segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Fora do Ar


Em algum lugar do passado, ou seja, num itinerário baiano de quando podia transitar sem as intempéries comuns às celebridades, Eliana Calmon busca agora nestes dias de festas o sossego merecido ao lado da família.
Ela sempre foi assim destemida, espirito publico inconformado com as injustiças, sem medo das maledicências e corajosa para enfrentar e vencer as barbáries no serviço público.
Querendo apenas e tão somente cumprir o seu dever de Corregedora Nacional da Justiça, Eliana não está produzindo nenhuma novidade fora da Constituição e das Leis da República.
Essa algazarra dos corporativismos nefastos é só porque as ações pela transparência no Judiciário são lideradas hoje por uma mulher. No caso, a Eliana.
O Dipp, seu antecessor, fez incursões idênticas, embora em menor intensidade por falta de estrutura, à época, e ninguém reclamou.
Um dia desses reencontrei a Eliana numa solenidade no STJ. A Corregedoria Nacional de Justiça tem-na absorvido muito.
- Estou com saudades de você, Eliana!
E ela, sem baixar o tom, para todo mundo ouvir:
– E nós todos aqui com saudades de você!

Sem Cura


Primeiro Deputado Federal assumido publicamente como homossexual, Jean Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro, nega que a homossexualidade tenha cura. E não tem cura, argumenta, porque não é doença.
As igrejas que pregam a cura dos gays devem, na avaliação do Deputado, ser punidas se essa pregação é transmitida pelo rádio ou pela TV.
O Deputado argumenta que sendo as rádios e TVs concessões públicas, as Igrejas não tem o direito de prometer cura da homossexualidade mediante terapia ou quaisquer outros meios porque isso é discriminação.
- As religiões tem liberdade. Está na Constituição. Os pastores são livres para dizer no púlpito de suas igrejas que a homossexualidade é pecado, já que assim o entendem. Entretanto, eu não acho – diz Jean Wyllys – que os pastores que estão explorando uma concessão pública de rádio e TV tenham que aproveitar esses espaços para demonizar e desumanizar uma comunidade inteira, como a comunidade homossexual.

Genros


Só porque o genro do Rei da Espanha andou fazendo, dizem, coisas que não deveria ter feito com o dinheiro público, vamos então demonizar os genros?
Houve um tempo em que os homens até rezavam para que os filhos a caminho nascessem homens, o que tinha a ver, parece, com os costumes monárquicos.
Mulher era sinônimo de genro. Soava à maldição. Nesse quesito, são incontáveis, nos dois sentidos, as histórias.
William Somerset Maugham, consagrado autor de "A Servidão Humana", foi entrevistar Winston Churchill, Primeiro Ministro e Chefe do Almirantado inglês, assim que acabou a segunda guerra mundial.
Quase esgotado o estoque de perguntas, Maugham fez esta - qual o homem que o senhor mais admira? Benito Mussolini. Maugham, que era gago, ficou estupefato. Mas por quê? Teve coragem de mandar matar o genro, respondeu Churchill.
Menelau era genro de Tíndaro. Orestes era genro de Menelau. Lacedemon era genro de Eurotes. Genros gentes boas, bem comportados.
Se Páris, um mulherengo danado, filho do rei de Tróia, não tivesse bulido com Helena, a mulher de Menelau, aquela guerra e nem aquele cavalão de madeira jamais teriam acontecido.
Com Orestes, filho de Agamenon e genro de Menelau, a história é mais comprida. Na volta da guerra de Tróia, Agamenon foi morto por Clitemnestra e seu amante, Egisto.
Suspeitando ser o próximo da lista, Orestes buscou proteção na corte de Estrófio até que depois, já adulto, sob as ordens de Apolo, partiu para matar a própria mãe, crime do qual acabou absolvido por voto de desempate.
Outra vez Apolo, aquele terrível, monitorando Orestes mandou que ele fosse a Táurida roubar a estatua de Ártemis e devolve-la a Atenas. Novamente preso e condenado, foi salvo por Ifigênia, sua irmã.
Enfim, Orestes herdou o trono de Agamenon, reinou por muito tempo e morreu aos 90 anos, picado por uma serpente. Não teve genro.
Semana passada o genro da Princesa Anne, da Inglaterra, Mike Tindall, casado Zara Phillips, foi excluído da seleção inglesa de rúgbi e sancionado com multa de 25 mil libras por violar o Código de Ética do time. Após uma partida pelo mundial, na Nova Zelândia, o Mike encheu a cara num bar passando a protagonizar cenas lascivas com uma ex-namorada.
O genro do Rei da Espanha era jogador de handebol quando conheceu a infanta Cristina. Ingresso na família real, ganhou o título de Duque de Palma. Contrariando o sogro, mas com o apoio discreto da sogra, foi para o mundo dos negócios. Hoje é acusado de desvios de verbas públicas, contratos sem licitação com governos regionais, grana em paraísos fiscais e rombo de mais de 6 milhões de euros.
Sobre o genro do Dom Pedro, o nosso segundo Imperador, o Conde Deu, a história do Brasil não conta nada sobre o que ele tenha recebido ilicitamente ou mesmo dado de graça.
Os genros do povo em geral são os melhores, dizem quase todos os seus sogros, garantem todas as sogras. Já os genros da coisa pública, nada a ver. Sai de perto.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Comunistas


O partido único da Coreia do Norte não se intitula de comunista. É PT, mas do trabalho, não dos trabalhadores. O regime, não obstante, é comunista e dos mais arcaicos.
A pergunta agora é se com a morte de Kim Jong-il, o baixinho que conduzia o País com mão de ferro e com um dos exércitos mais disciplinados do mundo, o seu filho Kim Jong-um, que ainda nem completou 30 anos de idade, mas que é General de 4 estrelas sem nunca ter servido ao Exército, vai conseguir manter o País unido na mesma toada e compasso.
Os Estados Unidos, que no Governo de Bush Jr viu a Coreia do Norte fazendo parte do eixo do mal junto com o Irã e o Iraque, adotam a cautela. A China, idem, mas tende a anexar a Coreia como província.
No Brasil, o PC do B que surgiu de uma dissidência do histórico PCB, numa inconciliável divergência entre Prestes e Amazonas, este partidário do comunismo albanês, primo-irmão do comunismo coreano, divulgou carta de sentidas condolências pela morte de Kim Jong-il.
A Deputada Manuela Dávila, que na vitrine do comunismo faz a cara mais  bonita e ativa da militância jovem do PC do B, não apoiou essa manifestação da sua chefia partidária  dizendo pelo twitter que não tolera a hereditariedade no poder. O novo ditador coreano é neto de Kim II-sung, o fundador do regime.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Abuso de Poder


O partido pelo qual se elegeu Prefeito não tinha à época grande expressão nem confortável condição financeira e daí que após a posse alguns militantes foram se abastecer na folha de pagamentos da Prefeitura, onde não trabalhavam.
As doações à campanha foram quase nenhuma e não podendo o partido continuar pagando àquelas companheiras e companheiros, a saída foi mandar que a Prefeitura os pagasse.
Não são poucos, mais que milhares, os que no Brasil chegando ao Poder arrastam para as folhas estatais os salários dos companheiros imprescindíveis à continuação da luta e ao funcionamento do partido.
Afinal, pensam eles, o Poder é do partido e, sendo assim, é justo que o Poder banque as despesas do partido.
Certo? Errado? Errado.
Jacques Chirac, no começo dos anos 90, começava pela contramão das tendências ideológicas prevalecentes, assumindo-se no máximo como de centro direita, a escalada que o levaria por duas vezes à Presidência da República da França.
Foi Primeiro Ministro de Mitterrand, um Presidente de esquerda, mais ou menos, até que anos mais tarde venceu pelo seu pequeno partido gaullista, a corrida para o Eliseu, o palácio presidencial, uma das raras maravilhas do mundo para se morar e trabalhar.
Jacques Chirac era Presidente da Republica quando descobriram que ele, quando Prefeito de Paris, mandava pagar com dinheiro público os salários de alguns empregados do seu partido, que haviam trabalhado em sua campanha municipal.
A Justiça abriu um processo que se arrastou por anos até que agora, só agora, restou condenado por desvios de fundos públicos, abuso de confiança e aquisição ilícita de interesses.
Com outras palavras esses malfeitos também são tipificados no Brasil no capitulo dos crimes contra a administração pública do Código Penal com a diferença de que nenhum deles entre nós enseja um processo tão longevo. Aqui, nesses casos, prescrevem sempre bem antes de vinte anos. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A Grande Mentira

Sob Saddam Hussein, o sanguinário, o Iraque ameaçava o sossego do mundo produzindo e estocando armas de destruição em massa. 

George W Bush convenceu Toni Blair disso e os dois lançaram os Estados Unidos e a Inglaterra numa guerra que se arrastou por quase 9 anos.
Só para os Estados Unidos a conta foi de 800 bilhões de dólares. Foram mandados para essa guerra 1 milhão e 500 mil soldados, dos quais 119 mil foram mortos em combates. 
Saddam Hussein foi enforcado. Ninguém encontrou arma nenhuma de destruição em massa. O Iraque está completamente destruído.
Não se fala em derrota americana, mas também não se fala em vitória americana. Claro que o grande derrotado é o povo americano, que pagou os 800 bilhões gastos com a guerra mais idiota de todos os tempos. 
A bandeira americana que tremulava no Iraque já foi arreada por ordem de Obama, para quem a guerra já acabou.