quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
O Cabeça
Segundo a Folha de São Paulo hoje, na coluna Painel, foi José Sarney. Sem tirar nem por, eis a nota:
Pai da criança Foi José Sarney quem sugeriu ao PMDB abraçar a bandeira do aumento do mínimo como forma de retirar do foco a disputa por cargos no governo de Dilma Rousseff, real interesse do partido. "É só falar do salário que vai virar manchete", instruiu o presidente do Senado em reunião com correligionários no apartamento de Michel Temer.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
0800
Uma vez ele até me perguntou se eu conhecia o lugar e o que eu achava.
Falei sobre o que eu conhecia da ilha de muitos anos antes, um lugar bonito com uma casa rústica lembrando uma antiga escola pública.
Eu não sabia até então nada das benfeitorias que os donos já haviam feito por lá. Depois foi que a VEJA mostrou fotos aéreas de duas ou três mansões umas próximas das outras no aprazível lugar, sonífera ilha.
Não sei se a minha opinião negativa, mas de boa fé, sem querer contribuiu para a recusa de Lula ao convite naquele tempo.
Há pouco, com a proximidade do fim do seu mandato andaram falando no Maranhão que o Lula iria ficar uns dias descansando na ilha particular onde ficam as casas de veraneio de José Sarney, Roseana Sarney e Fernando Sarney.
Agora se sabe que o Lula aceitou convite do Nelson, Ministro da Defesa, para descansar com a família numa praia de domínio do Exército, no litoral paulista. E que já está lá, desde ontem.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Na Butique Dela
O PMDB resolveu agora discutir com o Governo o salário-mínimo de 540 cruzeiros. Não que tenha combinado isso com as centrais sindicais que estrilaram querendo mais.
Essa postura do PMDB é apenas retaliação ao novo Governo por causa da distribuição dos cargos de segundo escalão que, na contabilidade dos seus lideres, tem saído em doses maiores para o PT.
Mas não é bem assim.
Os Correios, por exemplo, foram tirados do PMDB por causa de denuncias seguidas de gestão temerária com repercussões negativas na qualidade dos seus serviços.
No conjunto da administração federal existem repartições que, aparentemente, não tem grande importância, mas o que poucos sabem é quanto aos milhões, às vezes bilhões, disponíveis em seus orçamentos.
A grana desses orçamentos é o que desperta a cobiça dos políticos da base aliada, em especial PMDB e PT.
Não é no salário mínimo que o PMDB está olho, não. Ele está de olho é na butique dela...
Só dava Ele
Contam que Geisel assim que deixou de ser Presidente passou a receber os jornais na mesa do café e os lia todos, o que não lhe era possível nas manhãs atarefadas do Poder.
Uma vez perguntaram ao mordomo porque o General se demorava tanto lendo página a página todos os jornais que lhe chegavam.
- É que ele fica contando quantas vezes o nome dele aparece.
Sábio, pé no chão, Geisel brincava dizendo que em 90 dias, no máximo, nenhum jornal iria mais falar dele.
Os jornais de hoje dizem que Lula passou o dia ontem sem sair de casa e que pela manhã leu os jornais.
Dente ou Denta
Ate quando vai durar essa contenda se a Dilma é Presidente ou Presidenta ninguém sabe.
Todo o sistema de informática do Governo Federal está agora programado para que ela seja chamada de Presidenta.
Mas os grandes jornais do País e as Redes de TV optaram por chamá-la de Presidente.
Segundo os gramáticos, os estetas, os filólogos, os alquimistas e os cronistas incluindo os do absurdo, as duas formas terminológicas – dente ou denta – estão corretas.
Daí que cada um chame a Dilma como quiser. O que conta mesmo é que ela é a mulher que está no comando do País cujo Governo começa com 137 bilhões de reais de contas da rubrica restos a pagar.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Volta Por Cima
A Helena era uma moçoila tímida quando nos conhecemos na Sala de Imprensa do TSE em Brasília.
Tempos difíceis aqueles e mais difícil para a Helena que sendo filha do Carlos Chagas, o Chefe da Sucursal de O Estado de S. Paulo, sofria certa má vontade de alguns coleguinhas que achavam que o prestigio do pai facilitava as coisas para ela, e isso nunca foi verdade porque o orgulho do Chagas era ver a filha no garimpo dos fatos, batalhando a noticia.
Mas a Helena, penso eu, sempre foi de não perceber, ou não querer perceber, maledicência em seu derredor. Nunca demonstrava nada. Ou não percebia mesmo. Já tinha naquela época o mesmo sorriso tímido e de simplicidade cativante de até hoje.
Repórter que não sabe perguntar pode ir mudando de ramo logo porque se não tem matéria não demora a perder o emprego.
Helena naquele tempo já sabia perguntar.
Roda, roda, roda e a vida nestes 35 anos da Sala de Imprensa do TSE até aqui nos colocou em estradas diferentes, mas sem que nos perdêssemos de vista.
Helena era a Diretora de O GLOBO em Brasília e eu o Ministro no Judiciário, do TFR ao STJ e também, por quatro anos, no mesmo TSE em cuja Sala de Imprensa nos conhecemos trabalhando.
Muitas vezes, até há pouco tempo, nos encontrávamos no supermercado do Pão de Açucar, no Gilberto Salomão, no Lago Sul.
Por conta desse seu endereço, no Lago Sul, a Helena ficou sabendo de umas coisas a mais quando estourou a confusão com o Palocci naquela estória do caseiro.
Helena com seu bom caráter de sempre teria preferido passar a informação ao Palocci, pessoa de sua cordial estima e fonte, é claro, mas o jornal reagiu de imediato lhe tirando o emprego.
Depois foi o Franklin, tirado meio de inopino da direção da TV Globo, em Brasília. Já estava ele na BAND quando o Lula o chamou para ser o Ministro da Comunicação Social da Presidência. Franklin chamou a Helena para trabalhar com ele.
Hoje a Helena tomou posse no cargo de Ministra da Comunicação Social do Governo da Dilma no lugar do Franklin que havia avisado, ainda na campanha eleitoral, que não queria mais ficar no cargo.
Boa sorte, Helena, grande menina!
Virou Conceição
Vinicius é filho de Sonia Castro, que seria sócia dos filhos de Erenice na Capital Assessoria e Consultoria.
Já o Stevan, funcionário concursado da ANAC / Agência Nacional de Aviação Civil, foi apontado como sócio de Israel Guerra, que teria intermediado a renovação da licença para a MTA Linhas Aéreas transportar encomendas dos Correios.
Quanto à Erenice as investigações vão continuar a cargo da Policia Federal e da Controladoria Geral da União.
Passadinha
Essa pessoa se parecia muito com a Hillary na posse da Dilma, alguém assim com aquela cara de quem se conhece de algum lugar e que se demora um pouco para se saber exatamente quem é.
O coronel Chavez estava bem perto quase emparelhado e aí foi que ficou mais difícil saber quem era mesmo aquela coroa loura de sorriso explicito e cara de quem precisa sair correndo porque já está quase na hora do acumpunturista e depois ainda tem que ir pegar o maridão no trabalho.
Nem naqueles rincões empoeirados e de tanto suspense do Oriente Médio a Secretária de Estado de Barack Obama apareceu tão surpreendentemente mal vestida. Cristiana Lobo foi quem primeiro notou e chamou a atenção.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Só no Ensaio
O automóvel deu o prego no ensaio, mas logo o consertaram. As moças escaladas pela Policia Federal como agentes de segurança passaram no teste de esforço físico.
Tudo certinho, mas na hora H São Pedro abriu as torneiras e a chuva despencou impedindo o desfile em carro aberto, obrigando a Presidente eleita e o seu Vice a seguirem nos carros do ensaio, mas sem os capôs levantados.
Lembrando aquele verso do Fernando Pessoa – o mundo é para quem nasce para o conquistar,/ e não para quem sonha em poder conquistá-lo, / ainda que tenha razão... – a foto que ficou nos jornais foi a do ensaio com a Juliana de sósia da Dilma, convincente no papel que representou.
Qual é a Música?
Foi esta a curiosidade que rolou após o compromisso de posse da Dilma perante o Congresso Nacional.
A voz que estava bem à frente do microfone principal da mesa dos trabalhos era a de Sarney, que como muitos brasileiros é dos tempos em que se cantava obrigatoriamente todo dia o Hino Nacional nas escolas.
Médicos de Cuba
Não só os médicos formados em Cuba têm sido impedidos de exercerem a profissão. Também os formados na Bolívia e na Argentina.
As restrições são tantas que esses médicos se embrenham numa quase clandestinidade pelo interior do País trabalhando para Prefeituras de pequenos Municípios onde os doutores de diplomas brasileiros não querem morar.
Decisões judiciais têm concluído que os médicos formados fora do Brasil precisam ter seus diplomas revalidados pelo Ministério da Educação para exercerem a profissão.
O MEC abriu inscrições para os exames de revalidação dos Diplomas, mas dos 628 inscritos só 2 foram aprovados em 2010.
Há algum erro nessa metodologia dos exames, sustentam os avaliados. O problema está na qualidade dos cursos, argumenta a concorrência.
Os Olhos do Mundo
A saída de Lula da Presidência é vista assim por alguns olhos da imprensa no mundo:
- Numa época em que o poder corrompe e os que o ocupam decepcionam os eleitores, Lula é extraordinário. Como Nelson Mandela. – El País, Espanha.
- A educação é desigual, assim como o sistema de saúde. A violência gangrena as metrópolis, e a corrupção e o nepotismo rondam a vida pública. – Le Monde, França.
- É pouco provável que Dilma Roussef consiga se livrar tão cedo da sombra do ex - Presidente Lula. – The Nation, Estados Unidos da América.
Sob Teto de Zinco Quente
A Presidente Dilma vai estar mais longilínea fisicamente e em cores mais discretas no vestuário. Nada daquele vermelhão petista. Ela quer simbolizar que vai presidir o Brasil para todos os brasileiros, não só para aqueles que votaram nela.
O resto do cerimonial todo mundo já sabe. Desfile em carro aberto pela Esplanada até o Congresso Nacional e de lá, após o juramento de posse e do discurso, subida da rampa do Palácio do Planalto, onde Lula lhe passará a faixa presidencial.
O General Golberi, um dos bruxos mais notáveis no poder palaciano no século 20, dizia que depois que a pessoa sobe aquela rampa no meio de duas filas daqueles dragões da independência que lhe batem continência solenemente, quando ela chega lá em cima e nota que só a chamam de Presidente, então é porque já é Presidente mesmo.
O resto é com a história. História com H.
Não Deu
Ele que por duas vezes subiu com Lula a rampa do Palácio do Planalto em dois mandatos vai ver de um quarto de hospital, pela televisão, os momentos finais de uma presidência da qual fez parte duas vezes como Vice.
De cada cirurgia que escapava, e nós aqui de fora já nem sabemos quantas, Alencar renovava o desejo de descer a rampa do Planalto ao lado de Lula.
Com água de mais no corpo e tendo, por isso, que fazer diálise, Alencar está bem, segundo os médicos e, segundo seu filho, ele até comeu um pururuca assado na ceia de Ano de Novo.
Seu quadro clínico, não obstante, considera imprudência sua ida hoje a Brasília para a posse de Dilma e momentos finais de Lula. Alencar luta há mais de dez anos contra um câncer no estômago.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Sem Adiamentos
Depois de amanhã fincando um novo marco zero nos certificaremos de que um calendário se exauriu, mas que ainda assim só um pedaço do tempo passou.
O tempo que nos aperreia é daqueles que demoram e não passam assim indo embora só porque o calendário de um ano se passou e um ano novo chegou.
Ainda vai demorar a se ir esse tempo travoso danoso à lucidez, espaçoso para o dominador, nutriente das mediocridades despóticas antigas e das mais recentes, enrustidas nas mesmices das suas liturgias, dissimuladas em seus apetites insaciáveis e ambições urgentes.
Tem hora em que vendo esses cenários nos quais transitam os fingidos, amigos do alheio, ou inimigos do erário, nem sei, quando os vejo na ribalta enorme deste Estado de coisas nem fico a pensar.
Não sei se o que sinto em relação a essa gente é pena ou nojo. Por isso, nem fico a pensar. Nem fico a pensar.
Não é só a coragem deles que faz a decência estancar. Não é só a audácia deles que faz o opróbrio avançar.
É a nossa desorganização, a nossa falta de compromissos com os outros, com o coletivo, é a nossa dispersão sem uma consciência clara dos sentidos da dignidade humana e da cidadania plena, é a nossa passividade que os faz avançar.
São essas coisas assim que nos tornam reféns deste tempo que, apesar das viradas dos anos, das suas passagens festivas, foguetórios e esperanças, se esvai aos pedaços, ou em farelos, não passa inteiro, todo de uma vez, e nos faz estancar.
Ou definimos claramente meta por meta o que teremos que alcançar no transcorrer deste ano novo, identificando e trabalhando sério na organização das iniciativas, ou daqui a um ano, nesta data, continuaremos a nos repetir renegando o tempo das coisas ruins, sem inspiração de confiança.
O ano novo que começa depois de amanhã, a depender de nós outros e não apenas de outros nós, não será um ano oco. Será um ano murcho se continuarmos assim nessa incapacidade tola de mirarmos o alvo e de alcançarmos os objetivos certos.
Se quisermos que o ano que está pronto para começar depois de amanhã nos chegue para ser o ano da retomada das sagas antigas pelos ideais de sempre, combinando as ações e cada um assumindo a trincheira em que cada um for o mais capaz, conseguiremos que não se esvaeçam as esperanças gerais das quais ainda somos, e não sabemos ainda por quanto tempo, os fies depositários.
O calendário como sempre repetirá os nomes dos meses, mas não dirá o mesmo do ano que se acaba quanto aos dias da semana nem quanto á lua em suas fases.
Tudo nas folhinhas acontecerá diferente. Se quisermos mesmo, para valer, o ano novo será muito mais que isso. Será bem diferente, se quisermos mesmo.
Como as lamparinas tendem a resistir nas intempéries mais que as velas, não dispensaremos as velas, mas convocaremos as lamparinas.
Quando a noite fizer luar e as nuvens derramarem sombras na estrada turvando pedaços do caminho seguiremos à luz das velas, se for preciso. Ou das lamparinas, se for preciso. Importante em tudo é que seguindo em frente não nos percamos uns dos outros.
Feliz ano novo, gente! Até depois de amanhã.