terça-feira, 5 de julho de 2011

Lucros e Perdas

As cinzas restantes do corpo cremado por sua vontade foram juntadas hoje ao túmulo de sua mãe, Dona Itália, única pessoa a lhe assistir desde a infância.

O Itamar não conheceu o pai.

Ao nascer em alto mar à altura da Bahia, a bordo de um ita, como eram conhecidos os navios de cabotagem da Companhia Costeira, o pai de Itamar, Augusto César, o marido de Dona Itália, já havia morrido.

Nascido num ita em alto mar foi batizado Itamar num cartório de Salvador.

A família de ascendência italiana é de Juiz de Fora, Minas Gerais. Itamar deve ter sido o único mineiro nascido no mar, o que intrigaria a mineirada inteira, já que as suas praias preferidas estão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

Contaminado pelo vírus da política ainda nos tempos de estudante quando venceu as eleições para o diretório dos alunos na escola de engenharia, o Itamar depois de formado quis ser Vereador em Juiz de Fora, em 1958. Não conseguiu.

Em 1962 candidatou-se a Vice Prefeito. Naquele tempo os Vices eram eleitos em separado, ou seja recebiam votos diretos. Não conseguiu. Nas eleições seguintes foi eleito Prefeito de Juiz de Fora.

Não havia completado o segundo mandato quando, em 1978, o MDB o convidou para ser o candidato ao Senado. Tinha tudo para não dar certo porque havia apenas uma vaga na disputa e todas as projeções davam como certa a reeleição do Senador José Augusto, da ARENA.

Naquele tempo os debates no rádio e na TV não tinham o engessamento de hoje e os candidatos atuavam livremente. Ou seja, eram debates mesmo.

O Senador José Augusto estava tão certo de que seria reeleito que nem deu bola para aquele jovem intrépido de Juiz de Fora que o desafiava.

Na noite do debate na TV, o Itamar apareceu diante de uma cadeira vazia, a que estava destinada ao Senador da ARENA, e passou a debater com ela, isto mesmo com a cadeira vazia.

O MDB fez 16 Senadores no País, um golpe duro para o regime militar. Daquela safra, dentre outros, Brossard (RS), Marcos Freire (PE), Saturnino Braga (RJ), Leite Chaves (PR), Quércia (SP), Benevides (CE), Agenor Maria (RN).

Itamar foi reeleito duas vezes. Em 86, tentou e não conseguiu o Governo de Minas. Em 87 voltou ao Senado. Em 88 deu aval à aventura de Collor como Vice - Presidente de sua chapa.

Com a renúncia de Collor assumiu a Presidência e aí mostrou-se grande. Consolidou a democracia e debelou a inflação à época de 4% ao dia.

Em seu terceiro mandato no Senado, nos últimos 4 meses de sua vida mostrou-se a bravura e a independência de sempre. Para ser o melhor Senador, que vinha sendo, tinha que ser diferente e o era muito diferente do restante.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Inócuo

O Cabral que cometeu o ato, talvez, o mais impensado de sua vida pública ao chamar os bombeiros de vândalos, eles que apenas reivindicavam melhores salários, os quais acabaram presos por ordem do Governador, resolveu agora comandar na Assembleia estadual a aprovação de uma lei anistiando todos os envolvidos.

E avisou pelo twitter que a anistia aprovada já foi ate sancionada.

Não sei quem orienta o Cabral juridicamente, não obstante ser ele casado com uma profissional do direito bem sucedida e cujo escritório é um dos mais movimentados do Brasil, o que sinaliza eficiência e retorno certo.

Mas essa anistia do Cabral aos bombeiros, a meu ver, é meio capenga.

Primeiro, os militares, todos eles, estão sujeitos a um Código Penal Militar e as infrações são processadas e julgadas pela justiça militar competente tendo como base procedimental o Código de Processo Penal Militar.

Esses códigos são leis federais oriundas daquele arco constitucional, Art. 22, que declara em matéria legislativa o que é competência privativa da União. Os Estados, portanto, não podem legislar sobre nada em matéria de direito penal civil ou militar ou processual penal civil ou militar.

Os bombeiros do Rio de Janeiro, quase uma multidão, foram soltos por uma ordem de "habeas corpus" da justiça estadual e a Constituição entendendo que as carreiras militares se organizam sob a égide da hierarquia e da disciplina, nem autoriza "habeas corpus" para os servidores militares, ainda que só bombeiros.

O quadro carioca com os bombeiros no centro pareceu tão esdrúxulo que o País inteiro fez vistas grossas quando foi concedido o "habeas corpus" o qual, a rigor, nem cabia.

Essa anistia do Cabral para os bombeiros poderá no máximo aliviar nos processos administrativos, nunca nos processos penais. Só quem pode conceder anistia em questões penais é o Congresso Nacional e isto porque, nessas hipóteses, a matéria criminal é reserva privativa da União Federal só podendo ser alterada pelo Congresso Nacional.

Como estão querendo que fiquem as coisas, o País vai perdendo a memória e aos poucos até esquecendo de ler a sua própria Carta Magna, a nossa Constituição.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ultimato

Quem estuda o Brasil morando lá fora e conectado com o que se passa no demais do mundo, decerto que não consegue entender como é que este País se agüenta.

O Brasil se declara República Federativa, mas os membros federados, todos, sem exceção, dependem do poder central.

É presidencialista, mas a governabilidade depende mais das Medidas Provisórias do que das eventuais maiorias parlamentares que o Governo do momento consegue, a duras penas, organizar.

A Dilma agora está às voltas com mais um desafio em suas próprias bases congressuais.

Os Deputados, que somam a maioria esmagadora para a Presidente passar os seus projetos no Congresso, ameaçam boicotar a pauta e não votarem nada enquanto ela não mandar pagar as emendas parlamentares em atraso desde 2009.

A maioria do eleitorado que votou na Presidente e nos Deputados e Senadores nem sabe que negócio é esse de emenda parlamentar. Poucos sabem que é uma grana que eles próprios inscrevem no Orçamento da União com a destinação que eles próprios decidem.

E aí vêm as pressões dos Prefeitos, os quais em muitos casos financiam as campanhas dos Deputados e Senadores. Prefeito e Vereador, no geral, são os que mais entendem do que fazer com o dinheiro público no País.

Então, o problema não é da Dilma. O problema não é dos Deputados nem dos Senadores que estão aí sendo pressionados pelas suas bases por causa das emendas em atraso. O problema é nosso, do Povo, que nos recusamos ao exercício pleno da nossa cidadania.

Quando o Brasil tiver uma sociedade civil mais ativa, mais cobradora, mais participante, mais interessada diretamente no que se passa nos meandros da nossa incipiente República e cambaleante democracia, recusando o voto aos profissionais da política, àqueles que não conseguem viver sem um mandato e quando o perde apela para qualquer sinecura, quando o Povo em geral resolver escorraçar, e pode, os pilantras do poder público, o único risco que o Brasil poderá correr será este de cair, em definitivo, numa República de verdade e numa democracia à prova desses ultimatos para não se dizer chantagem até contra a Presidente da República.

Mas a Dilma, que, dizem, é carne de pescoço, e eu não sei se isso é bom, já mandou dizer que os parlamentares da sua base podem espernear à vontade, mas que ela não vai mandar pagar coisa nenhuma de emenda parlamentar.

Pela razão, está certa. Não sei se fazendo vistas grossas à chantagem emocional, fazendo de conta que isso tudo não tem nada a ver com ela, vai conseguir levar o seu barco político para além dos nevoeiros e para bem longe daquelas ondas que em passado recente quando não derrubaram, enfraqueceram Presidentes.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Itamar

O Lula me disse sobre o Itamar, à época recém - nomeado Embaixador em Roma, que embora tivesse com ele algumas divergências, mais porque o achava muito genioso, procurava agir com o máximo de tolerância possível porque o Itamar precisava do cargo não para se exibir, mas para sobreviver.

O Itamar sempre foi um cara honesto. Nunca tirou proveito pessoal da vida pública. Fomos contemporâneos na mesma legislatura do Congresso, ele como Senador, eu como Deputado. Lutamos juntos hasteando várias bandeiras. Da anistia às eleições diretas.

Do Senado foi à Vice - Presidência da República, depois assumiu a Presidência, enfrentou uma inflação avassaladora, implantou o Plano Real e saiu dando a volta por cima passando o cargo ao seu Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.

Venceu as eleições para o Governo de Minas, outro abacaxi. O Estado estava um caos, endividado, quebrado, gastando mais do que arrecadava. Itamar enfrentou tudo, reorganizou no que foi possível, passou o cargo ao Aecinho que, encontrando o terreno adubado, fez grandes colheitas.

Na última eleição, o Aecinho o chamou para ser companheiro de chapa. Chegaram juntos no Senado. O Itamar foi surpreendido com essa leucemia, não a escondeu e agora é mandado para a UTI por conta de uma grave pneumonia.

Torço pela recuperação do Itamar porque o Brasil não merece perder um homem público como ele, logo agora em que os bons escasseiam. O Itamar ainda é das poucas e últimas referências de probidade e espírito democrático e republicano no Senado.

Jussareira

Senhor Presidente, peço a palavra. E aí o senhor Presidente aquiescendo, tem a palavra Vossa Excelência. Senhor Presidente, quero trazer ao conhecimento desta Casa uma noticia muito jussareira.

O plenário se aquietou e o Cupertino, Vereador de muitos mandatos e sempre o mais votado no bairro do João Paulo, continuou.

O Cupertino era macumbeiro, quero dizer tinha um terreiro de macumba no bairro por onde se elegia sempre, o João Paulo, mas naquele tempo não havia só macumbeiro na situação, exemplo do compadre Bruno, de Nazaré, nos canfundós de Caxias ou que nem hoje, o Bita do Barão nos escancarados do Codó.

Havia também pais de santos de bons serviços como o Cupertino nas militancias da Oposição. O terreiro do Vereador do João Paulo homenageava Neiva Moreira e o Capitão Gondim, os dois mais admirados pelo Povo na ilha do Maranhão.

O Neiva, que ainda vive em São Luis, também conhecido popularmente como caramuru por conta dos seus discursos de incendiar corações por volta do meio dia toda semana nas ondas sonoras da Rádio Ribamar, era na Oposição uma especie de Neguinho da Beija Flor, sendo que o Neguinho ainda hoje é um eximio puxador de samba e o Neiva era o maior puxador de votos na legenda do PSP, o Partido Social Progressista liderado no Brasil pelo Governador de São Paulo, Adhemar de Barros, avô do Johnny Saad, principal executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e TV.

O Capitão Gondim, um imigrante cearense de poucos estudos, porém muito inteligente e corajoso, muito respeitado na Policia Militar e também pelo mandonismo politico, mas só até o dia em que foi preso numa tentativa de ocupar militarmente o Palácio dos Leões para prender e depor o Governador de então.

O Neiva fez uma campanha no rádio pela eleição do Gondim para Deputado Estadual sob o lema – este homem vai defender você na Assembléia ou ficará para sempre na cadeia.

Nessa onda foram eleitos os dois, o Neiva renovando o mandato federal e o Capitão Gondim saindo da cadeia no 24/BC para ser diplomado Deputado Estadual e tomar posse na Assembléia.

O grande cabo eleitoral no João Paulo, um dos mais populosos bairros da ilha então, adivinhe, isso mesmo, era o Cupertino, em cujo terreiro se encomendavam os serviços que arredavam os maus pensamentos das cabeças dos eleitores.

Pessoas do Governo, puxa sacos da situação, não podiam entrar nas festas no terreiro do Cupertino, que muitas vezes, dependendo da importancia do santo, se encompridavam pela semana inteira.

Os militantes das Oposições Coligadas, em especial os correligionários do PSP, sim, podiam entrar, comer, dançar e até beber aquela agua que passarinho não bebe, a qual era passada em bicadas de mão em mão numa coité. 

Essa noticia que é festejada aí com estardalhaço pelos aulicos dizendo que o Dono do Mar, e também  roteirista e diretor do destino de nós todos, foi eleito no estrangeiro como uma dos octogenários mais influentes do mundo, ao lado do Papa Bento XVI, Murdoch, Soros, BB King e outros que tais, me faz lembrar agora o Vereador Cupertino na Câmara Municipal naquela memorável intervenção.

É uma noticia muito jussareira.

Mas e daí, se no Maranhão, que ele domina há mais de quatro decadas, dois terços da população vive na maior miséria, sob os piores indicadores sociais do Brasil?

domingo, 26 de junho de 2011

Menos Um

"Recebi com pesar a notícia da morte do ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. Economista, ex-Reitor da Unicamp e ex-vice presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Paulo Renato prestou relevantes serviços ao país. Neste momento de dor, quero transmitir meus sentimentos a seus familiares e amigos". 

Esta é a nota que a Dilma mandou divulgar. Paulo Renato foi o idealizador do ENEM. Serviu no Governo de Fernando Henrique e em São Paulo como Secretário de Educação do Serra. Foi Deputado Federal e um dos fundadores do PSDB.

Tinha ido com a família passar o feriadão em São Roque, no interior de São Paulo. Ontem à noite, no hotel onde estava hospedado, sofreu um fulminante enfarte. Tinha 65 anos de idade. O corpo será velado na Assembléia do Estado e o enterro será amanhã, segunda feira, depois que suas duas filhas chegarem do exterior, onde moram.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Leis de Mais

No Brasil, de 2000 a 2010, foram criadas 75.517 leis de diversas espécies, dentre elas leis ordinárias e complementares, estaduais e federais, além de decretos federais. Isso dá 6.865 leis por ano, o que significa que foram criadas 18 leis por dia, durante uma década.

Nesse total de mais de 75 mil leis, não foram somadas as leis municipais. Se fizéssemos isso, o número subiria imensamente, visto que, de acordo com  a Confederação Nacional dos Municípios, existem atualmente no país 5.500 câmaras municipais e 55 mil vereadores.

A grande questão é que a maioria dessas leis são inócuas e não produzem efeitos no dia a dia. Não são observadas ou obedecidas pela população.

Imagine, caro internauta, quanto dinheiro público é usado para movimentar essa fábrica de leis em todo o Brasil?

Isso me faz lembrar de uma famosa história que diz: "Num palanque estavam juntos o prefeito e o presidente da câmara de vereadores, quando o prefeito, num gesto desesperado de angariar votos para a sua reeleição e demonstrando uma cultura de invejar qualquer pessoa, promete que em seu próximo governo irá revogar a Lei da Gravidade. O presidente da câmara, ao ouvir aquela pérola, ficou constrangido, pegou o microfone, olhou para a plateia e corrigindo o prefeito, na tentativa não de salvá-lo, mas de humilhá-lo e mostrar mais conhecimento, saiu-se com essa: 'Me desculpe, prefeito, mas isso que Vossa Excelência propõe é impossível, por mais força que tenha em nosso município, pois todo mundo sabe que a Lei da Gravidade é uma Lei Federal'".

(Do Blog do Marcos Pereira).

Pilha Fraca

Os circundantes não estranham porque alheamento ao dia a dia da administração, isso nela é coisa antiga.

Às vezes tinha uns ímpetos daqueles que até lembram inícios de convulsão, mas se isso implicava em ter que fazer alguma coisa logo a repassava adiante.

Agora, percebendo, afinal, que o tempo não pára, parece ter sucumbido a outro sentimento do qual sempre fez questão de se manter distante. O bom senso.

Enfastiada com as rotinas de governo, vinha tocando a agenda mais ou menos como naqueles versos do Gil – eu quase não tenho amigos / eu quase que não consigo / ficar na cidade sem viver contrariado...

O poema fala ainda numa rês desgarrada nessa multidão / boiada caminhando a esmo...

Ultimamente ela tem passado mais tempo na casa de Brasília, onde o distinto cara metade pode ser visto pelas vias de menor movimento no lago sul, por volta das dez da manhã, fazendo cooper.

Os circundantes não têm mais duvida de que ela perdeu a vontade para essas coisas, cansou do brinquedo de governar.

Já deu até na Globo que fará tudo para ficar até o ultimo dia, que não será mais candidata a nada e que com o pai octogenário batendo em retirada daqui a três anos, ela também estará fora de tudo para então estar mais com ele.

Bacana, não?

O cetro e a coroa serão passados como herança ao irmão mais novo. Quem viver, verá...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Alegria, Alegria

Presta atenção no outro que vem ali. Agora esboça um sorriso e arrisca lhe desejar um bom dia. Verás que o gesto na reciprocidade, quando muito, é mecânico. Não vem com emoção, com aquele agá de humanidade.

Tenho notado as pessoas, no geral, um tanto ensimesmadas, mal humoradas, muito invocadas e me pergunto se não é de hoje que elas andam assim ou se eu é que só agora, melhor dizendo ultimamente, passei a prestar mais atenção.

Aqui, acolá, alguém, talvez só para confirmar a exceção da regra, retribui com um olhar tímido, quase sonegando o sorriso, como se assaltado por algo tão inusitado e de tamanha surpresa.

O mundo por estas bandas anda meio assim, em carências de afetividades e de bom humor, entretido com outras e outras preocupações, um tanto desligado das coisas do amor.

Os catadores de noticias não se interessam muito pelas coisas mais disponíveis ao sentido melhor da vida. O crime, a catástrofe, a tragédia, sim, interessam. O amor, o sorriso e a flor, não.

Falar em flor, e no caso aqui é mais que isso, é um buquê, não compreendo porque chamam núcleo duro ao pequeno grupo agora na cúpula do nosso governo encabeçado por essas mulheres que nos melhoram o olhar na televisão.

Por que núcleo duro e não núcleo rosa ou algo assim mais suave, alcatifado de flores, onde a brisa fala amores nas tardes primaveris? Por que esse mau gosto de alcunhar de núcleo duro esse conjunto de mulheres tão românticas e tão varonis?

Os catadores das noticias ruins nos impingem esses despautérios que a gente, quase todo dia, ouve no rádio ou lê nos jornais de que a nossa presidente se aborreceu com uma coisa, que a nossa presidente anda irritada com aquilo, que a nossa presidente não quer nem ver a cara do fulano e coisas que tais.

Ate parece ser prazeroso difundir essa falácia de que há um mau humor oficial se espraiando e eu até me pergunto se isso tudo não é gênero, armação de marqueteiro ou conspiração da direita que, agora na rosa dos ventos, enche as redações de Brasília.

Ou se não é mesmo uma tentativa de querer levar nós outros ao dogma de que agora há um novo estilo no poder, jeito muito diferente e zangado nas razões de ser, o que então vem a ser? Lógico que é tudo intriga da oposição, tudo conspiração da direita. Ou das esquerdas ainda não contempladas.

O que eu te garanto é que até onde eu a conheço, pessoalmente, e de longa data, a nossa presidente não tem nada a ver com essas coisas mal humoradas que, incluindo os cobradores de emendas e outras sinecuras, andam falando pela aí. Ela é de sorrir bacana e de dar um bom dia irradiante, sim.

As recordações que tenho dela é de uma pessoa doce, suave, de íris cor de mel, culta, bem educada, mas que, como todo insurgente da nossa geração, gosta de política, sim, e de história e de poesia, que é fã do Chico e do Caetano, que adora o rock do Bono do U2, as letras do Belchior e do Raul Seixas e as canções do Zeca Baleiro. E em tempos remotos de um dance in day.

Ainda não estás sendo filmado, ó cara. Aproveita e escancara um sorriso alegre e grita – boom diiiaa! Alegria, alegria pessoal, alegria!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Luciano

Ele parecia estar bem em Roraima onde liderava no Governo do Otomar a reforma administrativa. Clerot, que era o Chefe da Casa Civil, me disse que o Luciano seria o Deputado Federal mais votado.

Aconteceu no Maranhão aquele golpe de estado pela via judicial, o mandato do Jackson sendo usurpado e a candidata derrotada recebendo o Governo de forma ilegal e violenta.

O Luciano foi convencido a retornar ao Maranhão para dar credibilidade àquela nova aventura da oligarquia. O Luciano sempre me pareceu uma pessoa do bem. Na ultima campanha nos encontramos em alguns lugares e ele, sempre gentil, me estendia os cumprimentos.

O Deputado Federal Luciano Moreira, 58 anos, morreu ontem à noite num acidente de carro quando retornava de um compromisso político em Barreirinhas. Fez palestra sobre reforma tributária, do que ele entendia bem, num seminário do Ministério Público e em seguida saiu no rumo de São Luis.

As estradas no Maranhão estão péssimas. As poucas pistas de pouso, interditadas pela ANAC, inclusive a de Barreirinhas. Daí que o Governo do Estado alugou uma frota de helicópteros para transportar doentes nas emergências.

Não apareceu nenhum desses helicópteros para levar o Deputado Luciano Moreira, ainda com vida, ao hospital mais próximo.

Lamento por sua família, sua esposa e filhas. E pelo Maranhão que fica sem um dos seus melhores Deputados. Que já são espécies raras na política do Estado.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Não Deu

Depois de seis anos de alegre união informal, elas foram as primeiras a casar em Rioja, Argentina, tão logo a justiça resolveu que poderiam.

O casamento não durou dois anos, sendo elas agora, Ângela, de 46 anos e Vanessa, de 26, as primeiras a se divorciarem.

As duas se conheceram em Córdoba quando ambas eram casadas com homens.

sábado, 11 de junho de 2011

A Felicidade

Despertamos de algumas horas, piscamos os olhos ante as primeiras luzes e nos imaginamos imortais.

A vida só tem uma certeza inarredável sem hora marcada. É possível prever quando alguém vai nascer. Mas nunca se saberá o instante exato em que se irá morrer.

Tocar a vida tem para cada um de nós maneiras diversas, mas no fundo, no fundo, se resume a um mesmo resultado. Sobreviver querendo, um dia, quem sabe, também ser feliz.

Você sabia que há no Congresso, em tramitação, uma proposta de emenda constitucional mandando inserir a felicidade entre os objetivos da República para o Povo em geral? Sim, ela mesma, a felicidade!

Dignidade da pessoa humana e prevalência dos direitos humanos, que já constam entre as obrigações republicanas, não bastariam para o alcance da felicidade.

Não se sabe ainda é se depois de inserida como obrigação do Estado para com o Povo em geral ela, a felicidade, dependerá de regulamentações especiais através de uma lei complementar ou de decretos governamentais, instruções normativas, portarias ou de um mandado de injunção no Supremo.

Não é ainda do conhecimento de todos se o Governo da República nomeará um conselho de jovens ou de anciãos, ou um colegiado misto com representantes de todas as cotas atualmente reconhecidas e admissíveis, para os efeitos do cumprimento da nova ordem constitucional.

Eu ainda não sabia dessa emenda no Congresso do Brasil quando, outro dia, em Buenos Aires, numa livraria, encontrei um livro, imagine, com este título – "La felicidad como elección, la dicha posible más Allá de las falsas ilusiones", de Sergio Sinay, um psicológico argentino.

O livro, a meu ver, não ajuda a idéia do inspirado legislador brasileiro que está propondo a felicidade como cláusula constitucional.

A proposta do "La Felicidad como elección...", ao contrário, é de contundente denúncia contra a manipulação da idéia de felicidade para garantia de lucros com dinheiro ou com o poder político.

A condição humana, dizem os marqueteiros das campanhas eleitorais, se inebria fácil com as miríades.

Daí que prometer a felicidade como direito de todos na Constituição da República pode resultar em algo balsâmico a afagar as esperanças de quem à beira do desespero vai perdendo a noção das certezas e das forças na vontade para resistir e lutar.

Quem, afinal, erguerá a voz ou o dedo na Câmara dos Deputados ou no Senado da República para se opor a essa importante conquanto imprescindível emenda constitucional, a PEC da Felicidade?

A idéia de constitucionalizar a felicidade não é invenção de brasileiro. Foi copiada lá fora.

Mas quem, entre nós, brasileiros, definirá a felicidade? Os juristas, os tecnocratas ou os poetas?

Vou preferir a definição dos poetas. Esta do Vinicius, por exemplo, na voz e violão de João Gilberto – a felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar / voa tão leve e tem a vida breve / precisa que haja vento sem parar...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Autoritarismo

Quanto mais poder de autoridade tem uma pessoa sobre as outras mais prudente e mais generosa ela deve ser. Ninguém ganha com arreganhos de autoritarismo.

O Cabral, Governador do Estado de Rio de Janeiro, foi quem mais perdeu com essa confusão dos bombeiros.

Os caras ganhando menos de 1 mil reais por mês em troca de um trabalho em que arriscam a vida todo dia resolveram lhe pedir um aumento.

O Cabral ao invés que chamar os líderes do movimento para conversar, sim, é conversando que a gente se entende, não quis conversa, radicalizou, os caras radicalizaram também e o resultado foi a insensatez ganhando espaços nos dois lados.

Depois do tremendo estrago em que todos se deram mal, o Cabral anuncia agora que vai antecipar o aumento dos salários dos bombeiros.

Inês

Dilma recebeu o Umala, o nome é esse mesmo, o do Presidente eleito do Perú, em Brasília, e seguiu para Florianópolis.

Em lá chegando soube que o Luiz Sérgio, o Ministro encarregado de anotar os pedidos dos Deputados e Senadores para encaminhá-los à Presidente, havia se demitido.

Há uma semana, afora o Palocci que já saiu, não se fala noutra coisa.

Começaram as démarches em busca de um nome para substituir o Paulo Sérgio, não o Luiz Sérgio, inclinando-se a Dilma pela Ideli Salvati com quem, aliás, se encontrou em Florianópolis.

Agora, coisa de poucas horas atrás, o Ministro das Relações Institucionais manda dizer pelo twitter que não pediu demissão coisa nenhuma e que isso tudo é onda. O Vacarezza, sim o Vacarezza, o líder do Governo na Câmara, é quem está querendo o seu lugar.

Tarde demais. Como diriam os portugueses, Inês já é morta...

Outra Mulher

Dilma está querendo levar mais uma mulher para o Ministério. Depois da Gleisi, a nova Chefe da Casa Civil, ela agora faz sondagens em torno da Ildeli, a Ministra da Pesca, ex Senadora do PT por Santa Catarina.

Ao que parece a Ildeli, outra amiga pessoal da Dilma, não se acharia confortável no Ministério da Pesca, aliás muito calmo para o seu estilo afeito a agitos.

Como o Ministro das Relações Institucionais, Luiz Sergio, conhecido como o Garçon, pois só anota os pedidos, formalizou hoje a sua saída, os olhares da Dilma e se voltam agora para a Ildeli Salvati.