Com medo das vaias, ninguém do Governo foi lá. Nem as otoridades federais, nem as estaduais. Tampouco as municipais. Só mesmo gente comum, da classe média, lotou o Teatro Municipal para ouvir o Papa.
E queres saber o que ele disse?
Excelências,
Senhoras e Senhores!
(...)
Queria
lhes falar usando a bela língua portuguesa de vocês mas, para poder me
expressar melhor manifestando o que trago no coração, prefiro falar em
castelhano. Peço-vos a cortesia de me perdoar!
Agradeço as amáveis
palavras de boas vindas e de apresentação de Dom Orani e do jovem
Walmyr Júnior. Nas senhoras e nos senhores, vejo a memória e a
esperança: a memória do caminho e da consciência da sua Pátria e a
esperança que esta, sempre aberta à luz que irradia do Evangelho de
Jesus Cristo, possa continuar a desenvolver-se no pleno respeito dos
princípios éticos fundados na dignidade transcendente da pessoa.
Todos
aqueles que possuem um papel de responsabilidade, em uma Nação, são
chamados a enfrentar o futuro "com os olhos calmos de quem sabe ver a
verdade", como dizia o pensador brasileiro Alceu Amoroso Lima ["Nosso
tempo", in: A vida sobrenatural e o mundo moderno (Rio de Janeiro 1956),
106].
Queria considerar três aspectos deste olhar calmo, sereno e
sábio: primeiro, a originalidade de uma tradição cultural; segundo, a
responsabilidade solidária para construir o futuro; e terceiro, o
diálogo construtivo para encarar o presente.
1. É importante,
antes de tudo, valorizar a originalidade dinâmica que caracteriza a
cultura brasileira, com a sua extraordinária capacidade para integrar
elementos diversos. O sentir comum de um povo, as bases do seu
pensamento e da sua criatividade, os princípios fundamentais da sua
vida, os critérios de juízo sobre as prioridades, sobre as normas de
ação, assentam numa visão integral da pessoa humana. Esta visão do homem
e da vida, tal como a fez própria o povo brasileiro, muito recebeu da
seiva do Evangelho através da Igreja Católica: primeiramente a fé em
Jesus Cristo, no amor de Deus e a fraternidade com o próximo.
Mas a
riqueza desta seiva deve ser plenamente valorizada! Ela pode fecundar um
processo cultural fiel à identidade brasileira e construtor de um
futuro melhor para todos. Assim se expressou o amado Papa Bento XVI, no
discurso de abertura da V Conferência Geral do Episcopado
Latino-Americano, em Aparecida.
Fazer que a humanização integral e
a cultura do encontro e do relacionamento cresçam é o modo cristão de
promover o bem comum, a felicidade de viver. E aqui convergem a fé e a
razão, a dimensão religiosa com os diversos aspectos da cultura humana:
arte, ciência, trabalho, literatura... O cristianismo une transcendência
e encarnação; sempre revitaliza o pensamento e a vida, frente a
desilusão e o desencanto que invadem os corações e saltam para a rua.
2.
O segundo elemento que queria tocar é a responsabilidade social. Esta
exige um certo tipo de paradigma cultural e, consequentemente, de
política. Somos responsáveis pela formação de novas gerações,
capacitadas na economia e na política, e firmes nos valores éticos. O
futuro exige de nós uma visão humanista da economia e uma política que
realize cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evitando
elitismos e erradicando a pobreza.
Que ninguém fique privado do
necessário, e que a todos sejam asseguradas dignidade, fraternidade e
solidariedade: esta é a via a seguir. Já no tempo do profeta Amós era
muito forte a advertência de Deus:
«Eles vendem o justo por dinheiro, o
indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da
terra e tornam a vida dos oprimidos impossível» (Am 2, 6-7). Os gritos
por justiça continuam ainda hoje.
Quem detém uma função de guia
deve ter objetivos muito concretos, e buscar os meios específicos para
consegui-los. Pode haver, porém, o perigo da desilusão, da amargura, da
indiferença, quando as aspirações não se cumprem.
A virtude dinâmica da
esperança incentiva a ir sempre mais longe, a empregar todas as energias
e capacidades a favor das pessoas para quem se trabalha, aceitando os
resultados e criando condições para descobrir novos caminhos, dando-se
mesmo sem ver resultados, mas mantendo viva a esperança.
A
liderança sabe escolher a mais justa entre as opções, após tê-las
considerado, partindo da própria responsabilidade e do interesse pelo
bem comum; esta é a forma para chegar ao centro dos males de uma
sociedade e vencê-los com a ousadia de ações corajosas e livres.
No
exercício da nossa responsabilidade, sempre limitada, é importante
abarcar o todo da realidade, observando, medindo, avaliando, para tomar
decisões na hora presente, mas estendendo o olhar para o futuro,
refletindo sobre as consequências de tais decisões.
Quem atua
responsavelmente, submete a própria ação aos direitos dos outros e ao
juízo de Deus.
Este sentido ético aparece, nos nossos dias, como um
desafio histórico sem precedentes. Além da racionalidade científica e
técnica, na atual situação, impõe-se o vínculo moral com uma
responsabilidade social e profundamente solidária.
3. Para
completar o "olhar" que me propus, além do humanismo integral, que
respeite a cultura original, e da responsabilidade solidária, termino
indicando o que tenho como fundamental para enfrentar o presente: o
diálogo construtivo.
Entre a indiferença egoísta e o protesto violento,
há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o
diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à
verdade.
Um país cresce, quando dialogam de modo construtivo as suas
diversas riquezas culturais: cultura popular, cultura universitária,
cultura juvenil, cultura artística e tecnológica, cultura econômica e
cultura familiar e cultura da mídia.
É impossível imaginar um futuro
para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa
democracia que evite o risco de ficar fechada na pura lógica da
representação dos interesses constituídos.
Será fundamental a
contribuição das grandes tradições religiosas, que desempenham um papel
fecundo de fermento da vida social e de animação da democracia.
Favorável à pacífica convivência entre religiões diversas é a laicidade
do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional,
respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade,
favorecendo as suas expressões concretas.
Quando os líderes dos
diferentes setores me pedem um conselho, a minha resposta é sempre a
mesma: diálogo, diálogo, diálogo. A única maneira para uma pessoa, uma
família, uma sociedade crescer, a única maneira para fazer avançar a
vida dos povos é a cultura do encontro; uma cultura segundo a qual todos
têm algo de bom para dar, e todos podem receber em troca algo de bom.
O
outro tem sempre algo para nos dar, desde que saibamos nos aproximar
dele com uma atitude aberta e disponível, sem preconceitos. Só assim
pode crescer o bom entendimento entre as culturas e as religiões, a
estima de umas pelas outras livre de suposições gratuitas e no respeito
pelos direitos de cada uma.
Hoje, ou se aposta na cultura do encontro,
ou todos perdem; percorrer a estrada justa torna o caminho fecundo e
seguro.
Excelências,
Senhoras e Senhores!
Agradeço-lhes
pela atenção. Acolham estas palavras como expressão da minha solicitude
de Pastor da Igreja e do amor que nutro pelo povo brasileiro.
A
fraternidade entre os homens e a colaboração para construir uma
sociedade mais justa não constituem uma utopia, mas são o resultado de
um esforço harmônico de todos em favor do bem comum.
Encorajo os
senhores no seu empenho em favor do bem comum, que exige da parte de
todos sabedoria, prudência e generosidade.
Confio-lhes ao Pai do
Céu, pedindo-lhe, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, que cumule
de seus dons a cada um dos presentes, suas respectivas famílias e
comunidades humanas de trabalho e, de coração, a todos concedo a minha
Bênção.
domingo, 28 de julho de 2013
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Dominguinhos
Resolvido
afinal que o resultado seria mesmo o empate, microfones desligados, câmeras
focando adiante, o Silvio Santos me perguntou se eu era político no Maranhão e
eu prontamente respondi – não! Ele riu me dizendo – é, não é, mas você leva
jeito.
Prefiro sempre que não me confundam. Desde quando a política passou a ser meio de vida para os que não têm profissão definida e se a tem não conseguem sobreviver exercendo-a, e assim a banalizam, não me importo em gastar tempo explicando a diferença.
Conheço médicos que não sabem mais nada de medicina porque resolveram ser políticos. Apenas políticos banais. Ou seja, não sabem sobreviver a não ser do exercício dessas manhas e mentiras tidas como essenciais.
Claro que àquela altura, acusado de subversão, eu já havia sido Vereador preso e cassado, mas como nunca quis fazer da política um meio de vida, uma profissão, eu falei para o Sílvio não, eu não era político no Maranhão. O tempo correu a meu favor. Posso até ser poeta, sonhador, ativista, mas político banal, não!
Sofro de apneia do sono e se eu mentisse ou enganasse alguém aí é que eu não dormiria mesmo.
Mas quando o Silvio Santos, entre surpreso com a confusão que eu acabara de aprontar no Júri do seu programa, naquela tarde de domingo, me perguntou se eu era político foi porque eu, à moda mineira, conseguira dividir o prêmio do Troféu Imprensa, que parecia inteiro do Roberto Carlos, com o Gilberto Gil, que acabara de voltar ao Brasil vindo do exílio em Londres.
A música que o Gil gravara, sendo logo um sucesso, era “Só quero um xodó”, de Dominguinhos. (“Que falta eu sinto de um bem / que falta me faz um xodó / mas como eu não tenho ninguém / eu levo a vida assim tão só…”).
O Gil morava num apartamento na Venâncio Flores, no Rio de Janeiro, mas como artista ainda era assim meio proscrito. Seu exuberante talento e firmeza de caráter, aquela figura a la black power da capa do disco gravado no exílio em Londres, meio assustadora para o regime militar, parecia intimidar.
Quem era maluco, naquele Brasil super-vigiado, de se expor publicamente na mídia ainda sob censura em favor daqueles caras, tidos como inimigos do regime, como Gilberto Gil e Caetano Veloso? Logo o Gil que resolveu recomeçar pelo circuito Luiz Gonzaga no nordeste.
Quando o Lula chegava a Sergipe tinha o Britinho com um fusca para lhe dar carona e a mesma brincadeira – Lula, quando tu fores presidente, tu vais me nomear ministro do Supremo. Aquilo parecia uma quimera, mas aconteceu.
No Tirirical, em S. Luís, eu esperava o Gil e lhe dava carona no meu fusca. Já naquele tempo a sua música tinha mais influência popular do que a discursaria quase inteira dos políticos da oposição. (“Eu lhe disse, abre o olho / caiu aquela gota de colírio (…) nego, abre o olho…) Longe, muito além de mim, sonhar que nem o Britto. Ademais, o Gil nunca foi que nem o Lula, um político muito artista.
Numa das vezes o Gil trouxe, além do Rubão Sabino (“Tava comendo banana pro santo, pra quem? Pró santo, pra quem? Pro pai do espírito santo, senhor, pai de quem? / Pai do filho e do espírito santo… (…) Filho de uma localidade de lá, ah, ah,ah…”), trouxe o Dominguinhos.
Ficaram ali no Olho d’Água Parece Hotel, do Moacir, na praia do Olho d’Água, que era o mais chique e telúrico então.
Foi ali numa boca da noite, naquela praia, que baixou no Gil o santo daquela inspiração – “Se bem me lembro / a gente sentado ali / na grama do aterro / (...) amigos presos, amigos sumidos ali / pra nunca mais...”
O Gil estava sem arroz integral para a sua macrobiótica e saímos, no meio da noite, atrás de um endereço no Filipinho que ele trouxera num pedacinho de papel.
Aquele cara tímido e ostensivamente normal, no meio daqueles aparentemente inimigos de barbeadores, era o sanfoneiro da banda, ninguém mais que o Dominguinhos. No show no Teatro Artur Azevedo, arrasou. O Gil deu-lhe espaço para dois números solo e ele arrasou. Discretamente, saiu em ré da frente do microfone e retomou seu espaço na banda.
Roda, roda, roda, anos mais tarde, o Magno Bacelar, então dono da TV Difusora, vai à Globo, no Rio, e eu tendo lá o Zezão, amigo de infância em Caxias, assessor do poderoso Afraninho Nabuco, pedi que levasse a fita com o baião feito pelo Raimundo Costa, o Raimundão, filho do nosso amigo Alexandre Costa, para a minha campanha de Deputado Federal.
O Magno trouxe a gravação e, por acaso, quem estava no estúdio e gravou? O Dominguinhos. (“… na cabine eleitoral / eu vou dar meu voto certo / vou votar no Vidigal… / Do interior até a capital / só se canta um mesmo tom / só se fala em Vidigal…”)
O Dominguinhos foi o autor de “Só quero um xodó”, que fez tanto sucesso que as pessoas até pensam que o autor é o Gil.
Aquele quase fuzuê que eu aprontei fazendo mais animação no Júri do Sílvio Santos para dividir o prêmio com o Gil não foi porque eu fosse contra o Roberto Carlos, não. Foi para lembrar ao Brasil que um exilado, o Gil, estava de volta com uma mensagem que, pelos acordes e letra, tinha tudo a ver com a reinserção do Brasil na emoção dos brasileiros.
Muito depois o Chico Buarque, brincando com o Dominguinhos na gravação de um disco, disse – eu estou te acompanhando pelo celular! O Dominguinhos morria de medo de viajar de avião. Uma vez eu contei essa a Dilma e ela se despediu de mim – eu estou te acompanhando pelo celular. Ao que respondi, e eu também.
O Dominguinhos, sim, é que desde ontem está acompanhando a todos nós pelo celular.
Edson Vidigal, ex-presidente do STJ e professor de Direito na UFMA, escreve para o Jornal Pequeno às quintas-feiras.
Prefiro sempre que não me confundam. Desde quando a política passou a ser meio de vida para os que não têm profissão definida e se a tem não conseguem sobreviver exercendo-a, e assim a banalizam, não me importo em gastar tempo explicando a diferença.
Conheço médicos que não sabem mais nada de medicina porque resolveram ser políticos. Apenas políticos banais. Ou seja, não sabem sobreviver a não ser do exercício dessas manhas e mentiras tidas como essenciais.
Claro que àquela altura, acusado de subversão, eu já havia sido Vereador preso e cassado, mas como nunca quis fazer da política um meio de vida, uma profissão, eu falei para o Sílvio não, eu não era político no Maranhão. O tempo correu a meu favor. Posso até ser poeta, sonhador, ativista, mas político banal, não!
Sofro de apneia do sono e se eu mentisse ou enganasse alguém aí é que eu não dormiria mesmo.
Mas quando o Silvio Santos, entre surpreso com a confusão que eu acabara de aprontar no Júri do seu programa, naquela tarde de domingo, me perguntou se eu era político foi porque eu, à moda mineira, conseguira dividir o prêmio do Troféu Imprensa, que parecia inteiro do Roberto Carlos, com o Gilberto Gil, que acabara de voltar ao Brasil vindo do exílio em Londres.
A música que o Gil gravara, sendo logo um sucesso, era “Só quero um xodó”, de Dominguinhos. (“Que falta eu sinto de um bem / que falta me faz um xodó / mas como eu não tenho ninguém / eu levo a vida assim tão só…”).
O Gil morava num apartamento na Venâncio Flores, no Rio de Janeiro, mas como artista ainda era assim meio proscrito. Seu exuberante talento e firmeza de caráter, aquela figura a la black power da capa do disco gravado no exílio em Londres, meio assustadora para o regime militar, parecia intimidar.
Quem era maluco, naquele Brasil super-vigiado, de se expor publicamente na mídia ainda sob censura em favor daqueles caras, tidos como inimigos do regime, como Gilberto Gil e Caetano Veloso? Logo o Gil que resolveu recomeçar pelo circuito Luiz Gonzaga no nordeste.
Quando o Lula chegava a Sergipe tinha o Britinho com um fusca para lhe dar carona e a mesma brincadeira – Lula, quando tu fores presidente, tu vais me nomear ministro do Supremo. Aquilo parecia uma quimera, mas aconteceu.
No Tirirical, em S. Luís, eu esperava o Gil e lhe dava carona no meu fusca. Já naquele tempo a sua música tinha mais influência popular do que a discursaria quase inteira dos políticos da oposição. (“Eu lhe disse, abre o olho / caiu aquela gota de colírio (…) nego, abre o olho…) Longe, muito além de mim, sonhar que nem o Britto. Ademais, o Gil nunca foi que nem o Lula, um político muito artista.
Numa das vezes o Gil trouxe, além do Rubão Sabino (“Tava comendo banana pro santo, pra quem? Pró santo, pra quem? Pro pai do espírito santo, senhor, pai de quem? / Pai do filho e do espírito santo… (…) Filho de uma localidade de lá, ah, ah,ah…”), trouxe o Dominguinhos.
Ficaram ali no Olho d’Água Parece Hotel, do Moacir, na praia do Olho d’Água, que era o mais chique e telúrico então.
Foi ali numa boca da noite, naquela praia, que baixou no Gil o santo daquela inspiração – “Se bem me lembro / a gente sentado ali / na grama do aterro / (...) amigos presos, amigos sumidos ali / pra nunca mais...”
O Gil estava sem arroz integral para a sua macrobiótica e saímos, no meio da noite, atrás de um endereço no Filipinho que ele trouxera num pedacinho de papel.
Aquele cara tímido e ostensivamente normal, no meio daqueles aparentemente inimigos de barbeadores, era o sanfoneiro da banda, ninguém mais que o Dominguinhos. No show no Teatro Artur Azevedo, arrasou. O Gil deu-lhe espaço para dois números solo e ele arrasou. Discretamente, saiu em ré da frente do microfone e retomou seu espaço na banda.
Roda, roda, roda, anos mais tarde, o Magno Bacelar, então dono da TV Difusora, vai à Globo, no Rio, e eu tendo lá o Zezão, amigo de infância em Caxias, assessor do poderoso Afraninho Nabuco, pedi que levasse a fita com o baião feito pelo Raimundo Costa, o Raimundão, filho do nosso amigo Alexandre Costa, para a minha campanha de Deputado Federal.
O Magno trouxe a gravação e, por acaso, quem estava no estúdio e gravou? O Dominguinhos. (“… na cabine eleitoral / eu vou dar meu voto certo / vou votar no Vidigal… / Do interior até a capital / só se canta um mesmo tom / só se fala em Vidigal…”)
O Dominguinhos foi o autor de “Só quero um xodó”, que fez tanto sucesso que as pessoas até pensam que o autor é o Gil.
Aquele quase fuzuê que eu aprontei fazendo mais animação no Júri do Sílvio Santos para dividir o prêmio com o Gil não foi porque eu fosse contra o Roberto Carlos, não. Foi para lembrar ao Brasil que um exilado, o Gil, estava de volta com uma mensagem que, pelos acordes e letra, tinha tudo a ver com a reinserção do Brasil na emoção dos brasileiros.
Muito depois o Chico Buarque, brincando com o Dominguinhos na gravação de um disco, disse – eu estou te acompanhando pelo celular! O Dominguinhos morria de medo de viajar de avião. Uma vez eu contei essa a Dilma e ela se despediu de mim – eu estou te acompanhando pelo celular. Ao que respondi, e eu também.
O Dominguinhos, sim, é que desde ontem está acompanhando a todos nós pelo celular.
Edson Vidigal, ex-presidente do STJ e professor de Direito na UFMA, escreve para o Jornal Pequeno às quintas-feiras.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Sem Vírgulas
Vou indo pedalando não tão rápido
pela orla meus olhos ainda com tempo de contemplarem não só o mar as ondas
alvas que espocam no areal sujo que nem as águas das altas salinidades são
suficientes para limpar.
Vou indo e o meu olhar ainda com tempo captura a cena em que uma gordinha ao lado de um poste na espera paciente de que o seu cãozinho magricelo preso a uma coleira curta satisfaça a sua necessidade matinal.
Vou indo agora em descida e como se diz que para descer todo santo ajuda e dispensando momentaneamente os pedais me entrego ao suave prazer de deslizar leve sem qualquer esforço na banguela tutelada pela lei da gravidade.
Vou indo filho do vento na velocidade que não é mais a da descida e sim a que a superfície plana oferece precisando de novo de pedalar sim a vida tem a ver com isso de pedalar e porque nem tudo é sempre banguela de ladeira suave e longa e se você pára de pedalar cai.
Vou indo vendo também do outro lado à minha esquerda os automóveis que parecem voar e na minha velocidade de quem pedala o amor e até a dor eu também cantor pedalando me pergunto se com tantas coisas para fazer hoje não deveria me apressar mais e eu mesmo concluo respondendo a mim mesmo que não.
Vou indo vendo à minha direita não muito no mar adentro a fila de navios que parece há anos parada é que são muitos e muitos os navios e eles vêm de muito longe singrando as distancias em busca de um porto só e o porto sendo um só não comporta tantos navios ao mesmo tempo e por isso haja tempo de espera.
Vou indo e essa orla que parece enorme não é tão assim como a estrada do tempo que ninguém sabe onde vai dar nem o percurso vida natureza mãe concebida de vento e de água e de sal ora sendo nós o sal da terra e se esse sal se desvirtuar com o que então se haverá de salgar? Fala aí seu Chico!
Como no dizer do poeta no caminho da volta ninguém se perde e já estou eu pé no pedal na minha volta afinal já se foi meia hora muito mais que o tempo que uma nuvem gastou ontem à noite para esconder encobrindo a meia lua inteira e eu não posso garantir se ela estava em minguante ou iniciando a sua fase crescente.
Nem é tão tarde há muito sol distribuindo a sua vitamina sobre os ossos dos transeuntes em geral incluindo eu é claro ainda nem é tarde assim a maré está em cheia logo mais vai haver praia quando a maré começar a vazante é claro talvez ainda sejam umas nove horas e eu já me vou.
Vou indo voltando sem as novidades maiores e sem diferenças exceto esta de que agora vou indo contra o vento que sopra forte e subir pedalando a ladeira ali em frente oh gente mesmo sob esse sol ainda não tão inclemente é uma barra é segurar uma tremenda barra pesada nem tão pesada quanto umas candidaturas que se ensaiam por aí.
A moça gordinha e seu cãozinho magricela gasta sua paciência agora em outro poste e eu sem tempo para mirar direito que tipo de necessidade ou de emenda parlamentar está sendo liberada reconheço que todo político fisiológico é insaciável.
Como disse Tancredo pela voz de Alain Delon em "Il Gattopardo" de Lampedusa e Viscounti - para que as coisas permaneçam iguais é necessário que tudo mude.
Infelizmente é o que mais uma vez começa a acontecer no Maranhão.
Vou indo e o meu olhar ainda com tempo captura a cena em que uma gordinha ao lado de um poste na espera paciente de que o seu cãozinho magricelo preso a uma coleira curta satisfaça a sua necessidade matinal.
Vou indo agora em descida e como se diz que para descer todo santo ajuda e dispensando momentaneamente os pedais me entrego ao suave prazer de deslizar leve sem qualquer esforço na banguela tutelada pela lei da gravidade.
Vou indo filho do vento na velocidade que não é mais a da descida e sim a que a superfície plana oferece precisando de novo de pedalar sim a vida tem a ver com isso de pedalar e porque nem tudo é sempre banguela de ladeira suave e longa e se você pára de pedalar cai.
Vou indo vendo também do outro lado à minha esquerda os automóveis que parecem voar e na minha velocidade de quem pedala o amor e até a dor eu também cantor pedalando me pergunto se com tantas coisas para fazer hoje não deveria me apressar mais e eu mesmo concluo respondendo a mim mesmo que não.
Vou indo vendo à minha direita não muito no mar adentro a fila de navios que parece há anos parada é que são muitos e muitos os navios e eles vêm de muito longe singrando as distancias em busca de um porto só e o porto sendo um só não comporta tantos navios ao mesmo tempo e por isso haja tempo de espera.
Vou indo e essa orla que parece enorme não é tão assim como a estrada do tempo que ninguém sabe onde vai dar nem o percurso vida natureza mãe concebida de vento e de água e de sal ora sendo nós o sal da terra e se esse sal se desvirtuar com o que então se haverá de salgar? Fala aí seu Chico!
Como no dizer do poeta no caminho da volta ninguém se perde e já estou eu pé no pedal na minha volta afinal já se foi meia hora muito mais que o tempo que uma nuvem gastou ontem à noite para esconder encobrindo a meia lua inteira e eu não posso garantir se ela estava em minguante ou iniciando a sua fase crescente.
Nem é tão tarde há muito sol distribuindo a sua vitamina sobre os ossos dos transeuntes em geral incluindo eu é claro ainda nem é tarde assim a maré está em cheia logo mais vai haver praia quando a maré começar a vazante é claro talvez ainda sejam umas nove horas e eu já me vou.
Vou indo voltando sem as novidades maiores e sem diferenças exceto esta de que agora vou indo contra o vento que sopra forte e subir pedalando a ladeira ali em frente oh gente mesmo sob esse sol ainda não tão inclemente é uma barra é segurar uma tremenda barra pesada nem tão pesada quanto umas candidaturas que se ensaiam por aí.
A moça gordinha e seu cãozinho magricela gasta sua paciência agora em outro poste e eu sem tempo para mirar direito que tipo de necessidade ou de emenda parlamentar está sendo liberada reconheço que todo político fisiológico é insaciável.
Como disse Tancredo pela voz de Alain Delon em "Il Gattopardo" de Lampedusa e Viscounti - para que as coisas permaneçam iguais é necessário que tudo mude.
Infelizmente é o que mais uma vez começa a acontecer no Maranhão.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Dilma Despenca, Marina Sobe
Pesquisa nacional Ibope feita em parceria com o Estado entre quinta-feira e
domingo passados revela um cenário bem mais competitivo da sucessão
presidencial de 2014.
No cenário com quatro candidatos a presidente, Dilma tem 30% das intenções de voto estimuladas, contra 22% de Marina Silva (sem partido), 13% de Aécio Neves (PSDB) e 5% de Eduardo Campos (PSB).
Nesse segundo cenário, trocando-se Dilma por Lula, o candidato do PT cresce dez pontos e chega a 39%. Marina cai para 17%, Aécio permanece com 12%, Barbosa fica com 6%, e Campos cai a 3%.
No único cenário estimulado que é comparável ao da pesquisa Ibope/Estadão de março, Dilma despencou.
Na simulação com quatro candidatos a presidente, ele caiu de 58% para 30% de intenção de voto estimulada.
Ao mesmo tempo, Marina cresceu 10 pontos: de 12% em março, para 22% em julho. Aécio ganhou 4 pontos: de 9% para 13%. Campos oscilou de 3% para 5%.
Também foi notável a expansão do voto nulo e branco.
Entre março e domingo passado, a taxa dos que não votariam em nenhum dos candidatos testados dobrou de 9% para 18% - mais um reflexo do descontentamento dos eleitores com os políticos.
O crescimento de Marina e a queda de Dilma na pesquisa estimulada se explica, em parte, pela inversão das preferências dos eleitores mais ricos.
Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, a presidente caiu de 43% para 19% das intenções de voto, enquanto Marina pulou de 18% para 44%.
A primeira pergunta do Ibope sobre a sucessão pediu ao eleitor que dissesse em quem ele votaria se a eleição fosse hoje, mas não apresentou opções.
Nessa resposta, dita espontânea, Dilma ficou com 16% das intenções de voto, contra 12% de Lula, 5% de Aécio, 4% de Marina, 3% de Joaquim Barbosa, 3% de José Serra (PSDB), 1% de Eduardo Campos e 1% de Geraldo Alckmin (PSDB).
Outros 40% dos brasileiros não souberam dizer espontaneamente o nome de um candidato a presidente, e 13% responderam que votariam em branco ou anulariam. Demais nomes somaram 1%.
Em comparação à pesquisa feita pelo Ibope em março, Dilma perdeu mais da metade sua intenção de voto espontânea. Ela tinha 35% de citações na pesquisa anterior, contra 16% agora.
A perda de eleitores coincide com a queda abrupta da popularidade da presidente após as manifestações de rua ocorridas desde junho.
A pesquisa Ibope/Estado foi feita entre os dias 11 e 14 de julho. Foram entrevistados 2.002 brasileiros de 16 anos ou mais de idade em 140 municípios de todas as regiões do Brasil.
A margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%.
Isso significa que se a mesma pesquisa fosse feita simultaneamente 100 vezes, em 95 delas os resultados deveriam ficar dentro da margem.
Esta análise é de José Roberto de Toledo a partir de recente pesquisa do IBOPE que estará na edição de amanhã de O Estado de São Paulo.
No cenário com quatro candidatos a presidente, Dilma tem 30% das intenções de voto estimuladas, contra 22% de Marina Silva (sem partido), 13% de Aécio Neves (PSDB) e 5% de Eduardo Campos (PSB).
Contra os
mesmos adversários, Lula chegaria a 41%, e os adversários ficariam, respectivamente,
com 18%, 12% e 3%. Por comparação, a taxa de Lula é 37% maior que a de Dilma.
Num segundo cenário, com cinco candidatos a presidente, Dilma fica com 29% das intenções de voto, contra 21% de Marina e 12% de Aécio. Os três perdem um ponto porcentual com a entrada no páreo do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. O magistrado chega a 6%, contra 5% de Eduardo Campos.
Num segundo cenário, com cinco candidatos a presidente, Dilma fica com 29% das intenções de voto, contra 21% de Marina e 12% de Aécio. Os três perdem um ponto porcentual com a entrada no páreo do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. O magistrado chega a 6%, contra 5% de Eduardo Campos.
Nesse segundo cenário, trocando-se Dilma por Lula, o candidato do PT cresce dez pontos e chega a 39%. Marina cai para 17%, Aécio permanece com 12%, Barbosa fica com 6%, e Campos cai a 3%.
No único cenário estimulado que é comparável ao da pesquisa Ibope/Estadão de março, Dilma despencou.
Na simulação com quatro candidatos a presidente, ele caiu de 58% para 30% de intenção de voto estimulada.
Ao mesmo tempo, Marina cresceu 10 pontos: de 12% em março, para 22% em julho. Aécio ganhou 4 pontos: de 9% para 13%. Campos oscilou de 3% para 5%.
Também foi notável a expansão do voto nulo e branco.
Entre março e domingo passado, a taxa dos que não votariam em nenhum dos candidatos testados dobrou de 9% para 18% - mais um reflexo do descontentamento dos eleitores com os políticos.
O crescimento de Marina e a queda de Dilma na pesquisa estimulada se explica, em parte, pela inversão das preferências dos eleitores mais ricos.
Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, a presidente caiu de 43% para 19% das intenções de voto, enquanto Marina pulou de 18% para 44%.
A primeira pergunta do Ibope sobre a sucessão pediu ao eleitor que dissesse em quem ele votaria se a eleição fosse hoje, mas não apresentou opções.
Nessa resposta, dita espontânea, Dilma ficou com 16% das intenções de voto, contra 12% de Lula, 5% de Aécio, 4% de Marina, 3% de Joaquim Barbosa, 3% de José Serra (PSDB), 1% de Eduardo Campos e 1% de Geraldo Alckmin (PSDB).
Outros 40% dos brasileiros não souberam dizer espontaneamente o nome de um candidato a presidente, e 13% responderam que votariam em branco ou anulariam. Demais nomes somaram 1%.
Em comparação à pesquisa feita pelo Ibope em março, Dilma perdeu mais da metade sua intenção de voto espontânea. Ela tinha 35% de citações na pesquisa anterior, contra 16% agora.
A perda de eleitores coincide com a queda abrupta da popularidade da presidente após as manifestações de rua ocorridas desde junho.
A pesquisa Ibope/Estado foi feita entre os dias 11 e 14 de julho. Foram entrevistados 2.002 brasileiros de 16 anos ou mais de idade em 140 municípios de todas as regiões do Brasil.
A margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%.
Isso significa que se a mesma pesquisa fosse feita simultaneamente 100 vezes, em 95 delas os resultados deveriam ficar dentro da margem.
Esta análise é de José Roberto de Toledo a partir de recente pesquisa do IBOPE que estará na edição de amanhã de O Estado de São Paulo.
Mensalão
Querem
cooptação política com o dinheiro publico mais eficaz e mais imoral e aética do
que a emenda parlamentar que, não obstante aprovada pelo Congresso passando a
integrar o Orçamento da União, só é liberada para sua destinação e finalidade
se o seu autor, Deputado ou Senador, se comportar direitinho votando sempre com
o Governo?
Além do mais é uma coisa enganosa porque induz o parlamentar a fazer crer aos seus eleitores que conseguiu verbas no Orçamento para essa ou aquela obra indispensável ao seu Município. Verba que em muitos casos não aparece.
Como o Orçamento da União no Brasil não passa, em verdade, de um enfadonho calhamaço de intenções contendo previsões de arrecadação e de despesas que nem o Judiciário ou MP levam a sério, Presidente nenhum se julga obrigado a fazer a sua parte atendendo as demandas dos parlamentares.
Por isso é que há na bica para ser aprovada uma Proposta de Emenda Constitucional tornando impositivas as emendas parlamentares e isso está deixando a Dilma aborrecida, entufada mais que normalmente, acionando um corre-corre para o Henriquinho sustar a votação do que a área econômica considera uma grande doideira.
A idéia do orçamento impositivo, que data de 2006, foi de Antonio Carlos Magalhães e até a Ideli e o Mercadante, no Senado, votaram a favor. Depois o PT e o Lula foram limando, limando, até que mais fraquinha a PEC ficou no que propõe agora – obrigatoriedade de liberação apenas das emendas feitas ao Orçamento pelos parlamentares.
Ora, ou o Governo paga indistintamente as emendas apresentadas por todos os Deputados e Senadores ou a Presidente estará passível de um impeachment porque isso configura em tese atentado contra o livre funcionamento do Poder Legislativo (CF, Art.85, II).
Além do mais é uma coisa enganosa porque induz o parlamentar a fazer crer aos seus eleitores que conseguiu verbas no Orçamento para essa ou aquela obra indispensável ao seu Município. Verba que em muitos casos não aparece.
Como o Orçamento da União no Brasil não passa, em verdade, de um enfadonho calhamaço de intenções contendo previsões de arrecadação e de despesas que nem o Judiciário ou MP levam a sério, Presidente nenhum se julga obrigado a fazer a sua parte atendendo as demandas dos parlamentares.
Por isso é que há na bica para ser aprovada uma Proposta de Emenda Constitucional tornando impositivas as emendas parlamentares e isso está deixando a Dilma aborrecida, entufada mais que normalmente, acionando um corre-corre para o Henriquinho sustar a votação do que a área econômica considera uma grande doideira.
A idéia do orçamento impositivo, que data de 2006, foi de Antonio Carlos Magalhães e até a Ideli e o Mercadante, no Senado, votaram a favor. Depois o PT e o Lula foram limando, limando, até que mais fraquinha a PEC ficou no que propõe agora – obrigatoriedade de liberação apenas das emendas feitas ao Orçamento pelos parlamentares.
Ora, ou o Governo paga indistintamente as emendas apresentadas por todos os Deputados e Senadores ou a Presidente estará passível de um impeachment porque isso configura em tese atentado contra o livre funcionamento do Poder Legislativo (CF, Art.85, II).
Falou
Quem define a política econômica trabalha
no Palácio do Planalto e não na Esplanada dos Ministérios.
Ponto.
Assim Dilma deixou bem claro que a responsabilidade direta pelo fracasso ou sucesso da economia no que toca ao Governo é de uma só pessoa – ela.
Ou seja, o apito de Mântega tem efeito apenas repetitivo. Ou seja, ela não está a fim de tirar o companheiro do encargo de Ministro da Fazenda.
Assim Dilma deixou bem claro que a responsabilidade direta pelo fracasso ou sucesso da economia no que toca ao Governo é de uma só pessoa – ela.
Ou seja, o apito de Mântega tem efeito apenas repetitivo. Ou seja, ela não está a fim de tirar o companheiro do encargo de Ministro da Fazenda.
terça-feira, 16 de julho de 2013
No Limite
A pesquisa MDA/CNT confirma a queda abrupta da popularidade do
governo de Dilma Rousseff, mas mostra que a presidente parou de cair
antes de entrar no negativo. Considerada a margem de erro, ela tem tanta
aprovação quanto desaprovação.
O novo levantamento começou nove dias depois do anterior, do
Datafolha, que havia mostrado que uma avalanche na opinião público
levara a popularidade de Dilma encosta abaixo. Apesar da diferença de
data, os números das duas pesquisas são bastante semelhantes: 30% de
ótimo/bom no Datafolha e 31% na MDA.
Os saldo de popularidade nas duas pesquisas também se equivalem: 5
pontos positivos antes, contra 2 pontos agora. Isso porque, segundo a
MDA, 29% avaliaram o governo Dilma como ruim/péssimo, contra 25% que
tinham emitido essa opinião para o Datafolha. O potencial de voto de Dilma Rousseff ficou muito perto da
inelegibilidade: 51%, contra 45% de rejeição. Está no limite, mas, hoje,
a presidente teria chances de se reeleger. Ela só perderá essa condição
se passar a ser rejeitada pela maioria absoluta – uma barreira
obviamente intransponível no segundo turno. A pesquisa MDA/CNT indica que as chances de vitória de Dilma
despencaram junto com sua popularidade, mas ainda existem. O significado
dessa mudança depende dos olhos de quem vê a pesquisa. Para a oposição, é sinal de que basta pressionar um pouco mais que
Dilma se tornará inviável eleitoralmente. Para os dilmistas
remanescentes, é prova de que a presidente chegou ao fundo do poço e tem
um patamar minimamente confortável para buscar uma recuperação de sua
popularidade. As pesquisas não têm capacidade de predição. Não dá para saber o que
vai acontecer a partir apenas desses dois levantamentos. Mas a crise
revelou um novo patamar de resistência para Dilma. Novos fatos podem
empurrar a popularidade presidencial para cima ou para baixo. É preciso
que eles ocorram para Dilma cair mais. (Análise de José Roberto de Toledo, em O Estado de S. Paulo, edição on line de 16.07.13, logo após a divulgação da ultima pesquisa MDA/CNT apontando que a reeleição vai se tornando mais difícil para Dilma.)
sábado, 6 de julho de 2013
A Presidente se Afunda Enganando a Si Mesma
Mentir para os outros pode ser pecado. Pode também ser crime, em
algumas circunstâncias. Mentir para si mesmo é insânia. Os brasileiros,
têm, portanto, mais um sério motivo para se inquietar. O governo, tudo
parece indicar, mente para si mesmo e continuará mentindo para se isolar
da realidade.
É muito difícil explicar de outra forma a reação da presidente Dilma Rousseff e de sua equipe às manifestações de rua e ao tsunami de más notícias. O governo tentou, mas como deslocar os problemas para o Congresso, quando até fontes oficiais continuam despejando informações assustadoras sobre a economia? Até os aliados, a começar pelo vice-presidente Michel Temer, têm resistido à manobra, Mesmo sem essa resistência, a situação desastrosa do País continuaria atraindo as atenções.
O Banco Central (BC), uma das fontes oficiais, diminuiu de 3,1% para 2,7% o crescimento econômico projetado para o ano, além de reduzir de US$ 15 bilhões para US$ 7 bilhões o saldo comercial estimado. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reestimou de 3,2% para 2% a expansão do produto interno bruto (PIB). Na semana passada estava em 2,4% a mediana das projeções do mercado financeiro. Não só as bolas de cristal mostram cenários tenebrosos. Os dados já conhecidos alimentam no dia a dia as previsões negativas.
Um bom exemplo: a produção industrial caiu 2% de abril para maio, depois de modesta recuperação nos meses anteriores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O saldo comercial do trimestre foi um déficit de US$ 3 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento. Mas o número seria bem pior sem as exportações fictícias de plataformas de petróleo no valor de US$ 2,4 bilhões.
A inflação continua elevada e especialistas apontam um resultado próximo de 6% até o fim do ano. A desinflação dos alimentos acabou e o custo das matérias-primas poderá em breve pressionar de novo os preços ao consumidor.
Em junho, o índice oficial de inflação, o IPCA, calculado pelo IBGE, perdeu impulso e subiu 0,26%, principalmente por causa da menor pressão dos preços dos alimentos. Mas no atacado os preços agrícolas aumentaram 1,46%, depois de recuarem 0,75% em maio, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Também no atacado a alta dos preços industriais chegou a 0,62%. Ainda em junho, o índice de commodities do BC, o IC-Br, subiu 5,34%, com variação de 5,72% para agropecuária, 4,3% para metais e 4,39% para energia.
O repasse desses aumentos ao varejo dependerá de fatores como o nível de emprego, a renda e a disposição dos consumidores, a possibilidade de substituição de bens, as condições do crédito e, naturalmente, a situação das contas públicas. Os consumidores andam mais ressabiados e cautelosos. Mas o emprego permanece elevado, os salários ainda acumulam ganhos reais, embora menores que os dos últimos anos, o crédito ainda aumenta e a política fiscal permanece, como afirma o pessoal do BC, "expansionista".
Nas ruas, manifestantes protestaram contra as tarifas e a qualidade do transporte urbano e cobraram melhores padrões de serviços essenciais, como educação e assistência à saúde. Diante dessas pressões a presidente propôs um plebiscito fora de hora, sobre temas políticos, e convocou os ministros para exigir maior empenho na execução de seus programas - os mesmos programas condenados nas ruas pela baixíssima qualidade de seus resultados.
Os ministros da área econômica estavam prontos, como sempre, para esse tipo de jogo. Afinal, continuam prometendo mais do mesmo - uma péssima gestão das finanças públicas, mal disfarçada com novos lances de contabilidade criativa, já famosa até na imprensa estrangeira. A quem pensam enganar? Só podem enganar a si mesmos, é claro, porque até os muito trouxas acabam percebendo, embora com algum atraso, os sinais do desarranjo.
A presidente, dizem fontes de Brasília, está isolada. De certa forma, sempre esteve. Desde o começo de seu mandato cercou-se de assessores incapazes - por incompetência ou por falta de coragem - de ajudá-la a examinar os fatos e a planejar as ações de governo com base em diagnósticos realistas.
A maior parte de sua política administrativa e econômica é mero desdobramento da herança deixada por Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhuma alteração essencial ocorreu na diplomacia econômica. Na prática, as prioridades têm sido as mesmas. O País continua amarrado ao mundo estreito e medíocre do Mercosul. Enquanto isso, negociam-se novas alianças e novas perspectivas de comércio e integração econômica são abertas em quase todas as regiões, incluída a América Latina. A Aliança do Pacífico é um bom exemplo.
A administração continua tão ineficiente quanto na fase do antecessor, quando o Brasil foi arrastado pela prosperidade mundial e o País pareceu tornar-se uma potência de peso. A grande novidade, naquele período, foi a rápida incorporação de massas ao mercado consumidor. Como nada se fez para modernizar o País e fortalecer sua capacidade produtiva, a mágica da expansão do mercado se esgotou. A dramática perda de produtividade geral da economia deixou o País desarmado para enfrentar a concorrência estrangeira.
Os resultados são evidentes nas contas externas, mesmo com algum disfarce. Aparentemente sem perceber esses fatos, a presidente insistiu numa política baseada principalmente no estímulo ao consumo. O resultado foi uma combinação de piora das contas fiscais, erosão do balanço de pagamentos, inflação sempre alta e indústria estagnada. Na administração federal, direta e indireta. aparelhamento e loteamento continuam predominando. Vai-se consertar tudo isso com um plebiscito improvisado?
ROLF KUNTZ é o autor deste artigo publicado em O Estado de São Paulo, edição de 06.06.13.
É muito difícil explicar de outra forma a reação da presidente Dilma Rousseff e de sua equipe às manifestações de rua e ao tsunami de más notícias. O governo tentou, mas como deslocar os problemas para o Congresso, quando até fontes oficiais continuam despejando informações assustadoras sobre a economia? Até os aliados, a começar pelo vice-presidente Michel Temer, têm resistido à manobra, Mesmo sem essa resistência, a situação desastrosa do País continuaria atraindo as atenções.
O Banco Central (BC), uma das fontes oficiais, diminuiu de 3,1% para 2,7% o crescimento econômico projetado para o ano, além de reduzir de US$ 15 bilhões para US$ 7 bilhões o saldo comercial estimado. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reestimou de 3,2% para 2% a expansão do produto interno bruto (PIB). Na semana passada estava em 2,4% a mediana das projeções do mercado financeiro. Não só as bolas de cristal mostram cenários tenebrosos. Os dados já conhecidos alimentam no dia a dia as previsões negativas.
Um bom exemplo: a produção industrial caiu 2% de abril para maio, depois de modesta recuperação nos meses anteriores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O saldo comercial do trimestre foi um déficit de US$ 3 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento. Mas o número seria bem pior sem as exportações fictícias de plataformas de petróleo no valor de US$ 2,4 bilhões.
A inflação continua elevada e especialistas apontam um resultado próximo de 6% até o fim do ano. A desinflação dos alimentos acabou e o custo das matérias-primas poderá em breve pressionar de novo os preços ao consumidor.
Em junho, o índice oficial de inflação, o IPCA, calculado pelo IBGE, perdeu impulso e subiu 0,26%, principalmente por causa da menor pressão dos preços dos alimentos. Mas no atacado os preços agrícolas aumentaram 1,46%, depois de recuarem 0,75% em maio, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Também no atacado a alta dos preços industriais chegou a 0,62%. Ainda em junho, o índice de commodities do BC, o IC-Br, subiu 5,34%, com variação de 5,72% para agropecuária, 4,3% para metais e 4,39% para energia.
O repasse desses aumentos ao varejo dependerá de fatores como o nível de emprego, a renda e a disposição dos consumidores, a possibilidade de substituição de bens, as condições do crédito e, naturalmente, a situação das contas públicas. Os consumidores andam mais ressabiados e cautelosos. Mas o emprego permanece elevado, os salários ainda acumulam ganhos reais, embora menores que os dos últimos anos, o crédito ainda aumenta e a política fiscal permanece, como afirma o pessoal do BC, "expansionista".
Nas ruas, manifestantes protestaram contra as tarifas e a qualidade do transporte urbano e cobraram melhores padrões de serviços essenciais, como educação e assistência à saúde. Diante dessas pressões a presidente propôs um plebiscito fora de hora, sobre temas políticos, e convocou os ministros para exigir maior empenho na execução de seus programas - os mesmos programas condenados nas ruas pela baixíssima qualidade de seus resultados.
Os ministros da área econômica estavam prontos, como sempre, para esse tipo de jogo. Afinal, continuam prometendo mais do mesmo - uma péssima gestão das finanças públicas, mal disfarçada com novos lances de contabilidade criativa, já famosa até na imprensa estrangeira. A quem pensam enganar? Só podem enganar a si mesmos, é claro, porque até os muito trouxas acabam percebendo, embora com algum atraso, os sinais do desarranjo.
A presidente, dizem fontes de Brasília, está isolada. De certa forma, sempre esteve. Desde o começo de seu mandato cercou-se de assessores incapazes - por incompetência ou por falta de coragem - de ajudá-la a examinar os fatos e a planejar as ações de governo com base em diagnósticos realistas.
A maior parte de sua política administrativa e econômica é mero desdobramento da herança deixada por Luiz Inácio Lula da Silva. Nenhuma alteração essencial ocorreu na diplomacia econômica. Na prática, as prioridades têm sido as mesmas. O País continua amarrado ao mundo estreito e medíocre do Mercosul. Enquanto isso, negociam-se novas alianças e novas perspectivas de comércio e integração econômica são abertas em quase todas as regiões, incluída a América Latina. A Aliança do Pacífico é um bom exemplo.
A administração continua tão ineficiente quanto na fase do antecessor, quando o Brasil foi arrastado pela prosperidade mundial e o País pareceu tornar-se uma potência de peso. A grande novidade, naquele período, foi a rápida incorporação de massas ao mercado consumidor. Como nada se fez para modernizar o País e fortalecer sua capacidade produtiva, a mágica da expansão do mercado se esgotou. A dramática perda de produtividade geral da economia deixou o País desarmado para enfrentar a concorrência estrangeira.
Os resultados são evidentes nas contas externas, mesmo com algum disfarce. Aparentemente sem perceber esses fatos, a presidente insistiu numa política baseada principalmente no estímulo ao consumo. O resultado foi uma combinação de piora das contas fiscais, erosão do balanço de pagamentos, inflação sempre alta e indústria estagnada. Na administração federal, direta e indireta. aparelhamento e loteamento continuam predominando. Vai-se consertar tudo isso com um plebiscito improvisado?
ROLF KUNTZ é o autor deste artigo publicado em O Estado de São Paulo, edição de 06.06.13.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Vândalos
As passeatas seguiam mornas e insossas como uma enxurrada breve que se dilui quando a chuva acaba. Tudo parecia indicar que seria mais um arroubo instantâneo de uma insatisfação passageira.
Afinal, protestar contra 20 centavos a mais numa passagem de ônibus não faria muito sentido ainda mais considerando que era apenas um reajuste mínimo.
Não havia a menor possibilidade de revogar o reajuste, avisou o Prefeito alertando que haveria um rombo nas contas públicas impossível de consertar.
O bom senso parecia indicar que com aquela passeata, já em seu terceiro dia, a rapaziada só pretendia marcar posição para depois, mesmo indignada, voltar pra casa.
Como em tudo no mundo há um porém e quando não há um porém há um de repente não mais que de repente tal como ocorreu naquele poema do Vinicius, o de repente naquela passeata chegando à boca da noite aconteceu.
Uma saraivada de balas de borracha desfechada por alguns policiais sangrou rapazes, moças, dentre eles também jornalistas.
Foi quando, também de repente, surgiram na cena os vândalos. Os providenciais vândalos. Sem a reação deles acertando uma pedrada num policial e alcançando em danos alguns símbolos da dominação vigente - bancos e repartições, o bicho anunciado não teria pegado.
Em questão de horas a bandeira contra os 20 centavos atiçou os brios da cidadania de milhões de brasileiros pelo País afora e, aos poucos, fomos notando que a causa não era só pelos centavos. Era para repor o Brasil aos brasileiros.
Fora a canalha do poder, os donos dos partidos, os estelionatários da boa fé do povo, os ladroes do dinheiro público. Reforma politica já!
A revolução francesa começou por conta de um aumento no preço do pão, o que teria motivado Maria Antonieta, a Rainha, dizem, àquela proposta cínica - não tem mais pão? Dá brioche... Sim, brioche era o que a realeza comia.
Despertado enfim o gigante adormecido, o Governo se coçou e a Dilma, ah meu Deus, então falou aquelas coisas e quem não gostou foi investigar quanto nós pagamos para um japonês arrumar aquele topete dela e maquia-la - R$ 3.125 reais. Toda vez.
A polícia começou a caçar vândalos e a marca-los com disparos de tinta para não escaparem das garras da lei. Não confundir vândalos cívicos com arruaceiros marginais.
Até aqui causaram menos dano à ordem pública do que os políticos aos cofres públicos. Salvo as raras exceções, que a prudência e a boa educação recomenda sempre que se faça.
Foram os vândalos que tomaram Cartago dos romanos criando um Estado independente no norte da África. Seriam ancestrais dos poloneses. Por via de consequência, mais remotamente, do Santo Padre, o Papa João Paulo II.
Portanto, mais respeito com os vândalos.
A nossa história registra um incêndio no prédio do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão.
A população revoltada queria impedir que se proclamasse eleito um candidato em que a maioria realmente não votara
O que aconteceu? O prédio da justiça eleitoral na Rua do Sol ainda ardia em chamas quando na sede do Tribunal de Justiça a Corte eleitoral se instalou.
Palavras do Desembargador Presidente ao abrir a sessão:
- Senhores! Vândalos nesta madrugada tentaram empanar o brilho desta eleição. No entanto, não alcançaram o seu desiderato. Vou proclamar o resultado da eleição...
E para efervescência da indignação geral, proclamou.
Dentre os vândalos, um estudante de direito - futuro Governador que depois foi Presidente da República.
Ainda se fazem vândalos como antigamente?
Afinal, protestar contra 20 centavos a mais numa passagem de ônibus não faria muito sentido ainda mais considerando que era apenas um reajuste mínimo.
Não havia a menor possibilidade de revogar o reajuste, avisou o Prefeito alertando que haveria um rombo nas contas públicas impossível de consertar.
O bom senso parecia indicar que com aquela passeata, já em seu terceiro dia, a rapaziada só pretendia marcar posição para depois, mesmo indignada, voltar pra casa.
Como em tudo no mundo há um porém e quando não há um porém há um de repente não mais que de repente tal como ocorreu naquele poema do Vinicius, o de repente naquela passeata chegando à boca da noite aconteceu.
Uma saraivada de balas de borracha desfechada por alguns policiais sangrou rapazes, moças, dentre eles também jornalistas.
Foi quando, também de repente, surgiram na cena os vândalos. Os providenciais vândalos. Sem a reação deles acertando uma pedrada num policial e alcançando em danos alguns símbolos da dominação vigente - bancos e repartições, o bicho anunciado não teria pegado.
Em questão de horas a bandeira contra os 20 centavos atiçou os brios da cidadania de milhões de brasileiros pelo País afora e, aos poucos, fomos notando que a causa não era só pelos centavos. Era para repor o Brasil aos brasileiros.
Fora a canalha do poder, os donos dos partidos, os estelionatários da boa fé do povo, os ladroes do dinheiro público. Reforma politica já!
A revolução francesa começou por conta de um aumento no preço do pão, o que teria motivado Maria Antonieta, a Rainha, dizem, àquela proposta cínica - não tem mais pão? Dá brioche... Sim, brioche era o que a realeza comia.
Despertado enfim o gigante adormecido, o Governo se coçou e a Dilma, ah meu Deus, então falou aquelas coisas e quem não gostou foi investigar quanto nós pagamos para um japonês arrumar aquele topete dela e maquia-la - R$ 3.125 reais. Toda vez.
A polícia começou a caçar vândalos e a marca-los com disparos de tinta para não escaparem das garras da lei. Não confundir vândalos cívicos com arruaceiros marginais.
Até aqui causaram menos dano à ordem pública do que os políticos aos cofres públicos. Salvo as raras exceções, que a prudência e a boa educação recomenda sempre que se faça.
Foram os vândalos que tomaram Cartago dos romanos criando um Estado independente no norte da África. Seriam ancestrais dos poloneses. Por via de consequência, mais remotamente, do Santo Padre, o Papa João Paulo II.
Portanto, mais respeito com os vândalos.
A nossa história registra um incêndio no prédio do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão.
A população revoltada queria impedir que se proclamasse eleito um candidato em que a maioria realmente não votara
O que aconteceu? O prédio da justiça eleitoral na Rua do Sol ainda ardia em chamas quando na sede do Tribunal de Justiça a Corte eleitoral se instalou.
Palavras do Desembargador Presidente ao abrir a sessão:
- Senhores! Vândalos nesta madrugada tentaram empanar o brilho desta eleição. No entanto, não alcançaram o seu desiderato. Vou proclamar o resultado da eleição...
E para efervescência da indignação geral, proclamou.
Dentre os vândalos, um estudante de direito - futuro Governador que depois foi Presidente da República.
Ainda se fazem vândalos como antigamente?
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Enfeiou
Há
quem no Governo comemore o baixo quórum da passeata de hoje na Esplanada dos Ministérios
em Brasília achando que o movimento popular contra o Estado totalitário
ineficaz e incompetente em que está se reduzindo o Brasil já está se esvaziando
nacionalmente.
Ledo engano. O movimento de hoje foi coordenado por uma organização não governamental conhecida como UNE e, sabendo disso, as pessoas fora de esquemas que engrossam as manifestações pelas razões de sua própria cidadania não quiseram dar linha nem cerol à passeata chapa-branca.
O que se sabe mesmo é que as coisas começam a ficar feias para o atual Governo que tenta, de todas as maneiras, desviar o foco do movimento popular envolvendo os políticos, sempre eles, os mesmos de sempre, com esse anuncio de um plebiscito para a reforma politica.
Até o Britinho, que antes de ser Ministro do STF era petista de carteirinha, já alertou que esse negócio de plebiscito para a reforma politica é um cheque em branco da população para os políticos, ou seja, para a maioria governista. E ele tem toda razão.
Até aquelas duas cumbucas que enfeitam o prédio do Congresso, uma aberta pra cima e a outra emborcada sabem que ali não passa nenhuma reforma eleitoral que prejudique a reeleição dos que já estão lá. Lembram que em politica não há suicida. Só o Getúlio que deixou a vida, mas assim mesmo para entrar na historia.
Ah por que a coisa está ficando mais feia? Ou - por que o bicho vai deixar correr para depois pegar novamente e aí então comer? (No capitulo do velho dilema – se correr o bicho pega, se ficar o bicho come...)
Explico. Vem uma onda de greves aí e agora – como se tudo que há não bastasse – no próximo capitulo vão estar em cena os caminhoneiros paralisando as estradas que ainda restam na precária infraestrutura do País. E sabe você o que isso significa? Desabastecimento. Esperem.
Hora de lembrar a advertência do vez por outra esquecido Abraham Lincoln:
– Pode-se enganar todo um Povo por algum tempo; pode-se enganar uma parte do Povo por algum tempo. Mas não se pode enganar todo o Povo o tempo todo.
O Povo brasileiro, e em especial o Povo do Maranhão, já está nas últimas. Ou melhor, nessa ultima hipótese.
Ledo engano. O movimento de hoje foi coordenado por uma organização não governamental conhecida como UNE e, sabendo disso, as pessoas fora de esquemas que engrossam as manifestações pelas razões de sua própria cidadania não quiseram dar linha nem cerol à passeata chapa-branca.
O que se sabe mesmo é que as coisas começam a ficar feias para o atual Governo que tenta, de todas as maneiras, desviar o foco do movimento popular envolvendo os políticos, sempre eles, os mesmos de sempre, com esse anuncio de um plebiscito para a reforma politica.
Até o Britinho, que antes de ser Ministro do STF era petista de carteirinha, já alertou que esse negócio de plebiscito para a reforma politica é um cheque em branco da população para os políticos, ou seja, para a maioria governista. E ele tem toda razão.
Até aquelas duas cumbucas que enfeitam o prédio do Congresso, uma aberta pra cima e a outra emborcada sabem que ali não passa nenhuma reforma eleitoral que prejudique a reeleição dos que já estão lá. Lembram que em politica não há suicida. Só o Getúlio que deixou a vida, mas assim mesmo para entrar na historia.
Ah por que a coisa está ficando mais feia? Ou - por que o bicho vai deixar correr para depois pegar novamente e aí então comer? (No capitulo do velho dilema – se correr o bicho pega, se ficar o bicho come...)
Explico. Vem uma onda de greves aí e agora – como se tudo que há não bastasse – no próximo capitulo vão estar em cena os caminhoneiros paralisando as estradas que ainda restam na precária infraestrutura do País. E sabe você o que isso significa? Desabastecimento. Esperem.
Hora de lembrar a advertência do vez por outra esquecido Abraham Lincoln:
– Pode-se enganar todo um Povo por algum tempo; pode-se enganar uma parte do Povo por algum tempo. Mas não se pode enganar todo o Povo o tempo todo.
O Povo brasileiro, e em especial o Povo do Maranhão, já está nas últimas. Ou melhor, nessa ultima hipótese.
sábado, 22 de junho de 2013
Pegou
Em fins do ano passado, quando muita gente tentava adivinhar o que poderia nos acontecer de bom ou de ruim neste ano, o Gilbertinho avisou que depois de fevereiro o bicho ia pegar.
Porque depois de fevereiro ninguém entendeu. Talvez porque em fevereiro tem carnaval e quem é maluco de querer mexer uma pedra, mesmo que a de um simples jogo de damas, em detrimento do carnaval?
Mas aconteceu que logo na sequencia apareceu a Dilma zangada, num daqueles seus improvisos gritados, como não é raro ela aparecer à noite na sala da gente, pela televisão, e confirmando a antecipação da campanha eleitoral, enunciar um princípio, aliás, horrível, da moral vigente - para ganhar a eleição, lecionou a Presidenta, você faz o diabo.
Por que fazer mais diabo se já são incontáveis os que andam soltos por aí, crescidos e passados na casca do alho? Mas assim lembrado, o diabo evocado pela Dilma compareceu.
Vamos começar então, resolveu o diabo, eliminando os concorrentes mais perigosos. Quem está em segundo lugar? A Marina. Vamos deixa-la sem partido. Quem é a novidade? O Eduardo. Vamos asfixia-lo até ele desistir. E o Aecinho? Ah é pouco conhecido.
Você tem a caneta e o cofre, muié - instigou o diabo. É jogar de acordo com arquibancada.
E lá se foi a nossa Presidenta chutar bola em estádios vazios, rodeada de uns poucos áulicos, sendo sempre o maior deles o que se prestava ao papel de goleiro. Com a bola no pé o goleiro amarrado, quem não é campeão?
Tu lembras as cenas? Não passavam a ideia de um isolamento absoluto, de uma solidão de poder, de uma distancia enorme entre o Estado que ela encarna e a arquibancada, espaço do Povo, sem ninguém? A ciência política chama isso de dissenso.
O Governo diz que faz. Acha que faz. O Povo diz que não. O que se vê é muita propaganda nos jornais, nas revistas, no rádio, na televisão. Tem havido também muita desoneração tributária. Arrocha a cobrança de impostos por um lado e afrouxa largamente para o outro. Ou melhor, para uns outros.
A realidade mesmo é a que se traduz nestas agitações das ruas e no apoio quieto das maiorias silenciosas. Faltam médicos nos hospitais, professores nas universidades, segurança nas estradas e nas ruas. Não há infraestrutura para as demandas do País. Corrupção? Nem falar.
Qualquer que seja o placar, o Brasil já terá sido o campeão da Copa do Mundo. Em gastos. A Alemanha consumiu o equivalente a 10 bilhões de reais ao sediar a Copa do Mundo em 2006. A África do Sul, 7 bilhões e 300 milhões de reais em 2010. O Brasil fecha a conta de 2014 com 28 bilhões de reais. Por enquanto.
O Gilbertinho que é o especialista da Dilma em movimentos sociais fala que não está conseguindo entender essas coisas dos últimos dias pelo Brasil. Os movimentos que se concatenam entre si tem rumo, mas não tem direção. Ou seja, não tem um comando, um porta voz autorizado, uma pessoa com quem o Governo possa se entender.
O que está bem nítido mesmo é que o Brasil começa a compreender que o Estado no modelo vigente, desde a queda da ditadura militar, tem sido igualmente autoritário. Veste-se de democrata, mas é só fantasia. O cidadão não é ouvido, nem considerado.
O sistema representativo não representa nada. Os partidos políticos são mesmo de mentirinha. Está todo mundo entalado com o autoritarismo do Estado brasileiro. E como se não faltasse mais nada ainda temos a Dilma zangada e gritando quase toda noite na sala da gente.
Bem que o Gilbertinho avisou. O bicho ia pegar. E já pegou. Para ganhar as eleições tem muita gente fazendo o diabo. Não é só a Dilma, não.
Porque depois de fevereiro ninguém entendeu. Talvez porque em fevereiro tem carnaval e quem é maluco de querer mexer uma pedra, mesmo que a de um simples jogo de damas, em detrimento do carnaval?
Mas aconteceu que logo na sequencia apareceu a Dilma zangada, num daqueles seus improvisos gritados, como não é raro ela aparecer à noite na sala da gente, pela televisão, e confirmando a antecipação da campanha eleitoral, enunciar um princípio, aliás, horrível, da moral vigente - para ganhar a eleição, lecionou a Presidenta, você faz o diabo.
Por que fazer mais diabo se já são incontáveis os que andam soltos por aí, crescidos e passados na casca do alho? Mas assim lembrado, o diabo evocado pela Dilma compareceu.
Vamos começar então, resolveu o diabo, eliminando os concorrentes mais perigosos. Quem está em segundo lugar? A Marina. Vamos deixa-la sem partido. Quem é a novidade? O Eduardo. Vamos asfixia-lo até ele desistir. E o Aecinho? Ah é pouco conhecido.
Você tem a caneta e o cofre, muié - instigou o diabo. É jogar de acordo com arquibancada.
E lá se foi a nossa Presidenta chutar bola em estádios vazios, rodeada de uns poucos áulicos, sendo sempre o maior deles o que se prestava ao papel de goleiro. Com a bola no pé o goleiro amarrado, quem não é campeão?
Tu lembras as cenas? Não passavam a ideia de um isolamento absoluto, de uma solidão de poder, de uma distancia enorme entre o Estado que ela encarna e a arquibancada, espaço do Povo, sem ninguém? A ciência política chama isso de dissenso.
O Governo diz que faz. Acha que faz. O Povo diz que não. O que se vê é muita propaganda nos jornais, nas revistas, no rádio, na televisão. Tem havido também muita desoneração tributária. Arrocha a cobrança de impostos por um lado e afrouxa largamente para o outro. Ou melhor, para uns outros.
A realidade mesmo é a que se traduz nestas agitações das ruas e no apoio quieto das maiorias silenciosas. Faltam médicos nos hospitais, professores nas universidades, segurança nas estradas e nas ruas. Não há infraestrutura para as demandas do País. Corrupção? Nem falar.
Qualquer que seja o placar, o Brasil já terá sido o campeão da Copa do Mundo. Em gastos. A Alemanha consumiu o equivalente a 10 bilhões de reais ao sediar a Copa do Mundo em 2006. A África do Sul, 7 bilhões e 300 milhões de reais em 2010. O Brasil fecha a conta de 2014 com 28 bilhões de reais. Por enquanto.
O Gilbertinho que é o especialista da Dilma em movimentos sociais fala que não está conseguindo entender essas coisas dos últimos dias pelo Brasil. Os movimentos que se concatenam entre si tem rumo, mas não tem direção. Ou seja, não tem um comando, um porta voz autorizado, uma pessoa com quem o Governo possa se entender.
O que está bem nítido mesmo é que o Brasil começa a compreender que o Estado no modelo vigente, desde a queda da ditadura militar, tem sido igualmente autoritário. Veste-se de democrata, mas é só fantasia. O cidadão não é ouvido, nem considerado.
O sistema representativo não representa nada. Os partidos políticos são mesmo de mentirinha. Está todo mundo entalado com o autoritarismo do Estado brasileiro. E como se não faltasse mais nada ainda temos a Dilma zangada e gritando quase toda noite na sala da gente.
Bem que o Gilbertinho avisou. O bicho ia pegar. E já pegou. Para ganhar as eleições tem muita gente fazendo o diabo. Não é só a Dilma, não.
Ela aí de novo
Alta
de 0,38% em junho após subir 0,46 em maio. São os últimos números do IPCA. É a
inflação ultrapassando outra vez as estimativas oficiais.
Os destaques nessa aceleração dos preços ficaram para taxas de agua e esgoto, papel higiênico e demais da limpeza pessoal. Afora os transportes.
Ainda assim, diz o Governo que a danada está sob controle.
Os destaques nessa aceleração dos preços ficaram para taxas de agua e esgoto, papel higiênico e demais da limpeza pessoal. Afora os transportes.
Ainda assim, diz o Governo que a danada está sob controle.
Débora
Em
São Paulo, onde nos últimos anos se sabe mais das coisas de Brasília do que em Brasília, corre que o Lula
engoliu em seco o que lhe disse a Dilma e que a Dilma engoliu em seco o que lhe
disse o Lula.
Só brigam dois quando os dois querem. E o Lula não quer brigar com a Dilma nem a Dilma quer brigar com o Lula. Bom caráter que ela é, a Presidenta preferiria nem ser mais candidata à reeleição a ter que ficar de mal com o Lula.
No começo, a Dilma quis tirar o Mântega e o Lula segurou. Agora, a Dilma quer tirar o Mântega e o Lula é contra. Muito bem. A Dilma não vai tirar o Mântega.
O Lula quer o Meirelles, ex do Banco Central e agora faturando horrores na iniciativa privada, para o lugar do Mantega.
Corre também que o Hadad levou um esporro tão grande da Dilma que não fosse pela mediação do Lula, ele agindo sozinho como se fosse uma turma inteira do deixa-disso, a coisa teria ficado mais feia. Daí o Hadad andar agora amiguinho do Geraldinho.
Oh tempos! Oh níveis! Proclamaria Cicero.
Só brigam dois quando os dois querem. E o Lula não quer brigar com a Dilma nem a Dilma quer brigar com o Lula. Bom caráter que ela é, a Presidenta preferiria nem ser mais candidata à reeleição a ter que ficar de mal com o Lula.
No começo, a Dilma quis tirar o Mântega e o Lula segurou. Agora, a Dilma quer tirar o Mântega e o Lula é contra. Muito bem. A Dilma não vai tirar o Mântega.
O Lula quer o Meirelles, ex do Banco Central e agora faturando horrores na iniciativa privada, para o lugar do Mantega.
Corre também que o Hadad levou um esporro tão grande da Dilma que não fosse pela mediação do Lula, ele agindo sozinho como se fosse uma turma inteira do deixa-disso, a coisa teria ficado mais feia. Daí o Hadad andar agora amiguinho do Geraldinho.
Oh tempos! Oh níveis! Proclamaria Cicero.
Barroso
O
Supremo Tribunal Federal recebe quarta feira, dia 26, transfusão de mentalidade
nova ao empossar Luís Roberto Barroso no lugar de Ayres Britto, que se
aposentou no ano passado.
A posse está marcada para as 14,30 hs e vai ter tanta gente, todos os espaços reservados a autoridades e a convidados especiais vão estar lotados, que o ideal é não ir lá.
Não está confirmado se a Dilma, que em boa inspiração nomeou o Barroso, vai estar lá. Mas a cerimonia será rápida, sem discursos. Só o Hino Nacional, o Termo de Posse e depois os cumprimentos.
A posse está marcada para as 14,30 hs e vai ter tanta gente, todos os espaços reservados a autoridades e a convidados especiais vão estar lotados, que o ideal é não ir lá.
Não está confirmado se a Dilma, que em boa inspiração nomeou o Barroso, vai estar lá. Mas a cerimonia será rápida, sem discursos. Só o Hino Nacional, o Termo de Posse e depois os cumprimentos.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Talharim
Lula
ouviu calado as queixas dos sindicalistas contra o jeitão autoritário, dizem,
da Dilma governar. Eles deixaram claro que estão prontos para um “Volta Lula!”.
O silêncio de Lula foi reforçado por uma aparente indiferença.
Quem
esteve lá não escondeu que as criticas ao jeitão da Dilma chegaram a ser
pesadas. Petistas e empresários, principalmente, jogaram duro contra a
Presidenta.
O
temor agora é que a voz, ainda nem tão roucas assim, das ruas agregue um refrão
– “Fora Dilma!” e o povão que está até gostando desses exercícios de cidadania
resolva encompridar os dias de passeatas.
Muito
peso e muita cobrança pra cima de uma mulher com uma vida de tanta dedicação à
causa pública e de tanto sofrimento.
Antes
de embarcar no Aerolula de volta a Brasília a Presidenta mandou buscar numa
cantina três porções de peltoni e três espaguetes ao óleo e alho, que ela comeu
assim que o avião decolou.
KKK
Furto
de dinheiro público se resolve é gastando dinheiro público. Ou seja, não vai
faltar dinheiro para um novo programa do Governo – o combate à corrupção na
administração pública.
Nessa
lógica, o Senado do Brasil acaba de aprovar um empréstimo de 18 milhões de
dólares ao BID / Banco Interamericano de Desenvolvimento. É possível que esse
dinheiro não dê nem para o inicio de uma guerra como essa tão desigual.
O
Brasil terá 25 anos para pagar o empréstimo, incluindo os juros, tudo em
parcela única. Sabe-se que dinheiro chama dinheiro. Como os donos de qualquer
dinheiro sempre acabam se entendendo é possível que nessa guerra o poder
politico e o poder do dinheiro não consigam se acertar direito.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Começou
Ainda não haviam começado os movimentos das pessoas protestando nas ruas quando o IBOPE fechando a pesquisa constatou queda rápida na popularidade da Dilma – oito pontos em relação ao mês de março ultimo.
O povão pesquisado também mostrou que não está gostando nada do jeitão dela governar.
Como lembrou outro dia o Ministro Toffoli, enquanto o Lula preferia sempre ter dúvidas para, assim, ouvir ao máximo, a Dilma prefere sempre ter certeza de tudo e, assim, não ouve ninguém ou tem dificuldades de escutar opiniões contrárias à dela. O Ministro conhece muito bem os dois.
Na ultima pesquisa, a Dilma tinha 63% de aprovação popular. Na que saiu agora, sem a aferição dos últimos dias, esse índice caiu para 55%. Houve um aumento de 8% entre os que acham que a gestão dela é ruim ou péssima.
Os jornais amanhã certamente darão mais detalhes.
O povão pesquisado também mostrou que não está gostando nada do jeitão dela governar.
Como lembrou outro dia o Ministro Toffoli, enquanto o Lula preferia sempre ter dúvidas para, assim, ouvir ao máximo, a Dilma prefere sempre ter certeza de tudo e, assim, não ouve ninguém ou tem dificuldades de escutar opiniões contrárias à dela. O Ministro conhece muito bem os dois.
Na ultima pesquisa, a Dilma tinha 63% de aprovação popular. Na que saiu agora, sem a aferição dos últimos dias, esse índice caiu para 55%. Houve um aumento de 8% entre os que acham que a gestão dela é ruim ou péssima.
Os jornais amanhã certamente darão mais detalhes.
Dilma
Assim falou Dilma sobre essas coisas que estão acontecendo:
- Essa mensagem direta das ruas é pelo direito de influir nas decisões de todos os governos, do Legislativo e do Judiciário. É de repúdio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público. Essa mensagem direta das ruas comprova o valor intrínseco da democracia, da participação dos cidadãos em busca de seus direitos. Minha geração sabe o quanto isso nos custou.
- O Brasil hoje (ontem) acordou mais forte. A grandeza das manifestações comprova a energia da nossa democracia, a força da voz da rua e o civismo da nossa população. É bom ver tantos jovens e adultos - o neto, o pai, o avô - juntos com a bandeira do Brasil, cantando o Hino Nacional e dizendo com orgulho "eu sou brasileiro" e defendendo um país melhor. O Brasil tem orgulho deles.
- Devemos louvar o caráter pacífico dos atos. Infelizmente, aconteceram atos minoritários de violência contra pessoas, contra o patrimônio público e privado, que devemos condenar e coibir com rigor. Sabemos, governo e sociedade, que toda violência é destrutiva, lamentável e só gera mais violência. Não podemos aceitar jamais conviver com ela. Isso, no entanto, não ofusca o espírito pacífico das pessoas democraticamente pedindo pelos seus direitos.
- Essas vozes das ruas precisam ser ouvidas. Elas ultrapassam, e ficou visível isso, os mecanismos tradicionais das instituições, dos partidos políticos, das entidades de classe e da própria mídia (...). Essa mensagem direta das ruas é por mais cidadania, melhores escolas, melhores hospitais, postos de saúde, pelo direito à participação. Mostra a exigência de transporte público de qualidade e a preço justo.
- Quero dizer que o meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança. (...) Quero aqui garantir que o meu governo também quer mais, e vamos conseguir mais para o nosso país e o nosso povo.
Dito isto, a Presidenta viajou para São Paulo para se encontrar com Lula. E com o Ministro João Santana.
- Essa mensagem direta das ruas é pelo direito de influir nas decisões de todos os governos, do Legislativo e do Judiciário. É de repúdio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público. Essa mensagem direta das ruas comprova o valor intrínseco da democracia, da participação dos cidadãos em busca de seus direitos. Minha geração sabe o quanto isso nos custou.
- O Brasil hoje (ontem) acordou mais forte. A grandeza das manifestações comprova a energia da nossa democracia, a força da voz da rua e o civismo da nossa população. É bom ver tantos jovens e adultos - o neto, o pai, o avô - juntos com a bandeira do Brasil, cantando o Hino Nacional e dizendo com orgulho "eu sou brasileiro" e defendendo um país melhor. O Brasil tem orgulho deles.
- Devemos louvar o caráter pacífico dos atos. Infelizmente, aconteceram atos minoritários de violência contra pessoas, contra o patrimônio público e privado, que devemos condenar e coibir com rigor. Sabemos, governo e sociedade, que toda violência é destrutiva, lamentável e só gera mais violência. Não podemos aceitar jamais conviver com ela. Isso, no entanto, não ofusca o espírito pacífico das pessoas democraticamente pedindo pelos seus direitos.
- Essas vozes das ruas precisam ser ouvidas. Elas ultrapassam, e ficou visível isso, os mecanismos tradicionais das instituições, dos partidos políticos, das entidades de classe e da própria mídia (...). Essa mensagem direta das ruas é por mais cidadania, melhores escolas, melhores hospitais, postos de saúde, pelo direito à participação. Mostra a exigência de transporte público de qualidade e a preço justo.
- Quero dizer que o meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança. (...) Quero aqui garantir que o meu governo também quer mais, e vamos conseguir mais para o nosso país e o nosso povo.
Dito isto, a Presidenta viajou para São Paulo para se encontrar com Lula. E com o Ministro João Santana.
Custos
Eis aqui quanto custou ao Povo
brasileiro só em construção ou reforma de estádios essa Copa do Mundo anunciada
para o ano que vem, - diga-se de passagem, ano de eleições para Presidente da
República. Governadores, Deputados e Senadores.
E ainda não entendem porque o Povo brasileiro - sem escolas, sem hospitais, sem portos, sem aeroportos, sem estradas, sem transportes coletivos e tendo salário corroído pela inflação, está se cansando do modelo político pelo qual espertalhões de todos os matizes dominam de ponta a ponta todos os governos.
E ainda não entendem porque o Povo brasileiro - sem escolas, sem hospitais, sem portos, sem aeroportos, sem estradas, sem transportes coletivos e tendo salário corroído pela inflação, está se cansando do modelo político pelo qual espertalhões de todos os matizes dominam de ponta a ponta todos os governos.
BELO HORIZONTE - MINEIRÃO
Orçado inicialmente em R$ 426 milhões, o Mineirão pronto custou R$ 695 milhões. O consórcio responsável pela obra foi o Minas Arena (Construcap, Egesa, Hap Engenharia). O governo de Minas Gerais investiu R$ 40,5 milhões nas obras do estádio. Já o próprio consórcio entrou com mais R$ 254,5 milhões e por fim o BNDES investiu os outros R$ 400 milhões.
BRASÍLIA - MANÉ GARRINCHA
A construção do Estádio Nacional foi a mais cara, com valor final de R$ 1,2 bilhão. A previsão inicial era bem menor: R$ 696 milhões. O consórcio responsável pela obra era formado pela Andrade Gutierrez e a Via Engenharia. O investimento foi 100% público, financiado pela Terracap, agência imobiliária pública do Distrito Federal e da União.
CUIABÁ - ARENA PANTANAL
O estádio não está pronto e só deverá ser entregue em dezembro próximo. Até agora, o valor provisório da obra é de R$ 518,9 milhões, algo bem acima dos R$ 342 milhões propostos inicialmente. A construção é tocada pela Mendes Júnior (a Santa Bárbara saiu do consórcio). O BNDES investirá R$ 285 milhões e o governo estadual, mais R$ 233,9 milhões.
CURITIBA - ARENA DA BAIXADA
A reforma da casa do Atlético-PR saltou dos iniciais R$ 135 milhões para os atuais R$ 234 milhões. A empresa gerenciadora da construção é a Engevix. São investidos R$ 123 milhões via financiamento do BNDES, mais R$ 46 milhões da Prefeitura de Curitiba e outros R$ 18,4 milhões pelo Furacão. Antes para junho, a previsão de entrega do estádio está para dezembro.
FORTALEZA - CASTELÃO
O estádio foi erguido pelo consórcio Galvão Engenharia e Andrade Mendonça Construtora. A obra caiu de custo: no início, o custo esperado era de R$ 623 milhões, mas no fim foi de R$ 518,6 milhões. O investimento foi de R$ 351,5 milhões do BNDES, mais R$ 194,4 milhões do governo cearense. O estado terá de pagar prestações mensais de R$ 407 mil por oito anos.
MANAUS - ARENA AMAZÔNIA
O estádio para Amazonas tem como construtora a Andrade Gutierrez e a previsão de entrega também é para dezembro próximo. O valor inicial da obra era de R$ 515 milhões, mas subiu para R$ 550,7 milhões. O BNDES entrará com R$ 400 milhões, e a Caixa Econômica Federal, com mais R$ 110 milhões. Além disto, o governo estadual gastará outros R$ 40,7 milhões.
NATAL - ARENA DAS DUNAS
O estádio foi orçado no início em R$ 350 milhões, mas o valor final da obra deve ser de R$ 417 milhões. A responsável pela construção é a OAS. Da parte pública, o BNDES investirá R$ 395 milhões, e o governo estadual mais R$ 17 milhões. O consórcio arcará com outros R$ 3,5 milhões. A previsão de entrega da arena, assim como as demais, é para dezembro.
PORTO ALEGRE - BEIRA-RIO
Dos custos com a obra do estádio, R$ 277 milhões virão do financiamento do BNDES, e a Andrade Gutierrez entrará com mais R$ 53 milhões. Aliás, esta é a empresa responsável pela reforma do Beira-Rio, estimada inicialmente em R$ 130 milhões, mas hoje projetada para R$ 330 milhões. A entrega para a utilização também está marcada para dezembro.
RECIFE - ARENA PERNAMBUCO
O estádio em Recife foi erguido pela Odebrecht. A construção da arena saiu por um valor abaixo do estimado: de R$ 529,5 milhões foi para R$ 502,2 milhões. O BNDES entrou na jogada com um investimento de R$ 276,7 milhões, enquanto que o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) contribuiu com mais R$ 217,9 milhões para essa empreitada.
RIO DE JANEIRO - MARACANÃ
Palco da final da Copa do Mundo de 2014, o Maracanã custou aos cofres públicos R$ 882,9 milhões (apenas o estádio). O valor inicial estava estipulado em R$ 600 milhões. O consórcio responsável pela reforma foi formado por Odebrecht, IMX e OAS. O financiamento do BNDES foi de R$ 400 milhões, enquanto que o governo estadual entrou com mais R$ 482,9 milhões.
SALVADOR - ARENA FONTE NOVA
O novo estádio custou R$ 689,4 milhões, sendo que o valor inicial para a obra era de R$ 591,7 milhões. O consórcio foi formado por OAS e Odebrecht. O BNDES foi responsável por R$ 323,6 milhões, o BNB por R$ 241,9 milhões e o governo da Bahia pelos outros R$ 123,9 milhões. Como contrapartida ao consórcio, o governo terá de arcar com R$ 103 milhões anuais durante 15 anos.
SÃO PAULO - ARENA CORINTHIANS
Único estádio com previsão de entrega para janeiro do ano que vem, a Arena Corinthians deverá custar R$ 820 milhões (até o momento, valor igual ao do orçamento inicial). A empreiteira responsável pela obra é a Odebrecht. O investimento público acontecerá da seguinte maneira: o BNDES entrará com R$ 400 milhões e a Prefeitura de São Paulo (via CIDS), com R$ 420 milhões.
Orçado inicialmente em R$ 426 milhões, o Mineirão pronto custou R$ 695 milhões. O consórcio responsável pela obra foi o Minas Arena (Construcap, Egesa, Hap Engenharia). O governo de Minas Gerais investiu R$ 40,5 milhões nas obras do estádio. Já o próprio consórcio entrou com mais R$ 254,5 milhões e por fim o BNDES investiu os outros R$ 400 milhões.
BRASÍLIA - MANÉ GARRINCHA
A construção do Estádio Nacional foi a mais cara, com valor final de R$ 1,2 bilhão. A previsão inicial era bem menor: R$ 696 milhões. O consórcio responsável pela obra era formado pela Andrade Gutierrez e a Via Engenharia. O investimento foi 100% público, financiado pela Terracap, agência imobiliária pública do Distrito Federal e da União.
CUIABÁ - ARENA PANTANAL
O estádio não está pronto e só deverá ser entregue em dezembro próximo. Até agora, o valor provisório da obra é de R$ 518,9 milhões, algo bem acima dos R$ 342 milhões propostos inicialmente. A construção é tocada pela Mendes Júnior (a Santa Bárbara saiu do consórcio). O BNDES investirá R$ 285 milhões e o governo estadual, mais R$ 233,9 milhões.
CURITIBA - ARENA DA BAIXADA
A reforma da casa do Atlético-PR saltou dos iniciais R$ 135 milhões para os atuais R$ 234 milhões. A empresa gerenciadora da construção é a Engevix. São investidos R$ 123 milhões via financiamento do BNDES, mais R$ 46 milhões da Prefeitura de Curitiba e outros R$ 18,4 milhões pelo Furacão. Antes para junho, a previsão de entrega do estádio está para dezembro.
FORTALEZA - CASTELÃO
O estádio foi erguido pelo consórcio Galvão Engenharia e Andrade Mendonça Construtora. A obra caiu de custo: no início, o custo esperado era de R$ 623 milhões, mas no fim foi de R$ 518,6 milhões. O investimento foi de R$ 351,5 milhões do BNDES, mais R$ 194,4 milhões do governo cearense. O estado terá de pagar prestações mensais de R$ 407 mil por oito anos.
MANAUS - ARENA AMAZÔNIA
O estádio para Amazonas tem como construtora a Andrade Gutierrez e a previsão de entrega também é para dezembro próximo. O valor inicial da obra era de R$ 515 milhões, mas subiu para R$ 550,7 milhões. O BNDES entrará com R$ 400 milhões, e a Caixa Econômica Federal, com mais R$ 110 milhões. Além disto, o governo estadual gastará outros R$ 40,7 milhões.
NATAL - ARENA DAS DUNAS
O estádio foi orçado no início em R$ 350 milhões, mas o valor final da obra deve ser de R$ 417 milhões. A responsável pela construção é a OAS. Da parte pública, o BNDES investirá R$ 395 milhões, e o governo estadual mais R$ 17 milhões. O consórcio arcará com outros R$ 3,5 milhões. A previsão de entrega da arena, assim como as demais, é para dezembro.
PORTO ALEGRE - BEIRA-RIO
Dos custos com a obra do estádio, R$ 277 milhões virão do financiamento do BNDES, e a Andrade Gutierrez entrará com mais R$ 53 milhões. Aliás, esta é a empresa responsável pela reforma do Beira-Rio, estimada inicialmente em R$ 130 milhões, mas hoje projetada para R$ 330 milhões. A entrega para a utilização também está marcada para dezembro.
RECIFE - ARENA PERNAMBUCO
O estádio em Recife foi erguido pela Odebrecht. A construção da arena saiu por um valor abaixo do estimado: de R$ 529,5 milhões foi para R$ 502,2 milhões. O BNDES entrou na jogada com um investimento de R$ 276,7 milhões, enquanto que o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) contribuiu com mais R$ 217,9 milhões para essa empreitada.
RIO DE JANEIRO - MARACANÃ
Palco da final da Copa do Mundo de 2014, o Maracanã custou aos cofres públicos R$ 882,9 milhões (apenas o estádio). O valor inicial estava estipulado em R$ 600 milhões. O consórcio responsável pela reforma foi formado por Odebrecht, IMX e OAS. O financiamento do BNDES foi de R$ 400 milhões, enquanto que o governo estadual entrou com mais R$ 482,9 milhões.
SALVADOR - ARENA FONTE NOVA
O novo estádio custou R$ 689,4 milhões, sendo que o valor inicial para a obra era de R$ 591,7 milhões. O consórcio foi formado por OAS e Odebrecht. O BNDES foi responsável por R$ 323,6 milhões, o BNB por R$ 241,9 milhões e o governo da Bahia pelos outros R$ 123,9 milhões. Como contrapartida ao consórcio, o governo terá de arcar com R$ 103 milhões anuais durante 15 anos.
SÃO PAULO - ARENA CORINTHIANS
Único estádio com previsão de entrega para janeiro do ano que vem, a Arena Corinthians deverá custar R$ 820 milhões (até o momento, valor igual ao do orçamento inicial). A empreiteira responsável pela obra é a Odebrecht. O investimento público acontecerá da seguinte maneira: o BNDES entrará com R$ 400 milhões e a Prefeitura de São Paulo (via CIDS), com R$ 420 milhões.
(Crédito: Juan Barreto/AFP/CP).
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Cavalos
Seguro no que faz, prudente nas atitudes e no que
diz, Daniel Mendes é um dos profissionais mais respeitados no marketing
político.
Ultimamente tem aparecido nas redes sociais e em algumas mídias no Maranhão resultados de pesquisas indicando quem estaria eleito, se as eleições fossem hoje.
Não há um elenco maior de nomes conhecidos. São apresentados basicamente dois nomes como se já fossem definitivos. As respostas são sempre estimuladas. Não são espontâneas.
Com o seu olhar experiente, Daniel Mendes diz no texto que publica hoje em sua página no Facebook porque devemos nos manter de olhos abertos:
“A literatura da Ciência Política consagrou o termo “horse race” (corrida de cavalos) para caracterizar um tipo frequente de cobertura jornalística, especialmente a eleitoral, que consiste em enquadrar o fenômeno eleitoral como uma disputa esportiva. Segundo a International Encyclopedia of Communication, “horse race journalism means reporting on politics with the help of sports metaphors”.
No período das campanhas propriamente, essa abordagem ainda pode se justificar pela vertigem natural da disputa em jogo. Há um ano das eleições, torna-se uma caricatura despropositada e desinformativa. Os políticos se tornam jóqueis, os jornalistas locutores e os cidadãos são os apostadores. O vínculo político entre representantes e representados é uma tênue linha imaginária.
Agora no Maranhão a cada pesquisa publicada busca-se extrair motivos de regozijo, não importa qual seja o resultado. A última pesquisa, da Econométrica, provocou risíveis manchetes do tipo “Flavio Dino ganharia no primeiro turno”, como se pudesse haver eleição sem campanha, sem composições partidárias, sem debate, sem emulação de opiniões. Ou ainda “Luis Fernando cresce e Flávio cai”, misturando resultados de institutos diferentes e tomando por queda a acomodação natural das expectativas geradas por cada candidatura.
Não se cuidou de analisar os dados para extrair informação verdadeiramente relevante. Qual o perfil do eleitor governista? É o mesmo da eleição anterior? E o da oposição? Houve deslocamento nesse perfil (idade, sexo, classe) ou espelha a votação das últimas eleições? O desempenho nas cidades médias e grandes confirma tendências anteriores de concentração do voto oposicionista? Qual a convicção do voto? Há espaço para crescimento de uma terceira via?
Esses elementos e outros cruzamentos que poderiam ser feitos com os dados já disponíveis permitiriam que se tivesse um quadro mais real do cenário eleitoral que se aproxima. Certamente os grandes partidos já dispõem dessas análises. Mas por que o jornalismo, que tem acesso aos dados, não contribui para o alargamento da compreensão do quadro político?”
Ultimamente tem aparecido nas redes sociais e em algumas mídias no Maranhão resultados de pesquisas indicando quem estaria eleito, se as eleições fossem hoje.
Não há um elenco maior de nomes conhecidos. São apresentados basicamente dois nomes como se já fossem definitivos. As respostas são sempre estimuladas. Não são espontâneas.
Com o seu olhar experiente, Daniel Mendes diz no texto que publica hoje em sua página no Facebook porque devemos nos manter de olhos abertos:
“A literatura da Ciência Política consagrou o termo “horse race” (corrida de cavalos) para caracterizar um tipo frequente de cobertura jornalística, especialmente a eleitoral, que consiste em enquadrar o fenômeno eleitoral como uma disputa esportiva. Segundo a International Encyclopedia of Communication, “horse race journalism means reporting on politics with the help of sports metaphors”.
No período das campanhas propriamente, essa abordagem ainda pode se justificar pela vertigem natural da disputa em jogo. Há um ano das eleições, torna-se uma caricatura despropositada e desinformativa. Os políticos se tornam jóqueis, os jornalistas locutores e os cidadãos são os apostadores. O vínculo político entre representantes e representados é uma tênue linha imaginária.
Agora no Maranhão a cada pesquisa publicada busca-se extrair motivos de regozijo, não importa qual seja o resultado. A última pesquisa, da Econométrica, provocou risíveis manchetes do tipo “Flavio Dino ganharia no primeiro turno”, como se pudesse haver eleição sem campanha, sem composições partidárias, sem debate, sem emulação de opiniões. Ou ainda “Luis Fernando cresce e Flávio cai”, misturando resultados de institutos diferentes e tomando por queda a acomodação natural das expectativas geradas por cada candidatura.
Não se cuidou de analisar os dados para extrair informação verdadeiramente relevante. Qual o perfil do eleitor governista? É o mesmo da eleição anterior? E o da oposição? Houve deslocamento nesse perfil (idade, sexo, classe) ou espelha a votação das últimas eleições? O desempenho nas cidades médias e grandes confirma tendências anteriores de concentração do voto oposicionista? Qual a convicção do voto? Há espaço para crescimento de uma terceira via?
Esses elementos e outros cruzamentos que poderiam ser feitos com os dados já disponíveis permitiriam que se tivesse um quadro mais real do cenário eleitoral que se aproxima. Certamente os grandes partidos já dispõem dessas análises. Mas por que o jornalismo, que tem acesso aos dados, não contribui para o alargamento da compreensão do quadro político?”
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Dengue
Os Senadores e os Deputados do
PMDB querem um encontro com a Dilma para discutir a relação que, segundo eles,
não vem sendo boa como ocorre, por exemplo, entre as mais conscientes uniões
estáveis.
O ponto fulcral da infelicidade estaria na morosidade com que são atendidas as demandas mínimas, restando outras, mais importantes, como o pagamento das emendas parlamentares, para o dia de são nunca.
Os desagrados já encorajam pemedebistas a se entusiasmarem com Eduardo e com Aécio, dois dos principais concorrentes da Dilma no ano que vem. Em 6 Estados – RJ, RS, MS, PE, RO e BA – o PMDB estaria fora da aliança com o PT.
O ponto fulcral da infelicidade estaria na morosidade com que são atendidas as demandas mínimas, restando outras, mais importantes, como o pagamento das emendas parlamentares, para o dia de são nunca.
Os desagrados já encorajam pemedebistas a se entusiasmarem com Eduardo e com Aécio, dois dos principais concorrentes da Dilma no ano que vem. Em 6 Estados – RJ, RS, MS, PE, RO e BA – o PMDB estaria fora da aliança com o PT.
Coincidência
O Ministério Público Federal investiga
o Deputado Lourival Mendes (PT do B-MA) sob a suspeita de ter gasto dinheiro
tirado de Caixa 2 na sua campanha eleitoral, em 2010.
Coincidentemente ou não, o Deputado investigado é exatamente o primeiro subscritor da PEC 37, a proposta de emenda constitucional que vem incomodado os membros do Ministério Público.
Coincidentemente ou não, o Deputado investigado é exatamente o primeiro subscritor da PEC 37, a proposta de emenda constitucional que vem incomodado os membros do Ministério Público.
Monoglota
Cerca de 8 mil índios apurinãs
vivem dispersos entre as margens do Rio Purus nos Estados do Amazonas, Mato
Grosso e Rondonia.
Paulo Apurinã, o mais conhecido, seria com certeza um dentre eles se contra sua identidade não pairasse agora uma dúvida – será que ele é índio?
Índio tem RG diferente – Registro Administrativo de Nascimento de Índio, expedido pela FUNAI. A Polícia Federal apura as suspeitas de fraude no registro de Paulo.
Sempre que há fuzuê de índio em Brasília, o Paulo Apurinã, um tipo gordão e falante, está pelo meio. A Dilma já ganhou dele um cocar. Ele mora em Manaus e não fala o idioma da sua tribo.
Paulo Apurinã, o mais conhecido, seria com certeza um dentre eles se contra sua identidade não pairasse agora uma dúvida – será que ele é índio?
Índio tem RG diferente – Registro Administrativo de Nascimento de Índio, expedido pela FUNAI. A Polícia Federal apura as suspeitas de fraude no registro de Paulo.
Sempre que há fuzuê de índio em Brasília, o Paulo Apurinã, um tipo gordão e falante, está pelo meio. A Dilma já ganhou dele um cocar. Ele mora em Manaus e não fala o idioma da sua tribo.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Habemus
Tudo
indica que, a depender da Dilma, a composição do Supremo Tribunal Federal,
desfalcada em um Ministro, desde a aposentadoria do Britinho em setembro do ano passado,
logo estará completada.
A Presidente e o Cardoso, seu Ministro da Justiça, acertaram hoje a indicação para a avaliação do Senado do Professor Luís Roberto Barroso, um dos nomes mais respeitados na comunidade jurídica.
O futuro Ministro, além de Professor de Direito Constitucional na UFRJ, é Advogado com atuação bem sucedida em diversos casos no STF, alguns de grande repercussão, dentre os quais:
- o reconhecimento do direito da gestante interromper a gravidez de fetos anencéfalos, a proibição de nepotismo na administração pública, a legitimidade de pesquisas com células – tronco embrionárias, o reconhecimento da união homoafetiva e a rejeição da extradição do italiano Cesare Batisti, ex ativista da esquerda politica, condenado sob a acusação de ter integrado grupo terrorista.
Conheço pessoalmente o Professor Barroso há mais de 10 anos, com quem, aliás, sempre me dei muito bem. Não faz o tipo snobe nem aparenta a pessoa de grandes conhecimentos jurídicos que é. Lhano no trato, discreto e muito firme nas suas convicções.
A Presidente e o Cardoso, seu Ministro da Justiça, acertaram hoje a indicação para a avaliação do Senado do Professor Luís Roberto Barroso, um dos nomes mais respeitados na comunidade jurídica.
O futuro Ministro, além de Professor de Direito Constitucional na UFRJ, é Advogado com atuação bem sucedida em diversos casos no STF, alguns de grande repercussão, dentre os quais:
- o reconhecimento do direito da gestante interromper a gravidez de fetos anencéfalos, a proibição de nepotismo na administração pública, a legitimidade de pesquisas com células – tronco embrionárias, o reconhecimento da união homoafetiva e a rejeição da extradição do italiano Cesare Batisti, ex ativista da esquerda politica, condenado sob a acusação de ter integrado grupo terrorista.
Conheço pessoalmente o Professor Barroso há mais de 10 anos, com quem, aliás, sempre me dei muito bem. Não faz o tipo snobe nem aparenta a pessoa de grandes conhecimentos jurídicos que é. Lhano no trato, discreto e muito firme nas suas convicções.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Deformações
Incomodados,
os políticos, em sua grande maioria, estão caindo de pau em cima do Barbosa por
causa de umas afirmações que ele andou fazendo hoje numa palestra para
estudantes em Brasília.
E o pior é que ele, neste caso, está com toda razão. Não falou nada que nós outros aqui ainda não soubéssemos. Mas porque é o Presidente do Supremo Tribunal Federal quase tudo que ele diz enseja um charivari.
- O problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso brasileiro é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo. O Congresso não foi criado para única e exclusivamente deliberar sobre o Poder Executivo.
- Cabe a ele (o Congresso)a iniciativa da lei. Temos um órgão de representação que não exerce em sua plenitude o poder que a Constituição lhe atribui, que é o poder de legislar. A maioria das leis aprovadas é de autoria do Executivo.
Neste outro quesito – partidos políticos – mais razão tem ainda o atual Presidente do Supremo Tribunal Federal:
- Outro problema é a questão partidária. Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos.
- E nem os partidos ou os seus lideres tem interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder. Esta é uma das grandes deficiências, a razão pela qual o Congresso brasileiro se notabiliza por sua ineficiência, pela sua incapacidade de deliberar. Ora, poder que não é exercido é poder que é tomado, é exercido por outrem, e em grande parte no Brasil esse poder é exercido pelo Executivo.
Ao condenar o sistema proporcional para a eleição dos Deputados e Vereadores, Barbosa prega a necessidade de o Brasil, a exemplo das democracias mais bem sucedidas, adotar o voto distrital:
- O sistema distrital traria mais qualidade ao Parlamento. Permitira uma qualificação do Congresso Nacional. Hoje temos um Congresso dividido em interesses setorizados. Há uma bancada evangélica, uma do setor agrário, outra dos bancos.
Mas as pessoas não sabem isso porque essa representação não é clara.
-O Congresso não cumpre a função de fazer ao reforma politica. E não cabe ao Supremo Tribunal Federal por decisões judiciais (adotadas em questões pontuais) individuais reformar o sistema politico. Esta é uma atribuição magna do Congresso Nacional, que infelizmente vem sendo postergada.
E o pior é que ele, neste caso, está com toda razão. Não falou nada que nós outros aqui ainda não soubéssemos. Mas porque é o Presidente do Supremo Tribunal Federal quase tudo que ele diz enseja um charivari.
- O problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso brasileiro é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo. O Congresso não foi criado para única e exclusivamente deliberar sobre o Poder Executivo.
- Cabe a ele (o Congresso)a iniciativa da lei. Temos um órgão de representação que não exerce em sua plenitude o poder que a Constituição lhe atribui, que é o poder de legislar. A maioria das leis aprovadas é de autoria do Executivo.
Neste outro quesito – partidos políticos – mais razão tem ainda o atual Presidente do Supremo Tribunal Federal:
- Outro problema é a questão partidária. Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos.
- E nem os partidos ou os seus lideres tem interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder. Esta é uma das grandes deficiências, a razão pela qual o Congresso brasileiro se notabiliza por sua ineficiência, pela sua incapacidade de deliberar. Ora, poder que não é exercido é poder que é tomado, é exercido por outrem, e em grande parte no Brasil esse poder é exercido pelo Executivo.
Ao condenar o sistema proporcional para a eleição dos Deputados e Vereadores, Barbosa prega a necessidade de o Brasil, a exemplo das democracias mais bem sucedidas, adotar o voto distrital:
- O sistema distrital traria mais qualidade ao Parlamento. Permitira uma qualificação do Congresso Nacional. Hoje temos um Congresso dividido em interesses setorizados. Há uma bancada evangélica, uma do setor agrário, outra dos bancos.
Mas as pessoas não sabem isso porque essa representação não é clara.
-O Congresso não cumpre a função de fazer ao reforma politica. E não cabe ao Supremo Tribunal Federal por decisões judiciais (adotadas em questões pontuais) individuais reformar o sistema politico. Esta é uma atribuição magna do Congresso Nacional, que infelizmente vem sendo postergada.
sábado, 18 de maio de 2013
Desencantado
Ciro
Gomes está mais à vontade como comentarista de futebol. Compra brigas, entra em
bolas divididas, irrita ou agrada as torcidas, tudo apaixonadamente como o faziam,
nos seus áureos tempos, Ary Barroso no rádio e Nelson Rodrigues à sombra das
chuteiras imortais, em O Globo.
Não foi por suas canções, dentre as quais a mais famosa – “Aquarela do Brasil”, que o Ary se tornou tão popular no Rio de Janeiro a ponto de ter sido eleito Vereador dentre os mais votados.
Foi a capacidade do Ary para arrumar brigas, principalmente quando comentava um Fla-Flu. (E eu não quero nem olhar... Era o seu bordão emocionado sempre que a pelota voava firme rumo à trave rubro-negra.
Na politica, Ciro Gomes foi tudo o que quis – Prefeito de Sobral e depois de Fortaleza, Deputado Estadual, Governador do Ceará, Ministro da Fazenda, Deputado Federal e respeitado candidato a Presidente da República por duas vezes. De quebra, fez o irmão Cid Governador duas vezes.
Ciro Gomes diz que está farto disso tudo, decepcionado com os políticos e que não quer mais saber de politica. Não deve ter lido a famosa frase de John Kennedy – “Na politica como no amor, não há nunca jamais...” E aí, patrícias?
Não foi por suas canções, dentre as quais a mais famosa – “Aquarela do Brasil”, que o Ary se tornou tão popular no Rio de Janeiro a ponto de ter sido eleito Vereador dentre os mais votados.
Foi a capacidade do Ary para arrumar brigas, principalmente quando comentava um Fla-Flu. (E eu não quero nem olhar... Era o seu bordão emocionado sempre que a pelota voava firme rumo à trave rubro-negra.
Na politica, Ciro Gomes foi tudo o que quis – Prefeito de Sobral e depois de Fortaleza, Deputado Estadual, Governador do Ceará, Ministro da Fazenda, Deputado Federal e respeitado candidato a Presidente da República por duas vezes. De quebra, fez o irmão Cid Governador duas vezes.
Ciro Gomes diz que está farto disso tudo, decepcionado com os políticos e que não quer mais saber de politica. Não deve ter lido a famosa frase de John Kennedy – “Na politica como no amor, não há nunca jamais...” E aí, patrícias?
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