sábado, 31 de dezembro de 2011

O Genro e o Rei

Assim que soube que o seu genro estava sob a suspeita de malfeitos com o dinheiro público, o Rei da Espanha, Juan Carlos I, mandou logo tira-lo das listas do cerimonial e agora que foi intimado pela Justiça a se explicar, o boneco que o representava foi retirado do Museu de Cera no salão destinado aos membros da Família Real.
Inãki Urdagarin era atleta da seleção espanhola nos Jogos Olímpicos de Atlanta, USA, quando conheceu Cristina, a filha do Rei. Hoje casados e com quatro filhos, moram em Washington, DC.
Pesa contra Inãki a acusação de ter recebido 2,3 milhões de euros do Governo da Província de Baleares, entre 2004 e 2004, através de uma ONG, para organizar congressos turísticos, mas não gastou com isso nem a metade indo o restante para as suas empresas e do seu sócio Diego Torres, também indiciado.
Outro desvio teria ocorrido num contrato de quase 3 milhões de euros entre a mesma ONG e autoridades da Província de Valença.
Ele terá que se apresentar pessoalmente ao Tribunal de Palma de Maiorca em 06 de fevereiro e se não o fizer será preso. 
O Rei da Espanha ainda fez mais. Mandou divulgar na internet o Orçamento da Casa Real, quanto ele recebe, quanto gasto e quanto paga de imposto de renda.
Ele ganha € 292,752 mil (euros) brutos por ano. A metade do valor é referente a gastos com representação. Já o príncipe herdeiro Felipe recebe há dez anos a metade deste valor, ou seja, € 70,260 mil em salários e € 76,117 mil em verba de representação.
A rainha Sofia, a esposa do príncipe Felipe, Letícia, e as infantas Cristina e Elena não recebem salários, mas seus gastos com representação este ano chegaram a € 375 mil.
A Casa Real recebe € 8,4 milhões do governo espanhol para seu orçamento anual. De todos os salários são descontados 40% de impostos.
A publicação do orçamento da Casa Real era uma reivindicação antiga de diversos partidos políticos no país. Os salários da realeza sofreram uma queda de 15%, em 2010 e um congelamento dos recursos neste ano.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Morreu, Acabou


Quanto mais poderosos o homem ou a mulher, menos se dão conta de que na vida é assim. Morreu, acabou.
António Carlos Magalhães tinha duas caras.
Quando queria uma coisa e não conseguia, virava Toninho Malvadeza. Muitos se tomavam de medo das bravatas dele e cediam. Quando notava que o que queria poderia obter sem dificuldade se transmudava em Toninho Ternura.
Na politica baiana deitou e rolou. Na politica nacional fez e aconteceu.
Agora a família e uns amigos que restaram querem produzir em DVD um documentário – ACM, Vida e Espaço.
O projeto foi orçado inicialmente em 1,4 (um milhão e quatrocentos mil reais). Uma ninharia que nos tempos de poder lhe chegaria às mãos num estalar de dedos.
Mas agora está difícil arrecadar o dinheiro. E o projeto foi reduzido para 523 mil, o que comprometerá, é claro, a qualidade do conteúdo.
Indubitável que o ACM, tanto o seu lado Malvadeza quanto o seu raro perfil Ternura, são parte da história politica do Brasil merecendo registro visível às novas gerações.
António Carlos não foi megalômano, melhor dizendo precavido, ao ponto de em vida arrecadar dinheiro para bancar o próprio mausoléu ou um filme documentário.
Quando morreu tinha uma família unida ao seu lado e uns poucos amigos. Poucos, mas amigos. E o mais importante. De tudo fez em vida para obter o reconhecimento e o carinho sincero do Povo para o qual tanto trabalhou colocando a Bahia à frente de muitos Estados do Brasil.

Fora do Ar


Em algum lugar do passado, ou seja, num itinerário baiano de quando podia transitar sem as intempéries comuns às celebridades, Eliana Calmon busca agora nestes dias de festas o sossego merecido ao lado da família.
Ela sempre foi assim destemida, espirito publico inconformado com as injustiças, sem medo das maledicências e corajosa para enfrentar e vencer as barbáries no serviço público.
Querendo apenas e tão somente cumprir o seu dever de Corregedora Nacional da Justiça, Eliana não está produzindo nenhuma novidade fora da Constituição e das Leis da República.
Essa algazarra dos corporativismos nefastos é só porque as ações pela transparência no Judiciário são lideradas hoje por uma mulher. No caso, a Eliana.
O Dipp, seu antecessor, fez incursões idênticas, embora em menor intensidade por falta de estrutura, à época, e ninguém reclamou.
Um dia desses reencontrei a Eliana numa solenidade no STJ. A Corregedoria Nacional de Justiça tem-na absorvido muito.
- Estou com saudades de você, Eliana!
E ela, sem baixar o tom, para todo mundo ouvir:
– E nós todos aqui com saudades de você!

Sem Cura


Primeiro Deputado Federal assumido publicamente como homossexual, Jean Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro, nega que a homossexualidade tenha cura. E não tem cura, argumenta, porque não é doença.
As igrejas que pregam a cura dos gays devem, na avaliação do Deputado, ser punidas se essa pregação é transmitida pelo rádio ou pela TV.
O Deputado argumenta que sendo as rádios e TVs concessões públicas, as Igrejas não tem o direito de prometer cura da homossexualidade mediante terapia ou quaisquer outros meios porque isso é discriminação.
- As religiões tem liberdade. Está na Constituição. Os pastores são livres para dizer no púlpito de suas igrejas que a homossexualidade é pecado, já que assim o entendem. Entretanto, eu não acho – diz Jean Wyllys – que os pastores que estão explorando uma concessão pública de rádio e TV tenham que aproveitar esses espaços para demonizar e desumanizar uma comunidade inteira, como a comunidade homossexual.

Genros


Só porque o genro do Rei da Espanha andou fazendo, dizem, coisas que não deveria ter feito com o dinheiro público, vamos então demonizar os genros?
Houve um tempo em que os homens até rezavam para que os filhos a caminho nascessem homens, o que tinha a ver, parece, com os costumes monárquicos.
Mulher era sinônimo de genro. Soava à maldição. Nesse quesito, são incontáveis, nos dois sentidos, as histórias.
William Somerset Maugham, consagrado autor de "A Servidão Humana", foi entrevistar Winston Churchill, Primeiro Ministro e Chefe do Almirantado inglês, assim que acabou a segunda guerra mundial.
Quase esgotado o estoque de perguntas, Maugham fez esta - qual o homem que o senhor mais admira? Benito Mussolini. Maugham, que era gago, ficou estupefato. Mas por quê? Teve coragem de mandar matar o genro, respondeu Churchill.
Menelau era genro de Tíndaro. Orestes era genro de Menelau. Lacedemon era genro de Eurotes. Genros gentes boas, bem comportados.
Se Páris, um mulherengo danado, filho do rei de Tróia, não tivesse bulido com Helena, a mulher de Menelau, aquela guerra e nem aquele cavalão de madeira jamais teriam acontecido.
Com Orestes, filho de Agamenon e genro de Menelau, a história é mais comprida. Na volta da guerra de Tróia, Agamenon foi morto por Clitemnestra e seu amante, Egisto.
Suspeitando ser o próximo da lista, Orestes buscou proteção na corte de Estrófio até que depois, já adulto, sob as ordens de Apolo, partiu para matar a própria mãe, crime do qual acabou absolvido por voto de desempate.
Outra vez Apolo, aquele terrível, monitorando Orestes mandou que ele fosse a Táurida roubar a estatua de Ártemis e devolve-la a Atenas. Novamente preso e condenado, foi salvo por Ifigênia, sua irmã.
Enfim, Orestes herdou o trono de Agamenon, reinou por muito tempo e morreu aos 90 anos, picado por uma serpente. Não teve genro.
Semana passada o genro da Princesa Anne, da Inglaterra, Mike Tindall, casado Zara Phillips, foi excluído da seleção inglesa de rúgbi e sancionado com multa de 25 mil libras por violar o Código de Ética do time. Após uma partida pelo mundial, na Nova Zelândia, o Mike encheu a cara num bar passando a protagonizar cenas lascivas com uma ex-namorada.
O genro do Rei da Espanha era jogador de handebol quando conheceu a infanta Cristina. Ingresso na família real, ganhou o título de Duque de Palma. Contrariando o sogro, mas com o apoio discreto da sogra, foi para o mundo dos negócios. Hoje é acusado de desvios de verbas públicas, contratos sem licitação com governos regionais, grana em paraísos fiscais e rombo de mais de 6 milhões de euros.
Sobre o genro do Dom Pedro, o nosso segundo Imperador, o Conde Deu, a história do Brasil não conta nada sobre o que ele tenha recebido ilicitamente ou mesmo dado de graça.
Os genros do povo em geral são os melhores, dizem quase todos os seus sogros, garantem todas as sogras. Já os genros da coisa pública, nada a ver. Sai de perto.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Comunistas


O partido único da Coreia do Norte não se intitula de comunista. É PT, mas do trabalho, não dos trabalhadores. O regime, não obstante, é comunista e dos mais arcaicos.
A pergunta agora é se com a morte de Kim Jong-il, o baixinho que conduzia o País com mão de ferro e com um dos exércitos mais disciplinados do mundo, o seu filho Kim Jong-um, que ainda nem completou 30 anos de idade, mas que é General de 4 estrelas sem nunca ter servido ao Exército, vai conseguir manter o País unido na mesma toada e compasso.
Os Estados Unidos, que no Governo de Bush Jr viu a Coreia do Norte fazendo parte do eixo do mal junto com o Irã e o Iraque, adotam a cautela. A China, idem, mas tende a anexar a Coreia como província.
No Brasil, o PC do B que surgiu de uma dissidência do histórico PCB, numa inconciliável divergência entre Prestes e Amazonas, este partidário do comunismo albanês, primo-irmão do comunismo coreano, divulgou carta de sentidas condolências pela morte de Kim Jong-il.
A Deputada Manuela Dávila, que na vitrine do comunismo faz a cara mais  bonita e ativa da militância jovem do PC do B, não apoiou essa manifestação da sua chefia partidária  dizendo pelo twitter que não tolera a hereditariedade no poder. O novo ditador coreano é neto de Kim II-sung, o fundador do regime.