segunda-feira, 23 de maio de 2011

As Novas

Começa o dia, você liga o rádio, vê a televisão, folheia os jornais e se lhe perguntam pela novidade a resposta que sairia límpida logo se transfigura em outra pergunta - novidade? Não há novidade.

Essa inundação de informações quase afogando o silêncio da gente no amanhecer vai se diluindo com o correr das horas nos reencontros com a rotina, mas a impressão que fica é que não há novidade mesmo.

É muita tragédia. Muitas ações cínicas usurpando os espaços das ações cívicas. Muita imoralidade. Muita desonestidade. Muita crueldade. Muita indiferença. Inseguranças e doenças. Muito desrespeito.

Você se antena nessas mídias e logo se cansa na quase certeza de que aquilo tudo é antigo, os nomes não os mesmos às vezes, os lugares também não são os mesmos às vezes. De tudo, resta a quase certeza da mesmice, que não há novidade mesmo.

No Maranhão não é só a mesmice das noticias sempre tendenciosas, douradas como as antigas pílulas contra o estupor ou então intragáveis que nem óleo de rícino, tudo conforme o interesse do dono de tudo.

O problema está em não apenas ter que conviver com a mesmice dessas coisas, mas ter que aceitar calado a repetição das mentiras, as mesmas mentiras sobre todas as coisas.

Digo aceitar calado porque num lugar onde a República ainda não chegou e onde a Democracia é uma miríade muito distante, um lugar enorme mas onde tudo está dominado pela mesmice do mesmo, resta apenas protestar, protestar, mas protestar num lugar dominado pelas forças da ocupação não faz tanto efeito.

Clarice Lispector, a propósito dessa coisa de protestar escrevendo, perguntou a Rubem Braga se ele ainda acreditava que isso pudesse ter alguma influencia, gerar algum resultado.

O bom Rubem, sempre o bom Rubem, respondeu contando que, uma vez, ao voltar de Paraty escreveu sobre as belezas do lugar, mas também reclamando contra um alto falante na praça que nas tardes de domingo, num tom altíssimo, ensandecia as pessoas.

A crônica fez sucesso, todo mundo comentou, as pessoas de Paraty lhe escreveram agradecendo os elogios ao prazeroso lugar, mas tempos depois quando retornou lá nada havia mudado - o alto falante continuava no mesmo lugar com o seu som altíssimo desacatando o sossego das pessoas.

No Brasil, sentenciou Braga a Clarice, a gente escreve é para os colegas.

Em Portugal surgiu um movimento social reivindicando dos políticos e da mídia que parem com as mentiras velhas. Queremos mentiras novas! É só o que querem.

Não tenho idéia de como seria isso entre nós. Talvez o movimento logo se esvaziasse como esse da inelegibilidade dos políticos fichas sujas. Então vocês querem é mentiras novas, ah é? Pois aqui estão elas, novinhas em folha. Entre nós não falta político bom nisso. Nem mídia.

Daí que depois de tudo, atiçado por aquela impressão, a mesma de Torquato, num dos seus mais belos poemas, Domingou, - as noticias que leio conheço, já sabia antes mesmo de ler - só me resta, em busca de alguma novidade, garimpar os anúncios classificados.

É lá que estão grandes novidades. Como esta aqui, por exemplo, - Cantinho da Vovó, jogo de búzios e tarot, amarração e feitiços para o amor, faço e desfaço trabalhos. Trago a pessoa amada aos seus pés em 24.hs.

Que tal, isso não é muito novo?

sábado, 21 de maio de 2011

Casos Comuns de Trânsito

Sabendo que não tem número suficiente no Senado nem na Câmara para requerer uma CPI, Comissão Parlamentar de Inquérito, ainda que juntando todos os partidos do contra, no caso PSOL, PPS, DEM e PSDB, a Oposição ao Governo Dilma começa a recolher na terça feira assinaturas pedindo uma CPI para o suposto enriquecimento atípico do Chefe da Casa Civil.

Depois que deixou de ser Ministro da Fazenda no primeiro Governo Lula, Palocci teria multiplicado seu patrimônio por 20, sendo que no ultimo ano eleitoral, entre novembro e dezembro, sua empresa teria faturado 10 milhões de reais, quase o equivalente ao que faltou para o PT fechar as contas da ultima campanha presidencial.

O bem educado e sempre afável Palocci não foi candidato a nada. Concluía um mandato de Deputado Federal por São Paulo obtido com expressiva votação. E atuava como um dos três porquinhos como a Dilma chamava carinhosamente os coordenadores da sua campanha.

Mas quando foi eleito e sem cargo publico já trabalhava em sua empresa de consultoria econômica e, lógico, com a sua experiência invulgar na área econômica não lhe faltaria clientes.

Pouco antes de assumir a Casa Civil de Dilma, onde é, de fato, um Primeiro Ministro, Palocci deixou a administração de sua empresa e até mudou-lhe a finalidade na razão social, trocando os serviços de consultoria econômica por serviços de administração imobiliária.

A atual Governadora do Maranhão, senhora Roseana Sarney Murad, declarou rendimentos à Justiça Eleitoral segundo os quais, entre 2006 e 2011, teve o seu patrimônio multiplicado 53 vezes. E ninguém fala.

Essa tentativa de CPI para apurar o patrimônio de Palocci, multiplicado em 6 vezes ao longo de seis anos, quando não exercia cargo executivo, pode não dar em nada, mas pode dar em tudo.

Uma coisa é certa. Vai dar numa chantagem danada contra a Dilma para ela entregar logo aos políticos da sua base os cargos de segundo escalão que ela vem relutando em entregar.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Cara

Foi além, muito além das tabelas, se é que isso nos Estados Unidos é tabelado, a incursão de Dominique, o francês Diretor Geral do Fundo Monetário Internacional, FMI, em decúbitos, se é que isso aconteceu mesmo, com uma camareira do hotel em que ele se hospedou em Nova Iorque.

O número um de um dos principais guardiãs do capitalismo mundial estava com sua candidatura praticamente assegurada à Presidência da França pelo Partido Socialista. Um aluno me perguntou na sala de aula como é que é isso de ser socialista e diretor do FMI ao mesmo tempo.

O Dominique, sempre elogiado por seu bom trabalho na arrumação das economias em crise na velha Europa, foi tirado de dentro do avião quase decolando para levá-lo a Paris sendo no ato preso e algemado e levado à presença de uma Juíza da Corte de Nova Iorque.

Seu advogado ofereceu 1 milhão de dólares como fiança para o Dominique aguardar o processo em liberdade. A Juíza não aceitou. O processo deve durar uns seis meses.

Mas agora, em apelação, uma Corte acima aceitou o milhão de dólares como fiança e o Dominique será solto para então aguardar o processo em liberdade.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Garapa

Pitta, o primeiro afro - descendente eleito para uma das maiores Prefeituras do mundo, a de São Paulo, assim que deixou o cargo assinou contrato milionário com uma editora para escrever um livro recebendo logo uma boa bolada como adiantamento.

Apesar de muito badalado em matérias pagas pela editora, o livro de Pitta não pegou, restando-lhe para declarar ao Imposto de Renda apenas a grana do adiantamento.

Depois o Pitta acabou preso pela Policia Federal. Não demorou muito morreu numa penúria a ponto de o seu funeral ter sido custeado por uns poucos restantes amigos.

Agora, porém, em se tratando de livros de memorias e de biografias de políticos os tempos são outros.

Barack Obama, por exemplo, o primeiro afro - descendente eleito Presidente do País mais poderoso do mundo, os Estados Unidos da América do Norte, recebeu 6 milhões de dólares só em direitos autorais referentes aos seus dois livros publicados antes de ser eleito Presidente da República – "A Audácia da Esperança"  e "As Origens dos Meus Sonhos".

No Brasil, Regina Echeverria, uma talentosa jornalista que se notabilizou escrevendo biografias de artistas como Elis Regina e Cazuza, está vendo o seu mais recente trabalho "Sarney, Uma Biografia" sumir das prateleiras das livrarias como garapa em roda de menino em festa de arraial.

Não se sabe de acordo pelo qual o biografado tenha alguma participação nesse encanto que está acontecendo em matéria de direitos autorais.

Os 40 mil reais que o biografado de Regina está tirando do próprio bolso para pagar um jantar para 60 convidados não passaram nem de raspão pelo seu salário de senador. É só uma pequena parte dos direitos autorais de seus livros mais anteriores, dentre os quais o de maior vendagem – "O Dono do Mar", publicado em vários idiomas. Inclusive em português.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Solidão Simultânea

Quem sabe se invocando os deuses, assim no plural, não consigamos algum progresso? Para a remoção de tantos destroços, só deuses. Assim no plural, deuses plurais.

As nossas vontades humanas não estão conseguindo segurar essa pauta em que as esperanças tenham de ficar ainda por mais tempo em concentração de esperas.

Enquanto nos comportamos segundo os parâmetros politicamente corretos, fiéis a princípios, observando valores, defendendo a ética, comprometidos com as ações moralizadoras, eles de lá, nem, nem, quer dizer não estão nem aí.

A política deixou de ser um campo de ação unicamente destinada à realização do bem comum, aos investimentos para o progresso e ao enfrentamento das desigualdades sociais, para ser apenas um meio de ascensão ao poder.

É do poder que eles precisam e é no poder que eles se nutrem e não se fartam. Precisam do poder para serem reconhecidos. Usam o poder para se favorecerem. Consagram a impunidade para os seus. E manipulam o poder para nunca mais caírem do poder.

Daí esses destroços.

Lembro aqui apenas uns. Eles sabem sobre todos, mas nada os preocupa ou os incomoda. Não querem saber se as pessoas no Maranhão têm proporcionalmente a mais baixa renda no Brasil.

O crescimento econômico no Maranhão aconteceu, sim, mas como rabo de cavalo. Para baixo. A pobreza cresceu 16%. É também neste quesito o Estado mais atrasado do Brasil.

Quase 2 milhões e 500 mil pessoas vivem distantes dos centros urbanos, encafuadas em casas de taipa cobertas de palha de babaçu, sem água tratada, sem fossa sanitária, sem assistência médica, sem escolas para os filhos, sem estradas que as levem a algum lugar, os homens com Deus na fé e as mulheres, quase todas, com as esperanças na barriga.

Mais da metade do povo no Maranhão, ou seja, 54,27% da população, o equivalente a mais de 3 milhões de pessoas, vive em plena miséria.

Em analfabetismo, os números são vergonhosos – 19,1%, dentre os maiores de 15 anos, não sabem ler nem escrever. Sobre o analfabetismo entre crianças com menos de 15 anos nada se sabe.

Há ainda aquele contingente de analfabetos funcionais, os que mal rascunham o nome, mas decidem as eleições. Não sabem porque votam, mas votam ajudando a manter no poder os que os escravizam nas trevas da miséria e da ignorância. Eles somam mais de 30% da população.

Esses destroços são num Estado cujo poder político é monopólio de um único grupo político há quase 50 anos. Um Estado para o qual o Governo Federal nunca deixou de mandar dinheiro. E para cujo grupo político o Governo Federal nunca faltou em apoios políticos.

Não dá mais, gente, para continuar com o grito preso na garganta, as energias de repulsas reprimidas, somando esperas em solidão simultânea, cada combatente seguindo para um lado, sem sintonia certa.

Ou agimos com competência ou deixamos que tudo se resolva tão só pela vontade dos deuses. O que não seria justo com a nossa condição humana. Nem com a condição dos deuses.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Entrevista Com o Igor

Em entrevista à repórter Carla Lima, da Editoria de Política do jornal O Estado do Maranhão, que a publicou na edição de ontem, domingo, o médico Igor Lago, filho do ex-governador Jackson Lago, indicou os rumos que o PDT buscará seguir em meio ao vazio aberto com a morte do seu pai.

O PDT vai botar o pé na estrada trabalhando para se reestruturar em todo o Estado. Igor foi indicado para Presidente da Comissão Provisória estadual que preparará as bases para essa reestruração.

O ESTADO – Como você analisa a política maranhense pós-falecimento do ex-governador Jackson lago?

Igor Lago – A política do Maranhão sofreu uma grande perda porque ele foi um dos maiores líderes políticos. Acredito que hoje a nossa política está com um vazio por tudo que ele representou tanto nas disputas para deputado estadual e pela Prefeitura de São Luís e seus conseqüentes mandatos sejam pelas quatro vezes em que ele foi candidato ao governo do Estado. Sempre à frente de um movimento político de oposição. E tudo isso foi reconhecido tanto por políticos do grupo dele quanto de seus adversários.

O ESTADO – Como filho do ex-governador, você pretende ser o herdeiro político dele?

Lago – Nós estamos sendo convidados pelo partido a contribuir com a reestruturação do PDT, substituindo o nome dele [Jackson Lago] na presidência da comissão provisória estadual. Temos o objetivo de oxigenar o partido para ocupar o espaço que o PDT sempre teve na trajetória democrática e popular na política local.

O ESTADO – A falta de tradição política sua pode ser um empecilho para o você chegar a comandar em definitivo o PDT ?

Lago – Apesar de nós não estarmos envolvidos diretamente, todos esses anos acompanhamos conversando com nosso pai, com companheiros de partido e até mesmo aliados de outras legendas. Nós de alguma forma demos nossa contribuição esses anos todos, claro que não de forma direta e ativa porque era desejo do nosso pai de preservar tanto eu quanto minhas irmãs da lida direta da política. Creio que essa preservação é que nos dá condições de aceitar esse convite que nos foi feito pelo partido. Acredito ainda que, uma vez aprovada a indicação do PDT no Maranhão pela Executiva Nacional, podemos começar nossa ação partidária e um relacionamento amistoso, leal e companheiro com outros partidos.

O ESTADO – O seu nome é consenso dentro do PDT para comandar a comissão provisória?

Lago – Eu tenho recebido manifestação de apoio de todos os setores do partido tanto em São Luís quanto no interior do estado. Não pedimos esse papel, estamos aceitando um convite. Agora lembro que estamos sendo muito claros quando digo que somente oito dos 11 membros da atual comissão provisória assinaram a ata que apontou meu nome como presidente da comissão provisória.

O ESTADO – Você acredita que o pós-2006, quando Jackson Lago foi eleito governador do Maranhão, e conseqüente cassação dele em 2009 foi uma injustiça? Adversários e aliados desempenharam o mesmo papel nesse episódio?

Lago – Acredito que ele foi mal compreendido e que não recebeu o tratamento que merecia por parte de pessoas e grupos políticos que estiveram com Jackson Lago em 2006. Essas pessoas não entenderam o momento histórico que estávamos vivendo. Ele sempre procurou ser o elo da unidade entre os setores, mas infelizmente alguns dos setores não entenderam o papel que ele queria ter desenvolvido até o fim da vida dele.

O ESTADO – Em que momento não houve essa compreensão?

Lago – Acredito que a partir da cassação do mandato dele. Nós observamos uma postura diferente de alguns setores da política aliados do ex-governador até antes a cassação.

O ESTADO – Qual foi o papel, na sua opinião, do ex-governador José Reinaldo nesse momento pós-cassação?

Lago – O meu pensamento a respeito do ex-governador José Reinaldo é uma pessoa de natureza conservadora. Ele sempre teve sua história política de vínculo ao grupo Sarney. Por questões particulares, ele rompeu com seu grupo e em 2006 exerceu um papel importante. Já em 2010, nós não podemos falar a mesma coisa. Até porque esses setores colocaram em primeiro lugar o interesse de seu grupo.

O ESTADO – Sobre o Edson Vidigal houve algum desacerto entre o ex-ministro e o Jackson depois da publicação de um artigo que foi colocada a expressão "velho escroto" atribuída ao ex-governador na época.

Lago – Isso foi algo episódico e que já foi superado. O que temos que reconhecer é que o ex-ministro Edson Vidigal compartilhava da opinião de Jackson Lago de unidade da oposição. Vidigal teve um posicionamento em 2010 que se mostrou leal, compromisso e ajuda incansável para que a campanha fosse exitosa.

O ESTADO – E o papel do ex-deputado federal Flávio Dino ?

Lago – Ele é um ex-deputado eleito pelo ex-governador José Reinaldo. No segundo turno, em 2006, Dino apoiou Lago de forma verbal e declaratória. Não vi nenhum outro tipo de apoio talvez à participação em duas carreatas aqui em São Luís. Em relação à eleição de 2010, o que posso dizer é que ele, assim como seu principal aliado, não entendeu o momento histórico. Essas pessoas colocaram em primeiro lugar seu projeto político pessoal.

O ESTADO – Em um artigo publicado na imprensa, você fez um desabafo contra os aliados que teriam virado as costas para Lago. Essa foi a intenção?

Lago – Aquele texto foi algo espontâneo feito assim que saiu a decisão do STF em relação à aplicabilidade da Lei da Ficha Limpa. Naquele momento, tínhamos a consciência de que essa regra fere o artigo 16º da Constituição, que diz que as regras eleitorais só podem ser modificadas um ano antes do jogo. Então, aquele texto foi uma resposta para todos aqueles que utilizaram o argumento de Ficha Suja, da incerteza da candidatura do ponto de vista jurídico da candidatura de Jackson Lago.

O ESTADO – O senhor pensa em disputar a eleição para a Prefeitura de São Luís?

Lago – O nosso grupo não se reuniu para tratar disso. A nossa função nesse momento é reorganizar o partido e fortalecer o PDT em todo o estado. Somente no próximo ano que vamos começar a tratar dessa questão de eleição. Uma vez reorganizando o partido e tivermos sucesso, aí sim vamos nos reunir e decidir democraticamente de forma transparente os rumos pedetistas para as eleições municipais, não só aqui em São Luís, mas em todo o estado.

O ESTADO – Em 2000, o então candidato à reeleição para a Prefeitura da capital fez uma aliança com a governadora Roseana Sarney.

Lago – Há muita exploração em torno disso. O prefeito Jackson Lago estava marchando para a reeleição e os vereadores do partido da governadora manifestaram o total interesse de apoiar a candidatura de Lago. A partir daí é que se começou a trabalhar a aliança entre o então PFL e o PDT, mas não houve nenhum acordo político.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

“O” Positivo

Assim que correu a noticia do grave acidente com o Edinho, o Senador Lobão Filho, correu mundo via internet que o hospital onde ele está internado em São Luís do Maranhão precisava de sangue tipo "o" positivo para os procedimentos cirúrgicos.

Lobão, o pai, o Ministro Edison Lobão, me disse que chegou a ser comovente constatar como se somaram a centenas as pessoas que acorreram ao hospital se dispondo a doar sangue para o seu filho. Afora os que se apresentaram em telefonemas.

Ninguém sabe de onde tiraram essa necessidade porque o banco de sangue do hospital estava e ainda está com quantidade suficiente de "o" positivo para atender a emergências como essa do Edinho.

O jovem Senador, apesar da violência do choque do seu carro com outro maior e mais robusto, numa estrada escura em noite chuvosa, está fora de perigo. Conta a seu favor ter sido sempre um atleta. Não fuma, nem bebe. Seu único vício é trabalhar, trabalhar. Quando voltava sozinho do aeroporto onde guarda o helicóptero estava a trabalho.

Agora à noite o Lobão, pai e a Nicinha, mãe, já respiravam aliviados dando graças a Deus porque o Edinho sairá desta com a saúde mental intocada. Conheço os meninos do Lobão e da Nicinha desde pirralhos. O Edinho foi colega do Edson e do Everardo, meus filhos, no INEI da Professora Maria Elói, nos anos 70, em Brasília. Onde foram campeões de judô.

Paraguai

Dilma não irá mais ao Paraguai, onde estava tudo pronto para uma grande recepção, ainda mais agora depois que o Brasil aumentou a participação daquele País nas rendas de Itaipu.

Chegou-se a especular que como todos da linha de substituição presidencial na ausência de Dilma também se ausentariam do País - o Vice Presidente da Republica, o Presidente da Câmara e até o Presidente do Senado, - a Presidência da República seria entregue ao Ministro Peluso, Presidente do Supremo.

Os médicos que cuidam da pneumonia da Dilma deram a palavra final. A Presidente, embora esteja evoluindo bem no tratamento, não deve se expor numa viagem longa quando ainda deve guardar repouso.

Por isso, ela fica. E está mandando o Presidente do Senado para representá-la nas festas do Paraguai.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Estrelas Errantes

Os gregos inventaram a democracia, o governo do maior número, ou seja a maioria decidindo, mas respeitando a minoria, democracia que no dizer de Churchill ainda é o pior dos regimes sendo que depois dos gregos, até hoje, ninguém inventou nada melhor.

Acuada pelas minorias armadas de outros meios de convencimento, algum poder estatal com mídia influente e muito dinheiro, a democracia cambaleia e não se afirma e não realiza a república se não for oxigenada pela vontade coletiva majoritária capaz de dobrar pelo entusiasmo as resistências e intimidações.

Vitoriosa a democracia com a consistência das suas proposições e credibilidade popular dos seus combatentes instaura-se então o regime do povo, pelo povo e para o povo, assim definido por Lincoln.

Nas monarquias anacrônicas o poder se realiza e se restringe aos laços da consangüinidade.

Nas famílias mafiosas a regra não é absoluta, mas é assim também quase sempre.

Nas oligarquias o poder se sustenta nas espertezas de uma promiscuidade de parentes, áulicos e negocistas, todos aproveitadores.

Nas ditaduras, as camarilhas.

Isso tudo aflora até mesmo como erva daninha em nascentes democracias para depois se transformar numa sucuri envolvente que por constrição segue matando-a lentamente.

Se a maioria do povo não está motivada e possuída de energias positivas suficientes para garantirem a força necessária aos embates que são constantes, o clientelismo, o assistencialismo, o populismo, e se isso for pouco, a grana, muita grana tocará mais alto nas fraquezas gerais e aí adeus rosa, necas de democracia.

Mas por que essa insistência no mundo por democracia? Porque só na democracia quando plena é possível a igualdade de direitos e de oportunidades. A democracia realiza a justiça social.

Só a democracia garante a república e só com a república plena que as oligarquias, as máfias e as camarilhas não têm voz nem vez. A democracia não faz concessões à impunidade.

Em alguns quadrantes do País, que se revela positivamente em melhorias das condições de vida do povo, senhor de suas liberdades e do seu destino, em alguns quadrantes, em especial no litoral nordeste, ainda vicejam maus exemplos de políticos que só atravancam a democracia e mutilam impiedosamente a república.

As eleições são livres? Sim, mas só na formalidade do imaginário. Compram-se votos no atacado em feiras inimagináveis não só favores do poder público e dinheiro vivo, porém muito e principalmente com toneladas de medo.

Aos descrentes que já estão quase se dando por vencidos e dizendo que isto aqui não tem mais jeito, eu peço que busquem reencontrar bem dentro de si mesmos aquela velha certeza de que nem tudo está perdido.

Há estrelas por aí vagando, querendo ocupar os espaços do espaço, umas batendo nas outras, querendo todas o mesmo lugar de brilho. Acham que nunca irão cair. Estrelas não têm brilho próprio.

Irão despencar na praia e nem há grãozinhos de areia de olho nelas.

Macho

Cid Gomes, Governador do Ceará, não se contendo com o estado de abandono das estradas federais no seu Estado, partiu para cima do Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, chamando-o de "inepto, incompetente e desonesto".

E mais adiante.

- Precisamos denunciar esse descaso do Ministro dos Transportes e de sua laia do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Aquilo ali é uma laia, um antro de roubalheira.

Depois convocou a população a fazer um rally de protesto pela BR-222, a estrada federal em piores condições de tráfego no Ceará.

Ciro Gomes me disse uma vez, pouco antes de se lançar candidato a Presidente da República, que iria fazer um curso socila de linguagem.  


Socila era um curso de boas maneiras antigamente freqüentado por candidatas a noivas ou candidatas a concursos de misses.

O atual Governador do Ceará, já em segundo mandato consecutivo, é irmão do Ciro.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Homem e Mulher

Pelo menos um Procurador, integrante do Ministério Público, mas estadual, sem entrar no mérito da questão, se opõe abertamente à decisão do Supremo Tribunal Federal estendendo os direitos da união estável entre homem e mulher às uniões entre homossexuais.

É o  Procurador Lenio Streck, do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul. Ele defende que isso não é matéria da jurisdição e que só o Congresso Nacional tem competência para resolver.

Olha aqui a entrevista que ele concedeu a O Estado de São Paulo, que será publicada amanhã:

O sr. considera que o STF deveria decidir essa questão?

Isso não é matéria para jurisdição. Isso é o espaço para discussão do Legislador, como se fez na Espanha e em Portugal. Lá esse assunto foi discutido pelo Parlamento. O Judiciário nesse ponto não pode se substituir ao Legislador. Se o Congresso aprovasse uma emenda constitucional ou um projeto de lei mudando o Código Civil, bingo! Assim se fez em Portugal, assim se fez na Espanha. Por que o Brasil é o único país que tem que recorrer à jurisdição Constitucional? Não queremos discutir as coisas na Democracia?

Pela divisão do Congresso, jamais se aprovará uma lei nesse sentido. O que fazer?

Esse é o risco da democracia. Não é proibido mudar a Constituição, mas é preciso fazer. É a sociedade que tem que decidir. Não se corrige a Constituição com argumentos morais, por mais que eu ache a causa justa, justíssima.

Na falta de uma regra, o STF pode decidir?

A Constituição estabelece uma limitação, ela fala em homem e mulher. Esse é um limite semântico da Constituição. Se admitirmos que o Judiciário passe por esses limites, estaremos admitindo um terceiro turno do processo Constituinte, isto é, aquilo que o Legislador não aprovou, acaba sendo feito pelo Judiciário. Estaremos dizendo que é possível fazer uma Constituição do B.

O STF não tem que atuar para proteger essa minoria?

O STF atua quando há espaço de atuação, quando diz que uma lei é inconstitucional, quando diz que há uma lacuna na lei, há uma omissão. Neste caso, não se pode dizer que a Constituição é inconstitucional. É duro isso, mas é o preço da Democracia. O Judiciário não está autorizado a preencher uma lacuna que não existe. A Constituição estabeleceu seus limites ao dizer que a união é entre homem e mulher. Todo mundo sabe o que é um homem, todo mundo sabe o que é uma mulher.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Adivinho

Há uma semana, o Wikileaks, o saite de vazamentos de segredos oficiais, divulgava uma mensagem captada da Al Qaeda pelos Estados Unidos advertindo que se Osama Bin Laden fosse morto o mundo se preparasse porque eles lá da organização terrorista já tinham até uma bomba atômica pronta para explodi-la.

A notícia passou meio despercebida porque, exceto para alta cúpula do Governo dos Estados Unidos que já vinha monitorando a operação para pegar e matar Bin Laden, o paradeiro do estrategista dos grandes atentados executados pela Al Qaeda parecia não interessar mais, tantas as histórias desencontradas que se contavam sobre a sua vida ou morte.

Agora, com Bin Laden morto depois de aprisionado na mansão onde morava há cerca de 5 anos, próximo a um quartel do exército paquistanês, no interior do Paquistão, os alarmes são acionados na Europa e nos Estados Unidos pelos receios de que uma vingança do terrorismo pode estar a caminho.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Fim da Caçada


Nada de túneis tenebrosos ou de montanhas íngremes. Osama Bin Laden foi localizado e morto em uma luxuosa mansão num bairro de ricos no Paquistão vivendo com uma mulher mais nova.

Quando um pelotão americano adentrou a casa para prende-lo ele reagiu usando uma outra mulher também novinha como escudo humano. Levou um tiro na testa. Morreram outros tres do lado dele.

Pouco depois de a notícia se espalhar pelas redes de TV Al Jazeera, ABC e CNN o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apareceu confirmando. Os louros são da CIA, a ABIN de Washington.

Foram tiradas amostras do corpo de Bin Laden para exames de DNA e depois de cumpridos os rituais islâmicos o cadáver foi atirado em alto mar para que não havendo túmulo algum o principal mandante dos atentados terroristas às torres gêmeas de Nova Iorque em 11 de setembro, há quase dez anos, não inspire romarias e lendas.

As operações dos norte-americanos contra o terrorismo vão continuar.

domingo, 1 de maio de 2011

Das Inércias

Olhe aqui, amiga, amigo, esse quase sobrenatural nas coisas. 

Para variar, nuvens cinza, prenúncios de mais chuvas. Certezas de mais buracos. Mais lama visível encorpando a transparência do dia.

Há poucas horas antes deste regresso à ilha deu para ver de passagem por um desses municípios de muitas fachadas em beira de estrada um prédio em ruínas e sem portas. 

Lá dentro, o mato crescente. Do lado de fora, no frontispício em letras garrafais prateadas, imagine, o que está escrito? Poder Legislativo Municipal.

Passei um bom tempo da viagem pensando na simbologia daquilo. Gente, isso é a República de araque que eles nos impõem, a democracia de mentirinha que eles praticam para nos submeter e nos espoliar. 

Na fachada cabe tudo. Na fachada cabem todas as instituições, todas as intenções, primeiras, segundas, terceiras intenções.

Ora, pois, pois. Resmunga o gajo ao meu lado no ônibus que sacoleja, sacoleja, pára adiante, esvazia e se enche, para acolá, enche mais e lá adiante se esvazia para em seguida se encher novamente.

Quando o ônibus arranca todos nós, passageiros, somos impulsionados para frente. Mas se dá uma freada brusca somos movidos para trás. Diz-se sobre a freada brusca que é para arrumar a carga.

No Liceu me disseram que esses movimentos têm a ver com a lei da inércia. 

Não foi Newton, mas sim Galileu quem primeiro elucubrou sobre essas coisas. Disseram-me no Liceu. Muito, muito antes de Newton condensar suas observações no livro Principia Matemática, Galileu já se ocupava em curiosidades e observações sobre a inércia.

Estou falando inércia, rapaz. Sabes quando as coisas são inércia pura? É como está agora aqui. Tudo parado. Tudo parado como se uma carga de paralelepípedos houvesse desabado de um zepelim em vôo rasteiro e não aparecesse ninguém ousando arriscar sequer um olhar de alguma janela entreaberta de algum mirante só para aferir o tempo lá fora.

Tudo parado. E as pessoas com mêdo.

Aferir o tempo lá fora só para saber se ainda vem mais chuvas e então poder imaginar por quanto tempo a cidade ainda vai continuar assim alagada, esburacada, enormes tabuas de pirulitos,mas sem pirulito algum exceto, certamente, para uns poucos que nem precisam se incomodar com esse peso do inverno ou com esse inferno cotidiano que tem sido querer trafegar por necessidade de ter que ir de um lugar ao outro nesta nossa ilha do amor.

Ter que ir e ter que voltar. É certo, disse o poeta paraibano, que no caminho da volta ninguém se perde. Mas a volta se torna difícil quando se tem que encarar os mesmos obstáculos e pedregulhos vencidos a duras penas na ida. 

Melhor muitas vezes é não haver volta para não haver reencontros indesejados, para não ter que retribuir a sorrisos hipócritas, para não ter que estender as mãos limpas e não ter que lavá-las em seguida, imediatamente. 

Mãos sujas, larápias, se estendem em simulações cínicas querendo cravar alguma aposta no futuro bem aventurado que está chegando.

E eu ia lhes falar sobre a inércia por estas bandas que é tanta que não suportando mais nem a si própria desafiou a gravidade fazendo levantar em vôo um avião que é só sucata, sem motor, sem turbinas, sem piloto. 

Um avião velho, depenado, que está ali inerte há anos no ferro velho do aeroporto levantou voo de repente. Talvez só para chamar a atenção que nem mais a inércia agüenta mais tanta inércia.

Pneumonia

Começou com uma forte gripe. Uma radiografia do pulmão na quinta - feira ultima acusou princípio de pneumonia. No dia seguinte Dilma já estava em São Paulo, no Sírio Libanês, onde foi internada para exames.

Os exames complementares, sob a direção do cardiologista Roberto Kalil, indicam que o quadro da Presidente é de normalidade. Ela vai tomar uns antibióticos por dez dias, e depois tudo bem.

Amanhã, segunda - feira, Dilma já retorna a Brasília.

Eu sei o que é pneumonia em Brasília e, no meu caso, escapei do muito pior em tempo.

Pneumonia é uma doença que derruba toda a imunidade da pessoa deixando-a exposta a todos os vírus e um deles te pegando de mal jeito faz um psiu bem convincente chamando a morte.

Os médicos que cuidaram de mim, dentre eles meu primo, o santo doutor Euler Vidigal, com receio de que eu pegasse uma infecção hospitalar, me isolaram num quarto em casa, onde fiquei que nem manga verde, abafado, longe da luz do sol.

Eu era examinado duas vezes por dia. E tomava fortes doses de antibióticos. Três semanas depois me liberaram e eu tomei um avião à noite para Teresina de onde segui, madrugada adentro, para a casa de Caxias.

Naquele clima de mato e açude ainda fiquei tomando remédio e repousando por mais uma semana. Não foi fácil para mim. Pneumonia, gente, é a doença mais covarde porque ela te ataca e tu nem percebe e ela pode te apagar do mapa imediatamente.