sábado, 1 de dezembro de 2012

Sem Ilusões

A esperança muitas vezes se transmuda em tantas promessas que a ilusão movida a ansiedades vai ocupando os espaços até então exclusivos das expectativas.

A esperança é um sentimento de fé, uma certeza imaginária e absoluta acenando acréscimos benfazejos aos seus sonhos.
Expectativas são as esperas, longas esperas, umas assim, outras nem tanto.
O perigo é quando isso tudo parece estar tão perto que nem a janela de vidro que o pássaro aqui ao meu lado insiste em bicar.
Eu aqui em silencio, concentrado, e o pássaro bicando a janela de vidro me interrompendo e agora já não mais com o batuque do seu bico na janela de vidro, mas com o seu canto insistente como se me pedisse para abrir a janela e deixar que venha até aqui.
Levanto os olhos e me viro para a janela e vejo que não é um só, são dois ou três pássaros. Já conto cinco os que balançam os galhos fazendo caírem pétalas das flores da espirradeira.
Não sei por que esse nome horrível, espirradeira, numa arvore que nesse clima do ano nos presenteia flores tão lindas, umas brancas, outras rosas.
Estando tudo aparentemente tão perto, aparentemente alcançável, quem vem para dominar o campo demarcado? A ilusão. E ela nos faz sonhar intermitentemente, cochilando, acordado, com sono ou sem sono, de todo jeito.
A ilusão se presta muito ao serviço do amor e muito mais ainda ao serviço da paixão. Amor e paixão são diferentes, sim.
Paixão é incêndio devastando as florestas intimas de cada ser. Amor é o que fica de depois, é brasa acesa, queimando forte e lentamente. Carinho e respeito são os oxigênios da brasa que mantém o amor aceso.
Há que se estar muito atento às ilusões. Elas se agregam às esperanças, mas não são esperanças. As ilusões se confundem com as expectativas, mas com certeza não as são.
Não podemos deixar que as ilusões nos acalentem aos sonhos. Muitas vezes elas encostam no nosso sono e depois quando despertamos é que temos a noção do pesadelo.
Sonhar é ótimo, de preferência estando acordados. Assim podemos trabalhar buscando alcançar o sonho. Não deixar que a esperança escapula, não perdê-la de vista, não confundi-la com o verde de algum gafanhoto, isso tudo é indispensável para mantermos as expectativas sob premissas viáveis.
Dizer adeus às ilusões é saudável, colega.
Muitas vezes chega esse momento ao nosso tempo e nem nos apercebemos. Iludidos, reagimos sem autonomia, como dependentes das promessas com as quais, constataremos um dia, nos enganaram.
Quando a ilusão é produto da trapaça que nos pregam, e nos pegaram de mal jeito em nossa boa fé, a verdade não demora muito a repor em nós aquela confiança perdida na nossa intuição.
Aí, colega, não basta só dizer bom dia a todos e a todas. As ilusões já estão desmascaradas, mas levamos tempo, um tempão, para nos desvencilhar.
Desiludir-se, eu sei, não é fácil assim. Muitas vezes estamos tão mal acostumados com aquelas fantasias e ate os fantasmas decorrentes nos parecem gentes boas.
Então, colega, se aquela ilusão já não te serve e só te ataranta queimando o teu crédito, o que te resta agora é desiludir-te. Retomar a esperança, resgatar aqueles princípios sadios, retocar o sonho e seguir trabalhando.

sábado, 24 de novembro de 2012

Pais da Criança

Ouvidos mais curiosos se voltam querendo saber como é que o Barbosa, agora Presidente do Supremo, não sendo o único no País com notável saber jurídico e reputação ilibada, chegou lá.

Há versões de que foi por sopradas do Frei Beto no ouvido do Lula, antemão decidido a nomear o primeiro negro para a Suprema Corte.
O Globo de hoje publica versões convergentes revelando que o próprio Barbosa pediu a intermediação do Kakay, conhecidíssimo advogado em Brasília, junto ao Dirceu, então Chefe da Casa Civil.
- Ele me procurou e disse que era um sonho seu chegar a Ministro do Supremo e que precisava do apoio do Dirceu. – Conta Kakay, recordando o que ouviu depois do Dirceu:
- Eu vou recebê-lo, mas nós temos que mudar a forma de indicação dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. Um pretendente ao STF não pode ter que pedir apoio a um Ministro da Casa Civil, até porque, em tese, ele terá que nos julgar no futuro. Isso não é bom para o País.
Kakay mostra o retrato em preto e branco de Joaquim Barbosa:
- Joaquim desde o Ministério Público é esse cara infeliz, preocupado em manter essa postura de salvador da pátria. Ninguém é duro desse jeito sendo feliz. Mas é um cara sério. Eu só achava que ele seria mais gentil com os seus pares.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Gol Contra

O que fazer com um Deputado ou Senador que vota contra os interesses do Povo do seu Estado? Campanha contra ele, logico, para que não seja reeleito.

Pois precisamos ficar de olho agora no Congresso Nacional para anotar os nomes dos que irão votar contra a Medida Provisória nº 579 que reduz a conta de luz a partir do próximo ano.
O consumidor residencial e também as empresas terão um desconto médio de 20,2%. Será uma economia de 24 bilhões de reais/ano, ou seja, uma injeção de recursos na economia maior que a do bolsa família.
Incrivelmente, há uma forte campanha de bastidores patrocinada por algumas concessionárias de energia junto aos Deputados e Senadores para que a MP da Dilma não seja aprovada.

Conciliação

Precisamos trabalhar para que os litígios de menor complexidade sejam resolvidos, preferencialmente, mediante acordos.

Assim, com o tempo e jurisprudência sólida, o Judiciário estará em melhores condições de dar respostas mais seguras às questões mais complexas.
A Constituição da República prevê um juizado de Paz nos Estados, mas não se cuidou disso até hoje. Falta uma lei federal regulamentadora. Nos Estados não há interesse porque implica em novas despesas.
Países como o Peru resolvem nos juizados de paz a grande parte dos conflitos de menor potencial.
No Brasil, a bem inspirada ideia dos Juizados Especiais tende ao malogro. São poucos acordos e muitos recursos.
Estima-se em 90 milhões o numero de demandas judiciais em trâmite hoje no Brasil. Não é nada fácil, mas precisamos trabalhar.

Veríssimo

Ainda é periclitante a saúde de Luiz Fernando Veríssimo, 76 anos, que chegou ontem a um hospital em Porto Alegre, RS, com febre e se queixando de fortes dores musculares.

O escritor respira com a ajuda de aparelhos. Uma infecção lhe atacou os rins. Agora faz sessões de diálise. Os médicos que o atendem dizem que todo cuidado é pouco.