estão aí. E não venha me dizer que, quando ele saiu, a pessoa ficou nos cargos, e que não foi a pedido dele. Ele era íntimo do Sr. Antônio Carlos, íntimo do Jader, íntimo do Renan. Se afaste! Se afaste! É a melhor coisa que ele pode fazer: ter um ato histórico, um ato de grandeza, renunciando ao mandato. É o ato que ele tem de fazer.

Fala Dutra

Como o sr. avalia posição que ficou a bancada do PT no Senado?

Numa sinuca de bico. Os senadores do PT estão extremamente constrangidos. O Sarney enrolou o presidente Lula: primeiro, disse três vezes ao Lula que não ia disputar a presidência do Senado, mesmo número de vezes que Pedro negou a Cristo; depois, derrotou o Tião Viana e, não bastasse, apoiou Collor contra a Ideli Salvatti na disputa da Comissão de Infraestrutura.

Como fica a situação do PT no Maranhão com o apoio de Lula a Sarney?

Lá, estamos nos preparando para o pior. Primeiro, vão tentar comprar o diretório e os nossos nove prefeitos com cargos no governo de Roseana. Vão pegar os prefeitos pelo beiço que nem jumento ruim. Depois, se o diretório decidir algo que contrarie os Sarney, ele vai conseguir que o diretório nacional faça uma intervenção.

O sr. tem dificuldades para se eleger deputado, com essa oposição que faz a Sarney no estado?

Eu continuo me elegendo porque sou teimoso, e o Sarney não tem como me agarrar. Não tenho esquema com empresas ou prefeitos, só a militância pé no chão, com os humildes. O apoio de Dilma e Lula a Sarney não é ruim só para nós do Maranhão, não. O PT pode ter uma surpresa.

O sr. vincula o apoio de Lula a Sarney ao projeto Dilma 2010?

Sim, está evidente isso. Nós, de baixo, temos que tapar o nariz e aceitar tudo em nome do investimento de todas as fichas na candidatura da ministra Dilma. Já demos tudo para o PMDB. Até quando temos que continuar de joelhos? Fazer isso e achar que o povo não está vendo, é subestimar a sociedade, o povo, os movimentos sociais. É enterrar todo o capital que o partido construiu em 25 anos de luta.

(Do deputado Domingos Dutra (PT-MA) em entrevista a Evandro Éboli e Maria Lima,de O Globo, do Rio de Janeiro.)

domingo, 12 de julho de 2009

Fofo, não. Fofão

Mas não é o fofo? É a pergunta de Lucia Hippólito, analista política da Globo News e da CBN-RJ, sobre o atual Presidente do Senado.

Indo direto aos finalmentes, leia aqui o artigo da Lucia intitulado "O Ocaso do Coronel":

As mais recentes denúncias sobre as estripulias do senador José Sarney estão longe de ser as últimas e apontam na mesma direção de todas as anteriores: a privatização de recursos e espaços públicos em benefício próprio. Ou de sua família. E o desprezo às leis do país.

Senão vejamos. Distraído, Sarney não reparou que recebia mensalmente R$ 3,8 mil de auxílio-moradia, mesmo tendo mansão em Brasília e tendo à disposição a residência oficial de presidente do Senado.

Culpa da burocracia do Senado.

Distraidíssimo, Sarney esqueceu de declarar sua mansão de R$ 4 milhões à Justiça Eleitoral.

Culpa do contador.

Precavido, requisitou seguranças do Senado para proteger sua casa em São Luís – embora seja senador pelo Amapá.

Milionário (embora o Maranhão continue paupérrimo), não empregou duas sobrinhas e seu neto em suas inúmeras empresas. Preferiu que se empregassem no Senado.

Milionário generoso, não quis deixar a viúva de seu motorista ao relento. Empregou-a para servir cafezinho no Senado, em meio expediente, com salário de R$ 2,3 mil. Ah, e alojou-a em apartamento na quadra dos senadores.

Generoso, não impediu que seu outro neto fizesse negócios milionários com crédito consignado no Senado.

Ainda generoso, entendeu que um agregado da família deveria ser também empregado como motorista do Senado – salário atual de R$ 12 mil – mas trabalhando como mordomo na casa da madrinha, sua filha e então senadora Roseana Sarney.

Aliás, Roseana considerou normal convidar um grupo de amigos fiéis para um fim de semana em Brasília – com passagens pagas pelo Congresso.

Seu filho, Fernando Sarney, o administrador das empresas, que sequer é parlamentar, considerou normal ter passagens aéreas de seus empregados pagas com passagens da quota da Câmara dos Deputados.

Patriarca maranhense, ocupou as dependências do Convento das Mercês, jóia do patrimônio histórico, e ali instalou seu mausoléu. O Ministério Público já pediu a devolução, mas está complicado".

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Torneios

O viciado em jogo é aquele inveterado que se tem preferência, por exemplo, pelo baralho e se enxerga por perto um pano verde logo se dana a coçar avidamente as pontas dos dedos.

Tem viciado em jogo por dinheiro e nem sempre o risco a que se entrega é pela necessidade de amealhar. É pela pura emoção que isso possa lhe causar.

Começam quase sempre apostando ninharias e quando menos se espera as apostas são altas.

São incontáveis as estórias sobre os insucessos de quantos sem força para não ceder à tentação do jogo decaíram na vida, horrivelmente.

Há muita diferença entre os que não se curam e estão sempre de volta ao baralho e os que nunca tendo sido chegados a isso não se perdem no caminho de volta ao trabalho.

Há os que entram na política e fazem dela um cassino possível a todo tipo de jogo. Só que as apostas que fazem, ganhando ou perdendo, são pagas por nós os outros.

Pagamos com a fé que nos roubam, com a esperança que nos surrupiam a cada vez que a roleta das inconsciências manipuladas e as engrenagens do sistema lhes declaram vencedores, digo melhor, sorteados.

Os viciados em competição, até onde os observo, parecem menos danosos. Para eles, competir é participar. Não interessa muito se numa corrida dessas de são silvestre, por exemplo, em que lugar estarão, ao final, classificados. Décimo primeiro, ou centésimo, a alegria é a mesma.

Semana que vem eu quereria estar na Finlândia não ainda para participar mas inicialmente só para assistir ao Campeonato Mundial de Carregamento de Esposas.

Você está rindo? Os finlandeses realizam todo ano esse campeonato para o qual acorrem participantes do mundo inteiro. Servem também como prova imorredoura de amor.

Vou procurar saber se alguém do Brasil, ou mesmo do Maranhão, já andou por lá levando a tiracolo a sua respectiva. Ou se está inscrito e vai mesmo levar.

Pense num ente amoroso saindo dessas plagas tropicais só para levar a amada a um campeonato desse na Finlândia, pense! Este mês haverá verão por lá. Não com esse sol radiante de chamar gringos para o Ceará.

E sabe como é o campeonato? Cada competidor tem de carregar nos ombros, no estilo macaquinho, a sua parceira feminina por uma extensa trilha de obstáculos.

O vencedor é aquele que conseguir chegar primeiro, mas sem deixar a esposa pelo caminho, é claro.

Depois, a parceira é levada a uma balança para ser pesada. Só depois. O equivalente ao peso dela será dado ao vencedor como premio. Em cerveja.

As coisas ultimamente parecem andar mesmo assim, muito esquisitas. Não ligo o meu rádio uma vez que não ouça sobre as secretices dos homens secretos no cassino secreto em que transformaram o Senado.

Dizer cassino é amenizar bastante, até porque nem rima com o que todo mundo está achando que é. Ligo a minha televisão e está lá o homem se explicando, a crise não é minha, a crise é do Senado. Ah meu Deus, até quando?

Em sendo assim, se não estamos conseguindo mais aturar isso tudo por aqui, tantos viciados em jogos de poder apostando tudo, mas só com o que não é deles, em sendo assim, gente, voltemo-nos para a Molvânia.

Na Molvania vence a Olimpíada Anual quem consegue beber mais aguardente de acelga. O drinque tradicional é um conhaque de alho. Espanta demônios, sim.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Vai Ter Mais?

Tudo indica que sim.

Mas há uma divisão entre os que juntam, e ainda há muita, munição contra.

Há os que querem manter a fogueira acesa, atirando todo dia alguns tições nas manchetes.

Há os que querem continuar devagarzinho, um dia sim, dois ou três dias depois, só para ele ir provando, ele também, o quanto dói o que ele e os seus asseclas, à sombra do poder impune, andaram e ainda andam, agora secretamente, fazendo com os outros, os adversários políticos e os que simplesmente ousaram divergir do seu mandonismo decadente e cruel.

E pior. O que fizeram e ainda fazem com o Povo do Maranhão, 1/3 no analfabetismo, 2/3 só não morrendo de fome porque recebe o bolsa-familia.

Calou jornalistas, fechou blogs, censurou, mudou resultados de eleições, perseguiu nas caladas os insurgentes, acobertou os do serviço sujo a seu serviço, manchou honras alheias, agrediu reputações, e para ele e para os seus asseclas nem foi nada.

Isso tudo pareceria bem menor se ele, enganando uma geração inteira, não tivesse com tanta magia levado o Maranhão a disputar com Alagoas o primeiro lugar em tudo que não presta no Brasil.

Se o arsenal de denúncias for aberto todo dia, vai parecer campanha e ele poderá, como sempre fez em outras, posar de indefesa vítima. Excelente ator e como poeta um grande fingidor, muitas vezes convence. Ou convencia.

Parece que vai prevalecer a idéia da turma da fé cega e faca amolada. Sempre que ele pensar que acabou, que venceu mais uma, outra dose de tira-sono, outra vez.