quinta-feira, 3 de maio de 2012

Caxias


O Helton, quando era menino, viu que tinha espinhas demais no rosto. Sua mãe, preocupada, levou-o ao novo médico, recém-formado, que retornava à terra natal para se somar aos mais antigos pela saúde do Povo de Caxias, o Humberto.
Por muito tempo o menino não podia ver um vidrinho de remédio que logo mudava de humor achando que era benzetacil, um antibiótico forte que o doutor mandou que lhe aplicassem, 12, nas nádegas.
O Humberto hoje é o Prefeito de Caxias. O Helton hoje é médico, mais um se somando aos mais antigos pela saúde do Povo de Caxias. E pré-candidato a Prefeito. Os dois foram eleitos na ultima assentada, um  Prefeito e o outro Vereador, sob a legenda do 12 – PDT.
O Helton é de boa convivência, evangélico, boa fé, caridoso. Faz da sua medicina um sacerdócio. O Humberto, igualmente, não é de caçar confusão com ninguém.
Ontem à noite o Helton ao chegar em sua casa dirigindo o seu carro foi atacado por pistoleiros os quais de uma motocicleta lhe desfecharam alguns tiros e ele agora está internado num hospital local, mas já fora de perigo, para a retirada da bala.
Está assim o Maranhão hoje em dia.

Resistir e Vencer


Viver no Maranhão hoje, em qualquer lugar, é aceitar de cara a possibilidade quase certa de ser assaltado a qualquer momento. Ou assassinado. A impunidade manda para as ruas, cada vez mais, os assaltantes e os assassinos.
O Estado mantido pelos impostos de todos para ser a instituição destinada à realização do bem comum sucumbiu dominado por uma elite politica despreparada, sem espirito publico, que só cuida dos seus interesses e ambições pessoais, espraiando maus exemplos às novas gerações.
O pivete que atua hoje na linha de frente da criminalidade se mira no mau exemplo do ladrão mais antigo, do assassino mais dissimulado, do receptador discreto, do agenciador de pistoleiros frio e calculista.
Na politica, raríssimas exceções à parte, as coisas que vemos hoje são de nos dar medo. Medo do futuro. Se o futuro vingar com essas coisas que estamos vendo por aí. Os maus exemplos predominam.
Quadrilhas organizadas recrutam menores de idade e os atiçam armados e bem treinados nos assaltos à luz do dia. Os assassinos que matam por encomenda andam de motocicletas e já nem escondem a cara.
Os inquéritos policiais não concluem. Se há processo judicial, o processo vira tartaruga. Se há condenação, o condenado escafedeu-se. Se é preso, aí a porca tosse porque o sistema penitenciário é um horror.
Falta ao Estado uma politica publica de segurança com cidadania. O modelo, concebido há alguns anos, está sendo vitoriosamente implantado no Rio de Janeiro.
O Maranhão, sob o Governo Jackson, foi o primeiro Estado a implantar esse modelo da segurança pública com cidadania.
Derrubado o Governo na covardia do golpe, as ações em curso foram dissolvidas voltando tudo ao que era. Por conseguinte, ao que está sendo em potencialidade danosa mais elevada.
A dificuldade maior está na busca da transformação fazendo valer princípios que  sejam os verdadeiramente republicanos. E fazendo valer valores que sejam efetivamente os democráticos.
A República foi proclamada no Brasil em 1889, mas ainda hoje, em 2012, as suas instituições e práticas não chegaram ao Maranhão. Sonegam-se as escolas com o ensino de qualidade à maioria da população. Negar escolas para a maioria é a maneira mais eficaz de impedir a chegada da Republica e de travar o avanço da democracia.
A ignorância pelo analfabetismo torna a pessoa presa fácil da manipulação dos poderosos. Afinal, para que são donos de redes de rádios e de televisão? Para manterem a maioria do Povo entorpecida no entretenimento de mau gosto e na disseminação das mentiras que lhes interessam.
O nosso Estado terá jeito, sim, quando as pessoas, somando maioria resoluta, não sendo mais reféns do medo e não se encantando com os falsos profetas, os salvadores da pátria, os redentores dissimulados, ah coitadinhos, entendendo que o Maranhão não é quintal de ninguém, formando uma corrente de boa vontade forte, inquebrantável, destronarem de vez, para valer, os corleones e os tataias.
Tarefa difícil, sim. Jornada longa, sim. Mas nada é impossível quando a vontade se move sob uma força maior, - a força da fé na inspiração do bem.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

De Volta


Brizola Neto toma posse amanhã, quinta feira, como novo Ministro do Trabalho.
O politico mais jovem a ocupar a pasta até então tinha sido João Goulart, aos 34 anos de idade. Brizola Neto está com a idade em que mataram o Cristo – 33.
O PDT tinha três nomes – Vieira da Cunha, Deputado pelo Rio Grande do Sul; Brizola Neto, Deputado pelo Rio de Janeiro e Manoel Dias, Secretário Geral da sigla.
Ontem o novo Ministro já participou em São Paulo das celebrações do Dia do Trabalho ao lado do Deputado Paulinho da Força, do Ministro Gilberto Carvalho, Secretário Geral da Presidência.
O novo Secretário Geral do Ministério será alguém da CUT/Central Única dos Trabalhadores, do PT.

Cara a Cara


Num recado claro e direto aos banqueiros no Brasil, Dilma disse:
- O nosso sistema bancário é um dos mais sólidos do mundo. Está entre os que mais lucraram. Isso lhe tem dado força e estabilidade, o que é bom para toda a economia, mas também permite que dê crédito melhor e mais barato aos brasileiros.
- É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Estes valores não podem continuar tão altos. O Brasil de hoje não justifica isso.
- Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia mantém-se estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra, com presteza e honestidade, os seus compromissos.
- O setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros: a Selic baixa, a inflação permanece estável, mas os juros do cheque especial, das prestações ou do cartão de crédito, não diminuem.

Na Prateleira


Fidelis, fundador e Presidente nacional do PRTB/Partido Republicano Trabalhista Brasileiro, legenda pela qual foi candidato duas vezes à Presidência da República, nega que tenha em algum momento negociado o aluguel da legenda para Carlinhos Cachoeira, espécie de mecenas de alguns políticos no centro-oeste.
Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher de Valdemar da Costa Neto, fundador do atual PR/Partido da República e ex-Presidente do PL/Partido Liberal, denunciou em depoimento na Comissão de Ética da Câmara em 2005 que o então marido comprou o PST/Partido Social Trabalhista, resultando daí a fusão com o PL da qual surgiu a nova sigla forte e atuante, o PR.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pré-Candidatura

Ao Jornalista Clodoaldo Correa, de O Imparcial, concedi a entrevista que segue:

O Imparcial - O lançamento de sua pré-candidatura busca realmente a viabilidade de se tornar candidatura, ou seria mais um protesto do grupo Resistência Democrática?

Edson Vidigal - A direção nacional do PDT editou uma Resolução determinando candidatura própria nas Capitais e que só na impossibilidade da candidatura própria é  que o partido deve se mover em outras direções. 

A minha pré-candidatura prova que na Capital do Maranhão essa impossibilidade e' impossível. O PDT de S. Luís só não terá candidato próprio a Prefeito se (a direção nacional) não quiser.

Pergunta- A decisão final do destino do PDT em outubro não sairá do Diretório Nacional? Como convencê-lo da candidatura com a força que lá possui o secretário-geral Weverton Rocha?

Resposta - O PDT consagra em seus Estatutos a democracia interna. As divergências são necessárias. O debate respeitoso em torno das ideias consistentes é imprescindível à democracia interna. E' isso que diferencia um partido político de uma tribo.

Pergunta - Porque o grupo é contrário à manutenção do apoio ao prefeito João Castelo ou ao deputado Edivaldo Holanda Júnior?

Resposta - A ordem da direção nacional e' para que o PDT tenha candidatura própria a Prefeito nas Capitais. Há um nome 'a disposição provando que a impossibilidade da candidatura própria e' impossível na Capital do Maranhão.

Pergunta - No mesmo dia do lançamento de sua pré-candidatura, o grupo do vereador Ivaldo Rodrigues lançou um manifesto de apoio ao prefeito. Ainda existem correntes que defendem outras alianças. Em sua opinião, qual será o rumo do PDT de agora em diante?

Resposta - O rumo do PDT deve ser o da vitória nas urnas com candidato próprio a Prefeito e uma excelente chapa de candidatos a Vereadores.

Pergunta - O deputado licenciado Rubens Jr (PCdoB), representante de Flávio Dino, que lidera hoje um grupo de pré-candidatos da oposição, participou do lançamento de sua pré-candidatura. O senhor não acredita que para o PDT seria importante participar de uma coalisão como a Frente de Libertação que levou Jackson Lago ao governo do estado em 2006.

Resposta - A eleição do Jackson se deu no segundo turno com o meu decisivo apoio e dos eleitores que votaram em mim para Governador no primeiro turno. 

Se o PDT não for bem sucedido no primeiro turno para Prefeito de São Luís poderemos, então, conversar. É claro que qualquer entendimento terá que ter a chancela das bases do partido.

Pergunta - Muitos pedetistas de outras correntes dizem não aceitar sua candidatura por ter chegado recentemente ao partido e que poderia haver outros nomes mais tradicionais? Como o Senhor responde a este estigma de forasteiro?

Resposta - Estou vacinado contra a intriga...

Pergunta - Quais são suas principais propostas para melhorar a vida dos ludovicenses (resumidamente)?

Resposta - Saúde publica e segurança publica, escolas com ensino de qualidade, transporte coletivo, limpeza publica, saneamento básico.

A falta de água para a maioria da população e' um problema que precisa ser enfrentado o quanto antes.

Entendo que o modelo de gestão descentralizada e que interaja com a população, além de tornar mais eficaz a ação publica, fomenta o exercício da cidadania: as ruas de todos os bairros precisam se sobrepor aos gabinetes.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Golpe

Esquecer o ruim da história é se entregar ao risco de revivê-la. Em cada época, de alguma maneira, em algum lugar, a maldade faz das suas.
Depois vem o tempo com o seu enorme mata – borrão querendo apagar tudo, teimando em induzir a memória coletiva ao esquecimento.
Se você se entrega, se conforma aceitando, o ruim da história se renova e, quando menos se espera, lá vem ela, a maldade, de novo. Sempre por mãos de gente.
Foi em 17 de abril de 2009. O tempo, algumas vezes, parece passar rápido. Parece que foi ontem, mas do ontem porque é passado muitos nem se interessam em lembrar.
Eu me lembro da primeira semana após a posse, quando começaram a correr, os primeiros buchichos de que o Jackson seria tirado do Governo. Mas como?
Li a petição da maldade em favor dos derrotados e os absurdos eram tantos que achei graça. Mas não subestimei.
Não demorou e o caso já estava no TSE em escancarada supressão de instancia. Dois Ministros, um após o outro, foram relatores, mas nenhum deles em qualquer instante realizou pessoalmente, no local dos fatos, a instrução do processo. Quase tudo transcorreu por delegação.
Manda a lei que o Juiz decide com base na sua convicção e nas provas dos autos. Essa convicção ele a constrói ao longo do processo, durante toda a instrução, dirigindo o contraditório, ouvindo as testemunhas, mediando a querela.
Afinal, que convicção pode ter um Juiz para decidir e, pior, em colegiado levar seus pares a segui-lo, se não interrogou a todos pessoalmente, se não olhou no olho de ninguém?
A exceção que admite a delegação a Juiz de grau inferior para colher, por exemplo, um depoimento de testemunha distante, e só isso, virou regra no TSE.
As provas entre aspas, muitas delas obtidas de forma ilegal ou imoral, animaram o Relator. Quando, quase no final, relatei a um Ministro o que estava a caminho, a reação foi indignada.
A coisa foi seguindo e com o tempo, como no Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago, ninguém parecia mais ver nada e por mais argumentos que a defesa do Jackson apresentasse mostrando as equivocadas interpretações da Constituição e das Leis que se cometiam, tudo era nada para as mentes encegueiradas.
Ainda assim o resultado saiu num voto de desempate. Muito triste para uma Corte de Justiça. A maldade se completou quando, mais uma vez à revelia da Constituição e das Leis, não só cassaram o eleito por maioria absoluta de votos como, dispensando a publicação do Acórdão para que não houvesse nem tempo de recurso ao STF, mandaram diplomar, de pronto, exatamente a derrotada nas urnas no primeiro e no segundo turno.
A História é filha do Tempo, o senhor da razão. Com o passar do tempo a História vai aumentando ou diminuindo a estatura moral e cívica das personagens.
Daquele espetáculo naquela noite no TSE, a História vem dando a cada um a sua verdadeira dimensão. Uns cresceram no respeito. Outros porque não sendo nem do tamanho da sua altura, se tornam cada vez mais figuras diminutas porque são apenas do tamanho do que veem.

domingo, 15 de abril de 2012

Sem Tabaco

Imagine que em algum ponto de uma mangueira fina e flexível tenha ocorrido, talvez por excesso de lodo, um entupimento.

Se a mangueira segue entupida acaba estourando e, pior, o precioso líquido que ela conduz não chega ao destino.

A solução mais prática é cortar na parte entupida, fazer uma emenda e pronto. O precioso líquido pode seguir.

O corpo humano depende de mangueirinhas, conhecidas como veias pelas quais circula o sangue levando oxigênio ao cérebro e ao coração, por exemplo.

Se uma veia entope, melhor dizendo, se fica obstruída, geralmente por gordura acumulada e falta de exercícios físicos, e não se trata de desentupi-la a tempo, adeus rosa.

A lógica é a da hidráulica. O cano entupiu? Desentope. No caso dos pacientes, como Sarney, constatou-se em entupimento numa veia e daí as fortes dores de cabeça que ele sentia.

Neste momento Sarney está na UTI/Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, respirando com a ajuda de aparelhos depois da cirurgia desta madrugada em que lhe colocaram um stent, uma espécie de tubo muito utilizado ultimamente nos pontos de entupimento para prevenir a pressão do fluxo sanguíneo.

Muita gente, até bem mais jovem, anda por aí com os seus stent’s nas veias e conheço um que depois de uns uísques até fuma um charuto.

Sarney, hoje com 82 anos, diz que nunca fumou na vida. A primeira vez que, adolescente, pegou num cigarro foi reprimido pelo avô, o qual lhe obrigou a fumar um charuto inteiro. Daí o seu horror a tabaco.