terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Diferente


Há tempos não via tanta lucidez como neste comentário de Caio Hostilio, jornalista, editor do blog “Metendo o Bedelho” (www.caiohostilio.com), sobre a sucessão municipal em São Luis, Capital do Maranhão. 
Olha aqui só a conclusão:
(...)
Para isso, precisa de um candidato que preencha requisitos que nenhum dos que estão aí tem, como: saber ser político, saber negociar, empreendedor, ser e conhecer gestão púbica, valorizar a mão-de-obra, estimular a geração de emprego e renda… Desenvolver o turismo e dar crédito a Cultura, não com migalhas, mas profissionalizando-a. Sabendo usufruir do Porto do Itaqui, criando sistemáticas que deixam recursos para o município. Saber aplicar os recursos recebidos corretamente, visto que não são pequenos.
Portanto, não vejo em nenhum desses candidatos esse perfil, assim como não vejo uma formação de uma equipe qualificada por eles para conduzir São Luís…”
Uma pesquisa encomendada por Duda Mendonça já havia detectado esse fastio entre a maioria do eleitorado ante a mesmice dos nomes e seus enfadáveis discursos. A maioria se inclina por nomes de fora desse contexto com algo diferente.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Boa Vontade

Que tal a gente, nesse ensejo das entradas, começar o ano novo revendo algumas coisas, para com os pés no chão, humildemente, reconhecer que mais poderíamos ter feito pelo bem dos outros se antes de dizer não a gente tivesse esgotado todas as possibilidades de dizer sim?

Por que esse compromisso com o bem dos outros? É que se os outros são bem atendidos, e estão satisfeitos, as sementes da harmonia se disseminam, as geleiras da indiferença e da insensatez se diluem, a tolerância se impõe, a compreensão convoca as alegrias.

Assim vamos fazendo a nossa parte na construção da paz.

Não é só com as guerras que se deteriora a paz. A toda hora de todo dia no trabalho, nas compras, nas filas, no transito, em atitudes de arrogância quase instintiva, cedemos espaços aos demônios do ódio e do medo e, por tabela, nos alistamos na grande legião anônima dos inimigos da paz.

Os territórios da paz são o reino de Deus. Realizar a paz é missão indeclinável à obra de Deus. Por isso, quando nos perguntam como vão as coisas, e se estamos na certeza de que está tudo bem, respondemos – na Paz de Deus!

Precisamos primeiro, trazer Deus para dentro de nós. Assim, nesse convívio silencioso, aprendendo a amar, a compreender, a tolerar, afirmando a fé, resgatamos as esperanças e com elas as forças para vencer as labutas e as energias para merecer as alegrias de viver.

As alegrias de viver não são indissociáveis das vitórias nas lutas contra os outros. Lutar contra os outros apenas porque eles são os outros e vence-los não traduz vitória se a paz depois da luta não se realiza.

A vida precisa de harmonia para ser plena. Podemos e até devemos nos dividir, sim, mas apenas no campo das ideias. Combate-se uma ideia com outra ideia. Debatendo. A ideia mais benfazeja vencerá.

A força bruta contra a ideia é a guerra, é a reação totalitária, é a bala perfurando a carne, é a injúria violentando a honra, é a covardia, é a desunião revelando o déspota que segue se impondo sobre os escombros dos princípios morais e dos valores éticos, renegando os avanços da civilização.

Proponho, ao ensejo dessas novas entradas, um novo começo assumindo-nos em uma nova e única atitude perante os outros – a realização da paz entre nós todos pela prática da boa vontade. Não foi ele, o Todo Poderoso da nossa fé, Quem, pela voz dos anjos, nos mandou dizer – Paz na terra às mulheres e aos homens de boa vontade?

As nossas atitudes tem sido, no dia a dia, de muita má vontade. Aborrecemo-nos facilmente por qualquer coisa e isso nos vai corroendo no amor aos outros como se a nossa autoestima se alimentasse só das maldades que só a má vontade pode produzir.

É sempre mais fácil dizer não do que realizar o sim. O não simplesmente, logo de saída, é a má vontade. O sorriso mecânico e a voz afetada de falso afeto são também produtos bem acabados da má vontade.

No primeiro passo sempre achamos que a jornada vai ser longa. Mas se estamos determinados, sabendo o que queremos e onde iremos chegar, vai dar certo. Sem boa vontade ninguém vai longe.

Com a nossa boa vontade e a boa vontade dos outros, essas boas vontades se somando, vai dar certo. Tudo certo.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Menos um Dentre os Poucos

Para quem acha que acidente cardiovascular, o popular AVC, só ataca as pessoas de mais de 60 anos de idade, olha aqui a tristeza cristalizada na noticia que me chega agora.
Daniel Piza, jornalista e escritor, pessoa por quem sempre tive grande apreço e respeito intelectual, morreu ontem à noite em Gonçalves, Minas Gerais, onde foi passar as festas de fim de ano com a família. Ele tinha apenas 41 anos de idade.
O pai do Daniel, que é médico, ainda tentou socorre-lo, mas não teve jeito. Ele morreu nos braços do pai.
Daniel escreveu 17 livros e ia agora publicar o 18º - um mapeamento cultural do Brasil, por encomenda da editora Leya.
Ele mantinha um blog acessível, inclusive, através do link “Os Outros” deste meu hebdomadário.
Clicando aí lado em “Os Outros” – Daniel Piza você vai ver a lucidez de sempre nos seus últimos textos. Ele comenta, por exemplo, as mortes ocorridas nos últimos dias de pessoas que irão agora fazer muita falta ao mundo.
Lágrimas.
O final de ano veio marcado por mortes de pessoas marcantes.
O ator Sérgio Britto, remanescente dos tempos em que o teatro brasileiro ditava rumos culturais como jamais depois; o carnavalesco Joãosinho Trinta, de uma ousadia que deveria ser o padrão da festa, mas quase sempre foi a exceção; a cantora cabo-verdiana Cesaria Évora, inesquecível com sua voz docemente triste e seus dançantes pés descalços.
E o polemista inglês Christopher Hitchens, infelizmente lembrado mais por sua confusa adesão ao neoconservadorismo de Bush II do que por sua corajosa crítica cultural na velha e boa linhagem libertária, ou dissidente, dos britânicos; como já notei, ele caiu em óbvia contradição com seu ataque às religiões, se bem que nestes também foi confuso, como ao desprezar a cultura visual do cristianismo (que legou, entre outras conquistas, o Renascimento)”.