quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A Dor Moral

Quando é com os outros, você não faz idéia do quanto é danoso. Só a pessoa sofrendo, ofendida em sua honra, pode saber o quanto a dor moral é uma dor profunda e sem limites.

Nada cura a dor moral. A condenação legal serve apenas como satisfação aos outros, ao meio social em que se vive. Para o ofendido não é mais que um bálsamo, um breve bálsamo. Transmuda-se em cicatriz invisível, e fica para sempre.

Costumamos nos indignar com outros crimes, os que tem bala e sangue, notadamente. Os crimes contra a honra das pessoas parecem não nos sensibilizar. Enquanto não é conosco.

Em muitos casos, ao contrário, induzidos pela irresponsabilidade com que são pautados alguns veículos da mídia, somos muitas vezes até tentados a admitir a procedência das ofensas e, assim, irresponsavelmente também, nos acumpliciamos.

Nem mesmo os juízes, alguns juízes, poucos juízes, ainda bem, parecem compreender o grande mal que se faz ao não tratar os casos de crimes contra a honra com todo o rigor que merecem.

Ninguém pode violar a intimidade, a vida privada, a honra ou a imagem das pessoas, sob pena de ter que indenizar o ofendido por dano material ou moral, sem prejuízo das sanções penais e administrativas, quando for o caso.

Não obstante, ainda tem gente que parece não acreditar nisso e, apostando na impunidade, prossegue na sanha de querer enxovalhar os outros.

Ora, a honra de uma pessoa, já o disse eu outras vezes, integra a sua vida, a sua sanidade. É o vigor do seu caráter. A honra ferida sangra e dói até mais que o corpo na facada. O dano de um crime contra a honra não é menor que o dano causado por qualquer outra lesão a direito individual.

A honra engrandece a vida, elevando a pessoa para a afirmação da sua plenitude como criatura divina. A desonra humilha, adoece a moral, deprime a alma, ofende a Deus.

Uma pessoa pode ser despojada dos seus bens materiais, suas sandálias, suas vestes, seu teto e, ainda assim, sobrevivente do flagelo, redobrando forças, parceira da esperança, recupera o que perdeu. Ou até consegue mais.

Mas uma pessoa ferida pela desonra, a sua reputação depreciada, confundida com os nulos de caráter, os indigentes morais, também se levanta. Porém, com mais dificuldades.

Enquanto subsistirem na memória coletiva aquelas duvidas semeadas pela ofensa, estará sempre diminuída, como se lhes faltasse um pedaço, alguma porção de um valor indissociável da sua personalidade, da sua honra.

Sim, a honra se afirma inseparável da pessoa. Ninguém a adquire a não ser com a conduta de bons exemplos. Ninguém a amplia a não ser com o respeito com que vai se impondo. Ninguém a consolida a não ser com o reconhecimento do meio social em que vive.

Uma pessoa honrada é um patrimônio moral da sociedade, motivo de orgulho para todos. Sua boa fama atravessa o tempo. Será honrada não apenas no seu tempo de vida, mas em outros tempos, além de sua vida

Daí a proteção legal.

Calúnia, difamação e injúria são crimes em todas as leis do mundo civilizado não só porque causam lesões graves à honra das pessoas, enodoando reputações, mas também porque, alvejando a auto-estima, estimulam rixas servindo, assim, à disseminação do ódio e da inveja, em prejuízo da justiça e da paz, pressupostos maiores para a construção de sociedades menos desiguais.

5 comentários:

pessoabarrett disse...

Bom dia em primeiro lugar. Em princípio, gostaria de parabenizá-lo pela quantidade de boas informações aqui depositadas, e olha que muitos são os saudosistas que não acreditam na grandiosidade desses veículos virtuais. Caríssimo Vidigal, gostaria muito que você visitasse meu blog, na verdade, um espaço modesto onde ponho igualmente minhas idéias modestas, ensaios, contos, poemas, e discos de jazz, é claro. Sinta-se convidado a visitar: www.osonetista.blogspot.com e caso queira, gostaria muito de atualizá-lo com algum artigo de vossa pena. Um abração desde já.

P.S: Lembro que ano passado, 2007, durante seminário sobre segurança pública com o sociólogo Hugo Acero, logo após a palestra, estive a dizer para o Sr. que publicaria no JP, adorei vossa receptividade.

Ivan Pessoa
JPSDB/MA.

Edson Vidigal disse...

Claro que vou visitar o seu blog. Grato pela generosidade dos seus comentários.

Perfil disse...

Ricardo Santos


Caro ex ministro Vidigal, sou fan de suas materias, adoro a forma engenhosa quando deixa transparecer ao leitor sugerindo os personagens das ssuas cronicas.

Anunciação disse...

Caro ministro.Gostei muito de lê-lo.Claro,límpido no teor;ótimo para quem,como eu,com a idade,precisa de letras grandes.Sucesso.

Anônimo disse...

Bom dia Edson
Foi muito gratificante ler algo diferente sobre a dor moral das pessoas, instituto tão desvalorizado pela midia e até por nossos tribunais.
Parabens pela sensibilidade.
abraço fraterno
Edna Laranjeiras