quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Das Cubatas

Como sói acontecer nas cubatas africanas dos séculos das dominações inglesas, o Maranhão ainda se mantém intocado para quem ouse exercer direitos inerentes ao processo civilizatório a que o Brasil imagina haver alcançado em toda sua extensão territorial.

Temendo represálias das tropas de choque no estilo nazista da oligarquia decadente e cruel chefiada de forma enrustida pelo imortal da Academia Brasileira de Letras e atual Presidente do Senado da Republica, o romacista e poeta José Sarney, nenhuma livraria em São Luis do Maranhão ousou colocar nas prateleiras o livro Honoráveis Bandidos – Um Retrato do Brasil na Era Sarney.

Esse livro está ha mais de um mês na lista dos mais vendidos da Veja e é encontrado em qualquer livraria do Brasil, estando à venda pela internet através do saite da Folha de São Paulo, jornal onde o Presidente do Senado assina uma coluna às sextas feiras.

O escritor Palmério Dória foi convidado pelos movimentos sociais que se opõem à oligarquia Sarney a fazer o lançamento do seu livro em São Luis do Maranhão e por pouco não saiu gravemente ferido em meio aos tumultos que os asseclas a serviço da família Sarney, às ordens de um dos cunhados da senhora Roseana Sarney, promoveram no Sindicato dos Bancários.

O Brasil precisa parar de fingir que não lhe interessa o que acontece no Maranhão. O Maranhão sempre fez parte do Brasil, sabiam?

Um Tribunal da União Federal, o TSE, puniu a maioria absoluta dos eleitores cassando o Governador eleito Jackson Lago sob acusações engendradas de abuso de poder político indicando como única prova um discurso boboca do então Governador do Estado num palanque em que estava Jackson Lago, isso tudo numa época em que nem candidaturas existiam e nada à luz da ordem legal poderia induzir a campanha antecipada como se faz hoje no Brasil.

Cassou o Governador eleito e entregou o Governo à filha do Presidente do Senado, que perdeu as eleições no primeiro turno e também no segundo turno, quando teve o reforço num palanque da presença física e de um discurso nada boboca do Presidente da Republica.

Apesar dos abusos de poder politico e do poder economico, o que gerou um processo de cassação que o TSE não julgou até hoje, ela, sim, apesar de todos os abusos e arrogancia, nao foi eleita.

A Justiça Eleitoral do País entrou na historia do Maranhão mais uma vez como cúmplice, ainda que de boa fé, de uma manobra política espúria e canalha em favor de um grupo político que dominando o Estado há mais de 40 anos não se constrange em mantê-lo como o mais atrasado do Brasil disputando com Alagoas o primeiro lugar em tudo que não presta.

2 comentários:

Pan y vino disse...

Ontem(04/11), pouco antes do lançamento do livro Honoráveis Bandidos, no Sindicato dos Bancários, mais de 800 professores se reuniram na quadra da escola Governador Edson Lobão, para manifestar a decisão de continuar em estado de greve, no movimento paredista, contra o desrespeito perpetrado pela filha de Sarney e pela direção do sindicato Sinproessemma. Em conluio com o governo do estado, os diretores do sindicato de professores aceitaram violar a lei federal Fundeb que nos garantiu um reajuste de 19,21% em janeiro deste ano, forjaram assembleias, das quais nunca mostraram as atas e usaram e usam a mídia sarneysista para tentar colocar a população contra os trabalhadores da Educação.
Tentar, pois por onde passamos em nossas caminhadas recebemos o apoio de transeuntes, trabalhadores, alunos, todos, enfim.
A governadora já começa a mostrar sua fragilidade quando lança mão do seu meio de comunicação e da polícia para tentar, mais uma vez tentar, nos barrar.

Jean Pierre Jubert disse...

Caro Senhor Edson Vidigal,
Ao relatar nos seus comentários que "o Brasil precisa parar de fingir que não lhe interessa o que acontece no Maranhão", o senhor está com toda a razão, pois o Maranhão só é manchete quando começam a comparar com lugares totalmente decadentes, ou
índices que nos envergonham,ou que a nossa terra"minha por adoção", seja de um proprietário absoluto e detentor de levas de escravos, falo do Sarney e toda a família, quando aparecem na mídia sempre concorre em desfavor a terra, quando somos vitimas das chacotas, em que todos passam a acreditar que tem o direito de fazer.Não temos culpa do fardo que carregamos, nos envergonhamos sempre, pois o Maranhão é feito do suor honesto e trabalhador de homens e mulheres que labutam no dia-a-dia, a prova maior foi quando derrotamos legalmente nas urnas toda a representação da vergonha e infelizmente a justiça nos tirou essa conquista e honra.Mas continuamos com a esperança que dias melhores virão, e quem sabe um dia possamos estar sendo lembrado pelo que somos de forma verdadeira, sem as zombarias de sempre.