quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mais Ativos

Eles podem ser poucos em relação aos outros Estados, mas a verdade que eles, os ladrões, em Brasília, DF, são muito mais ativos.

Um estudo publicado no 4º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública garante que o Distrito Federal é a unidade federativa onde os ladrões aproveitam melhor o tempo, obtendo maiores resultados.

Os registros policiais apontam que no ultimo ano foram praticados, em media, 1 mil e 105 roubos ou furtos ou assaltos para cada 100 mil habitantes da Capital da República.

A despesa pública com segurança no Brasil, incluindo os três níveis, federal, estadual e municipal, aumentou de 165 reais por habitante em 2006 para 238 reais por habitante em 2009, num total gasto de 45,6 bilhões de reais.

O segundo lugar nessa categoria, ladrões mais ativos, não ficou com o Maranhão, não. Destra vez ficou com o Rio de Janeiro.

Deu no The iPiauí Herald

São Luis - As Avenidas José Sarney e as Ruas Presidentes Sarney, Marly Sarney e Sarney Filho (além da Travessa Sarney, da Praça Zequinha Sarney e da Ponte Governador José Sarney) foram fechadas ontem para receber os cantores Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa que, após décadas de serviços prestados à cultura baiana acabam de se naturalizar maranhenses.

"É com extrema alegria que nos juntamos a esse povo todo lindo e odara, que assim como o baiano também acentua o primeiro 'ó' da palavra córação", declarou o cantor, compositor, pensador e maranhense Caetano Veloso, feliz por não ter lido O Estado de S. Paulo ontem.

Gil também se pronunciou, mas até o fechamento desta edição não foi possível compreender o que ele disse. 


A naturalização do quarteto é mais uma realização da governadora Roseana Sarney. 

No seu discurso de posse em março, ela disse: "É preciso haver uma distribuição mais democrática da cultura. Os compositores não podem citar a Bahia a cada cinco canções enquanto o Maranhão continua sendo o patinho feio da Música Popular Brasileira."

Os quatro ex - baianos prometem adaptar rapidamente as suas canções, mesmo que ao arrepio de melodia e ritmo.

Dentre as primeiras medidas estão as conversões de Na Baixa do Sapateiro (Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia / A morena mais frajola do Maranhão), Bahia com H (Salve o santo Maranhão imortal, Maranhão dos sonhos mil, / Eu fico contente da vida em saber que o Maranhão é Brasil), e, mais importante, O que é que a baiana tem? (O que é que a maranhense tem? / Governo do estado, tem / Papai no Senado, tem /... )

(The iPiaui-Herald é uma paródia do famoso diário norte-americano. É anexo do saite da Revista Piauí, hospedada no saite do Estadão.com.br – Acesse: HTTP://revistapiaui.estadão.com.br/herald/post_276).

Inocências

Quando não se tem nada a dizer, manda a regra, o melhor a fazer é calar-se. Não dizer nada.

E se entregar na contemplação das coisas até onde as lentes dos olhos silenciosamente possam alcançar, resolve?

Ora, se o mundo desaba em tempestades de verbos, e desaba, derramando acusações e atirando culpas e você protestando inocência, eu não sei de nada, eu sou até inocente e ainda assim as afrontas paradas no ar, os inquisidores em gritos mudos, os dedos em riste parados no ar, tudo assim agressivo quanto invisíveis, convém não se deixar acuar.

Quando você mal desperta e vê as coisas assim e assim como se fossem assar-lhe, o melhor a fazer é meditar, meditar, não se deixando acuar, porque talvez você precise agora de muita serenidade para olhar um pouco mais para dentro de si, até onde as lentes dos olhos da sua consciência livre, intimoratos, possam alcançar.

É bem possível que lhe tenha chegado a hora de dar um passeio lento no seu passado, lembrando-se daqueles quantos que nós conhecemos na estrada e que se atrasando na marcha foram ficando, ficando.

Uns não chegaram porque gastaram os seus sonhos todos de uma só vez, querendo tudo o quanto antes ao mesmo tempo com aquela fome de antes de ontem. Outros, por despreparo para as próximas horas, por incompetência até para sonhar.

No coletivo, não adianta nada querer conciliar as ações sem conciliar os sonhos. Todos, mas todos mesmo, tem o seu direito a sonhar.

E se estamos no coletivo, melhor ainda. Um sonha atrelado ao sonho de todos e todos sonham atrelados ao sonho de um. Isso é como apertar ao peito hipotético a humanidade maior de Cristo.

Mas agora, depois de sobrevoar esse estado de coisas e voltar com os pés no chão, as mãos cheias de indignação, a ver com os próprios olhos isso tudo que só dá motivo a não querer mais essas violências à civilidade e essas agressões à inteligência, agora não dá mesmo para protestar inocências.

Temos responsabilidade, sim, com o olhar triste das crianças famintas e sem infância dos nossos milhões de desempregados, com esse alheamento com que são tratados os nossos milhões de analfabetos.

Não podemos ficar indiferentes ante as centenas de milhares de moçoilas das beiras de estradas e dos lugarejos distantes engravidadas de mais bocas futuras predestinadas à fome ou à subnutrição e de olhares que irão se abrir às carências de direitos e de futuros.

Será sempre nossa a culpa por esse atraso de décadas em que vegeta a maioria da nossa gente, sem água tratada para beber, sem teto seguro para morar, sem esgotos, sem saúde pública, sem escolas de qualidade, os ratos em festas nos lixos das ruas. O patrimônio e a vida de cada um à mercê do previsível assalto.

Purgaremos penas noturnas infindáveis a nos doerem na consciência se, catando e incinerando um a um os nossos erros, não assumirmos a humildade com que devemos, de novo, nos reunir, respeitando a capacidade de um cada para a trincheira certa, agirmos coletivamente, e aí sim, confiantes na vitória coletiva.

É utopia? Não. É sonhar com o possível.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

By, Hebe

Ao fim das gravações hoje a Hebe se despediu e garantiu ser aquela a sua ultima vez no SBT. Não vai haver mais Hebe dia nenhum, nem noite alguma no SBT.

Logo agora que o Silvio está com tudo que ganhou trabalhando duro durante a vida penhorado para garantir o empréstimo que teve que tomar para cobrir o rombo bilionário que seus executivos, a maioria parentes, deram no seu banco PanAmericano.

O Silvio é um bom exemplo para as pessoas que acham que por se manterem integras perdem alguma coisa neste mundo cão. Não perdem não.

Você pode ganhar a maior loteria do mundo, ocupar o cargo de maior poder no Brasil ou no Maranhão, mas se não lhe respeitam não adianta nada. Seu dinheiro não serve pra nada. Você não tem poder nenhum.

A base de toda legitimidade é o respeito.

Esse rombo no banco dele não alterou em nada a sua imagem publica e o respeito que as pessoas têm por ele e sua historia de vida.

O Silvio completou 80 anos de idade ontem. E a Hebe, sua velha amiga e companheira de trabalho, encerra o programa elogiando o patrão, agradecendo o carinho de todos e dizendo by,by...

Afinidades

Afora o fato de o Lobão e o Pedro, ambos do PMDB do Maranhão, terem sido indicados para Ministros da Dilma, um para as Minas e Energia e outro para o Turismo, que mais há, ainda, de comum entre eles?

É que os dois Ministérios funcionam num mesmo prédio, na Esplanada.

Assim, os colegas serão vizinhos e os demandantes com acesso ao prédio não perderão tempo.

E por falar em Turismo, esse Ministério que vai ser entregue ao Pedro, apesar das aparências, de inexpressivo não tem nada. Superou a Educação nas emendas parlamentares no Orçamento deste ano. 1, 7 bilhões para o Turismo e 1, 4 bilhões para a Educação.

Isso, porém, não fez crescer o número de turistas no Brasil.

As emendas parlamentares, especialmente as que se destinam ao Ministério do Turismo, tem sido alvo de incontáveis suspeitas de desvios, eis que financiam até  carnaval e rodeios.

Fácil prestar contas disso, não?

Mas dinheiro mesmo em conta dessas que quase não acaba mais você vai encontrar devidamente orçamentado é com o vizinho do Turismo, o colega das Minas e Energia.

As previsões para 2011 são para PDMB nenhum botar defeito. Só para energia elétrica propriamente dita estão sendo alocados 46, 3 bilhões de reais. 273, 3 milhões para combustíveis minerais, quer dizer gás e quejandos. 90,3 milhões para normatização e fiscalização. Metade das obras do PAC, outro projeto de aceleração bilionária, está lá vizinha ao Turismo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Barriga

Em jornal, quando uma noticia é dada por um único veiculo chamamos de furo. A concorrência foi furada, levou um furo.

Mas quando a noticia desponta esperada e espetacular com todos os ares de veracidade e logo depois é desmentida chamamos de barriga.

Pois não passou de uma grande barriga essa noticia que até comoveu o Lula de que a Sakineh, aquela iraniana condenada à morte por apedrejamento havia saído da prisão.

O Governo do Irã, enfim, cedeu às pressões internacionais e dispensado a mulher da pena de morte. Não foi nada disso, falaram as fontes oficiais.

Ela saiu da prisão, é verdade, mas apenas por algumas horas. Pelo tempo suficiente para voltar a sua casa e lá com a Polícia fazer a reconstituição do crime de que é acusada - o de ter matado o marido.

Pode ser que uma acusação de assassinato pese mais forte na dosimetria para uma pena tão cruel como essa de apedrejamento do que uma acusação de adultério.

Brincante

Esse Ministério do Turismo, que agora no Governo da Dilma parece ter caído do céu no colo do Pedro, já começa a dar o que falar até um pouco mais do que se imaginava.

O Pedro, hoje com 79 anos de idade e há mais de 20 no PMDB, é um experiente operador de dinheiro publico, eis que toda sua vida na política foi sempre assim mexendo com sucesso nessa área.

Decerto que, ao ser surpreendido com tão prestigiosa prenda, não imaginava que as explicações sobre os desvios de dinheiro tivessem que ser tantas, quase intermináveis.

Pois tão logo se ficou sabendo dos imbróglios do Gim e suas emendas patrocinadoras de tantos folguedos, agora é um rolo com o Padilha que vê nisso conspiração para queimá-lo no Ministério e mais ainda uma mini-serie, talvez chegue a ser novela, na qual se buscará saber o destino de 115 milhões de reais também decorrentes de outras emendas parlamentares.

Curiosidade. A rubrica da despesa é "fluxo turístico".

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Big Biggs

Para quem não se lembra, o Brasil foi o refugio de Ronald Biggs, um dos mais procurados assaltantes a um trem pagador na Inglaterra, isso já faz tempo, foi em 1963.

Na época foi o maior assalto a trem pagador na Europa – 2 milhões e 600 mil libras.

Ainda moço, pinta de galã, deu que o Reino Unido quis levá-lo para ser julgado lá na Inglaterra e várias providencias para tirá-lo do Brasil, inclusive uma tentativa de seqüestro, não deram certo.

Finalmente, Biggs se incorporou ao cenário carioca, passando a viver leve e radiante, até admirado por muitos, porque nós, brasileiros, temos essa tendência de em filme policial torcer pelo bandido, pela mulher do bandido, essas coisas.

Mas deu que Ronald Biggs tornou-se pai de um rebento brasileiro, o Michael.

E a mãe? Quem foi a mãe a dar a Biggs o Michael, o salvo conduto definitivo para ele ficar pelo tempo que quisesse no Brasil?

A mãe foi a Raimundinha, uma mui querida e simpática recepcionista do hotel do Moacir e que com a ajuda do La Rocque que lhe deu uma passagem de avião tinha ido embora daqui de São Luis para o Rio de Janeiro.

O La Rocque, aliás, era assim. Gostava de ajudar as futurosas e bonitas moças que quisessem buscar o futuro no Rio de Janeiro. A Alcione foi uma delas. Outro foi o Lobão, mas como só estamos falando aqui de moças, o Lobão é outra história e, justiça seja feita, historia com outros contornos, alguns ainda inéditos, todos memoráveis.

Pois o filho do Biggs, o menino Michael, fez parte de uma banda infantil chamada Balão Mágico, sucesso na Rede Globo.

Condenado a 30 anos de reclusão e foragido há mais de 30 anos, um dia o Biggs resolveu voltar à Inglaterra se entregar à Policia.

Fosse aqui não aconteceria nada. A pena já estaria prescrita, até porque sendo maior de 70 anos seria reduzida à metade. E fugir, reza nossa doutrina, é direito do preso.

Biggs então só se entregou à Policia na Inglaterra quando quis e no dia em que bem quis. Mas em lá chegando foi mandado à prisão para cumprir a pena por inteiro. Mais tarde, já com mais de 80 anos de idade e muito doente, Biggs foi mandado para cumprir o restante da pena num asilo de velhinhos.

E foi lá, agora, nesse asilo que ele reclamou hoje ter sido roubado em 100 libras, o que vem a ser menos de 300 reais. O filho dele, o Michael, diz que Biggs está muito mal e que só se comunica por escrito, numa grande lousa, e que pode morrer a qualquer momento.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dois Lugares

Um, os Estados Unidos da América.

Dick Cheney, o todo poderoso Vice Presidente de George W. Bush nos dois mandatos, é agora acusado de corrupção num negocio de gás natural na Nigéria.

Os fatos seriam anteriores à sua eleição para Vice Presidente. Ele era Presidente de uma empresa de energia chamada Halliburton, que tem uma subsidiária chamada Kellogg, Brown and Root.

Num contrato pelo gás nigeriano no valor de 6 bilhões de dólares foram pagos 180 milhões de dólares em suborno às autoridades governamentais da Nigéria.

Dois, o Brasil.

O Relator do Orçamento da República para o ano de 2011, Senador Gim Argelo, descobre-se agora, se envolveu em incidentes com emendas orçamentárias cujos valores teriam sido desviados para finalidades não previstas legalmente.

Um respeitável membro daquela famosa CPI dos Anões do Orçamento, há mais de uma década, me disse não faz muito tempo que não adiantou nada aquilo tudo de cassar mandatos de uns, forçar renúncias de outros, porque as práticas dolosas e imorais, umas disfarçadas e outras sem disfarces, logo voltaram.

A CPI ganhou essa denominação preconceituosa contra os anões porque os seus membros, em sua maioria especialista naquelas cirurgias no Orçamento da União, eram baixinhos. Alguns como o João Alves e o Cid até já morreram.

Sob Controle

Leia, por favor, esta Nota Oficial da Controladoria Geral da República:

A Controladoria-Geral da União (CGU) já vinha investigando os graves indícios de desvios envolvendo verbas oriundas de emendas parlamentares e destinadas a eventos festivos em áreas de interesse turístico.

Essas ações da CGU se dão, inclusive, quando das fiscalizações feitas por meio de sorteios de municípios, além de outras originárias de denúncias, algumas vindas do Ministério Público (MP). Em alguns casos, também, por solicitação dos próprios parlamentares autores das emendas.

Esse é o caso do senador Gim Argello, o qual acaba de solicitar, por meio de ofício enviado hoje, que a CGU apure minuciosamente as recentes denúncias publicadas na imprensa sobre esse assunto, envolvendo o seu nome.

A realização de eventos festivos e turísticos com recursos oriundos de emendas parlamentares é bastante vulnerável e fértil em problemas, tanto assim que, no ano passado (2009), foram mantidas várias reuniões entre auditores da CGU e técnicos do Ministério do Turismo (MTur) com vistas a melhorar os mecanismos de controle sobre a questão.

Isso resultou na edição, pelo MTur, de duas portarias que regulamentam o assunto. Essas portarias estabeleceram, entre outras coisas, limites para pagamento de cachês e a proibição de financiar itens de difícil verificação.

Além disso, o MTur também passou a fazer visitas in loco nos municípios por ocasião da realização dos eventos programados. Isso melhorou a situação, mas não eliminou as possibilidades de fraude.

As fiscalizações da CGU têm encontrado, entre outros problemas, utilização de institutos fantasmas; superfaturamento dos eventos; prestações de contas genéricas; substituição do artista contratado por outro de cachê menor; cobrança de ingresso para show já financiado pelo convênio; dispensa de licitação para montagem das estruturas de palco, som, segurança etc.; e conluio entre empresas e institutos controlados pela mesma pessoa.

Alguns desses casos estão descritos em relatórios de fiscalização em municípios no âmbito do programa de sorteios, e publicados no site da CGU na internet. (www.cgu.gov.br).

Com a repetição dos casos, a CGU verificou tratar-se de esquemas criminosos e, por isso, ainda em 2009, encaminhou os relatórios à Polícia Federal (PF) e ao MP, além da remessa ordinária ao Tribunal de Contas da União.

A partir daí, a PF e o MP abriram investigações que ainda estão em andamento, realizadas em conjunto com auditores da CGU e concentradas, até aqui, em alguns estados. A identificação dos estados e dos autores das emendas não pode ser revelada, obviamente, para não prejudicar as investigações.

Senhora Tentação

Que nem um vulto distante que, aos poucos se delineia, lá vem ela.

E se não cuidarmos bem administrando com responsabilidade nossas vaidades e arrogancias, ela retorna, gente, e volta a nos infernizar.

Pressionada pela alta nos preços dos alimentos, principalmente da carne em seus contrafilés, alcatras e filés, ela alcança agora, desde fevereiro a novembro ultimos, o seu maior resultado – 4,31%, ou seja, acima de tudo o que aconteceu no ano passado e quase 1% acima do previsto pelo Governo para todo este ano.

A Caderneta de Poupança, por sua vez, não nos traz também noticias alvissareiras. .

Recente levantamento da Consultoria Economática mostra que o rendimento "real" da aplicação na Caderneta de Poupança em novembro último, descontada a variação do IPCA do período, foi o pior desde março de 2003.

Pobreza

Nada pessoal, mas é de uma pobreza dessas de envergonhar essa idéia que ganha espaços em Brasília de tornar mandatários do Brasil no Parlamento do MERCOSUL Senadores que não conseguiram ser eleitos nas ultimas eleições.

Ainda que se tratasse de indicações embasadas pela imperiosa necessidade nacional de se ter naquele Parlamento perfis imprescindíveis às relações multilaterais do Brasil que estréia agora um novo Governo, as escolhas não deveriam recair nessas pessoas que acabam de perder as eleições.

Mesmo que se mude a lei, soariam como sinecura ou algo assim como pirulito de consolação e isso não gera respeito num País ainda tão carente de respeito às suas instituições republicanas.

Nenhum dos que estão sendo falados para esse ato de piedade cristã – Mão Santa, Heráclito, Marco Maciel, dentre outros, deveriam aceitar essa enganosa caridade.

Um Mais Um

A confirmar-se o Lobão para as Minas e Energia e confirmado, como já está, o Pedro para o Turismo, o Maranhão será o único Estado a ter dois Ministros de Estado num mesmo Governo indicados por um mesmo partido, no caso o PMDB.

Lobão esteve com Lula, mas saiu sem dizer nada. A confirmação do Pedro partiu do próprio Gabinete de transição da Dilma. Pedro foi indicado pelo Henrique, o líder do PMDB na Câmara.

O PMDB ainda ajusta os seus nomes. Quer o Garibaldi na Previdência e não o Eduardo Braga, que já havia sido convidado para o cargo.

Garibaldi é indicação do Temer, que já emplacou também o Moreira, o Wellington Moreira Franco, na Secretaria de Assuntos Estratégicos, aquela outrora ocupada pelo Professor de Barack Obama em Harvard, o nosso gringo-baiano Mangabeira Unger.

O negocio é que no Congresso Nacional existem dois PMDBs, sendo um da Câmara e outro do Senado. A distribuição dos Ministérios e demais repartições vitaminadas tem que atender, em separado, às duas bandas.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Jeitosa

Devagar, devagar, mas sem o quase parando, a Dilma vai impondo o seu estilo como Presidente da República que, como diria o Janio, sê-la-á no próximo quadriênio, dentro de alguns dias.

A regressiva para o Lula começou. Outro dia, alias dia primeiro de dezembro, o Franklin olhando o relógio virou-se para o Lula e disse – Presidente, pois não é que já estamos na regressiva? Ó cara, retrucou o companheiro, nem me fale nisso.

A verdade é que o Lula não tem parado nessa regressiva, viajando o tempo que nem o tempo já não mais permite, indo de ponta a ponta ver as coisas como ficaram, só não está indo mesmo é a batizado de boneca.

E a Dilma, eu que por conta de alguns anos de convívio com ela nas responsabilidades do País imaginava conhecê-la bem, tem me surpreendido positivamente. No seu jeito firme não tem se deixado levar pelas intimidações costumeiras do PMDB, por exemplo.

Prestem atenção como ela está conduzindo as demandas dessa grande arca de Noé, sem Noé, na definição do Janio.

O Ministro da Previdência, por exemplo, será do PMDB, sim. Mas será um jovem desconhecido do plano nacional, com quem aliás até me dou muito bem, o Senador eleito Eduardo Braga, do Amazonas. E assim a Dilma fez mais um na cota do partido. Um Ministério horrível onde só se fala a língua do "d", do déficit.

O Ministro da Saúde não será do PMDB. O Ministro das Comunicações não será do PMDB. O Ministro das Minas e Energia não será do PMDB, ao que tudo indica até agora, mas o do Turismo, sim, talvez seja do PMDB.

O Ministro da Integração Regional também não será do PMDB. Nem o da Ciência e Tecnologia, nem o da Educação, nem o da Infra-Estrutura. Por onde há ervanário o PMDB, ao que tudo indica, desta vez não passará.

Talarico

O Neiva e o Jackson, a estas horas, por onde andam eu não sei. Mas imagino a tristeza de cada um, a seu modo, com essa notícia da morte do Talarico, o grande José Gomes Talarico.

Naqueles tempos da agitação intensa, as emoções dividindo o País como se aqui só existisse o plenário da Convenção francesa, uns na direita e outros na esquerda, apenas isso, sem espaço algum para qualquer idéia alternativa, falar no Talarico era um abre alas sem cessar, uma certeza de divisão de águas, mas com muita inteligência e energia cívica.

O Talarico morreu hoje e se, ao contrário do poeta, não deixa uma herança de filhos e sonetos, lega a nós outros, ainda sobreviventes, uma história de lutas pelas idéias, história inserida na história do Brasil, que com a força do seu ideal ajudou a inscrever vivendo.

Talarico nasceu em São Paulo em 1915 e começou a trabalhar nas redações de jornais como repórter do "Correio Paulistano". Trabalhou na sucursal paulista do jornal carioca "A Noite" de 1937 a 1938, quando ajudou a fundar a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1941. Como jornalista do jornal "A Noite", dedicou-se à cobertura do Ministério do Trabalho, tornando-se funcionário do próprio Ministério, a partir de 1942.

Em 1944, o ano em que eu nasci, participou das negociações pela regulamentação da profissão de jornalista e ajudou a fundar o nosso Sindicato no Rio.

Em 1945 participou da criação do PTB, o Partido Trabalhista Brasileiro, invenção de Vargas para acalmar o proletariado que, atraído pela industria têxtil e pela construção civil, crescia nas grandes cidades, notadamente no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e em São Paulo.

Participou do Movimento Queremista, que defendia a continuidade do Governo Vargas e a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.

Em outubro de 1945, Jose Gomes Talarico foi preso ao tentar organizar a resistência contra a deposição de Vargas pelos militares. Em 1950, com a vitória de Getúlio, voltou ao Ministério do Trabalho e chefiou o serviço de imprensa de 1951 a 1953.

Talarico foi eleito suplente de Deputado Federal pelo DF em 1954. Em 1958 obteve nova suplência. Com a capital em Brasília, preferiu concorrer em 1962 a uma cadeira na Assembléia Legislativa do recém criado Estado da Guanabara.

Vice-Presidente da Assembléia Estadual Constituinte e muito atuante nos embates com os grupos políticos fiéis ao então Governador Carlos Lacerda, Talarico foi um dos principais assessores sindicais de João Goulart nos anos que antecederam o golpe militar de 1964.

Durante a última ditadura militar, Talarico teve o mandato cassado e foi preso diversas vezes. Na transição democrática, ajudou Brizola na organização do PDT. Em 1982, foi eleito deputado estadual pelo Rio. Exerceu a liderança do governo Brizola na Assembléia até o ano de 1984, quando foi eleito pela Assembléia para o Tribunal de Contas do Estado.

Aposentou-se do Tribunal em 1986, após o que passou a trabalhar como Diretor da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).